Um Conto de Fadas Russo Feito por um Brasileiro

taya

“Nas gélidas montanhas da Rússia, a princesa Taya guarda um segredo em seu coração e acaba tendo que viver em companhia de uma bruxa chamada Baba Yaga e de seu intrometido corvo assistente. Na cabana, ela acaba encontrando um espelho encantado, que mais parece uma sala de bate-papo na Internet, que lhe dá forças e meios para lutar contra seu cruel destino. Taya e o espelho da Baba Yaga é uma história de encantamento e magia (…)”.

O trecho da sinopse apresentada pela livraria Saraiva para o livro “Taya e o Espelho de Baba Yaga” (Editora Abacate) promove uma viagem pela Rússia dos contos de fada e convida o leitor para fazer esse tour junto. Mas o mais interessante disso tudo é que a história da princesa do coração de gelo foi escrita por um brasileiro. Isso mesmo, um brasileiro se aprofundou nas pesquisas de histórias fantásticas do folclore russo e elaborou uma obra cheia de reviravoltas e com um final surpreendente.

Fábio Sombra é carioca da gema e não é marinheiro de primeira viagem. Ele acabou de participar da Bienal do Livro no Rio de Janeiro e tem na bagagem também uma participação na Flipinha (área destinada às crianças na FLIP). Sua bibliografia conta com os livros “No Reino do Vai não Vem”, “A Lenda do Violeiro Invejoso” e “Sete Histórias de Pescaria do seu Vivinho”, além de “Baba Yaga”, motivo de meu post.

O autor Fabio Sombra
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A diferença entre o que o autor escreve e a maioria dos livros infantis atuais é a capacidade de perceber que criança não é otária e que esta gosta de histórias bem elaboradas. Quando nos deparamos com qualquer prateleira de livros infantis numa livraria o que mais se nota é uma ótima diagramação e um trabalho ilustrativo fantástico, evidenciando-se ainda mais isso ao abri-lo com a percepção de que as linhas escritas são poucas e as imagens, inúmeras.

Se for para ler um livro desse caminhão de autores por aí a criança não demorará trinta minutos. Há quem diga que isso é importante para não dispersar a atenção dos meninos, mas será que no meio desse público não existe ninguém com gana por mais profundidade, ou para trocar em miúdos, mais história?

Fabio consegue captar essa necessidade da editoração infantil atual e busca nesse conto de fada aproximar seu público-alvo de uma prática que era tão normal nos tempos de Monteiro Lobato: contar uma boa história.

Claro que se busca uma interação da história com as imagens postas no livro, mas essas ilustrações não distraem a criança do objetivo principal: saber o que acontecerá com Taya, a princesa do conto.

Não li todas as obras do autor, mas é perceptível por aquelas que já li, que sua agilidade com a narrativa é bem densa e isso provoca expectativa nos pequenos, algo impossível com os livros cheios de imagens e poucas frases. O livro se torna descartável e se esquece de seu âmago em pouco tempo. Nesse sentido, e também na preocupação em escolher a narração de fatos acontecidos em campo tão estranho à criança brasileira (a distante Rússia), a obra se faz sutil e sabe acolher o leitor de forma a deixa-lo curioso a cada nova ação dos personagens.

Deste modo, Fábio Sombra (que possui o blog http://violeiro.blogspot.com.br/) pratica a boa escrita e a boa literatura, além de cativar um público tão subestimado quanto o infantil. Ponto para ele.

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