Nossa História Redescoberta

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A História brasileira não pôde ser revisitada por muitos anos, por conta da ditadura.

Por aproximadamente duas décadas, poucos foram os que ousaram desvendar alguma situação nova ou desmentir, uma cartilha que fosse, por causa do medo da ditadura (e de sua censura). Aqueles que o fizeram ou estavam exilados ou o faziam na clandestinidade.

Mas, devagar, a partir dos anos 90, muitos historiadores corajosos, impulsionados pela abertura da liberdade de expressão que a nova democracia trouxera, começaram a estudar mais nosso passado.

Nossa época colonial, principalmente, foi tema para inúmeras pesquisas e um sem-número de livros recontando nossa trajetória surgiu desde então.

Dessa leva de bons pesquisadores alguns se destacam, ou por serem polêmicos, ou por remarem contra a maré do que sempre se contou ou por simplesmente possuírem uma técnica de análise muito precisa e profunda dos meandros da história nacional.

Ajudaram nessa retomada da pesquisa sobre o nosso país, o interesse e a habilidade de brasilianistas estrangeiros como os ingleses Richard Bourne e Leslie Bethel, que já escreveram alguns livros sobre o tema, Kenneth Maxwell, autor do clássico livro “A Devassa da Devassa” (sobre a Inconfidência Mineira), além de especialistas em literatura brasileira, como a americana Helena Caldwell, autora do famoso livro “O Otelo Brasileiro” sobre a obra de Machado de Assis e o contexto histórico em que viveu.

A Devassa da Devassa (Kenneth Maxwell)
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Mais do que falarem sobre o Brasil, esses pesquisadores de fora acabaram por encorajar a abertura de um campo de pesquisa sobre o país e o interesse nesse tema aumentou a gama de profissionais da área dentro de nosso território. Nomes como José Carlos Reis, da UFMG, autor do estudo “Duas Versões sobre a formação do Brasil-Nação: Extrema-direita versus democrática radical”, a professora da USP Mary del Priore, com sua análise do papel da mulher no Brasil desde os tempos do Império e José Murilo de Carvalho, da UFRJ, que também é cientista político e grande pesquisador da democracia, são só alguns daqueles historiadores com extrema habilidade para falar sobre o Brasil.

Mary del Priore – Historiadora
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Além deles, podemos citar pessoas que trabalham em campos mais complexos como a biografia e ou documentários para a televisão e cinema. Nessa linha, Eduardo Bueno (que não é historiador de formação) ficou famoso por escrever sobre a época do descobrimento, e hoje é quase uma celebridade no meio, causando certa repulsa em alguns colegas. Inclusive, tem trabalhado em alguns projetos do canal de tv fechada “History Channel”.

Outro nome relevante é o de Lúcio de Castro que, por trabalhar no jornalismo de esporte, demorou para colocar as mangas de fora para falar sobre história nesse mesmo quesito. Aos poucos, nos lugares em que trabalha, iniciou pesquisas sobre o envolvimento de forças políticas ditatoriais no campo do esporte brasileiro e latino-americano. Chegou a ganhar prêmios, sendo o último (Prêmio Cinefoot) por uma série de programas chamada “Memórias do Chumbo – o futebol nos tempos do Condor”.

Lucio de Castro – Historiador e Jornalista
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Por último, não podia deixar de falar acerca de Laurentino Gomes, também famoso na atualidade por ter se metido num projeto grandioso que teve sua concretização no último mês com o lançamento literário de “1889”. Essa obra encerra uma trilogia que conta ainda com “1808” e “1822”. Os três livros (re)contam a história do nascimento do Brasil como nação desde a chegada da família real em 1808 até a derrocada do império e a ascensão da República em 1889. O que fascinou quem leu os três livros é a riqueza de detalhes em relação aos acontecimentos retratados durante todo o tempo. A precisão desses detalhes faz com que a pessoa imagine passo a passo como tudo aconteceu num país que ainda estava florescendo.

Laurentino Gomes e sua trilogia brasileira
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O destaque dado a estes historiadores relacionados neste texto não é para endeusa-los nem tampouco cravar a certeza sobre os seus trabalhos, mas, isso sim, demonstrar que através de suas obras muito ainda pode ser discutido e um debate mais profundo sobre nossas raízes pode ser mais bem conduzido. O país perdeu muito com um período cheio de incertezas, maculado pela censura da ditadura. O que esses personagens de nosso tempo agora estão realizando é um resgate do passado sem ter que passar pelo crivo de um general qualquer que não vai gostar de ter publicado em um livro que os fatos gloriosos tão aclamados por todos nas antigas cartilhas não foram bem assim que aconteceram.

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