O melhor do momento é o mais antigo

panela velha

Quando David Bowie anunciou sua volta ainda em Janeiro a sensação era mais de alívio do que de expectativa. Tudo se explica pelo fato do cantor não dar notícia a respeito de sua vida havia mais de 7 anos e de se falar muito a respeito de sua saúde debilitada.
Mas o que o mundo não esperava era por uma volta em grande estilo. Seu álbum que teve lançamento mundial em fevereiro tem a medida certa da nostalgia de que os escutadores do Rock / Pop precisam hoje em dia, mas não peca ao fazer experimentos (aliás, marca registrada do autor) e inovações nas técnicas sonoras e nos seus timbres de voz inconfundíveis e notáveis que se fazem presentes no mundo há mais de 4 décadas.
Além disso, promove uma chacoalhada na indústria fonográfica (que não tinha nada a mostrar já havia muito tempo) e desdenha (será?) da mídia atual por não mostrar sua cara aos holofotes.
Seu rosto somente aparece no vídeo de "Where are we now?", mas ao vivo os fotográfos e cinegrafistas ainda esperam por mais aparições do camaleão (ainda não tinha mencionado a alcunha do moço nesse post).
Abaixo, mais uma vez o vídeo de "Where are we now?" do cantor britânico.

Outro que acabou de lançar um disco elogiadíssimo é Nick Cave. Ele, ao lado de sua banda, nos brinda com uma pintura de álbum chamado "Push the sky away" que não menospreza a marca vibrante de sua voz e nem desperdiça seus timbres com músicas que não estão à sua altura.
Já disse anteriormente aqui no Blog que considero Nick Cave o melhor vocalista dessa geração, ao lado de Leonard Cohen e Mark Lanegan. A presença de um álbum novo com tanto vigor em suas faixas só faz aumentar a admiração por ele e por suas escolhas musicais.
Nosso menestrel Sérgio Reis não nos deixa mentir, "panela velha é que faz comida boa".
Abaixo, o video de "We no who ur" de Nick Cave and Bad Seeds.

Carta aberta aos produtores de festivais do Brasil

festivais

O Brasil, já faz algum tempo, entrou de vez na rota dos grandes shows e festivais do mundo. É o Rock in Rio que voltou revigorado pela sanha predatória da família Medina, o SWU e seus probemas com lama e logística no interior paulista, o Lollapalooza e sua desesperada fome por dinheiro (como explicar vender ingressos sem que o cidadão saiba nem quem vai tocar?).

Tamanha sede tem explicações óbvias: Melhoria da economia brasileira, público diversificado, necessidade de bandas, de grande e pequeno porte, realizarem shows sem precisar se espremer em casas apertadas e sem estrutura, e por aí vai.

Mas não se pode deixar de notar o quanto ainda é mal feita a programação desses festivais. Primeiro, não se consegue realizar um Rock in Rio sem que se coloque um Justin Timberlake ao lado do Iron Maiden (pura sutilieza desses produtores bem intencionados); segundo, não se realiza uma peneira acerca das bandas que devem tocar nos espaços menores; e terceiro, a total incapacidade de trazer figuras notáveis do mainstream e da cena underground para locais que já estarão superlotados para ver U2, Metallica, Rolling Stones ou Beyoncè.

Ora, se o fulano já está todo empolgado com seu ingresso na mão para assistir a um Pearl Jam será que custa tanto colocar um Swans para tocar mais cedo? Será que ao ter como Headliner um Elton John não seria possível chamar Nick Cave e os seus Bad Seeds para nos abrilhantar com suas canções? Leonard Cohen seria fantástico para uma abertura de Bob Dylan, um Mark Lanegan seria demais, P.J. Harvey promoveria uma hora de empolgação, dentre outros aqui não citados.

O problema é que nenhuma produtora de grande festival conhece a fundo a cena pop/rock do mundo atual e os grandes nomes que não teriam vez num show solo aqui no Brasil continuam longe do nosso país simplesmente pela preguiça dessas organizações.

Vejo, por exemplo, que em Austin está acontecendo o SXSW que possui em sua programação horários alternativos para shows dos mais diversos, desde Nick Cave até Yeah Yeah Yeahs, passando por Iggy Pop e Kendrick Lamar. Será que não daria para ter algo parecido por aqui?

Killer Joe: Willian Friedkin de volta ao inferno (no bom sentido)

VVS_KillerJoe_Poster

Finalmente, estreia no Brasil o novo filme do diretor Willian Friedkin (O Exorcista). Killer Joe é um filme diferente, criativo e cheio de ótimas falas (resultado do belíssimo roteiro de Tracy Letts). Com sua história repleta de personagens que não valem nada o longa é um oasis no meio de uma Hollywood que só pensa em remakes ou franquias.
Numa Dallas chapada, Joe (Matthew McConaughey) é um detetive, que faz uns bicos como matador de aluguel. Quando Chris (Emile Hirsch), um traficante de 22 anos, é roubado pela própria mãe e precisa rapidamente encontrar 6 mil reais para não ser assassinado recorre ao personagem título, fazendo a ressalva de que o seguro de vida de sua mãe vale apenas 50 mil dólares.
Logo de início Joe recusa, mas ao conhecer a irmã do mandante e filha da candidata a morta, Dottie (Juno Temple), ele passa a reavaliar sua decisão. Ninguém é inocente nesse inferno labiríntico em que o filme se torna.
Cheia de boas performances, a película é empolgante não só como filme policial, mas também como construtor de relacionamentos interessantes. Destaque para Matthew McConaughey (acima da média da maioria de seus filmes), Gina Gershon e, o melhor de tudo, a direção firme de Willian Friedkin, que estava meio perdido em suas últimas filmagens, mas que volta em grande estilo com esse filme diferente da grande maioria da safra atual do cinema americano.

Novidades no Blog

novidades[1]

A partir de agora o blog também seguirá as atividades da Sala de Leitura da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior.

A ideia é que os alunos interajam com o blog e discutam tudo o que for possível em relação à aula e aos debates realizados.

O blog prosseguirá com sua temática de análise do mundo das artes e cultura em geral.