Poe e sua “A Carta Roubada”

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Desde quando a Sala de Leitura Cora Coralina da EMEF Professor Rivadavia Marques Junior iniciou as atividades sobre os contos de terror e mistério muitas eram as perguntas dos alunos quanto ao motivo da utilização de um gênero tão desprezado pela grande mídia quanto este para realizar discussões em nossas aulas. Minha resposta sempre é a de que este tema (o do terror) não é apenas uma desculpa para amedrontar e assustar as pessoas que o leem ou assistem (no caso do cinema de horror), mas normalmente é por meio dessas histórias que se discute muito sobre os temores do ser humano e a curiosidade com o desconhecido, com o misterioso.

É fato que um dos maiores temores do homem é morrer, e não saber o que há por trás (ou depois dela) é enigmático e sempre gera debate. A variedade de coisas que pode suscitar uma simples conversa sobre o além-túmulo vai desde a filosofia até a religião, passando pelas provas e teorias cientificas e crenças e superstições.

Portanto, quando isso é passado para a literatura pode-se misturar tudo e jogar pitadas de dramaticidade para que o suspense se instale e o leitor fique apreensivo com o que irá acontecer na próxima página.

A escolha para a leitura compartilhada dessa semana é “A Carta Roubada” de Edgar Allan Poe e isso se deve não só pela maneira como o autor trata o gênero (com sua busca pelo inimaginável e pelo oculto), mas também por ser uma das histórias que veio a influenciar qualquer bom conto de suspense e mistério que apareceu no mundo do século XIX até os dias atuais.

“A Carta Roubada” não é bem um conto de terror, mas ele pode servir de base para que as mentes mais aguçadas sugiram coisas mais aterrorizantes diante de uma história em que Auguste Dupin (o pai e modelo de todos os detetives da literatura) demostra como utilizar a força do intelecto, ao desvendar um caso de roubo e extorsão. A forma como é contada a trama é que proporciona medo. O medo não é do além, o medo é de desvelar algo que está incólume, uma situação que pode desmascarar alguém.

Essa história mexe com o medo do ser humano em ser desmascarado e não poder utilizar mais as suas próprias fantasias e personagens para atuar diante do mundo, é um conto sobre a obsessão de homem em captar as mensagens no ar, de cravar a solução de um problema.

Mais à frente faremos uma incursão pelo mundo do terror psicológico, daquele que arrepia as pessoas por se depararem com suas fraquezas e não saber a quem pedir socorro, mas isso é assunto para outro post. Até lá.

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