Jake Bugg: o Bob Dylan que ainda não saiu das fraldas ou Por que artista teen não precisa ser ruim

Conheci faz pouco tempo, mas já estou ouvindo várias de suas músicas. O moleque possui 19 anos recém feitos, mas já canta como um veterano.
Ele possui uma forma de música muito parecida com a de Bob Dylan e a voz igualmente anasalada, mas parece já formar estilo próprio. Desde já, respeita os clássicos, mas na medida certa sem ser apenas um cordeirinho que repete as mesmas fórmulas.
Suas apresentações são bem empolgantes e a performance de palco parece estar nascendo com vibração e ponderação niveladas.
Este é Jake Bugg, cantor britânico de Nottinghan, já queridinho em seu país e iniciando barulho pelo resto da Europa e pelos EUA também.
Parece que o menino está se formando na escola folk com influência do já citado Bob Dylan, de Belle and Sebastian e com pitadas de Nick Drake. O disco dele intitulado “Jake Bugg” também já obteve ótima recepção pelo mundo afora e suas apresentações em festivais têm sido mais concorridas do que a de grandes astros.
Abaixo, um video dele fazendo “Taste it” para a tv francesa.

Black Sabbath: Datas confirmadas no Brasil

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Segundo o site UOL, a banda Black Sabbath desembarca no país para um show no dia 9 de outubro em Porto Alegre, depois no dia 11 para São Paulo (Campo de Marte?) e finalizando a turnê no dia 13 no Rio de Janeiro. Os shows terão abertura do Megadeth.
O banda apresentará o show do álbum ainda inédito “13”, primeiro disco de estúdio com Ozzy desde “Never Say Die” (1978).
Nos EUA será lançado no dia 10 de junho. O trabalho reúne Ozzy com o guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler. O baterista Bill Ward, da formação original, divulgou em maio de 2012 um comunicado dizendo que não acompanharia mais o Sabbath nos shows e foi substituído por Brad Wilk, do Rage Against The Machine.

Nota do Blog: Acredito que nos próximos dias sejam confirmadas as datas para início de venda dos ingressos e espero que o local em São Paulo seja confirmado para o Morumbi já que a procura pelas entradas será imensa.

Michel Teló ganha prêmio por melhor música do ano: O que há de errado com a arte desse mundo?

A informação é da Folha de São Paulo, mas pode ser vista em qualquer site de notícias do mundo: Michel Teló participou na noite desta quinta-feira (25) da Bilboard Latin Music Awards e levou para a casa dois prêmios.
O cantor foi indicado em sete categorias e saiu vencedor em duas: “Música do Ano”, a mais esperada da noite, e “Música Pop Latina do Ano”.
Há dois tipos de pessoas, em especial, que irão opinar sobre o tema: Os pachecos ufanistas que vão ressaltar a premiação de um brasuca no mundo do entretenimento rejeitando qualquer opinião contrária ou crítica à dita música ganhadora do prêmio, regorgitando que quem é critica não é brasileiro ou é vendido, americanizado. Do outro lado, ouviremos os detratores convíctos repetindo que e a música e o músico ganhadores do prêmio são um lixo só e que têm nojo do brasil e dos brasileiros.
Nem tanto ao céu nem tanto à terra.
Qualquer prêmio de hoje em dia, seja no cinema, na música, no mundo das artes ou da cultura em geral, tem por princípio básico buscar um elo entre a arte conceitual e o entretenimento, mas já faz algum tempo que isso tem pendido para o último. Como no meu post de ontem sobre Cannes é evidente notar que a arte tem perdido para a busca pelo popular e este popular tem sido criado a partir de coisas mais simples e mais objetivas do que as criações mais elaboradas e que promovem uma necessidade maior de raciocínio por parte do público, seja este qual for.
A Disney vai lançar um novo filme? É melhor se certificar que ele tenha muitos efeitos especiais e uma história banal para que a parte visual seja mais interessante do que a parte reflexiva, aquela que fará a cabeça pensar. O mesmo se aplica à música. Se há um lançamento de um cantor como Michel Teló ou Psy a repetição de seus refrões e o minimalismo de suas canções deve ser o intúito maior do que qualquer mensagem da letra. A rebeldia não tem mais espaço no mundo da grande indústria e a elaboração de inovações leva muito tempo para cair no gosto das massas. Melhor não arriscar.
Na verdade, tudo isso que foi falado acima já era assim desde sempre, mas com o mundo atual ligado à internet por meio de Tablets, smartphones e aplicativos e informações que se amontoam um em cima do outro em poucos segundos não há como fugir dessa realidade artística.
O que é realizado nos porões, no mundo alternativo e pensador continuará existindo e quem se delicia com as obras cinematográficas de David Lynch ou Cronemberg prosseguirá se deleitando com suas técnicas de filmagens, sua linguagem visual agressiva e seu non sense intrigante. Os amantes do Rock alternativo do Swans ou do Mudhoney ainda disputarão a tapa cada nova música criada por eles. P.J. Harvey, Nick Cave, as invenções geniais de David Bowie ou as maluquices de Wayne Coyne e seu Flaming Lips terão espaço sempre. Isso não muda, pois o quadrado onde esses artistas estão não é o mesmo dos outros e os seus espectadores e ouvintes também são diferentes daqueles que consomem o mainstreen.
O que deve ficar claro é a primordial ideia de que o entretenimento pode ter arte e a arte pode divertir, o que não podemos achar é que aqueles que estão nesse negócio para alinhavar fortunas façam um contrato milionário para Paul Thomas Anderson dirigir o próximo Transformers e que Mark Lanegan seja o headliner do próximo Rock in Rio. Essas coisas não combinam a faixa que ocupam são outra e os seus seguidores estão em frentes diferentes.

Ella Fitzgerald: Que voz!

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Você gosta de Amy Winehouse? Acha legal a voz de Mariah Carrey ou Withney Houston? Se quer falar sobre voz, sobre harmonia, sobre prazer em cantar e pureza na maneira de realizar isso esqueça dessas cantoras e de todas as outras que você lembrar. Hoje é aniversário de nascimento da cantora Ella Fitzgerald, a “First lady of song” apelidada pela imprensa americana dos anos 40 e 50 e rainha soberana do Jazz.
Com uma extensão vocal que abrangia três oitavas, era reconhecida principalmente pela pureza de sua tonalidade, sua dicção, a forma como elaborava seu fraseado e entonação impecáveis, além da notável habilidade de improviso como se fosse um novo instrumento de sopro.
Essa dama da música americana que nasceu em Newport News, Virgínia, filha William e Temperance “Tempie” Fitzgerald. Teve uma infância conturbada por causa da separação dos pais pouco tempo depois de seu nascimento, a acabou sendo criada pela sua mãe que a levou para Yonkers, Nova York, com seu namorado, Joseph Da Silva.
Durante sua juventude Ella queria ser uma dançarina, embora gostasse de ouvir as gravações de jazz de Louis Armstrong, Bing Crosby e The Boswell Sisters. Idolatrava a cantora Connee Boswell, dizendo mais tarde: “Minha mãe trouxe para casa um de seus discos, e me apaixonei por ele….Tentei tanto soar exatamente como ela.”
De fato não só ela soou tal qual sua inspiração como a superou.
Em 1932 sua mãe morreu, vítima de um enfarte. O trauma provocou uma queda brutal no desempenho escolar da garota, que deixou de frequentar as aulas. A um certo ponto chegou a trabalhar como vigia num bordel, e numa casa de apostas do jogo.
Após se envolver em problemas com a polícia, acabou sendo presa e enviada a um reformatório, de onde fugiu, passando a viver na rua, até ser internada no Asilo de Órfãos de Cor em Riverdale, no Bronx, Nova York.
Fez sua estreia como cantora aos 17 anos, em 21 de novembro de 1934, no Teatro Apollo, no Harlem. Gradualmente conquistou um público semanal no Apollo, e a oportunidade de competir numa das primeiras “Amateur Nights” do teatro. Originalmente pretendia dançar, porém, intimidada pelas Edward Sisters, uma dupla local de dançarinas, optou por cantar no estilo de Connee Boswell. Interpretou “Judy”, de Boswell, e “The Object of My Affection”, das Boswell Sisters, e conquistou o prêmio principal, de 25 dólares.
O que pareceu pouco naquele momento foi o estopim para sua carreira musical.
Em janeiro de 1935, Fitzgerald conquistou a oportunidade de se apresentar por uma semana com a big band de Tiny Bradshaw, na Harlem Opera House. Lá conheceu o baterista e líder de banda, Chick Webb. Webb já havia contratado o cantor Charlie Linton para trabalhar com a banda e estava, como apontou posteriormente o New York Times, “relutante em contratá-la… porque era desajeitada e malcuidada, um diamante bruto.”
Webb ofereceu-lhe a oportunidade de fazer um teste com a banda quando tocaram num baile na Universidade de Yale. Dito e feito. Após alguns percalços aqui e ali, se fixou como cantora da Orquesta de Webb a dali em diante somente aumentou sua fama chegando ao estrelato já como cantora solo em 1942. Ella teve sucesso também no cinema e uma vida pessoal com dois casamentos e problemas de saúde por conta da diabetes no final de sua vida já nos anos 90. Morreu em 1996 aos 79 anos de idade.
Abaixo, incluo dois momentos da carreira de Ella para o deleite geral.

Cannes: Para a arte ou para o entretenimento?

Vai começar Cannes. O festival de cinema mais famoso do mundo terá início em 15 de maio e irá até dia 26 do mesmo mês com o encerramento e noite de premiação (veja abaixo os filmes concorrentes).
Mas como acontece todo ano o calhamaço de filmes apresentado durante a semana na cidade francesa segue tendências diferentes de acordo com o juri escolhido para o julgamento dos vencedores das categorias.
Só para ficar num exemplo, no ano em que vimos Quentin Tarantino assumindo a mesa, prestou-se menos atenção aos filmes dramáticos, inclusive com declarações do próprio presidente do juri.
Agora, a responsabilidade de eleger os vencedores da Palma de Ouro em 2013 está a cargo de Steven Spielberg (presidente do juri), além de Ang Lee (o homem que o venceu este ano na competição para o Oscar de melhor diretor), o vencedor da Palma de Ouro, Cristian Mungiu (“4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”), a escocesa Lynne Ramsay ( “Precisamos Falar Sobre Kevin”) e a cineasta japonesa Naomi Kawase, que ganhou o Grand Prix de Cannes por “A Floresta dos Lamentos”, em 2007. As informações são do site “The Hollywood Reporter”.
O que isso significa, portanto? Talvez aquela ideia de que festivais seguem tendências artísticas e se ocupam em promover novos autores e novas formas de se filmar, dirigir, atuar esteja caindo por terra. Na verdade, já vem a algum tempo. Mas com a clara e evidente colocação de um mago do entretenimento como Spielberg para liderar uma premiação como Cannes faz-nos crer de que a tendência deste ano seja procurar se aproximar de premiações puramente comerciais.
A forma como o Oscar tem sido conduzido ultimamente com a necessidade de mesclar produções independentes com blockbusters parecia dar um sinal de que este cinema (o independente) precisava de um olhar mais sério por parte de produtores, mas com a possibilidade real de uma premiação meramente voltada para o gosto popular faz com que a coisa não tenha prossguimento.
Isso não quer dizer que cinema não é entretenimento. A velha discussão sobre isso é que muitas vezes o cinema atual tem sido mais visual, feito para os olhos apenas. A necessidade de histórias elaboradas, de atuações mais impactantes e até mesmo maneiras diferenciadas de se filmar parece cada vez mais ficar em segundo plano.
Parte, portanto, dessa perspectiva, o temor de gente que faz cinema para todos os sentidos humanos, que vê no cinema a possibilidade de polemizar, de atingir dicussões mais amplas, de fazer da sétima arte algo que promove o debate e a estranheza para, a partir disso, criarmos nossa própria visão de mundo, conhecimento e percepção. Quando vemos filmes como “Lord of Rings” ganhar tantos Oscars tem-se a exata noção de que o cinema independente começa a virar marginal.
A exclusão de “Killer Joe” de Willian Friedkin das principais listas de melhores filmes do ano passado também nos faz ter a percepção de que as pessoas estão se acostumando com os Blockbusters também como ideia de “filme para a história”. “Os Vingadores”, realizado apenas para a diversão, aparece muito mais nessas mesmas listas do que o filme citado anteriormente. É mesmo um filme para estar lá? Tá aí algo para se pensar.
Dito isto, não deve se excluir a possibilidade de que haja bons filmes a serem exibidos no Mostra. Espera-se que este Blog esteja errado e que o sr. E.T eleja junto com seus colegas bons filmes para o deleite dos cinéfilos de plantão e, mais do que isso, a lista dos concorrentes se mostre alvissareira.

Cannes 2013 (Lista de filmes concorrentes à Palma de Ouro)

“Only God Forgives”, de Nicolas Winding Refn
“Borgman”, de Alex Van Warmerdan
“Behind the Candelabra”, de Steven Soderbergh
“La Grande Bellezza”, de Paolo Sorrentino
“Jeune et Jolie”, de François Ozon
“Nebraska”, de Alexander Payne
“La Venus a la Fourrure”, de Roman Polanski
“Soshite Chichi ni Naru”, de Kore-Eda Hirokazu
“La Vie D’Adele”, de Abdellatif Kechiche
“Wara No Tate”, de Takashi Miike
“Le Passe”, de Asghar Farhadi
“The Immigrant”, de James Gray
“Grisgris”, de Mahamat-Saleh Haroun
“Tian Zhu Ding”, de Jia Zhangke
“Inside Llewyn Davis”, de Ethan Coen, Joel Coen
“Michael Kohlhaas”, de Arnaud Des Pallieres
“Jimmy P.”, de Arnaud Desplechin
“Heli”, de Amat Escalante
“Un Chateau en Italie”, de Valeria Bruni-Tedeschi

Projeto Sobretudo: Prosseguindo com o debate sobre maioridade penal

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A discussão sobre a maioridade penal continua acontecendo em nossa escola e os alunos têm se posicionado de maneira muito ativa sobre a questão. Para melhorar ainda mais o debate trago dois textos de pessoas gabaritadas sobre o assunto que trazem visões diferentes. O primeiro é o texto “Maioridade Penal: Contra ou a favor” de Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora de teologia da PUC – Rio e o outro é um artigo da colunista de Época Ruth de Aquino “Ele não sabe o que faz”. Alunos, continuem discutindo.

Maioridade Penal: Contra ou a favor * (Maria Clara Lucchetti Bingemer) Conteúdo retirado do site Amai-vos – amaivos.com.br

A morte brutal do menino João Helio de sete anos, arrastado por vários quilometros por bandidos entre os quais alguns menores de idade reacendeu um debate já em curso no Brasil: a questão da redução da maioridade penal.

Quando se fala em tomar medidas legais para combater a criminalidade, inevitavelmente vem à tona a discussão sobre a redução da maioridade penal — a idade em que, diante da lei, um jovem passa a responder inteiramente por seus atos, como os cidadãos adultos. Existem atualmente no Congresso Nacional mais de 54 projetos de lei com esse objetivo. O assunto voltou com força ao noticiário depois do assassinato de um casal de namorados em São Paulo, em novembro de 2003. O principal suspeito de ter arquitetado e cometido o crime, com métodos cruéis, é um rapaz de 16 anos. E no assassinato do menino João Helio, acontecido no bojo de um assalto onde estavam sua mãe e sua irmã, colocou ainda mais lenha na fogueira.

Numa pesquisa do Instituto Sensus, de Minas Gerais, divulgada no fim de 2003, 88% dos entrevistados apoiaram uma reforma nas leis que reduza para 16 anos a responsabilidade criminal no país. O Site do Professor também realizou um levantamento informal sobre o assunto e 75% dos internautas que decidiram participar se manifestaram pela maioridade penal aos 16. Como se vê, a idéia conta com o apoio de uma expressiva maioria da população. Por que tanta gente está disposta a empunhar essa bandeira?

Efetivamente, os argumentos são fortes. Se alguém com 16 anos de idade pode votar, por que não poderia responder por crimes cometidos? Se pode tomar bebida alcóolica e dirigir carro, por que não pode ser preso? Os que defendem a redução da maioridade penal acreditam que os adolescentes infratores cometem crimes porque não são suficientemente punidos. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é considerado tolerante demais com a delinqüência e portanto inoperante para cumprir sua função de intimidar os jovens que pensam em transgredir a lei. Além disso, supõe-se que o número de crianças e adolescentes infratores esteja aumentando vertiginosamente, e que essa tendência só poderá ser revertida com a adoção de medidas repressivas.

É verdade que jovens cada vez mais novos são recrutados por criminosos adultos — sobretudo os chefes e subchefes do tráfico de drogas — para atuar em suas quadrilhas. São personagens que o livro Cidade de Deus, de Paulo Lins, e depois o filme de Fernando Meirelles apresentaram ao mundo: “vapores” (que fazem ligação entre os traficantes e os usuários de drogas), “aviões” (que levam a droga para fora das favelas), “fogueteiros” (vigilantes que soltam rojões para anunciar a chegada da polícia ou do carregamento de droga) e “soldados” (seguranças de pontos de venda). Em parte é a relativa impunidade que leva o tráfico a procurar “empregados” nessa faixa etária, uma vez que o ECA prevê no máximo três anos de reclusão para menores infratores. Outros motivos que influem na preferência dos traficantes pela mão-de-obra infantil são uma suposta impulsividade característica da idade e o fascínio que a carreira criminosa exerce sobre os jovens. O tráfico seduz porque promete mais dinheiro, mais respeito e mais força dentro de comunidades em que o contexto familiar se tornou muito vulnerável. Um menino que vê o pai trabalhando duramente a vida inteira e ganhando salário mínimo já em sua velhice, como vai acreditar que isso vale a pena? Em lugar disso, ser avião ou vapor do tráfico não lhe garante vida longa, mas lhe dá a possibilidade de obter recursos que nunca obteria se não fosse por essa via.

Entrevistados, meninos moradores de favela que são contratados pelo tráfico têm sonhos: de dar uma casa para a mãe, de adquirir tênis e sapatos de marca, de poder levar uma vida com mais prazer e adquirir coisas que só o dinheiro permite comprar. Tudo isso os anima a entrar no tráfico. E como tráfico e crime andam de mãos dadas, muitas vezes vemos esses jovens assalariados do tráfico nas páginas dos jornais envolvidos com crimes hediondos. Diante dessa mistura de ambição de consumo, acesso a armas e ousadia (freqüentemente associada à idéia de que não há nada a perder), não é de surpreender que a figura do “adolescente em conflito com a lei”, como é chamado oficialmente, provoque tanto pavor. Também é compreensível que esse sentimento seja comum entre docentes e trabalhadores do ensino, para quem a situação inspira impotência e fracasso, uma vez que a escola deveria ser um dos antídotos para a sedução do crime e na verdade não tem demonstrado isto.

Mesmo assim, o quadro é menos sombrio do que se costuma crer: as estatísticas mostram que os homicídios cometidos por menores de 18 anos estão bem abaixo de 10% do total do país. E mais: a solução mais adequada seguramente não é essa: reduzir a maioridade penal. Corremos sério risco de, em fazendo isso, ver em breve os traficantes recrutando menores de idade cada vez mais baixa. E as novas gerações se prostituindo e sendo exterminadas de forma cada vez mais cruel.

Se nosso sistema carcerário fosse realmente recuperador e reintegrador do infrator na vida social, o problema seria diferente. Mas o que vemos são jovens entrando primários nos cárceres e reformatórios e dali a alguns anos com mais vários crimes nas costas. Reduzir a maioridade penal nessa situação é empurrar jovens já em frágil equilíbrio emocional e psíquico cada vez mais para o caminho sem volta do crime e da morte.

* Maria Clara Lucchetti Bingemer também é autora de “A Argila e o espírito – ensaios sobre ética, mística e poética” (Ed. Garamond), entre outros livros.

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Ele não sabe o que faz * (Ruth de Aquino) Artigo retirado do site Revista Época – revistaepoca.globo.com

Mais um assassino covarde tira proveito da lei paternalista no Brasil, que considera os menores de 18 anos incapazes de responder criminalmente por seus atos. Como não sentir vergonha diante dos pais do universitário Victor Hugo Deppman, assaltado e morto na calçada de casa em São Paulo? Como convencê-los a se conformar com o Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege o homicida de 17 anos que deu um tiro na cabeça de seu filho após roubar seu celular? Como conviver com a perda brutal de um filho e saber que seu algoz será internado por no máximo três anos porque “não sabia o que estava fazendo”?

Não consigo enxergar jovens de 16 anos como “adolescentes” ou “menores”. Eles votam, fazem sexo, chegam em casa de madrugada ou de manhã. Por que considerá-los incapazes de discernir o certo do errado? Ao tornar jovens de 16 anos responsáveis por seus atos diante da Justiça, o objetivo não é encarcerar todos os delinquentes dessa idade, mas, quem sabe, reduzir os crimes hediondos juvenis. A mudança na lei reforçaria o status que eles próprios já reivindicam em casa diante dos pais: “Eu não sou mais criança”. E não é mesmo.

Para quem argumenta que de nada adiantará reduzir a maioridade penal para 16 anos, respondo com uma pergunta: longas penas para assassinos adultos acabam com o crime bárbaro? Não, claro. Então, vamos acabar com as cadeias porque elas são custosas e inócuas? Não, claro. Longas penas servem para reduzir a impunidade e dar às famílias de vítimas a sensação de que foi feita justiça. Não se trata de “vingança”. É um ritual civilizatório. Matou? E ainda por cima por motivo torpe? Tem de pagar.

Um argumento popular contra a redução da maioridade penal para 16 anos é: e se um adolescente de 14 ou 15 anos matar alguém, mudaremos de novo a legislação? Sempre que escuto isso, lembro um caso na Inglaterra, em 1993. Dois garotos ingleses de 10 anos foram condenados à prisão perpétua por ter mutilado e matado um menino de 2 anos. A repercussão foi tremenda. Os assassinos foram soltos após oito anos de prisão. Mas não foram tratados com benevolência no julgamento. O recado para a sociedade era claro: não se passa a mão na cabeça de quem comete um crime monstruoso. Mesmo aos 10 anos de idade.

Outro argumento comum no Brasil contra a redução da maioridade penal afirma que só com boa educação e menos desigualdade social poderemos reduzir a criminalidade juvenil. Essa é uma verdade parcial. Há muitos países pobres em que jovens assaltam, mas não matam por um celular ou uma bicicleta. Eles têm medo da punição, medo da Justiça. Também acho injusto atribuir aos pobres uma maior tendência ao crime bárbaro. Tantos ricos são bandidos de primeira grandeza… Melhorar a educação e reduzir a pobreza são obrigações. Isso não exclui outra obrigação nossa: uma sociedade que valoriza a vida e a honestidade precisa acabar com a sensação de que o crime compensa. Para menores e maiores de 18 anos.

Os filósofos de plantão que nunca perderam o filho num assalto apelam à razão. Dizem que não se pode legislar sob impacto emocional. Ah, sim. Quero ver falar isso diante de Marisa e José Valdir Deppman, pais enlutados de Victor Hugo, que ouviram o tiro de seu apartamento, no 9o andar. Uma família de classe média que livrou o filho da asma com plano de saúde privado e investiu com esforço em seus estudos. A mãe falava com Victor Hugo todos os dias pelo celular. “Eu sempre falava para ele não reagir, porque a vida não vale um celular ou um carro. Ele não reagiu, mas foi morto. Estou estraçalhada por dentro.”

Victor Hugo, o Vitão, era santista fanático, um dos artilheiros do “Inferno vermelho”, apelido do time da Faculdade Cásper Líbero, onde estudava rádio e TV. Sonhava em virar locutor esportivo e estava apaixonado. A câmera do prédio mostra o momento em que sua vida acabou. Mostra a covardia do rapaz, cujo nome nem pôde ser divulgado por ser “inimputável”. Na sexta-feira passada, o assassino de Vitão, infrator conhecido na Febem, completou 18 anos.

Seu futuro pode ser o mesmo do menor E., que, aos 16 anos, ajudou a matar no Rio de Janeiro, em 2007, o menino João Hélio. Ele pertencia ao bando que arrastou João Hélio pelas ruas, pendurado na porta de um carro que havia sido roubado de sua mãe. Após três anos numa instituição para jovens infratores, foi libertado. A Justiça o incluiu temporariamente num programa de proteção a adolescentes ameaçados de morte, o PPCAAM. Ridículo. Ezequiel Toledo de Lima foi preso em março de 2012, aos 21 anos, por posse ilegal de arma, tráfico e corrupção ativa. Ezequiel não tinha antecedentes criminais como adulto – apesar de ter matado com requintes de crueldade um menino de 6 anos. É ou não é uma inversão total de valores?

* Ruth de Aquino é colunista da Revista Época

O Homem de Ferro vem aí mais uma vez

Desde o ataque dos chitauri a Nova York, Tony Stark (Robert Downey Jr.) vem enfrentando dificuldades para dormir e, quando consegue, tem terríveis pesadelos. Ele teme não conseguir proteger sua namorada Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) dos vários inimigos que passou a ter após vestir a armadura do Homem de Ferro. Um deles, o Mandarim (Ben Kingsley), decide atacá-lo com força total, destruindo sua mansão e capturando Pepper. Para enfrentá-lo Stark precisará ressurgir do fundo do mar, para onde foi levado junto com os destroços da mansão, e superar seu maior medo: o de fracassar.
O filme estréia no Brasil dia 26 de abril de 2013. Prepare a pipoca e o refrigerante para aproveitar mais uma parte dessa franquia de sucesso no mundo todo.
Assista ao vídeo acima com o trailer oficial do filme.