A saga de Lost chega ao 100º episódio

A incrível jornada de Lost, da ilha e de seus personagens incomuns chega ao seu episódio de número 100 revigorada por uma excelente  5º temporada, seguida de uma possibilidade de novos rumos para a última temporada, que deverá ser um martírio para nós, fãs da série, não só pelo fato de que só será exibida em 2010, mas também pela sensação de que a cada semana ficará mais próximo seu fim. Para celebrar tal marco, após ler meu sítio favorito sobre o programa na internet (lostinlost), decidi me valer da lista que o responsável pelas discussões mais legais acerca do tema LOST, Carlos Alexandre Monteiro, cunhou para externar o que esse clássico da TV significa para nós todos.
 
Dhiancarlo Miranda
 
1. A excepcional história criada por Jeffrey Lieber, JJ Abrams e Damon Lindelof
2. O fenômeno de mídia que é o seriado, cuja história se estende em livros, games e internet
3. O time de personagens maravilhosos
4. 8. 15. 16. 23. 42. Números!
5. O ótimo nível do elenco, com destaque para os incríveis Terry O’ Quinn e Michael Emerson
6. O climão “Além da imaginação” presente na maioria dos episódios
7. A cena da queda do voo 815 e o desespero dos sobreviventes do voo 815. Foi assim que tudo começou!
8. A sagacidade dos geniais produtores executivos Damon Lindelof e Carlton Cuse e seu brilhante time de roteiristas
9. Os apelidos dados por Sawyer aos outros personagens
10. O enigma ambulante que é John Locke
11. A misteriosa Iniciativa Dharma
12. As escotilhas e a empolgação por descobrir cada uma delas
13. Desmond e sua fantástica saga
14. As reviravoltas da trama
15. Vincent: o labrador que sabe mais do que late.
16. O charme de Kate
17. As histórias de redenção
18. Driveshaft. You All Everybody!
19. A trilha sonora orquestrada, obra do excepcional Michael Giacchino
20. A cena da jangada partindo. De fazer chorar!
21. Os Outros!
22. Alvar Hanso, o homem por trás da Dharma
23. As cenas de abertura de cada temporada
24. As cenas de encerramento de cada temporada
25. “Não me diga o que não posso fazer!”
26. Os cruzamentos e encontros de personagens fora da ilha
27. Os sussurros e a tentativa de tentar entender cada um deles
28. As belas mulheres da série: Shannon, Kate, Sun, Juliet, Libby, Nikki…
29. O sotaque de iraquianos, nigerianos, ingleses, escoceses e coreanos
30. Doutor Pierre Chang e seus vários personagnes
31. O monstro de fumaça!
32. As divertidas caras de incredulidade de Jack Shephard
33. O quadrilátero amoroso Jack-Kate-Sawyer-Juliet
34. A saudosa dupla Charlie e Hurley
35. O campeonato de golfe da ilha. Valendo um desodorante!
36. As milagrosas curas da ilha.
37. A via crúcis de John Locke: de desgraçado a escolhido
38. O cargueiro e sua tripulação de adoráveis esquisitos
39. O apavorante olhar de Benjamin Linus
40. Ah, e as mentiras de Ben também. Quando acreditar nele?
41. A habilidade MacGyveriana de Sayid Jarrah
42. Juliet, a doutora vira-casaca
43. Ethan Rom, o infiltrado
44. As comidas Dharma. Quem nunca quis um pouco daquele pote de manteiga de amendoim?
45. Geronimo Jackson!
46. As músicas que tocam nos episódios – sobretudo as dos que abrem cada temporada
47. O apavorante Christian Shephard
48. A sinistríssima cabana de Jacob
49. Charles Widmore x Benjamin Linus: velhas raposas e seu duelo
50. O inesquecível filme de lavagem cerebral visto por Karl
51. A estátua do pé de quatro dedos
52. Ter tido a experiência de ouvir português no seriado, no fim da segunda temporada
53. Mr. Eko: a perda mais prematura da história de “Lost”
54. Os debates que rolam no Orkut, nos comentários dos blogs e aqueles de que já participei na Saraiva
55. Os conhecidos e amigos que fizemos por conta da paixão pela série
56. DarkUfo, Lostpedia, The ODI, Dude,We Are Lost!, Hawaii Blog, The Transmission, Jay and Jack Podcast, Teorias Lost e tantos e tantos outros excelentes sites sobre um só tema
57. A minimalista vinheta de abertura, que tem tudo a ver com a trama
58. Os merecidos prêmios conquistados. Que venham mais!
59. Os deliciosos extras dos boxes de DVDs
60. A animada obsessão de querer reparar em cada detalhe que surge na tela
61. O orgulho meio besta de saber que houve um brasileiro na história – ainda que o personagem fosse meia-boca…
62. Os sneak peeks, cenas que nos matam um pouco da curiosidade sobre cada episódio
63. “Lost: The Missing Pieces”, a série para celulares
64. As emocionantes cenas de adeus. Perdemos Shannon, Eko, Boone, Charlie, Charlotte, Ana Lucia…
65. Os fantasmas da vida de Hurley. Queremos mais!
66. O Templo!
67. As inexplicáveis listas de Benjamin Linus
68. Os planos incríveis já protagonizados por Jack, Sawyer, Ben, Sayid…
69. O susto que tivemos ao pensar que Jin tinha morrido.
70. O Jack atormentado querendo voltar à ilha
71. A sinistra sra. Hawking e seu grande pêndulo
72. As versões infantis dos personagens
73. Leonard Simms, Essam, Dave, Annie, Scott, Steve, Henry Gale… A incrível lista de personagens “lado C”, excelentes ainda assim
74. Ilana, Bram e a estranha nova turma que veio no voo 316.
75. As companhias aéreas Ajira e Oceanic e seus respectivos sites
76. As empresas da série: Mr. Cluck’s, Widmore, Paik Industries…
77. A impressionante reconstrução de locais do mundo todo, obra das turmas de cenografia, figurino e efeitos especiais
78. Os bichos: tubarão com logo Dharma, ursos polares e o desaparecido pássaro que dizia o nome de Hurley
79. As incríveis incursões pela floresta e os diversos “times” formados pelos sobreviventes
80. A guerra sobreviventes x Outros, vista no fim da terceira temporada
81. Bernard e Rose: eles podem não ser tão relevantes à trama, mas protagonizaram o reencontro mais bonito da série.
82. “The Constant”, “The Man Behind The Curtain”, “The Shape of Things to Come”, “Walkabout”… Difícil escolher o episódio mais espetacular!
83. Os livros vistos na série. Além de excelente, “Lost” ainda incentivou muita gente a ler…
84. Os nomes dos personagens
85. As referências (e reverências) diversas a Star Wars, Alice no País das Maravilhas e O Mágico de Oz
86. Richard Alpert, o homem que não envelhece!
87. A chance de visitar o passado no presente para conhecer a Dharma
88. Os vídeos de Orientação, tão reveladores quanto esquisitos
89. Danielle Rousseau, claro!
90. As frases emblemáticas da história da série
91. A beleza marcante da ilha
92. Os jogos de realidade alternativa The Lost Experience e Find 815
93. A vila Dharma e sua descoberta
94. Waaaaaaaaaaaaaaaaaalt e seus poderes
95. Penny e Desmond: para mim, a história de amor mais bela de “Lost”.
96. Os divertidos e reveladores podcasts pilotados por Damon Lindelof e Carlton Cuse
97. Os admiráveis profissionais que trabalham na série e que fazem dela ser o que é
98. Jacob: o homem que talvez nos revele o que tanto queremos saber há cinco longos anos
99. O frio na barriga que me acompanha até hoje, antes de assistir a cada novo episódio
100. O privilégio de estarmos assistindo em primeira mão à melhor e mais importante série de todos os tempos.
 
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A gripe Suína não é apenas um espirro

É o que alerta a própria OMS (Organização Mundial da Saúde) que em nota avisa que o problema já virou pandemia e atingiu nível 5.
 

Do UOL Notícias

 

Organização Mundial de Saúde alerta para pandemia iminente

 

A Organização Mundial de Saúde anunciou nesta quarta-feira (29) que o nível de pandemia mundial para o surto de gripe suína atingiu nível 5, em uma escala de 1 a 6, indicando que existe ameaça iminente de pandemia global.

Nota do Blog:

Entenda a escala:

Níveis de alerta de epidemia

Nível Condições
1 Vírus de gripe circulam entre animais, especialmente aves. Nenhum vírus de animais infectou humanos
2 Um vírus de animais infectou pessoas. Existe potencial ameaça pandêmica
3 Casos esporádicos ou pequenos focos de doença em humanos, sem capacidade para transmissão entre humanos
4 Transmissão entre pessoas, capaz de causar surtos em nível comunitário. Há aumento significativo no risco de pandemia
5 Transmissão entre pessoas são confirmadas em ao menos dois países de uma região da OMS. Pandemia iminente
6 Epidemia global em andamento

 

Dhiancarlo Miranda

 

Mendes vs Barbosa

Após bate-boca no STF, Joaquim Barbosa recebe apoio no Orkut

da Folha Online

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, bastante popular nas comunidades do Orkut há algum tempo, ganhou mensagens de apoio de internautas brasileiros no site de relacionamentos, após o bate-boca ocorrido na quarta-feira (22) com o presidente do Supremo, o ministro Gilmar Mendes.

Até as 8h de hoje, Barbosa tinha ao menos uma comunidade contra (sem nenhum usuário, contudo) e mais de 20 comunidades favoráveis no Orkut –juntas, somam mais de 4.000 membros.

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Ministro do STF Joaquim Barbosa recebe mensagens de apoio no Orkut quanto à discussão com presidente da casa, Gilmar Mendes

Alguns internautas chegam a sugeri-lo como um nome para a campanha presidencial de 2010. A maior delas, intitulada Sou fã do Min. Joaquim Barbosa, traz uma moção de apoio ao ministro.

Tratado como "herói", Barbosa é descrito na comunidade como "um homem frugal, do tipo que prepara seu próprio café da manhã, consome comida natural, bebe suco de clorofila, aprecia um chope com os amigos e escuta MPB", mas também é "um sujeito refinado, aficionado por música clássica, modesto bebedor de vinho, que compra seus ternos elegantes em duas cidades: Paris e Los Angeles".

Manifestações de apoio também são lidas no Twitter e na blogosfera –com o surgimento de uma página dedicada à defesa de Barbosa, cujo endereço é http://eusoufadoministrojoaquimbarbosa.blogspot.com.

Enquanto isso, o presidente do Supremo tinha quase 30 comunidades com tom crítico dos internautas, somando mais de 5.000 membros. Ao menos duas, com mais de 400 usuários no total, são elogiosas.

Nota do Blog:

Interessante: Enquanto no próprio Supremo quem recebe apoio inconteste dos companheiros é o ministro Gilmar Mendes, quem se aproveita do eco das ruas (ou da internet) é Joaquim Barbosa.
Fica parecendo best-seller ou filme blockbuster:  Fracasso de crítica, mas sucesso de público.
 
Dhiancarlo Miranda

As primeiras impressões de Dilma ao mundo europeu

Dilma Rousseff é a dama de ferro com os pés no barro

 
Direto do Jornal Le Monde (França)
 
Do Enviado Especial para o Brasil Jean-Pierre Langellier
 
 
Sobrenome: Rousseff; nome: Dilma; idade: 61 anos. Você não a conhece? Mas ouvirá falar dela, cada vez mais, até o fim de 2010, quando acontecerá a eleição presidencial no Brasil.

Há quatro anos ela detém o segundo cargo político mais importante do país: chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma espécie de primeiro-ministro não oficial. É uma função exaustiva ("Um Paris-Dacar a cada dia", ela diz), mas discreta, longe dos holofotes que se focam em Lula.

Uma discrição relativa, que já deveria ser tratada quase no passado. Pois Dilma, como muitos de seus compatriotas a chamam – evitemos "Dilminha", uma familiaridade que ela não aprecia muito – está se tornando a estrela política do Brasil.

E isso, por uma razão muito importante. O presidente Lula, a quem a Constituição proíbe de disputar um terceiro mandato de quatro anos, a escolheu como sua princesa herdeira. A menos que aconteça algo inesperado, ela será a candidata em 2010 pelo Partido dos Trabalhadores (PT), fundado por Lula em 1980, e no poder graças a ele desde 2002. Imaginemos que Dilma seja eleita: uma mulher, pela primeira vez presidente, oito anos após a eleição de um operário. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só, e bom para a imagem da democracia brasileira.

Lula não possui herdeiro natural em um partido que ele domina com sua forte personalidade. A escolha de Dilma se impôs a ele aos poucos. É uma aposta segura. A futura candidata está na política desde sempre, e como! Ela é filha de um advogado comunista de origem búlgara. Esse intelectual bon vivant lhe transmitiu o gosto pela leitura e pelos cigarros. Ela tinha 15 anos quando ele morreu.

O golpe de Estado pelos militares em 1964 levou essa estudante idealista e determinada para o militantismo radical. Ela se juntou a uma organização que pregava a luta armada, casou com outro militante, de quem logo se divorciou, passou a estudar economia e mergulhou na clandestinidade após o endurecimento da ditadura no fim de 1968. Ela admirava Jean-Paul Sartre, os guerrilheiros vietnamitas e Fidel Castro. O encontro com um "velho" comunista de 31 anos, Carlos Araújo, que se tornaria seu segundo marido, a envolveu um pouco mais no combate.

Ela adotou nomes falsos, dos quais sua ficha de polícia ainda tem registro: Luiza, Estella, Marina. Aprendeu a manejar um fuzil, a fabricar explosivos ao mesmo tempo em que pregava a prioridade do trabalho político, da "luta de massa" sobre a ação militar. Ela não participou diretamente de nenhuma operação armada, mas esteve estreitamente associada à mais famosa delas: o roubo, no Rio de Janeiro em 1969, de US$ 2,5 milhões do cofre da amante de um ex-governador. Quando a polícia a deteve, em janeiro de 1970 em São Paulo, ela tinha uma arma em seu poder.

"Você não pode imaginar a quantidade de segredos que pode sair de um ser humano que é maltratado", ela confessou recentemente. Será que ela se referia a ela mesma? As testemunhas de então se lembram que, depois de sua detenção, ela enfrentou com coragem 22 dias de torturas. Ela só saiu da prisão quase quatro anos mais tarde: "Tive tempo suficiente para aprender a tricotar e fazer crochê".

Sua juventude agitada não causou nenhum arrependimento na ex-guerrilheira: "Nós éramos ingênuos e generosos. Queríamos salvar o mundo". Ela certamente mudou sua visão e seus métodos: "Aprendi a importância da democracia. Mas tenho orgulho de não ter mudado de lado".

Ela teve uma filha, Paula, se divorciou novamente em 2000, e no meio tempo teve uma brilhante carreira político-administrativa, especialmente como secretária de Minas e Energia em Porto Alegre, a maior cidade do Sul do país. Lula, a cujo partido ela filiou-se tardiamente, lhe ofereceu o mesmo posto em nível federal antes de lhe confiar em 2005 a "Casa Civil", onde ela rapidamente adquiriu a reputação de uma "dama de ferro".

Seus trunfos? A inteligência, a força de trabalho, as qualidades como administradora. Seu defeito? Ela nunca passou pela prova das urnas. Sob aconselhamento e auxílio de Lula, seu principal defensor, Dilma Rousseff tenta se tornar conhecida. Ela põe "o pé no barro", como se diz aqui. Há vários meses ela está em formação pré-eleitoral acelerada. Ela acompanha com frequência o presidente em suas atividades oficiais, divide os palanques com ele, cede entrevistas à imprensa. Várias vozes do PT se puseram à sua disposição para tecer uma teia nacional.

Apesar da imensa popularidade de seu principal defensor, sua vitória em 2010 não é garantida. Ela terá como provável adversário um homem de peso, José Serra, governador de São Paulo e ex-rival de Lula nas urnas, derrotado em 2002.

Como é de se esperar no Brasil, paraíso da cirurgia estética, Dilma já mudou de visual. Alguns golpes estratégicos de bisturi rejuvenesceram e suavizaram seus traços. Ela perdeu 10 kg, adotou um penteado mais moderno e mais ruivo, substituiu seus óculos de míope por lentes de contato. Ela cuida de sua maquiagem, sorri com mais frequência e usa palavras mais simples em público.

O "produto" Dilma logo estará pronto para venda. Lula lhe deixou de herança seu velho slogan de campanha, que já se ouve nos comícios do PT: "Brasil! Urgente! Dilma presidente!"

Tradução: Lana Lim para o UOL

 
Nota do Blog:
 
Tirando alguns exageros da reportagem e o fato de ser um pouco tendenciosa à Ministra, não há como negar que é um passo importante essa exposição internacional de sua imagem para que Dilma se fortaleça como candidata única do PT para as próximas eleições presidenciais. Enquanto PSDB ainda persegue a união entre Serra e Aécio, o partido do presidente Lula dá um pulo na frente ao definir com muita antecedência sua favorita ao pleito do ano que vem.
 
Dhiancarlo Miranda

Eleição na Africa do Sul deve confirmar supremacia do CNA

 
Possível eleição do candidato Jacob Zuma, que é o atual líder governista do Congresso Nacional Africano (CNA), deve confirmar a supremacia do mesmo partido de Nelson Mandela. Apesar da provável vitória, o candidato Zuma sofre pesadas acusações como o de um suposto estupro de uma mulher com HIV positivo. Esta eleição é a mais disputada desde o fim do Apharteid e coloca frente a frente uma revitalizada oposição que pode alterar o cenário atual de maioria de dois terços no Parlamento com o próprio CNA que, ainda assim, deve perder alguns votos para a opositora Aliança Democrática, que ressurgiu sob a liderança da candidata branca Helen Zille.
 
 
Dhiancarlo Miranda

Match point contra o volei brasileiro

 
Há muito tempo o volei brasileiro tem um lugar de destaque na mídia, no público e no mercado nacional, mas a notícia de que o Bradesco retirará o patrocínio do volei profissional da equipe de Osasco cai como uma bomba nas pretensões do esporte de Paula Pequeno, Mari, Fabi e cia de se estruturar num nível mundial no que diz respeito ao dinheiro e seriedade. Sabemos que referente ao trabalho dentro de quadra não há o que discutir: Atletas e comissões técnicas são competentes ao ponto de já serem cobiçados por times estrangeiros, mas o fato de que até ano passado havia um consenso de repatriar todo esse espólio de gente para trabalhar aqui faz com que fique uma ponta de amargura e impotência aos responsáveis pelo nosso volei. Espera-se que esta decisão do Banco não reflita como um aviso para outros patrocinadores saírem do esporte e nem provoque uma depressão nas pessoas que vivem dele.
 
Dhiancarlo Miranda

Liderança Dividida

Brasil pretende dividir com os EUA a liderança continental

 

Do Jornal:
Soledad Gallego-Díaz
Em Buenos Aires
"O trabalho duro começa depois da cúpula. Todos sabemos que o futuro da América Latina depende em boa parte do papel predominante dos dois países decisivos no hemisfério: Estados Unidos e Brasil. O futuro depende das relações de compreensão e equilíbrio que se construam entre Washington e Brasília". A análise de David Rothkopf, especialista americano que ocupou um alto cargo no Departamento do Comércio, resume um dos grandes temas que permeiam a cúpula de Trinidad e Tobago. Como o governo de Barack Obama responderá às tentativas do Brasil de imprimir sua marca no continente e de exercer uma liderança pouco dissimulada?

 

Lula e Barack Obama durante entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington, em março
Tradicionalmente, Washington tentou isolar o Brasil do resto da América Latina, buscando relações bilaterais, país a país, e fazendo os países latino-americanos disputar uma posição de favor ou um tratamento preferencial. Durante décadas, os EUA tentaram se apoiar diretamente no México, Brasil, Chile e Peru como parceiros isolados, mas a situação na América Latina, sem ser homogênea, mudou substancialmente nos últimos anos. Os 32 chefes de Estado que estiveram em Trinidad e Tobago foram eleitos democraticamente, e sobretudo o Brasil adquiriu experiência e força e reivindica, com discrição, mas sem deixar dúvidas, que seja reconhecido em uma posição predominante.

O Brasil, afirma Rothkopf, não quer estar no mesmo plano que a Argentina ou o México. "É uma nação que não quer ser vista simplesmente como o maior país da América Latina, mas como um protagonista internacional respeitável e respeitado." Hoje o Brasil é muito mais sensível a qualquer estratégia americana que pretenda isolá-lo do continente ou que se esforce para conter sua influência.

O teste foi a megacúpula convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro na Costa do Sauípe, da qual pela primeira vez participaram representantes de toda a América Latina e do Caribe, incluindo Cuba, sem a presença dos EUA nem da Espanha. Sauípe foi uma grande demonstração da força diplomática brasileira e marcou um feito importante, não só pelo regresso de Cuba aos fóruns latino-americanos, mas também por representar o poderoso reaparecimento do México como interlocutor do Brasil.

Obama tem consciência de que os EUA precisam recompor seu prestígio na América Latina, muito deteriorado na etapa Bush, e de que sua oferta para acabar com o unilateralismo não pode ser válida só para a Europa. A forma como reagirá à nova posição do Brasil pode ser muito reveladora. É certo que nem Obama, nem qualquer presidente dos EUA, estará disposto a renunciar a seu papel de protagonista na área americana, entendida de maneira global.

A presença de China, Japão e inclusive Rússia e Irã na América Latina se acentuou na última década, em busca dos produtos alimentícios e minérios que muitos países da região, especialmente o Brasil, podem exportar em quantidades maciças. Mas essa presença se fez ainda mais notória, como advertiu Obama, devido à progressiva ausência dos EUA, absorvidos no Oriente Médio, Iraque e Afeganistão.

Isso provavelmente é algo que o governo Obama vai querer corrigir com urgência, aproveitando também a formidável popularidade do presidente americano na América Latina e no Caribe, que não é alheia a sua condição racial. Até o regime de Castro encontra dificuldades para aceitar o enorme orgulho que Obama desperta entre os negros cubanos.

O que importa saber agora é se o governo americano continua acreditando que o destaque do Brasil pode ser uma ameaça para seus próprios interesses, ou se considera possível compatibilizar as agendas dos dois países, afirma Kellie Meiman, autor de um trabalho sobre as possibilidades de cooperação entre EUA e Brasil. Essa é uma das perguntas que muitos especialistas na América Latina estão se fazendo nestes dias nos corredores de Trinidad e Tobago.

O reequilíbrio das relações entre os dois maiores países da América, decisivo para a estabilidade democrática e econômica do hemisfério, não está isento de grandes dificuldades, porém. Primeiro porque para exercer essa liderança o Brasil tem de resolver alguns problemas diplomáticos sérios com Paraguai, Bolívia e Equador, e porque tem de conseguir também que a Argentina aceite um desenho mais realista de seu papel na América Latina. A Argentina, que sempre pensou no Brasil como um país "periférico", menos educado e mais desigual, percebe hoje que é Buenos Aires que ocupa essa posição secundária. Absorta em seus problemas políticos internos, a Argentina tem enormes dificuldades para voltar a analisar seu papel internacional e para reconhecer que, provavelmente, sua melhor opção seria ligar-se a Brasília, como um dia a França se ligou à Alemanha.

Para os EUA também não será fácil aceitar a liderança do Brasil, que rejeita taxativamente qualquer ingerência de Washington nos assuntos internos dos países latino-americanos e que se oferece como interlocutor não só na região como em todos os organismos internacionais. Entretanto, os dois países terão de encontrar uma solução para o futuro da Organização de Estados Americanos (à qual Cuba não pertence, mas os EUA sim, e na qual, diga-se de passagem, a Espanha está pressionando novamente para conseguir uma melhor posição que a de simples observadora) e para o assentamento de outros organismos sem a presença de Washington, como o Unasul, que ajudem o Brasil a manter a estabilidade na região.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

 
Até quando vai essa amizade entre Obama e Lula?
Por onde irá o caminho da America Latina com suas pretensões a la esquerda, mas sem uma direção muito democrática em alguns países?
Quais os interesses que perdurarão entre Brasil e EUA e que farão com que o restante das Américas os sigam cegamente?
Perguntas para serem respondidas somente pelo tempo.
Dhiancarlo Miranda