Ministério

Por que cargas d’agua criar um clima tão ruim para a nomeação do Ministério da Saùde? É tão simples verificar com antecedência se há algum problema juridico ou policial com o aspirante ao cargo, mas mesmo assim nosso Presidente perde oportunidades de passar incólume pelas críticas da imprensa. Quantos nomes do partido aliado poderiam ter suficiente experiência e competência necessárias para ocupar a vaga e não poderia evitar tanto constrangimento?
Bola fora de Lula e do PMDB todo.

José Saramago… Vários lados

Estou lendo atualmente o livro de Saramago, As intermitências da Morte, em que há a criação diferenciada da pena de nosso autor português. Na parábola proposta pelo escritor temos como personagem central nossa velha inimiga milenar empunhada de seu capuz e sua foice, tendo atitudes no mínimo inusitadas como uma greve inesperada e, posteriormente outras ações pouco ortodoxas (ou muito ortodoxas, dependendo da forma de visão). Ainda não terminei, mas já vale pelo ineditismo da obra, que já figura entre as melhores de José Saramago, como Memorial do Convento, Ensaio sobre a cegueira, Evangelho e outros.
Por outro lado também tenho estudado alguns livros dentro da disciplina de Historia da Arte, pelo historiador Duby, que coincidentemente é traduzido para o português pelo nosso escritor Saramago. É delicioso ler essa tradução sobre o tema proposto do estudo (Abadias do Século XII), pois o tradutor inclui algumas imagens muito interessantes no texto.

Um pouco de Brasil (hoje em dia brasil)

Politicanagem

 

Dez por cento,

Por cem que favoreçam alguém;

Vinte por tanto,

Vim te tanto fazer também;

Trinta que vamos,

Tilintar de dedos contando os verdes santos;

Quarenta que inventa,

E não me meto no que te comprometa;

Cinqüenta que isenta,

Com fome de gana que somente aumenta;

Sessenta se tensa,

Que tento provento me aguça e atenta;

Setenta que alenta,

Formoso, bondoso e puro a venda;

Oitenta que emenda,

Mistura, que lava, que some e remenda;

Noventa por lenta,

O caminho que toma, e sente e agüenta;

Cem que vem e que tem,

Que nada por sobra parece e amém.

Um pouco de filosofia, espero…

O Apanhador de nuvens

 

Sem se dar conta não se conta mais.

Os pontos inexistentes pululam ao esquecimento

E os dias há dias são apenas noites frias.

Frise, portanto as historias financiadas pelo poder,

Do modo de ver, do modo de mandar;

 

São seus olhos que olham, mas são outras mãos que os dirigem.

Estes são volantes inconstantes, cheios de nuances,

Abalados pelas curvas que têm que converter em caminhos

Ou que provêm suas alucinações da verdade.

 

Pelo que se diz por ai o silencio fala por si só,

Sozinho na caracterização, mas de fato,

Mais um dos nossos.

Criatura e não criador, ação e não estado.

 

Um estado de coisas que conversam

Com quem se quer…Verso!

Em vice-versa a automação não existe.

A existência alias é ilusória,

Vitima das circunstancias

É volúvel a toda prova

E pode se desencantar no próximo ínterim.

 

Quando e onde são imprecisões

Mas com quem, este é o problema de nossas vidas.

 

Aturar a síndrome de viver

Significa esforço mutuo em muito ultrapassado.

O obsoleto atenua os vícios

E o cérebro se deleita.

 

Fins e afins se constituem e se deitam na mesma alcova,

Vala comum esta que apodrece

A raiz das flores acima deles.

 

O universo nunca foi tão paralelo

E ao notar que os passos ficam leves

O sentimento de vôo nos toma,

Tomando de assalto os sentimentos,

Neutralizando as reações e mal tratando almas

Que se abobalham achando graça em cócegas,

Comemorando o finito particular.

 

Bela cena é a da tragédia

Quando lentamente pulveriza os sonhos

E arrefece o coração.

 

Bela cena é a da tragédia

Que avisa calmamente

Enquanto a face se contorce de dor.

 

Bela cena é a da tragédia

Pois o drama se torna único

E não pode mais ser fotografado.

 

Singulares, as marcas esbofeteiam

O arrepio anterior e o transformam

Em paralisia digna de dó.

O caleidoscópio da vida realmente emana

Imagens pueris que nada dizem,

E que se sussurram,

Já o fazem aos petrificados desaparecidos.

Eu por mim mesmo

Q

 

Sou finito no mundo,

Mas conjugado no infinitivo particular;

Peço licença aos amigos,

Mas não me desvencilho daqueles que querem sugar minha síntese;

Vario nas questões macro

E me perco das mínimas conversas;

Sou ateu por dentro e graças a Deus por fora;

Fora o gosto pelo esquisito e pela minha conservadora forma de ver

E o disforme modo de olhar;

Sou água limpa ao beber e o medo de vomitar;

Ao alcance de todos quando não há ninguém por perto;

Político insensato nas imediações do cérebro

Junto à sensatez pura para discordar de si mesmo;

Filosofia a quantos queiram debater o fim e o meio,

Pois filólogo na protuberante e tênue linha do tempo;

Tempo esse que se esvai e que mata a curiosidade de minhas narinas;

Ao cálice sou fiel, à palavra provo existir.Nem eu, nem meu, somente por ai…

Profundidade através de palavras

Pegadas sutis

 

A acalentada figura da sombra vista ao relance de nossos enfoques

Soluciona a plena forma abstrata da luz

Cor, brilho, prisma,

Pretensiosamente afortunam o baú de dourados tesouros.

 

Aonde vai a queda?

 

Por quem choram os orvalhos que desenham caminhos?

Por que silenciar o grito pleno?

 

Que a ventania seja o sopro do amor alheio,

Praticidade, amálgama das cruzes instaladas em nosso âmago.

Cerne, durame, medula,

Forma fixa de fim e inicio sem que o centro seja encontrado.

 

Aonde vai a queda?

 

Por quem choram os orvalhos que desenham caminhos?

Por que silenciar o grito pleno?

 

Por horas o restolho parece ser a fatia maior.

Historia perde sua síntese,

Reconto, factóide, crônica,

A mais tensa reticência provoca arrepio.

 

Olhos porcos, olho os porcos,

Corpos nus em meio à sina dos sinais da vida

Nos corpos meio que sinalizados pela morte

Por nublagens que nos provoquem a formula do desejo.

 

Aonde vai a queda?

 

Por quem choram os orvalhos que desenham caminhos?

Por que silenciar o grito pleno?

 

A procedência dos passos libera o futuro.

Fruto se abre ao sol que aquece a fina camada de desespero.

Forja, criação, molde,

Concessão da letra fresca no papel.

 

Aonde vai a queda?

 

Por quem choram os orvalhos que desenham caminhos?

Por que silenciar o grito pleno?

 

Pela presunção do piso arrancado sob o pé

Crava-se o prego de idéias sem alvo próprio.

Palavra, verbo, método,

Tudo ao redor gira em torno de si mesmo.

 

O infinito é linear sob todos os aspectos preliminares.

Precisão salva o literal direito da saída.

Argumento, ponto, fim

Ao simulacro visionário da constante tendência de se anular

 

O crivo se espalha

O crime se atreve

A bala se abala

E o nada é o que fere

 

Aonde vai a queda?

 

Por quem choram os orvalhos que desenham caminhos?

Por que silenciar o grito pleno?

 

Cor, brilho, prisma.

…Queda?

Cerne, durame, medula.

…Queda?

Reconto, factóide, crônica.

…Queda?

Palavra, verbo, método.

…Queda?

Argumento, ponto, fim.