O que esse Rock in Rio tem a nos oferecer?

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Começa amanhã o Rock in Rio. O festival nasceu em 1985, em meio a trambiques (o Brasil tinha dificuldade em trazer artistas, pois tinha fama de mau pagador), acertos de última hora e cancelamentos imprevistos, os shows de Iron Maiden, James Taylor, Queen, AC/DC, Ozzy, Yes, entre outros, tinham um ar de renovação não somente para a rotina brasileira, desacostumada a grandes eventos assim, mas também para o restante do mundo que via nossa nação com uma aura de frescor democrático desde o movimento das “Diretas Já” que acontecera no ano anterior.

Após uma lacuna de cinco anos, os produtores originais do Rock in Rio realizaram uma segunda versão do evento no Maracanã. Voltaram em 2001 com as apresentações novamente na Cidade do Rock, mas direcionaram seus olhos para a Europa, com Madrid e Lisboa sendo palco para que acontecessem mais algumas vezes o festival.

Porém, parece que foi a edição de 2011 que deu sobrevida midiática suficiente para que o Rock in Rio ressurgisse com força para se reestabelecer no cenário mundial.

Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Steve Wonder, Guns N’Roses, entre outros, foram preponderantes para que houvesse um sucesso de público a ponto de promover a edição no Brasil mais rápida posteriormente à outra.

Agora, em 2013, está a cargo de Metallica (de novo), Beyoncè, Bon Jovi, Iron Maiden, entre outros, segurar o tchan do festival, mas a questão mestre está na (falta de) ousadia de seus organizadores. Nada contra a escalação de medalhões do mundo pop para fechar cada noite. Este não é o problema, mas sim a solução para qualquer megaevento.

Infelizmente, não há um pingo de coragem em trazer gente nova para servir de escada aos bambambans. Não se faz uma pesquisa mais profunda de quais são os rappers bacanas que estão fazendo sucesso na programação de Glastonbury, ninguém percebe o potencial de um Jake Bugg para abrir algum dia de um show desses, não se vislumbra colocar uma apresentação de Nick Cave, Mark Lanegan ou P.J. Harvey para incendiar um dia qualquer da Cidade do Rock, nada do eletrônico do Daft Punk ou das deliciosas californianas Haim. Nada, nada, nada de novo…

Isso realmente irrita, pois o sucesso do evento, e sua eventual lotação, já estão garantidas quando você coloca o Metallica para tocar como headlinner. O que não deveria ser perdido é a oportunidade de rádios, produtoras de shows e indústria fonográfica e canais de tv teriam ao promover a estreia de um artista talentoso em solo brasileiro. Isso não tem preço.

Perde-se tempo, por que o show não terá eco, não fará burburinho posterior com a apresentação aterradora de alguma banda nova, de um artista diferente. Falta coragem e isso atrapalha a indústria da música e do entretenimento nacional.

Para terminar, fica a dica a quem for ao evento de ir bem alimentado e sem nenhum pingo de sede, pois as filas para comer ou beber qualquer coisa são intermináveis e o serviço é muito ruim. Talvez eu tenha paciência para assistir a algum show pela tv, se não dormir antes.

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2 comentários em “O que esse Rock in Rio tem a nos oferecer?

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