A Dilma de Dirceu

 
 
Interessante a coluna do Diogo Mainardi sobre a relação entre Dilma Roussef e José Dirceu. Pois parece então que ela possui a chancela do ex-ministro para disputar a eleição de 2010. Das duas uma. Ou Zé se rendeu à vontade de Lula ou foi ele que enfiou na cabeça do presidente a ideia de ter a ministra no pleito do ano que vem. Para ver a coluna vá até a VEJAONLINE e leia na integra a opinião do ranzinza carioca.
 
Dhiancarlo Miranda

A República dos Laranjas

 

Não se engane amigo leitor. As histórias vistas por nós todos nessa semana não são meras coincidências. A nova prisão de dona Daslu, ou Eliana Tranchesi para os íntimos, vem no vácuo de inúmeras outras investigações que a polícia federal tem executado ultimamente. Não é algo dissonante, portanto, que isto tenha acontecido na mesma época em que ocorreram as prisões dos diretores da Camargo Correia.

Por outro lado, fica evidente que estas personagens não são as únicas pessoas envolvidas em supostos crimes de evasão de divisa, problemas com a receita, processos de importação e exportação e, no caso da construtora, envolvimento com partidos políticos, organizações como a FIESP e, é claro, lesões financeiras ao erário público.

Se forem confirmadas as acusações contra os diretores da construtora que possui negócios ao redor do mundo todo poderão ser vislumbradas situações constrangedoras. Serão, assim, desvendadas relações incestuosas com partidos, sejam do governo ou da oposição, envolvimento com campanhas políticas (alguém ai se lembrou do mensalão), e o mais grave, rombos e mais rombos em orçamentos de obras faraônicas pelo país afora.

No caso de Tranchesi, já houve o Habeas Corpus, procedimento dentro dos limites da justiça e que não elimina o ótimo trabalho da polícia federal. Mas cabe perguntar se essa chique senhora seria a única, ao lado de seus diretores, a ter idéias tão criminosas sem obter auxílio embasado e poder suficiente em várias estâncias para fazer o que fez ao longo dos anos. Há gente por trás disso, como há também no caso da Camargo Correia. Temos de volta no cenário nacional mais um capítulo da República dos Laranjas.

 

Dhiancarlo Miranda

A carteirinha do torcedor

 

             Já há alguns dias que ouço, vejo e leio a respeito do assunto e me parece que o senhor Paulo Castilho, novo paladino da justiça do futebol brasileiro, tem mais de Fernando Capez (aquele que tanto fez pelo futebol nacional e conseguiu uma vaga na câmara dos deputados) do que para defensor de mudanças concretas.

          A minha opinião não mudou, pelo contrário, fui em busca de outras personalidades do meio para verificar quais eram suas ideias em relação ao tema. Entre jornalistas consagrados e respeitados, além de coerentes com suas próprias palavras, como Juca Kfoury, Lédio Carmona, Maurício Noriega, Vanderlei Nogueira,  Lúcio de Castro, Marcelo Barreto, entre outros, ressoa o mesmo discurso: Não haverá nenhuma diferença para o bem com a introdução da tal "salvadora" carteirinha do torcedor.

          O fato é que o contexto atual é de desespero para quem gosta de futebol e de ir ao estádio para assistir a um jogo de futebol. Temos dirigentes que preferem distribuir ingressos para torcidas organizadas e usar isso politicamente; há também os jornalistas que mandam abraços e beijos para líderes de torcida; vez por outra visualizamos, embasbacados, autoridades policiais e da justiça convidando diretores de torcidas organizadas para conversar; vemos, inclusive, a polícia utilizando de força extrema ou desnecessária; até jogadores conversam com torcida organizada, como se essa, fosse a porta-voz dos verdadeiros fãs de seu time e do seu futebol.

          Em nossa legislação atual há o suficiente para enquadrar as pessoas que brigam em estádios, aqueles que se utilizam de artefatos de fogo para intimidação, para dirigentes mal intencionados, para tudo aquilo que é errado, seja no futebol, seja além dele, até porque o esporte bretão acontece numa sociedade constituída e não fora dela.

          Por outro lado, vejo como uma tentativa de não se render ao inevitável a fala das mesmas pessoas que citei, com exceção de Vanderlei Nogueira, com relação à ideia de termos torcida única em estádios quando houver clássicos. Penso exatamente o inverso, não por achar que devemos nos render ao problema, mas o fato de verificarmos que medidas, bem intencionadas ou não, não surtiram efeito, devemos pensar primeiramente na preservação da vida daqueles que querem ir ao estádio pacificamente. No que diz respeito ao restante, continua tendo a mesma questão: Podemos colocar as pessoas na cadeia com uma mera visualização por imagem de TV, por fotografia, circuito fechado das dependências do clube onde ocorre o jogo. Podemos considerar essas famigeradas torcidas organizadas como gangs, e, portanto, irregulares e fora da lei. Temos, além disso, a nossa constituição, um estatuto do torcedor e a atuação de promotores e juízes de bem.

          Na verdade, o que acontece é falta de coragem para tomar tais decisões e desagradar alguns gatos pingados com muita força dentro dos clubes de futebol. Falta mesmo cumprir a lei de nosso país.

 

Dhiancarlo Miranda

Tour pelo autódromo de Melbourne

 
 
Muito legal o infográfico do UOL do circuito da Austrália mostrando todas as curvas e desafios que os pilotos irão encontrar domingo de madrugada (2 horas no horário de Brasília). Desde já minha aposta é para um duelo entre a Ferrari de Felipe Massa e a Renault de Fernando Alonso. Entre no link para visualizar o gráfico.
 
 
Dhiancarlo Miranda

Hamas vê diferenças para melhor no novo presidente americano

Do site Terra: Da agência Reuters
 
 

Líder do Hamas saúda "nova linguagem" de Obama

22 de março de 2009
 
 

O presidente norte-americano, Barack Obama, está usando uma "nova linguagem" nas relações com o Oriente Médio e uma abertura em direção ao Hamas é apenas questão de tempo, afirmou o líder do grupo, Khaled Meshaal, em entrevista a um jornal.

"Uma nova linguagem em direção à região está surgindo do presidente Obama. O desafio para todos é que isso seja o prelúdio para uma mudança genuína nas políticas dos Estados Unidos e da Europa. Sobre uma abertura oficial em direção ao Hamas, é só uma questão de tempo", disse Meshaal ao jornal italiano La Repubblica.

Segundo o jornal, Meshaal estava reagindo à oferta de Obama de melhores relações com o Irã. Mas, na entrevista, Meshaal não faz menção direta ao vídeo de Obama divulgado na sexta-feira nem à resposta do Irã.

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse no sábado que a oferta de Obama de um "novo começo" entre os dois países era apenas um "slogan", mas prometeu que Teerã responderia a qualquer mudança real de política por parte de Washington.

O que mais interessa é a pretensão do Hamas de conversar. Talvez isso seja o mais importante no discurso do líder palestino.

Dhiancarlo Miranda

 

 

Ainda é cedo, mas…

da Folha Online

 

Alckmin lidera em SP e Hélio Costa, em Minas; Angela Amin aparece como principal nome em SC

O tucano Geraldo Alckmin, derrotado ainda no primeiro turno da eleição do ano passado para prefeito de São Paulo, é o preferido dos paulistas na corrida para governador, aponta pesquisa do Instituto Datafolha divulgada neste domingo pela Folha. Segundo a pesquisa, o atual secretário de Desenvolvimento do governador José Serra (PSDB) obtém entre 41% e 46% das intenções de voto –sempre na liderança– em todos os cenários em que ele foi citado.

O levantamento mostra ainda que, a 19 meses da eleição, nenhum dos adversários de Alckmin atinge sequer a metade de suas intenções de voto nos cenários em que ele é apresentado. Os mais bem posicionados são os ex-prefeitos Marta Suplicy (PT) e Paulo Maluf (PP).

A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

 

Minas

Em Minas Gerais, o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), apresenta ampla vantagem em relação aos demais aspirantes a candidato ao governo do Estado.

Segundo a pesquisa (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL), Costa lidera nas quatro situações apresentadas, variando de 37% a 43% das intenções de voto.

Nos dois primeiros cenários, com quatro candidatos, ele lidera com 41%. É seguido pelo também ministro do governo Lula, o petista Patrus Ananias (Desenvolvimento Social), com 11%. Na sequência aparecem o vice-governador Antonio Anastasia (PSDB), que tem 5% e está empatado tecnicamente com Maria da Consolação Rocha (PSOL), com 4%.

A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 1.073 eleitores entre os dias 16 e 19, em 42 municípios mineiros. 

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o levantamento mostra que a governadora Yeda Crusius (PSDB) está em terceiro lugar na disputa, atrás do ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), e do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB).

Nos quatro cenários pesquisados pelo Datafolha, os prováveis candidatos do PT e do PMDB –partidos que antecederam o PSDB no governo gaúcho– se revezam na dianteira das intenções de votos. Yeda aparece em terceiro, com percentuais que oscilam de 8% a 9% das intenções de votos.

A pesquisa ouviu 1.092 pessoas entre os dias 16 e 19 março. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Santa Catarina

Mesmo após duas derrotas seguidas do PP em eleições para o governo de Santa Catarina, a deputada federal Angela Amin aparece como o principal nome ao governo em 2010, segundo o Datafolha.

A senadora Ideli Salvatti (PT) aparece em segundo lugar nos três cenários pesquisados –sendo que em dois está tecnicamente empatada com aliados do atual governador, Luiz Henrique da Silveira (PMDB) — Leonel Pavan (PSDB) e Dário Berger (PMDB).

A margem de erro é de três pontos percentuais, e a pesquisa ouviu 964 pessoas entre os dias 16 e 19 de março.

Paraná

No Paraná, o Datafolha indica que dois nomes do PSDB estão na frente na disputa pelo governo em quatro possíveis cenários pesquisados para a eleição de 2010. O atual governador é Roberto Requião, do PMDB.

Tanto o senador Álvaro Dias quanto o prefeito de Curitiba, Beto Richa, têm 39% das intenções de voto no cenário em que o senador Osmar Dias (PDT) está incluído.

Dias tem 31% das intenções de voto no confronto com Richa. Neste cenário, o atual vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB), tem 7% das citações. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo (PT), recebe 3%.

O levantamento ouviu 1.038 pessoas entre 16 e 19 de março. A margem de erro é de três pontos percentuais.

 
Estamos a quase dois anos da disputa eleitoral em 2010, porém é importante para os concorrentes visualizarem como seria a peleja desde já. Alckimin provavelmente será o candidato do PSDB em São Paulo, não só por estar muito bem colocado agora, mas também por ser um dos únicos com possbilidades reais de vencer. Marta, por outro lado não possui mais a força que tinha nos corredores do PT.
Há as outras praças, como Minas Gerais, que tem em Hélio Costa o favoríto disparado e no Rio de Janeiro o atual governador deve ir para sua reeleição. Sabemos que muitas vezes, nesse período bem anterior à eleição, o eleitor ao ser perguntado sobre o seu voto, faz menção, normalmente, ao candidato que está mais vivo em sua memória, mas já é um indicativo do roteiro político daqui a um tempo.
 
Dhiancarlo Miranda
 

Mais Lost …

Só para constar:
 

Para aqueles aficcionados por Lost que ficaram malucos com aquele episódio de duas horas para iniciar a 5º temporada e não ligam de ter algum tipo de spoiler a melhor dica para ficar bem informado da série é o site Lost in Lost. Lá há tudo sobre o que vai acontecer ao longo do ano, curiosidades, opiniões e entrevistas com pessoas ligados ao programa. O endereço é: www.lostinlost.com.br. Jacob loves you.

Dhiancarlo Miranda

Radiohead: Os Shows

Domingo é aqui em São Paulo. Vamos ver como será a reação do público no Rio de Janeiro para visualizar a apresentação no fim de semana na cidade da garoa. Agora é esperar pelo show e por outros que virão a seguir.
Ps – Não podemos nos esquecer de Kraftwerk, que só pela presença, já aumenta em muito a importância do festival, além do retorno relâmpago do Los Hermanos.
 
Radiohead toca no Rio de Janeiro nesta sexta; tire suas dúvidas sobre o festival

Da Redação UOL




O Radiohead faz, nesta sexta-feira (20), sua estreia em palcos brasileiros. O Rio de Janeiro recebe o evento nesta sexta na Praça da Apoteose. O público deve entrar pelo setor 4, na Rua Benedito Hipólito. Quem chegar cedo ao local –os portões serão abertos às 17h– pegará a discotecagem do DJ Mauricio Valladares, prevista para começar às 18h. O Los Hermanos sobe ao palco às 19h, seguido por Kraftwerk às 20h45. O Radiohead deve entrar no palco às 22h30.

A previsão do tempo para a noite de sexta é de 22°C com céu nublado, mas sem chuvas. Segundo a produção, não é permitido levar máquinas fotográficas, objetos cortantes e garrafas. A censura do evento é 16 anos, mas os mais jovens podem ir acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

Quem ainda não comprou ingresso, há entradas disponíveis apenas nas bilheterias oficiais. As entradas custam R$ 200 e cada pessoa pode comprar até quatro ingressos, mas o pagamento só é feito em dinheiro. Os bilhetes estão à venda no Flamengo (Praça Nossa Senhora Auxiliadora s/n°, Gávea), das 10h às 18h, ou no setor 11 da Apoteose (av. Salvador de Sá s/n°, Cidade Nova), das 9h às 19h.

Para o estacionamento de veículos, será interditada a pista de rolamento lateral da Avenida Presidente Vargas, sentido Praça da Bandeira, entre a agulha depois da Rua Carmo Neto e a agulha antes da Rua de Santana. A partir das 18h, o trânsito será interrompido na Avenida Salvador de Sá, entre as ruas Frei Caneca e Marquês de Sapucaí; pista de rolamento na alça de acesso da Avenida 31 de Março para a Avenida Salvador de Sá.

Para quem pretende voltar para casa de metrô, a Estação Praça Onze estará aberta para embarque até uma hora depois do fim do show. As outras estações das linhas 1 e 2 funcionarão apenas para desembarque depois da meia-noite. As linhas de extensão Metrô Na Superfície (Botafogo/Gávea e Siqueira Campos/Gávea) funcionarão até a chegada do último trem.

Aqueles que não forem ao evento, poderão acompanhar os shows pela TV. O canal pago Multishow vai exibir no domingo as apresentações em São Paulo, a partir das 20h30. O show do Los Hermanos também poderá ser assistido simultaneamente pela internet, pelo site do canal, multishow.com.br.

 
Dhiancarlo Miranda

Índio X Homem Branco: Quem é o mocinho?

Mais um capítulo da briga pelas terras no Norte do país. Porém, o resultado avassalador em prol dos índios é bastante sintomático.
 

19/03/2009 – 17h32

Por 10 a 1, Supremo mantém demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Atualizada às 17h58
 


Por dez votos a um, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta quinta-feira (19) manter a demarcação contínua da reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima. O resultado do julgamento deverá servir como parâmetro para outros processos demarcatórios no país.
A decisão, que considerou parcialmente procedente a ação popular que pretendia anular a demarcação, deverá ser executada imediatamente, com a retirada dos não-índios da região. Os ministros impuseram 19 condições a serem tomadas como base não somente nesse caso, como em outros semelhantes.

O procedimento para a retirada será definido pelo relator do processo no STF, ministro Carlos Ayres Britto. Os ministros também consideraram cassada liminar que impedia a ação da Polícia Federal na região, desse modo, os agentes poderão intervir novamente.

O presidente da Corte, ministro Gilmar Mendes, afirmou logo após a sessão que "a legitimidade do Supremo garante o cumprimento do entendimento firmado".

O ministro Carlos Ayres Britto disse que não há necessidade de publicação de acórdão para que a decisão seja cumprida, mas que é preciso definir "a operacionalização". "Estou autorizado pelo STF a comandar esse processo de retirada, de desintrusão, e o farei nesse sentido de contactar imediatamente essas autoridades. Será um prazo comum, uniforme", afirmou. "Tudo leva a crer que não haverá resistência."

Já sobre as possíveis indenizações aos não-índios, o ministro esclareceu que a questão não será decidida pelo Supremo. Além disso, o ministro sinalizou que os arrozeiros poderão ser retirados durante o período de colheita. "Quem plantou em terras de litígio, o fez por sua conta e risco."

O julgamento


Mendes, último a apresentar o voto, assim como o colega Celso de Mello, que votou na quarta (18),
foram a favor da demarcação contínua, impondo condições. Para Mendes, o processo de demarcação é "muito sério" para ficar sob a responsabilidade única da Funai (Fundação Nacional do Índio). O ministro criticou a ausência do Estado em terras indígenas e defendeu a ação do TRF (Tribunal Regional Federal) da 1ª Região no cumprimento da decisão.

A área da reserva Raposa/Serra do Sol corresponde a cerca de 7,7% do território de Roraima e abriga 194 comunidades indígenas dos povos macuxi, taurepang, patamona, ingaricó e wapichana. Aproximadamente 18 mil índios que habitam a região deverão, após a decisão do Supremo, continuar no local.

O julgamento, que teve início em agosto de 2008, havia sido interrompido duas vezes por pedidos de vista e foi retomado novamente nesta quarta (18) com o voto do ministro Marco Aurélio de Mello, único contrário à demarcação.

Durante quase seis horas, das dez de sessão, o ministro leu o voto, de cerca de 120 páginas, apontando uma série de nulidades no processo. Em seu entendimento, a ação deve ser "saneada" e reiniciada, inclusive com novas audiências das partes envolvidas e a elaboração de mais documentos sobre a região.

O voto causou bate-boca no plenário com o colega Carlos Ayres Britto, que afirmou que o que havia de "central" no voto de Marco Aurélio já constava do seu relatório; o restante era material periférico. Aurélio não gostou do posicionamento do relator, defendendo que o conteúdo de seu voto "não era periférico". "Se vossa excelência quiser, eu posso me retirar", disse Marco Aurélio. "Não é necessário", respondeu Britto.
O advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, defendeu que "não há necessidade de que o julgamento seja reiniciado". Segundo o representante dos interesses do governo federal no caso, já havia um "certo conformismo por parte daqueles que estão na área".

Entenda o julgamento no Supremo

Os ministros decidiram-se sobre a Petição 3388, ajuizada pelo senador Augusto Botelho (PT-RR), que contestava a demarcação da reserva de forma contínua. A ação pedia a anulação da Portaria 534 de 2005, editada pelo Ministério da Justiça, e o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que homologou a demarcação, no dia 15 de abril de 2005. A demarcação foi concluída em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Além de analisar se a demarcação deveria ser contínua, o Supremo também teve de definir a permanência dos arrozeiros na região. Isso porque, depois da homologação, foi estabelecido o prazo de um ano para a saída dos não-índios.

Um grupo de produtores de arroz resistiu à desocupação, e a Polícia Federal interveio. Houve protestos contra a presença dos agentes, e a ação policial foi suspensa até a decisão do Supremo.

Quando o julgamento foi interrompido pela segunda vez, oito ministros já tinham votado a favor da manutenção da portaria. O relator, ministro Carlos Ayres Britto, chegou a argumentar que a maioria já estava formada e, portanto, o pedido de vista do ministro Marco Aurélio não teria validade prática. Contudo, o presidente Gilmar Mendes preferiu aguardar a manifestação do voto-vista para proclamar o resultado oficial.

 

Dhiancarlo Miranda

O público de cinema no Brasil

 
A matéria de Veja desta semana "Classe C e cinema: afastados pelo ingresso" por Maria Carolina Maia esmiuça problemas que já são conhecidos pelo público escolado no assunto, mas que não chega a um consumidor que poderia ser beneficiado pela maior distribuição de entretenimento e cultura no Brasil. O fato de 10% dos cinemas, teatros e afins estarem espremidos numa área compreendida pela cidade do Rio de Janeiro, São Paulo e o interior do estado paulista explica muito do porquê rendas de blockbusters americanos não conseguirem sequer 1/5 da renda verificada no eixo EUA-Canadá.
Os produtores, diretores e distribuidores brasileiros normalmente não descarregam com tanto afinco sua melhores apostas no país, pois temem não obter o lucro desejável. Infelizmente isso ocorre, pois todos esperam pelo dinheiro público para que suas produções sejam adotadas ou levadas nos braços do dinheiro do cidadão que termina por pagar duas vezes para ver um filme, espetáculo ou coisa que o valha.
Muita gente boa e corajosa coloca dinheiro do próprio bolso para conseguir investir em suas obras e nisso não há nenhum mérito religioso, pelo contrário, pois não podemos esquecer que apesar de transmitir cultura, o cinema também é entretenimento e, como tal, um negócio como outro qualquer. Investe quem quer e este fica a espera da oferta e da procura.
Quanto à distribuição do público requer um estudo maior e mais aprofundado no que diz repeito às regiões que poderiam ter mais acesso aos diferentes processos de cultura e entretenimento, mas também é necessário ressalvar que, mais uma vez, o lucro deve falar mais alto e somente os locais onde haja procura por esta atividade é que devem ter aumento no número das salas.
 

Dhiancarlo Miranda