Efemeridades

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Efemeridades

Enfermidades opacas,
Traduções ilícitas,
Raivas momentâneas,
Confusões de instantes,
Situações embaraçosas.

Vielas que acabam na primeira sombra,
Sobrados,
Árvores centenárias,
Cidades alagadas,
Provérbios do dia.

Filmes de ação,
Poesias concretas,
Lindos pássaros que passam ao longe,
Salvos enganos.

Quitações de dívidas,
Defesas de goleiros,
Orgasmos,
Saudações com abraços.

Crises econômicas,
Crises bancárias,
Sensações e primaveras.

Circos na cidade,
Chuva de verão,
Ligações noturnas.

Coitos no automóvel,
Casamentos.

Casulos,
Borboletas.

Vida.

Morte…

Dhiancarlo Miranda

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Anime e Mangá também são literatura?

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A pergunta do título do post pode ter uma resposta rápida e sonora para os entendidos de literatura e animação, mas para as crianças e adolescentes que iniciam uma vida de contato com a arte, as cores, os textos e as histórias. Há, sim, muito o que analisar nessa atividade artística basicamente oriental oriunda do Japão.

A palavra anime tem significados diferentes para os japoneses e para os ocidentais. Para os japoneses, anime é tudo o que seja animação, seja ele estrangeiro ou nacional. Para os ocidentais, anime é toda a animação que venha do Japão. A origem da palavra é controversa, podendo vir da palavra inglesa animation (“animação”) ou da palavra francesa animée (“animado”), versão que é defendida por pesquisadores como Frederik L Schodt e Alfons Moliné.

Já o Mangá é, literalmente, história em quadrinhos e essa palavra é usada para designar aquelas histórias feitas no estilo japonês. Sua origem está no “Oricom Shohatsu” (Teatro das Sombras), que na época feudal percorria diversos vilarejos contando lendas por meio de fantoches. Essas lendas acabaram sendo escritas em rolos de papel e ilustradas, dando origem às histórias em sequência, e consequentemente originando o mangá.

(Mangá Bleach)
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Ao contrário do que muitos pensam, o animê ou o mangá não são um gênero, mas um meio, e no Japão produzem-se filmes animados com conteúdos variados, dentro de todos os gêneros possíveis e imagináveis (comédia, terror, drama, ficção científica, etc.).

Gakkou No Kaidan (Histórias de Fantasmas Episódio I)

Uma boa parte dos animes possui sua versão em mangá. Os animes e os mangás se destacam principalmente por seus olhos geralmente muito grandes, muito bem definidos, redondos ou rasgados, cheios de brilho e muitas vezes com cores chamativas, para que, desta forma, possam conferir mais emoção aos seus personagens. Animes podem ter o formato de séries para a televisão ou filmes.

(Mangá Toriko)
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Há também na animação japonesa grande presença de personagens bem-humorados, mesmo que alguns tenham uma conotação visual quase andrógena, uma característica que é reflexo da cultura japonesa atual, onde não há muita distinção entre estilos de gênero. Infelizmente, muitas vezes, não são ações bem interpretadas, levando em muitos casos à censura e adaptação de personagens para outros países.

Em muitas produções pode-se conferir caracterizações exageradas de sinais visíveis de sentimentos, como:
* gota de água que aparece ao lado do rosto do personagem representando constrangimento;
* diminuição súbita do personagem representando vergonha ou medo;
* nervos estilizados, dentes ou chifres aparecendo repentinamente nos personagens representando raiva ou maldade.

A voz também é um elemento muito importante num personagem. Elas são selecionadas de acordo com a personalidade dos personagens. Vozes muito poderosas, infantis, estridentes, harmoniosas ou cavernosas fazem parte do universo de qualquer anime, e os dubladores ou “seiyu” são alvos da admiração de muitos fãs.

(Cena de Naruto em sua versão japonesa com legenda em espanhol)

Como são consequência um do outro, o mais normal é que, quando um mangá alcança sucesso considerável de vendas no Japão, ele seja transformado em anime e se este também obtiver êxito, é traduzido e distribuído a outros países. Eventualmente, diversos produtos relacionados a eles começam a ser produzidos, como jogos de videogame, bonecos e revistas.

No entanto, há casos em que a ordem se inverte, como “Neon Genesis Evangelion”, cujo mangá foi produzido após o sucesso da série de televisão e “Dragon Quest” e “Pokémon”, que eram jogos, a partir do qual foram produzidos animes e mangás.

Veja, portanto, que a relação entre Animes, Mangás e até games é muito próxima, fazendo com que a literatura seja um sustentáculo para que seus aficcionados matem a curiosidade sobre as citações. O fato de se utilizar muito da mitologia como mote para seus enredos faz com que isso aguce a mente daqueles que acompanham as séries e pesquisem mais sobre o assunto.

O caso do Anime “Cavaleiros do Zodíaco” é um exemplo ótimo, já que se baseava na mitologia grega para contar um típico embate entre o bem e o mal. Dessa forma, muitas referências às personagens gregas da religião pagã e da literatura são feitas indistintivamente.

(Trecho de documentário sobre mitologia grega “Deuses e Deusas”)

A própria cultura pop ocidental já se apropriou da ideia do Mangá e do Anime para se comunicar com o público. A maneira como séries televisivas são produzidas tem se notabilizado pela influência japonesa em seu visual ou mesmo as HQs americanas já tiveram formatos especiais em que o estilo oriental predomina. Até mesmo bandas pop como o Daft Punk e de rock como o Gorillaz, Pearl Jam ou o Linkin Park fizeram vídeo-clipes com esta temática.

Linkin Park – “Breaking the Habit”

Politicanagem

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Dez por cento,
Por cem que favoreçam alguém;
Vinte por tanto,
Vim te tanto fazer também;
Trinta que vamos,
Tilintar de dedos contando os verdes santos;
Quarenta que inventa,
E não me meto no que te comprometa;
Cinqüenta que isenta,
Com fome de gana que somente aumenta;
Sessenta se tensa,
Que tento provento me aguça e atenta;
Setenta que alenta,
Formoso, bondoso e puro a venda;
Oitenta que emenda,
Mistura, que lava, que some e remenda;
Noventa por lenta,
O caminho que toma, e sente e agüenta;
Cem que vem e que tem,
Que nada por sobra parece e amém.

Dhiancarlo Miranda

Semana curta, mas trabalho proveitoso!

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Nesta semana, os professores da Sala de leitura Cora Coralina não estão na EMEF Professor Rivadávia Marques Junior ministrando aulas, mas estão tendo muito trabalho.

Desde segunda (27) até hoje (29) estamos participando de uma Formação de Professores Orientadores de Sala de leitura (POSL) promovida pela Prefeitura do Município de São Paulo e pela Secretaria Municipal de Educação.

A reunião tem sido muito produtiva (e ainda será), pois lá muitas ideias estão sendo trocadas pelo professores e organizadores da atividade para que mudanças e projetos sejam realizados por todos no sentido de melhorar o trabalho realizado dentro da Sala de Leitura.

A ideia é que os professores já voltem na semana que vem com algumas novidades tanto no âmbito da atividade em sala como no convívio com o espaço da biblioteca.

Muitas experiências têm sido compartilhadas pelos professores participantes e muitas coisas novas ecoam na nossa cabeça para realizar posteriormente com os alunos do Rivadávia.

Esperamos que ao retornar à escola muitas atividades já possam ser promovidas com os alunos de todas as séries, as outros procedimentos terão de ser discutidos com a direção da escola, por uma questão de hierarquia.

Então, que até hoje sejamos atingidos pelo maior número de ideias inovadoras e que isso se traduza em melhorias para os alunos. Um abraço dos professores Dhiancarlo e Regiane (POSL’s da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior).

Alguns versos sobre o desconhecido.

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Morte

O que é a morte
Senão um membro que sangra e gangrena
Ou a lagarta que silencia em favor da beleza.

O que chamamos de fim
Pode ser o começo para outro;
Pode modificar o caráter,
Formar nova casca, novo envólucro.

O que faz a morte,
Além do término da dor?

Uma relação rompida,
Uma amizade não mais colorida.
O pôr-do-sol convincente
E o luar espremido entre as nuvens.

A última gota de chuva sobre a folha no chão.

Como é a morte
Não mais vivida
Não mais paixão?

O buquê de flores depois de uma semana
Ou o gole derradeiro da boemia.
Ciclo encerrado, carta marcada descoberta
E a manhã que transformou-se em tarde vazia.

Onde é a morte?
Acima do hedonismo?

É o fora de série provando ser normal.
É o primeiro ato depois do prazer;
É descobrir que dentro agora está por fora.
O alcance do cume
E a descida depois do dever cumprido.

Quem é então essa senhora?
Severa,
Severina.

É o porém lembrado depois da frase,
É a fase, é o meio impossível de agir.
Uma reticência sem prosseguimento;
O raso, o pleno.
Os ovos no seu frigir.

Pode ser uma sustentação ao nada,
Ou uma falha incorrigível.
Ser supremo de vida inútil
Bola na trave, nave ancorada.
O último aviso

Termo
Fim
Destruição
Ruína

O morro, a mortalha, a mortal piscadela;
O sinistro, a vingança, a velha, a velha…

O que é a morte então?
Não se sabe, não se viu.

O suspiro, ou depois disso,
A luz ao fim de tudo,
O nada ao fim da luz.
Pureza, deserto, lúrido; o inverso.
Tudo isso reunido

Qual morte é verdadeira?
Qual morte que te leva?
É a cena mais absurda
É a surda ação que não adianta,
O adiante, ou uma simples urna.

Força descomunal
Morte sem sentido
Doce veneno engolido
Citação antiquada
É o vinho, é o vinho…

O que é então a morte?
Sumiço
Soluço
Profundo
Abismo?

Não é a morte vital?
É o corte no vidro
A adolescência perdida
A inocência perdida
O método como finalidade
A pluma caindo,
É a vida, é a vida…

É a não mais virgem
A morte do pudor?
É o fato singelo
É o ódio, é o amor.

O que a morte então traz?
Traz desgosto
Traz evolução
Faz do simplório a revolução contida,
Contempla o fosso
Extirpa a vida.

A morte revive?
Ela salda a dívida,
Saúda o passado,
Força o presente,
Extingue o porvir;
É a fala do não falado.

A morte envelhece?
Ela situa você na história
Mata a sede do condenado
Expõe a fome inglória

Sugere o fim funesto
Apaga o fogo do acalento
Destrói o que seguia em cabresto
Enfim, a morte é o morrer lento, lento.

Dhiancarlo Miranda

The Gazzette: Quem disse que japonês não sabe ser pop?

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A dica veio de algumas alunas da oitava série. Pela função a mim imputada de mediador da Sala de Leitura e como aficcionado e curioso de plantão de música fui levado a procurar a respeito.

A banda The Gazzette foi formada no Japão em 2002 e teve uma alavanca de sucesso pelo país ao longo dos álbuns lançados e acabou chamando à atenção na Europa fazendo por lá algumas turnês nos últimos anos. O grupo aterrissa no Brasil para seus primeiros shows em São Paulo, dia 14 de setembro deste ano.

Com relação ao estilo, The Gazzette choca mais pelo visual andrógeno e espalhafatoso (próprio da juventude de classe média japonesa) com todos seus penduricalhos, pintura de unhas, cabelo bagunçado e roupas coloridas e metálicas, do que por seu estilo musical. Aliás, podemos definir a banda de algumas maneiras: primeiro, o vocal de Ruki tem uma sonoridade que lembra bem a tonalidade de voz de Simon Le Bon do Duran Duran com suas nuances de calmaria e força moderada; segundo, sua sonoridade é um “rock do japonês louco” que transita entre um pop a la Backstreet Boys e o rock mais cru das bandas de nu metal. O resultado acaba agradando depois de alguns segundos e soa bem ao final.

Ao que tudo indica, esse estilo mais carnavalesco da vestimenta da banda acaba por dificultar sua presença no hall das bandas ditas “sérias” e as pessoas se sentem impelidas a ter um certo preconceito antes de ouvirem a primeira música deles. Portanto, acredito ser difícil uma entrada mais profunda no mercado tão conservador quanto a América Latina, mas percebe-se que há um público fiel mesmo aqui no Brasil.

Abaixo, posto dois vídeos dos japoneses para que o próprio público do blog tenha um veredicto sobre a banda.

Sala de Leitura também é para ouvir música

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Quem disse que na Sala de Leitura não tem música?

Pensando na ligação especial que todos nós temos com a música desde os tenros primeiros anos de vida a Sala de Leitura Cora Coralina da EMEF Professor Rivadávia Marques Junior tem realizado atividades que envolvem sons e leitura no mesmo trabalho.

O pessoal de ensino fundamental I, principalmente, já foi brindado com músicas da Páscoa, no Dia das Mães e os clássicos infantis que são interpretados pela turma da Galinha Pintadinha.

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São inúmeras as tarefas já feitas com os temas musicais e durante todo o restante do ano muitas outras atividades serão realizadas.
Os professores Dhiancarlo e Regiane estão sempre dispostos a inovar na maneira de disponibilizar a arte escrita e, por que não, a arte falada, cantada.