2012 foi o ano de MacFarlene. 2013 será o ano de MacFarlene

Seth Woodbury MacFarlane (Kent, 26 de outubro de 1973) é um ator, dulbador, animador, roteirista, comediante, produtor, diretor e cantor estadunidense. Ele é mais conhecido por ser o criador da série de animação Family Guy (1999-presente), além de ser o co-criador dos programas American Dad (2005-presente) e The Cleveland Show (2009-presente), séries das quais Seth dubla vários dos personagens.

A descrição acima é do Wikipedia e, provavelmente, já está bem obsoleta para a carreira deste homem que conseguiu emplacar o sucesso Ted em 2012 e anunciou um longa de Family Guy para breve. Além disso, diante da grande bilheteria de Ted já começará filmar nos próximos meses uma continuação para a estória do ursinho de pelúcia politicamente incorreto.

Aliás, “politicamente incorreto” é uma expressão muito usada pelos críticos (e também pelos defensores) para caracterizar a carreira do próximo apresentador do Oscar (isso mesmo, ele fará isso também). Muitos processos por injuria, danos morais ou, simplesmente, por pessoas terem ficado chateadas com o que ele disse em seus inúmeros shows faria Rafinha Bastos ficar com vergonha de seu bom comportamento. E este é o ponto em que eu quero chegar. Seth é um comediante que ri de si mesmo, seus personagens riem de si mesmos, portanto, quando faz uma piada inicialmente preconceituosa e que ofende a alguém especificamente, na verdade, está rindo de si mesmo e criticando uma sociedade hipócrita que não aguenta seus próprios defeitos e, por isso, começa a apontar o defeito dos outros.

Na verdade, não é só nisso que Seth é melhor do que o comediante brasileiro citado acima. O criador de Peter Griffin não faz piadas para ser polêmico, ele eleva o sentido da piada para uma discussão moral, ética e não discrimina ninguém na hora de fazer rir. Ele não quer apenas “causar”, mas incita o riso para que as pessoas pensem o quanto são ridículas quando fazem coisas simples, mas que ofendem um outro alguém.

Por outro lado, também faz sentido analisarmos a sociedade na qual Seth McFarlene está inserido, pois nos EUA as celebridades não são endeusadas como pessoas acima do bem e do mal e elas sabem disso, tanto é que em muitas vezes elas mesmas participam de piadas que criticam a elas próprias. Já vimos em episódios de Family Guy, American Dad e The Cleveland Show participações de Johnny Depp, o republicano Rush Linbaugh, o físico Stephen Hawking, o polêmico Bill Maher, além de uma infinidade de outros e nenhum deles é tratado com reverência na dublagem que fazem.

No próprio filme Ted, lançado há pouco tempo, há a participação especial de Sam J. Jones (intérprete do super-herói Flash Gordon nos anos 80) interpretando a si mesmo e este usa drogas, fala abertamente sobre a decadência de sua própria carreira e de sua vida pessoal fazendo com que tenhamos algumas das melhores cenas da película.

Desta maneira, Seth nos faz ver uma sociedade misógina, preconceituosa, racista, com brigas entre religiões, filosofias e pensamentos políticos (exatamente do jeito que ela é na realidade) em que somente a ideia que cada um tem na cabeça é a correta para a solução dos problemas da humanidade.

Por fim, pode-se ou não gostar de Seth MacFarlene, mas o fato desta pessoa tocar na ferida de uma sociedade tão hipócrita já vale analisar algum de seus shows e esperar por algo diferente chegando no ano que está por vir, pois seus textos nunca passam incólumes. Eles sempre nos deixam desconfortáveis e isso é o que falta num mundo que se acostumou a ser politicamente correto para não deixar ninguém criticar e, desta maneira, prosseguir com os mesmos erros insanos que se cometem todos os dias nesse planeta chamado Terra.

 

 

Anúncios

Coragem para falar do passado

Rolou durante a semana inteira no canal ESPN – Brasil uma série de documentários produzida e escrita pelo jornalista Lúcio de Castro chamada “Memórias do Chumbo: O Futebol nos Tempos do Condor”. Um espetacular documento sobre os anos em que os países sul-americanos viveram sob regime militar autoritário. Esse período de ditadura é retratado através da visão futebolística, entretanto traz revelações importantes acerca da atuação de governantes e artistas da bola naquela época.

Além de ser uma pesquisa histórica importante para um país como o Brasil que preferiu jogar toda a sujeira daqueles anos para debaixo do tapete, também demonstra ser um trabalho jornalístico relevante para a televisão brasileira que tem vivido de escassos momentos de sensatez.

Vale ressaltar que há momentos particularmente impactantes sobre a nossa  história brasileira, mas o que se fala a respeito de Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai é forte igualmente.

O especial foi dividido em quatro partes e todas já foram transmitidas em horário noturno, mas quem tiver a possibilidade de assistir ou gravar elas serão reprisadas em bloco no dia 25 de dezembro, a partir das 16H. Imperdível!

Nota do Blog: O blog entra em pequenas férias nesses próximos dias até 15 de janeiro, mas se nesse período houve algo relevante cá estarei.

Polêmica.doc: essa é a ideia

prog83[1]

Hoje, minha intenção é apenas deixar três dicas de documentários que, por seu conteúdo polêmico, e por vezes panfletário, podem assustar a alguns e causar ojeriza a outras, mas promovem uma análise sobre situações que normalmente são relegadas ao segundo plano por se achar que são muito complexas para se debruçar a respeito.
Muitas vezes, não é percebido pela maioria das pessoas que discussões políticas, educacionais, religiosas e do bem-estar social não podem ser realizadas à mesma mesa, mas o erro está exatamente aí.
Fazem, todas elas, parte de uma coisa só e ao não fazermos menção de criticarmos um Papa por este ser um cânone mundial, ou de achar que os problemas políticos atuais do Brasil e do mundo não têm consonância com situações vividas anos atrás estamos dando as costas para o nosso próprio presente e atrapalhando um futuro mais promissor.
Por isso, os documentários “Religolous” de Bill Maher, “Sicko” de Michael Moore e “Cidadão Boilesen” de Chaim Litewski, chegam a declarar um lado favorito na crítica que promovem e, por conta disso, algumas pessoas podem torcer o nariz para eles, mas eles não negam informação no seu conteúdo e privilegiam uma pesquisa bem feita para falar sobre religião, saúde pública, política e ditadura, respectivamente.
Boas dicas num período em que cada vez mais não se quer discutir sobre nada para não parecer politicamente incorreto ou para não deixar ninguém triste ou magoado.

Religolous:

Sicko:

Cidadão Boilesen:

Rafinha Bastos: O monstro

rafinhabastos[1]

Demorei muito para chegar até post, mas dúvidas me perturbavam a cada momento, pois eu sabia que uma grande maioria das pessoas analisam as situações do mundo das celebridades tal qual com o seu time do coração. Gostam de uma determinada personalidade e a idolatram cegamente, não gostam do fulano e o escracham sem hesitação.
Mas o que quero discutir aqui é a figura de Rafinha Bastos, conhecido humorista brasileiro, que tem sido mais odiado do que qualquer integrante condenado do mensalão pelas declarações dele, seja no Twitter ou em qualquer mídia em que atua.
O último caso em que o rapaz se meteu foi um embate pelo twitter com o apresentador Luciano Huck. Hulk havia sido abordado por uma blitz da Lei Seca e, assim como alguns outros políticos, jogadores de futebol e famosos, recusou-se a fazer o bafômetro. Ora, nas situações anteriores em que isso aconteceu com uma celebridade todos se manifestaram contra o ocorrido e contra a (falta de) ética do envolvido, mas com Luciano Huck tal situação ficou em segundo plano, pois Rafinha postou em seu twitter que Luciano era um “playboy babaca”.
O fato é que a partir daí todas as pessoas, públicas ou anônimas, repudiaram a atitude do humorista (?), esquecendo-se da ação desencadeadora do esposo de Angélica.
Não estou aqui para analisar a educação ou mesmo os modos do ex-apresentador do CQC, até por que vários já o fizeram e concordo com sua ineficácia como comediante e pondero que ele se perdeu na sua carreira, mas fica evidente que as pessoas, desde o caso com a cantora Wanessa, sentem um ódio desvelado por Bastos e não enxergam que sua figura, apesar de repugnante para um boa parte das pessoas, se torna importante para a mídia brasileira atual.
Houve amigos meus que, ao analisarem a situação, disseram que não podiam ficar a favor de Rafinha contra Luciano já que o apresentador global é um “cara bacaninha”. Minha resposta a isso é que então por ser “bacaninha” o famoso pode ultrapassar as linhas da liberdade, do ir e vir e fazer tudo o que lhe der na telha? Da mesma maneira que repudiamos a falta de educação de Rafinha Bastos também não é importante termos uma autocrítica quanto às nossas próprias atitudes e os respectivos pensamentos por aqueles de quem gostamos?
Rafinha Bastos tentou (e não conseguiu) ser igual a diversas personalidades do humor norte-ammericano ou britânico como Seth Mcfarlaine, Sarah Silverman, Bill Maher e Sacha Baron Cohen, entre outros, que utilizam a provocação para criticar e se saem muito bem, tanto no campo social, quanto no político. Por muitas vezes, já utilizaram piadas muito mais cabeludas do que aquela feita com Wanessa ou seu bebê, mas a diferença está na maneira sutil como isso acontece e do desfecho sempre exaltando alguma crítica ferrenha a alguma ação errônea da sociedade.
O comediante brasileiro não possui uma vírgula do talento das pessoas mencionadas acima, mas ele poderia servir pelo menos para que pudéssemos modificar a visão tacanha do povo de nosso país de que quando fazemos uma piada na rua podemos ser politicamente incorretos, mas na frente das câmeras ou do microfone ou do computador temos de ser puritanos e apenas aplaudir uma classe política ou artística que está acima do bem e do mal e que tem sua própria ética e moral e que não se dá ao luxo de se explicar quando foge ao padrão que deveria ser solicitado de todos, ricos ou pobres, famosos ou anônimos.

Abaixo, veja Sarah Silverman em entrevista a Bill Maher falando sobre religião:

A Sombra do Vento: Uma óde a Proust por meio das reminiscências

img_sombra_vento_01[1]

Suas frases, infelizmente, devem estar sendo usadas por milhões de pessoas, separadamente, para serem postadas no Twitter ou no Facebook, como frase do dia ou algo dignificante e de autoajuda, mas não se engane: o livro é delicioso!

Diante de uma premissa bastante original, o autor espanhol Carlos Ruiz Zafon abre o romance contando a história de Daniel que ao não lembrar mais a imagem da mãe morta passa a ter momentos de depressão e, para alegrá-lo em seu aniversário de onze anos, o pai dele, dono de um Sebo, o leva a uma misteriosa biblioteca.

O que acontece daí em diante não só é uma homenagem ao mundo da literatura e a tudo que o cerca, mas também se torna uma óde à adolescência e a todos os seus ritos de passagem, desde as mudanças físicas até as comportamentais.

Desta feita, acaba sendo também uma maneira de revolver às memórias mais profundas e distantes do ser humano, uma colheita de dados que estavam esquecidos lá no inconsciente, tal qual fez Proust em seu “Em Busca do Tempo Perdido”.

E apesar de ser um livro que conta uma história de suspense, mistério, numa pesquisa que levará o protagonista a se reconhecer e a conhecer a vida, também se trata de uma obra com belos trechos poéticos e, portanto, com frases de efeito muito competentes ao longo dos fatos ocorridos.

Trata-se de uma obra muito bem acabada e de uma sutileza que comove. Daí, figurar numa tenuê linha entre o bom gosto e a emoção fácil, algo que em alguns momentos ocorre, mas que não estraga o montante final. Boa leitura e bela forma de se chegar a questões da adolescência que são inerentes ao ser humano, seja em qualquer lugar do mundo.

Homenagem a Rojas no Morumbi

Após analisar depoimentos de todos os lados (dirigentes tricolores, dirigentes do time argentino, imprensa local e de fora, além da Polícia Militar de São Paulo) fica claro que o que houve nos vestiários (ou no caminho para ele) do estádio do Morumbi foi uma briga generalizada entre jogadores e comissão técnica do Tigre e seguranças do São Paulo.

É claro que já havia uma clima ruim para o jogo da quarta-feira desde a semana passada quando o time argentino cansou de bater nos jogadores brasileiros e usou e abusou da catimba. Também é certo que a diretoria são-paulina agiu com revanchismo ao não permitir o time adversário de efetuar o reconhecimento do gramado do estádio no dia anterior à final e ao não permitir o aquecimento dos jogadores antes da partida.

Porém, mesmo nesse caso, diante de pouco mais de dez seguranças do time local, os jogadores argentinos agiram como time de várzea e invadiram o gramado como quem conquista um terreno numa batalha sangrenta.

Desta maneira, após um primeiro tempo que lembrou bastante o jogo da ida, com pontapés, cotoveladas e socos sendo desferidos nos jogadores brasileiros sem que o árbitro tomasse qualquer providência, só houve maior tranquilidade dos jogadores do time paulistano por que Lucas e Osvaldo estavam inspirados e definiram a partida com seus respectivos gols. Desta feita, portanto, só restava ao time da capital Buenos Aires melar a festa programada para 67 mil torcedores. Nada justifica a violência, nada justifica a truculência, mas que havia uma predisposição para o acontecido, isso havia.

É importante ressaltar também que a premissa de depois se fazer de vítima ao mostrar pessoas de seu time e sua comissão técnica machucados e alegar que houve ameça de morte com o uso de armas soa (devo frisar isso), soa como desculpa de mal perdedor já que o próprio Major Gonzaga da PM paulista, deixou claro que não há uso de arma de fogo dentro do estádio por parte da corporação (algo reafirmado por vários membros da imprensa) e que também isso não aconteceu por parte dos seguranças do São Paulo, que cabe ressaltar também teve seus feridos.

Fica a sensação que, independente do que aconteceu, fosse um time de maior porte no contexto argentino, ou mesmo sulamericano, não haveria a recusa de retorno ao segundo tempo. Isso se deveu ao fato de ser um time pequeno da Argentina, clube de bairro quase provinciano que nunca disputou títulos importantes e que quis melar a festa do adversário promovendo uma “homenagem” ao goleiro Rojas do Chile, que ao perceber que seu time estava perdendo para o Brasil numa partida pelas Eliminatórias da Copa de 1990, visualizou uma oportunidade de prejudicar a festa no Maracanã ao ver um foguete sendo que caiu próximo dele na grande área próximo ao seu gol. Não teve dúvida, caiu e se cortou com uma lámina de barbear para simular a agressão.

Este post não faz com isso nenhuma acusação xenófoba, até por que sabe, fosse um time maior como um Boca Juniors, Peñarol ou Universidad de Chile tal caso nunca aconteceria. Além disso, espera-se uma punição tanto para o Clube argentino pela antidesportividade, quanto para o Clube brasileiro que não soube conter os ânimos de seus seguranças, além de ter permitido (ou não ter conseguido conter) a invasão de campo ao fim do jogo.

Ao fim de tudo, sabe-se que não haverá nenhuma punição para nenhum dos lados, pois estamos falando aqui de América do Sul, de um campeonato organizado (?) pela Conmebol dirigida por Nicolas Leoz.