O Apocalipse Zumbi Invade o Cinema: Viva a George Romero

20518088

George Romero filmou seu primeiro longa com mortos-vivos em 1968 com “Night of the Living Dead”, mas não foi o primeiro a utilizar esse “dóceis” vilões em películas. Filmes como “A Morta-Viva” (1943) de Jacques Tourner já se baseavam nessas figuras para aterrorizar plateias pelo mundo afora, mas todos esses exemplos utilizavam a temática sendo iniciada por conta de bruxaria ou pelos famosos vodus haitianos. Romero introduziu ao assunto elementos políticos e os experimentos científicos, aliados muitas vezes à guerra química ou alguma epidemia saltaram à tela para desenvolver uma discussão sobre um mundo dominado por forças que devem se sobrepor a tudo e a todos a qualquer custo.

Foto de George Romero
200PX-~1

“Guerra Mundial Z” de Marc Forster, se baseia numa doença que rapidamente toma conta das pessoas infectadas deixando-as agressivas e esfomeadas em segundos. Estas não são como os monstros dementes de “The Walking Dead”, eles são ageis e astutos e se movimentam em bandos à procura de comida. Como uma catástrofe dessas faria supor um colápso no comércio e no dia-a-dia mundial é claro que os não-infectados viram o prato favorito dessas bestas sedentas por carne.

O personagem de Brad Pitt (Gerry Lane), sua mulher vivida por Mireille Enos (Rachel) e as duas filhas encontram uma Nova Iorque sitiada por esses elementos que ao terem contato com os seres humanos os infectam em apenas 12 segundos.

Como ele é um especialista em situações de emergência mundial alguns membros da ONU o localizam e o levam, junto com a família para um lugar seguro. Lá o convencem a trabalhar em prol da resolução da situação crítica.

Teaser de “Guerra Mundial Z”
Guerra-Mundial-Z-24Mar2013-poster

O filme é uma adaptação do livro de mesmo nome do escritor Max Brooks e essa investida acaba por ser bem convincente já que a direção é bem ágil na maneira moderna de visualizar os zumbis para um gênero que ganhou muita popularidade não só pelas empreitadas de George Romero, mas também por conta da série “The Walking Dead” e de outras tantas versões para a telona, literatura e quadrinhos.

O elenco tem boa sincronia e o roteiro, apesar de se preocupar mais com a ação, não possui buracos para o seu entendimento. Boa diversão sem menosprezar nossos cérebros. Aliás, cérebro é o que não falta para o deleite daqueles que esperam pelo apocalipse zumbi.

Trailer do Filme “Guerra Mundial Z”

A Divina Comédia é, de fato, divina

16_FHA_rioshow_dali4
Pintura “Canto XXVII: Um Diabo Lógico” de Salvador Dalí

A viagem de Dante Alighieri é uma alegoria através do que é essencialmente o conceito medieval de Inferno, guiada pelo poeta romano Virgílio.

Tal poema descreve o inferno com nove círculos de sofrimento localizados dentro da Terra.

Ele foi escrito no início do século XIV e até hoje é abominado por escolas católicas.

Ela se divide em três fases: Inferno, Purgatório e Paraíso e mantem uma narrativa profunda sobre a metáfora de que tudo isso reflete a própria sociedade da época, e por que não, da atual também.

Outra coisa que impressiona no poema é que ele possui uma impressionante simetria matemática baseada no número três. Ele é escrito utilizando uma técnica original conhecida como terza rima, na qual as estrofes de dez sílabas, com três linhas cada, rimam da forma ABA, BCB, CDC, DED, EFE, etc. Ou seja, a linha central de cada terceto controla as duas linhas marginais do terceto seguinte. Veja um exemplo (primeiras estrofes do Inferno):

1 Nel mezzo del cammin di nostra vita A
2 mi ritrovai per una selva oscura B
3 ché la diritta via era smarrita. A

4 Ahi quanto a dir qual era è cosa dura B
5 esta selva selvaggia e aspra e forte C
6 che nel pensier rinova la paura! B

7 Tant’è amara che poco è più morte; C
8 ma per trattar del ben ch’i’ vi trovai, D
9 dirò de l’altre cose ch’i’ v’ho scorte. C

10 Io non so ben ridir com’i’ v’intrai, D
11 tant’era pien di sonno a quel punto E
12 che la verace via abbandonai. D

Ao fazer com que cada terceto antecipe o som que irá ecoar duas vezes no terceto seguinte, a terza rima dá uma impressão de movimento ao poema. É como se ele iniciasse um processo que não poderia mais parar.

Além de toda essa inovação estilística que envolve os versos e as estrofes de maneira tão odernada os três livros que formam a Divina Comédia são divididos em 33 cantos cada, com aproximadamente 40 a 50 tercetos, que terminam com um verso isolado no final.

O Inferno possui um canto a mais que serve de introdução a todo o poema. No total são 100 cantos. Os lugares descritos por cada livro (o inferno, o purgatório e o paraíso) são divididos em nove círculos cada, formando no total 27 (3 vezes 3 vezes 3) níveis. Os três livros rimam no último verso, pois terminam com a mesma palavra: stelle, que significa ‘estrelas’.

Uma outra curiosidade sobre a obra é que inicialmente Dante chamou-a apenas de Comédia. Nesse ponto é importante ressaltar que para a Igreja Católica essa era uma forma de literatura exconjurada já que acreditava-se que a função da obra escrita não era fazer rir, pois esse tipo de comportamento era “coisa do Demônio”. Além disso, a palavra “Divina” foi acrescida pela primeira vez em uma edição de 1555.

A Divina Comédia excerceu grande influência em poetas, músicos, pintores, cineastas e outros artistas nos últimos 700 anos. Desenhistas e pintores como Gustave Doré, Sandro Botticelli, Salvador Dali, Michelangelo e William Blake estão entre aqueles que usaram os temas do livro para criarem inúmeras pinturas. Os compositores Robert Schumann e Gioacchino Rossini traduziram partes de seu poema em música e o compositor húngaro Franz Liszt usou a Comédia como tema de um de seus poemas sinfônicos.

Ilustração de William Blake para uma edição de “A Divina Comédia”
image

Há também exemplos na escultura com o escultor Auguste Rodin que usou a Comédia como inspiração para suas principais obras, entre elas, O Pensador, que representa o próprio Dante, O Beijo, inspirada no drama de Paolo e Francesca (Inferno, Canto V) e Ugolino e seus filhos, que retrata a tragédia do Conde Ugolino narrada no Canto XXXIII. Todas compõem sua obra-prima Porta do Inferno que representa nada menos que o Inferno de Dante.

A DIVINA COMÉDIA também pode ser considerada obra complexa, pois foi trabalho da vida inteira de Dante. Tudo no livro tem um elemento figurativo para representar nossa própria viagem através da vida e a necessidade do homem em transcender os muros da morte. A jornada de Dante (o personagem) para encontrar Deus, acompanhado de Virgilio (simbolizando a razão humana), até o ponto em que Beatriz (a graça divina) deve guiá-lo é vista como a jornada humana. Nessa odisseia o personagem de Dante terá diálogos com todos os tipos de pessoas, tanto contemporâneas quanto figuras da Antigüidade e da mitologia.

De acordo com a descida através dos nove círculos do Inferno até Satã, é apanhado em armadilha de gelo no centro da terra e sobe a montanha de sete andares até o Purgatório; vai sendo gradualmente purificado de seus pecados, ficando pronto para ser conduzido pela série de esferas celestiais ao Império de Deus.

Essas figuras de linguagem são usadas de maneira gradativa e lenta durante a obra e o embate entre a mudança de pensamento medieval e o mundo vindouro da Renascença se aprofunda numa recapitulação da doutrina cristã da queda e da redenção, colocada em versos de sublime e majestosa beleza, especialmente na criação de imagens.

Portanto, o livro A Divina Comédia não somente representa o mais alto grau da poesia italiana, mas também uma ruptura da literatura medieval com a consciência da aproximação de uma nova era com os descobrimentos e mudanças do período Renascentista. Isso por que ainda restavam muitos anos para essa aceitação acontecer em toda a Europa. De fato, leitura primordial e obrigatória.

As Velhas

pares_de_esqueleto_velhos_cerca_dos_1900s_adiantad_capas_speck-p176744525104707244bhar2_400

As Velhas (Dhiancarlo Miranda)

As antigas e empoeiradas páginas não mais são lidas:
Seu amarelo preponderante impede uma visualização bondosa…
A aparência já não é das melhores e isso reflete nos olhos.

O sinistro visual do ancião repele aproximações,
Seu caminhar lento dificulta alguém ao seu lado
E a mumificante coordenação implora por um toque que não vem.

A planta ressecada apodrece, pois o inverno chegou.
Folhas e caules são mera assombração desvairada
Com mínimas cores em que predominam tons despretensiosos de vida.

A seca da terra traduz a invasão da morte.
Por todos os lados vê-se o nada.
O acalorado pavor da miragem censura o brilho úmido da alegria.

A viagem se aproxima do destino,
Mas seu custo ainda não está pago.
Comunga nesse ínterim o espasmo da brisa…

O cão late com dificuldade abissal
E seus dentes já não podem morder com intensidade vivaz.
Com os pelos que caem há apenas desprezo ilustrativo ao seu corpo…

A cura parece que vem,
Porém se desenha de forma horrenda e pouco natural,
Mas é a natureza fazendo seu mal e seu bem como um rio seguindo um rumo

Copos com pouco conteúdo, rostos cicatrizados,
Buracos quase fechados, vazios quase completos,
Vidas quase mortas, mortes por assim dizer.

Sem sorrisos, cento e tantos motivos para calar:
A contagem parece ser rápida, mas os ponteiros não saem do lugar.
A prova da existência não está no fim, mas na aproximação dele.

Terror para as crianças. Pode?

277634

Dias atrás eu postei por aqui algumas linhas sobre contos de terror em que as histórias se passam durante o inverno do hemisfério norte e citei o livro “Frankenstein”, célebre obra de Mary Shelley.

Capa do Livro “Frankenstein” de Mary Shelley
frankenstein

Pois bem, não é que há uma obra infantil com essa temática dos grandes personagens do terror mundial, mas com uma imagem muito mais leve que aquela que conhecemos, podendo assim fazer sucesso com as crianças?

“A Casa do Franquis Tem” foi escrito e ilustrado por Jonas Worcman e José Santos e tem como maior trunfo uma casa mal-assombrada que é ocupada pelos seres mais esquisitos possíveis, tudo isso sendo mostrado pelo seu próprio anfitrião, o Franquis do título do livro.

Ilustração do Livro “A Casa do Franquis Tem”
livrojonas

Melhor do que apresentar os cômodos e os moradores da casa, os autores o fazem de maneira bem humorada e por meio de poemas bem construídos e engraçados, levando as crianças ao delírio durante a leitura. Junto a tudo isso há bastantes ilustrações que situam cada parte da casa desvendada pelo dono dela.

Ilustração do Livro “A Casa do Franquis Tem”
franquistem3

Enfim, um bom livro que, além de ser bem divertido, pode ser interessante porta de entrada aos pequenos para a curiosidade se aguçar com outras histórias sobre esses mesmos personagens que aparecem mais descontraidamente. Parece, em alguns momentos, ter alguma influência de Maurice Sendak, que sabia como ninguém lidar com esse mundo que parece ser mais simples para as crianças, mas que para os adultos soa esquisito.

Ilustração do Livro “Onde Vivem os Monstros” de Maurice Sendak
maurice sendak1

Os fantasmas, os vampiros, o próprio monstro de Frankenstein, entre outros que são citados na obra, podem ser encontrados pelas crianças, depois, nas suas obras originais ou através de outras adaptações. Assim, os meninos podem fazer comparações entre a aparência e as ações desses personagens em cada história.

Não há como não lembrar de Tim Burton e de seus personagens maravilhosamente esquisitos que enchem a tela nos filmes ou nos desenhos escritos por ele. Cenas de “Edward Mãos de Tesoura”, “A Noiva Cadáver” (parceria de Burton e Mike Johnson), “O Estranho Mundo de Jack” (no qual Burton é roteirista), além da homenagem “Frankenweenie” claramente inspirado na obra de Shelley, nos mostram um mundo estranho, mas extremamente interessante, em que as pessoas diferentes nos ensinam muitas lições sobre a vida.

Abaixo, cena de “Frankenweenie” de Tim Burton

Deste modo, seja por meio de um livro de poemas com a temática dos contos de terror, seja pela direção maluca de um cara como Tim Burton, esse submundo da literatura nos apresenta a natureza humana por meio da fantasia e nada melhor do que demonstrar isso a quem mais sabe lidar com esse mundo fantástico, as crianças.

Ah, O Inverno!

rosa_d_inverno

Enquanto nas ruas se desenha uma “primavera brasileira” surge na data de hoje o início oficial do Inverno em nosso hemisfério. Como moramos num “país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” (esse é o tipo de frase que não pode ser terminado sem cantar a música do Jorge Ben) o Inverno nunca é certo e a onda de frio pode acontecer durante uma semana e perder para os raios de sol em outros dias.

Porém, o evento do Inverno não é feito somente de frio. Ele tem a ver com uma cultura culinária em que os pratos quentes e bebidas fortes acabam por sobrepujar os alimentos mais leves e, por consequência, mais saudáveis do verão. Também é um tempo em que as vestimentas das pessoas ficam mais elegantes e cachecóis, casacos, botas e sobretudos fazem parte do design de mulheres e homens brasileiros que tentam se parecer com qualquer britânico que passeia em frente ao Big Ben de Londres.

Bebê bem agasalhado em São Paulo
untitled

Há, inclusive, durante o inverno uma programação pelo país de shows de música clássica em que se procura aproximar nosso molejo sambístico com a erudição europeia. Até mesmo a Festa Junina pode ser considerada uma festa em que elementos nórdicos (como a queima de fogueira) e brincadeiras que lembram festejos do Velho Continente (a quadrilha parece muito com algumas danças celtas) ocorrem no nordeste brasileiro se apoderando de um folclore que não nasceu por aqui.

Fogueira de São João no Nordeste Brasileiro
fogueira

O Inverno, portanto, tem como outra característica unir mais as pessoas, pois segundo consta pelos outros cantos do mundo que recebem um frio mais intenso, as famílias têm de permanecer em suas casas por conta das nevascas e isso acaba por promover maiores diálogos entre os entes queridos.

Aliás, esse fato de (quase) não existir neve no Brasil faz com que se estranhe mais ainda a cultura brasileira quando esta se enche de influência do hemisfério norte. A maioria das lendas e mitos contados com base no início do inverno tem como referência, e até personagem das estórias, a neve. É durante esse período dos flocos brancos que o Natal acontece por lá e é nessa época que o Papai Noel aparece; As lendas dos Lobisomens são contadas tendo como cenário a neve e célebres contos de realismo fantástico como “Frankenstein” de Mary Shelley e “Drácula” de Bram Stoker se passam em períodos de nevasca profunda.

Capa do Livro “Drácula” de Bram Stoker
dracula-bram-stoker

É neste momento em que o frio congela que os contos de terror são mais assustadores e a mistura do sangue com a brancura da neve produz tons sinistros em nossa imaginação nas páginas dos livros e realçam bem a tela através dos filmes.

Obras empolgantes como “O Iluminado” de Stephen King ou “A Tempestade do Século” do mesmo autor são exemplos perfeitos dessa máxima de que o inverno é sinistro mesmo.

Capa do Livro “Tempestade do Século” de Stephen King
storm_of_century

Mas nem somente do terror vive a literatura que fala do Inverno e da neve. O autor ganhador do Nobel de Literatura, Orhan Pamuk, escreveu um livro bastante político chamado “Neve” em que conta uma história de amor que se complica por conta de uma revolução numa cidade pequena envolta pela nevasca e que tem como discussão principal o papel dos secularistas e dos muçulmanos na vida das pessoas comuns. De fato, nesse livro, em alguns momentos a neve nos assusta de outras maneiras.

Capa do Livro “Neve” de Orhan Pamuk
9789722339100

O cinema também é prodígio nessa maneira de mostrar o inverno de maneira assustadora. Ainda me lembro com arrepios do filme “The Thing” de John Carpenter, que aqui se traduziu como “O Enigma do Outro Mundo”. O próprio “O Iluminado” teve boa adaptação de Stanley Kubrick para a tela grande.

Cena do Filme “O Iluminado” de Stanley Kubrick

Enfim, há boas alternativas no mundo da literatura e do cinema para não só sentir o frio do Inverno que hoje chega por aqui, mas também calafrios com todas essas histórias de se botar medo em qualquer um. Boa leitura e bom filme!!!

Orwell vem bem a calhar

revolucao_bichos1

Num momento em que os nervos estão aflorados e as pessoas começam a aprender a reclamar por esses lados tropicais não me sai da cabeça o livro “A Revolução dos Bichos” de George Orwell, não por que o mote do livro (uma revolução que se inicia pelas mãos do povo, mas que cai no colo dos tiranos) seria um fim para tudo o que está acontecendo, mas por que novamente vemos um jogo de poder em que a comunicação é importante para os governantes e tal situação pode fazer manipular as mentes menos incautas.

Por conta dessa perspectiva de luta de classes não pode ser tirada da conta a questão midiática que situa o atual momento vivido pelos brasileiros como crítico não somente no que diz respeito à confiabilidade nos poderes, mas também em relação ao que se ouve, tanto do lado da esquerda quanto do lado direitista.

Manifestacao

Se por um lado visualiza-se muita hipocrisia esquerdista nos atos tomados desde os últimos dez dias focando a culpa dos políticos nas mais diversas áreas, mas que isenta o papel do principal partido representante do governo, por outro prisma há uma tentativa de manipulação da direita em colocar a culpa de tudo o que está aí no Brasil num governo que só entrou no poder central há dez anos.

Outras tantas situações deixam claro que o Fla x Flu em que se tornaram as discussões das pessoas nos botequins fazem com que percebamos que o espírito apartidário que foi verificado nas últimas manifestações pode tomar um rumo perigoso de antipartidarismo em que se recusam os partidos para participar do Estado democrático. Ora, se isso acontecer voltaremos aos negros dias da ditadura, dessa vez mais nebulosos ainda já que há sempre aproveitadores se esgueirando para tomar o poder da forma que for possível.

O papel da mídia e da imprensa de um modo geral também tem de ser discutido, pois muitas vezes tem sido difícil entender o que quer ser passado pelos meios de comunicação durante as manifestações. Se no início era “um bando de baderneiros” que tomava conta das ruas e tal discurso tomava eco nos programas televisivos e pelos principais jornais e sites do país posteriormente, com a adesão popular, virou “uma linda demonstração de civilidade” em que até atos de vandalismo eram teorizados pelos sensacionalistas.

O que fica claro é que todos estão perdidos, desde a população que grita para todos os lados e tem razão em quase 100% dessas reivindicações, até mesmo os políticos, que não sabem para quem falar e nem entenderam qual o discurso a usar. Aquela velha máxima do Big Brother demonstrada no “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley já não serve mais para os governantes, pois a população não acredita mais em ninguém e as tentativas de se sobrepor aos cidadãos por meio da vigilância profunda de seus braços midiáticos não surtirá efeito nesse momento por conta da insatisfação geral que impossibilita a crença em qualquer interlocutor que se diga do meio político.

admiravel

Nem a classe artística, tão ativa com os movimentos sociais no Brasil, tem se manifestado nesse momento, muito por ser complacente com o governo atual e outro tanto por ser brindada com tantas leis de incentivo (que só auxiliam aos que já tem muito dinheiro, quando na verdade foram criadas para ajudar artistas sem possibilidade econômica).

O que está se vendo, pelo menos até agora, é uma manifestação popular intensa, necessária, produzida pela insatisfação geral de classes mais baixas e até a classe média brasileira, mas que tem que ser acompanhada de perto por todos para que não se inclua na pauta um antipartidarismo que pode significar a volta de uma nova ditadura.

A luta tem de ser vista pelos políticos como uma chance para que eles de fato sejam os nossos representantes e utilizem seus cargos para nos servir e não para se beneficiar economicamente disso. Portanto, devemos estar atentos para que não haja má utilização de algo que surge como brisa boa para os nossos rostos.

Música para os protestos (mas tem que saber cantar rápido)

20130619045806_cartazes

Abaixo, uma boa trilha sonora para os protestos que tomaram conta do país desde as últimas semanas. Aumenta o volume e presta atenção à letra e ao vídeo clip:

B.Y.O.B (Sytem of a Down)

Why do they always send the poor?

Barbarisms by Barbaras

With pointed heels

Victorious victories kneel

For brand new spankin’ deals

Marching forward hypocritic and

Hypnotic computers

You depend on our protection

Yet you feed us lies from the tablecloth

Everybody’s going to the party have a real good time

Dancing in the desert blowing up the sunshine

Kneeling roses disappearing into

Moses’ dry mouth

Breaking into Fort Knox stealing

Our intentions

Hangers sitting dripped in oil

Crying freedom

Handed to obsoletion

Still you feed us lies from the tablecloth

Everybody’s going to the party have a real good time

Dancing in the desert blowing up the sunshine

Everybody’s going to the party have a real good time

Dancing in the desert blowing up the sunshine

Blast off

It’s party time

And we don’t live in a fascist nation

Blast off

It’s party time

And where the fuck are you?

Where the fuck are you?

Where the fuck are you?

Why don’t presidents fight the war?

Why do they always send the poor?

Why don’t presidents fight the war?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Kneeling roses disappearing into

Moses’ dry mouth

Breaking into Fort Knox stealing

Our intentions

Hangers sitting dripped in oil

Crying freedom

Handed to obsoletion,

Still you feed us lies from the tablecloth

Everybody’s going to the party have a real good time

Dancing in the desert blowing up the sunshine

Everybody’s going to the party have a real good time

Dancing in the desert blowing up the sun

Where the fuck are you?

Where the fuck are you?

Why don’t presidents fight the war?

Why do they always send the poor?

Why don’t presidents fight the war?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

Why do they always send the poor?

They always send the poor

They always send the poor

Tradução:

Tragam Suas Próprias Bombas (System of a Down)

Por que eles sempre mandam os pobres?

Barbaridades de Bárbaros

Com saltos afiados

Vitórias vitoriosas se ajoelham

Para novos negócios excepcionais

Marchando em frente à hipócritas e

Hipnotizantes computadores

Você depende de nossa proteção

Ainda assim você nos alimenta com mentiras sobre a toalha

Todo mundo está indo para a festa se divertir

Dançando no deserto, com o sol raiando

Rosas Ajoelhadas desaparecendo na

Boca seca de Moisés

Arrombando o Forte Knox e roubando

Nossas intenções

Cabides gotejando em petróleo

Chorando por liberdade

Entregue ao obsoleto

Ainda assim você nos alimenta com mentiras sobre a toalha

Todo mundo está indo para a festa se divertir

Dançando no deserto, com o sol raiando

Todo mundo está indo para a festa se divertir

Dançando no deserto, com o sol raiando

Destrua

É hora da festa

E nós não vivemos numa nação fascista

Detona

É hora da festa

E onde diabos esta você?

Onde diabos está você?

Onde diabos está você?

Por que os presidentes não lutam a guerra?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que os presidentes não lutam a guerra?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Rosas Ajoelhadas desaparecendo na

Boca seca de Moisés

Arrombando o Forte Knox e roubando

Nossas intenções

Cabides gotejando em petróleo

Chorando por liberdade

Entregue ao obsoleto,

Ainda assim você nos alimenta com mentiras sobre a toalha

Todo mundo está indo para a festa se divertir

Dançando no deserto, com o sol raiando

Todo mundo está indo para a festa se divertir

Dançando no deserto, com o sol raiando

Onde diabos está você?

Onde diabos está você?

Por que os presidentes não lutam a guerra?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que os presidentes não lutam a guerra?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Por que eles sempre mandam os pobres?

Eles sempre mandam os pobres

Eles sempre mandam os pobres