Mais um cinema de rua fecha em São Paulo

Ontem, 26/09/2010, foi um dia triste para o entretenimento paulistano. O Cine-Gemini, alocado em plena Avenida Paulista teve seu último dia de funcionamento com a apresentação do filme "Cabeça a Prêmio" do diretor Marco Ricca. Foram mais de 30 anos de atividades desta sala de cinema que não explicou com todas as letras o motivo do fechamento. Os próprios funcionários foram avisados um dia antes que estavam desempregados.
Independente da explicação oficial, porém, todos concordam que a tendência tem sido essa: fecham-se salas pelas ruas e abrem-se cada vez mais cinemas nos shopping-centers.
No final das contas, nada contra, mas ficar sem um cinema alternativo de rua para acompanhar lançamentos não tão usuais quanto aqueles que pululam todos os dias por ai é o mais estarrecedor. Há quem diga, por exemplo, que o tradicional Cine Belas-Artes fechará suas portas em breve. Ao que parece, o patocínio do Banco HSBC, que o sustentava em grande parte de seus custos, já se foi, daí para o seu aniquilamento é questão de tempo. Uma pena!

Dhiancarlo Miranda

Os próximos meses musicais prometem

Nos próximos meses haverá uma série de shows internacionais de respeito e festivais em que o rock’n roll, a dance music e a música alternativa terão bastante espaço.


Veja alguns dos shows e as suas respectivas datas:
Rob Halford (Dia 24/10 no Carioca Club em São Paulo)
Nomes da música eletrônica mundial, como Fatboy Slim e Moby se apresentarão juntos no Ultra Music Festival, que também contarão com Carl Cox e Groove Armada. (Dia 06/11 No Morumbi em São Paulo).


A banda americana Limp Bizkit fará duas apresentações no Brasil, dia 22/10 no Via Funchal em São Paulo, e no dia 24/10 no Chevrolet Hall em Belo Horizonte.

A banda californiana de punk rock/hardcore Pennywise volta ao Brasil, agora com o novo vocalista, Zoli Teglas, que também faz parte da banda Ignite. (Dia 03/12 no Via Funchal em São Paulo).

Jeff Beck vem ao Brasil mais uma vez. (Dia 24/11 na Via Funchal em São Paulo)

O Black Eye Peas volta ao Brasil para uma série de 9 shows que fazem parte da turnê The E.N.D. (Dia 04/11 no Morumbi em São Paulo).

Rage Against the Machine vem ao Brasil junto com várias outras bandas no SWU Music and Arts Festival. (dia 04/10 na Fazenda Maeda em Itu – SP).


Smashing Pumpkins e outras bandas na edição deste ano do Planeta Terra Festival. (Dia 20/11 no Playcenter em São Paulo).

Dhiancarlo Miranda


Os Neymar Facts


Eis abaixo alguns Neymar facts, fatos absurdos ocorridos com o"doninho da Vila" como protagonista:

"O próximo a ser cortado pelo Neymar é o Chaves… Menino da Vila é só ele…"

"Ofendido com o #neymarfacts, Neymar compra o Twitter. Baleia é demitida e passa a trabalhar no aquário de Santos."

"O Dia Mundial Sem Carro foi adiado porque o Neymar comprou um Porshe e queria dar uma voltinha hoje."

"William Bonner agora começará da seguinte forma o Jornal Nacional: ‘Boa Noite, Neymar.’"

" Se o Neymar participar do Big Brother e for eliminado, quem sai é o Pedro Bial."

"Segundo Neymar, Mano Menezes não estará na lista do próximo jogo da seleção."

"Neymar demitiu hoje o Papa do Vaticano. Segundo Neymar, quem manda em Santos é ele."

"Neymar resolveu jogar vôlei. Bernardinho que tome cuidado… se não deixar o Neymar sacar toda bola ele demite o técnico"

"Neymar entrou no Burger King e pediu um Big Mac. E foi atendido"

"Diretoria do Santos aguarda autorização de Neymar para fechar com novo treinado"

"Hoje Neymar não treina! Vai dar uma palestra sobre poder e liderança para Barack Obama, Roberto Justus e Eike Baptista"

"Neymar Futebol Clube acaba de declarar o novo nome do planeta Marte, que a partir de agora será: Neymarte"

"Até pouco tempo Neymar era um Menino da Vila, hoje a Vila é do Menino"

Todas as frases incluídas acima foram retiradas do twitter.


Dhiancarlo Miranda

A Imprensa interfere na Eleição?

A resposta à pergunta do título só poderá ser feita após o resultado das eleições, mas o fato é que há uma tendência muito escancarada de má vontade com a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, e uma posição chapa branca para qualquer informação sobre o candidato José Serra, do PSDB. Basta ouvir, ver ou ler qualquer notícia sobre eleição em qualquer meio da imprensa sobre qualquer coisa: seja uma informação sobre chuva, sobre a própria eleição ou sobre o caso Neymar. 

Aliás, no que tange ao caso do "moleque travesso" do Santos acontece algo muito parecido com o que acontece na parte política escrita aqui: Enquanto jornalistas acreditam nessa manhã que o técnico do Santos trocou o pé pelas mãos, e que se indispôs com a diretoria, culminando assim em sua própria demissão os e-mails lidos (quase sem exceção) são todos favoráveis às decisões do ex-técnico santista e condenam os atos de rebeldia (quase infantís) do mimado Neymar. 

Em relação às eleições, tem havido uma avalanche de respostas a cada reportagem tendenciosa dos jornais e revistas por parte dos eleitores. A Folha de São Paulo, por exemplo, fez até uma pesquisa para solicitar a opinião dos leitores sobre a forma como tem tratado do assunto. 
Ora, se você está fazendo um papel isento porque perguntar se isso está acontecendo? Não sei não, acho que a imprensa brasileira perdeu o foco e quando vejo hoje mais um escândalo aparecer na mídia nacional (só que agora envolvendo parte da oposição liderada por PSDB) não aparece nas manchetes a sigla do partido quando até investigação sobre qual o lucro que Dilma não conseguiu numa microempresa que abriu nos anos 1990 a Folha já fez, sem falar na famigerada cobertura pró-Serra feita por Veja. Só falta propaganda do candidato nas páginas centrais. 
O que atrapalha todas essas tentativas é que o carisma de Lula continua irretocável e no mesmo jornal ou revista que aparecem denúncias sobre tráfico de influência e quebra de sigilo (sem que nenhuma mostre a candidata como ré) também aparecem informações sobre crescimento da indústria brasileira, sobre a melhoria do PIB nacional, informações sobre o crescimento das médias cidades. Enfim, tem muito pouco para falar contra.

Dhiancarlo Miranda

Não fede nem cheira

A única diferença a favor da campanha de Dilma Rousseff em relação à campanha de José Serra é que a primeira quase não aparece em seu horário político gratuito enquanto Zé (como passou a ser chamado agora) aparece a todo momento. Ora, temos duas campanhas muito fracas em termos de discussão de ideias e de argumentações para o futuro do país, não há nada que incremente tais atuações dos candidatos e, talvez uma das campanhas mais insípidas da história dessa nação. A grande jogada, portanto, do PT tem sido não mostrar alguém que passa longe de ter carisma, enquanto o PSDB insiste que aquela sombra chamada José Serra pode sorrir para a tela e angariar votos com aquela "alegria desconsertante" dele. Não há o que negar, Dilma está levando vantagem, pois não aparece, já que quem está sendo analisado pelo eleitor não é ela e sim seu mestre, Lula. Já Serra nem pode mostrar seu mestre, FHC, que gerou ao redor de si uma má imagem pela população (principalmente a mais pobre) que enxerga em Lula seu antagonista.


Dhiancarlo Miranda

CNBB diz que não apóia ninguém. Mas ser contra pode?

Há uma carta "estilo corrente" que vem passando de mão em mão de bispos e que chegou à imprensa nas últimas horas confirmando uma solicitação de que os fiéis não votem em Dilma Rousseff por conta de sua simpatia pela descriminalização do aborto. Ora, a CNBB diz sempre não ser a favor de nenhum candidato, de deixar livres seus seguidores para escolherem democraticamente seus líderes, mas gosta de meter o pitaco quando o assunto não vai a favor de seus dogmas e conceitos seculares? Isso também não é nada democrático, aliás o que acontecerá com o católico que votar em Dilma, será excomungado?


Dhiancarlo Miranda

O que Serra quer?

Há muito queria escrever algo sobre o que tem sido falado e se propagado pela imprensa a respeito de quebra de sigilos, sobre bisbilhotices fiscais e afins, mas o crítico Inácio Araujo foi mais eficaz e traduziu aquilo que gostaria de dizer de forma clara e objetiva, sem que parecesse tendencioso ou inocente. No mais, fica a certeza de que política nesses tempos de internet não se parece com aquilo que muitos achavam que viraria. Uma avalanche de informações em nossos ouvidos teria de transformar nossas convicções, mas o que tem sido comprovado é que o que manda mesmo é a vontade popular.


Dhiancarlo Miranda

Texto de Inácio Araujo:

Está um pouco difícil de entender o que pretende dizer a campanha de José Serra na televisão nos últimos dias.

De repente, aparece a imagem de Collor nos velhos tempos em que era adversário de Lula.

Depois sabemos que hoje Collor apóia Dilma Rousseff, adversária de Serra.

Somos lembrados do escândalo envolvendo a filha de Lula, na eleição de 1989, promovido por Collor (francamente já não me lembro direito o conteúdo, mas era coisa de Lula ser pai fora do casamento e, supostamente, não dar apoio à menina).

Agora, a campanha de Serra queixa-se do envolvimento da filha de José Serra.

A queixa pode até ser justa.

Mas, vamos com calma: essa publicidade dá a sensação de que pretendem nos tomar por idiotas.

A filha de Lula foi trazida a público por Collor a de fim de sujar Lula.

Talvez Dilma não devesse aceitá-lo hoje como aliado. Talvez aceitá-lo signifique que a sujeira do passado a contamina (tal qual mensalão ou aloprados).

Até aí, a cadeia associativa parece um tanto abstrata, mas vá lá.

Então começa-se a falar da filha copiosamente. O próprio Serra aparece e fala.

Mas sua filha nunca foi mencionada antes pela publicidade de Dilma.

Então, não existe o menor sinal de que Veronica Serra foi envolvida na campanha pelos adversários. Ela foi mencionada pela imprensa como tendo tido seu imposto de renda vasculhado ilegalmente.

O que a publicidade do candidato poderia, a partir disso tudo, era informar qual vantagem se pode tirar do fato de conhecer o imposto de renda de outra ligada ao adversário.

Porque enquanto não entender isso (se é que é inteligível) a população ficará mais com uma sensação de "orquestração de poderosos" contra o presidente que admira (80% dela, em todo caso), que acredita estar fazendo bem a ela e contra a candidata dele.

Essa publicidade do PSDB não me parece o caminho certo para ganhar votos.

Esse filme de terror que agora se exibe na campanha atual tem precedente em algumas campanhas de Paulo Maluf que andavam periclitantes. Já então não deu certo.

(P.S. – Pode-se alegar que, a longo prazo, esse tipo de propaganda ajudaria a "colar" no PT a imagem de partido corrupto, essas coisas. Não sei. Pelo passado recente tenho a impressão de que emplacou mesmo a idéia de que "são todos iguais, todos roubam").

Serra não consegue subir

Do Blog do Fernando Rodrigues:

“Receitagate” foi ineficaz para José Serra na TV

Propaganda do tucano já foi vista por quase metade dos eleitores

 

Estratégia de usar quebra de sigilos contra Dilma não deu certo

 

A manutenção do cenário eleitoral na disputa presidencial tem a ver com o fracasso, por enquanto, da estratégia do PSDB em tentar usar o escândalo da quebra de sigilos fiscais contra o PT.

 

Não se trata aqui de fazer juízo de valor a respeito do episódio em si –um crime sórdido e possivelmente cometido pela maneira frouxa como a Receita Federal tem sido administrada.

 

Mas do ponto de vista estritamente eleitoral, a estratégia tucana não funcionou. Houve um bombardeio na cabeça do eleitor sobre o já chamado “receitagate”: o fato de tucanos e a filha de José Serra terem tido seus sigilos fiscais violados criminosamente.

 

Serra quase só fala disso em entrevistas e em suas propagandas eleitorais em rádio e TV. Foi assim durante toda a semana. Mas na sexta-feira, dia 3 de setembro, uma pesquisa nacional Datafolha concluiu que Dilma Rousseff (PT) tem 50% contra 28% de José Serra (PSDB). Aqui, todas as sondagens anteriores.

 

Justamente na semana em que os tucanos mais usaram o “receitagate” em seus programas eleitorais a diferença entre Dilma e Serra oscilou de 20 para 22 pontos no Datafolha –uma oscilação favorável a Dilma, mas dentro da margem de erro da pesquisa.

 

É possível que essa estratégia serrista venha ainda a funcionar até o dia 3 de outubro? Se o caso continuar circunscrito ao que já se sabe, possivelmente o efeito seja muito limitado no resultado final da eleição. O fato de um petista de baxíssimo escalão ter sido um dos que requereu fradulentamente a delcaração de IR da filha de Serra não atinge diretamente a Dilma. Nesse caso, o mais provável é que o PT absorva o impacto negativo, blindando sua candidata ao Planalto.

 

Até porque a massa mais interessada no processo eleitoral já tomou conhecimento do tema de alguma forma –e não reagiu a favor do tucano. O Datafolha apurou que 51% dos eleitores já assistiram a alguma propaganda eleitoral. A parcela mais bem informada da população (quem tem paciência para assistir ao programa eleitoral) é supostamente a que está mais propensa a se indignar com o “receitagate”. Mas não foi o que se passou.



Nota do Blog:


Não é que não seja impactante um escândalo como o da Receita envolvendo a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas a Serra, o problema está em que, por mais de sete anos a oposição brasileira (leia-se PSDB e Demos) não conseguiram ter um discurso articulado suficiente para chamar a atenção da população. Mais do que isso, também não houve unidade na fala dos opositores. Somado a isso, com um estrondoso apoio popular a Lula, fica realmente complicado para quem quer que seja tentar desconfigurar a imagem quase profética de um político como Lula. Se o resultado da eleição se confirmar, com Dilma à frente, será a mais expressiva vitória do atual presidente em sua carreira. Para Serra restam os últimos dias da campanha neste mês para tentar dissuadir os eleitores a mudarem de opinião. Para Dilma, basta não fazer bobagem frente às câmeras e nos debates vindouros. Essa eleição parece traçar um novo rumo para o eleitor brasileiro: o daquele que vai se moldando durante alguns meses, mas que depois não arreda o pé de sua decisão. Será?


Dhiancarlo Miranda