Halloween – Qual é o problema desta festa?

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O Trabalho do professor não é somente ensinar. Esta função está explicita demais e não é necessário explica-la para quem não é da docência.

Além disso, o mestre tem por obrigação deixar claro o motivo de seus ensinamentos, mostrar que o conhecimento é imprescindível para a evolução do ser humano.

Portanto, o próprio professor precisa aprender isso todos os dias de sua vida profissional ou pessoal. As pessoas, em qualquer local do mundo, precisam compreender a importância da informação e da diversidade dela, pois somente assim, poderão ter discernimento suficiente para escolher o que querem da vida.

Faço este preâmbulo para falar, mais uma vez, da atividade cultural que estou realizando na EMEF Professor Rivadávia Marques Junior. O desafio de promover um concurso de contos de terror não é somente cativar os alunos a confeccionar as histórias, mas também é importante repertoria-los para que entendam um pouco sobre as características estilísticas do gênero, saibam sobre o contexto histórico das obras clássicas e compreendam melhor a leitura e a literatura por meio de um tipo de história que eles gostam (em sua maioria).

Nenhuma tática ou técnica didática ou pedagógica é infalível e a forma como evolui demonstra os erros e os acertos do professor, mas, acima de tudo, o fazer valer da busca pelo conhecimento deve nortear qualquer projeto que se preze.

É importante dizer tudo isso, por que há pais e professores, simplesmente, que não querem participar ou deixar que seus filhos e alunos, respectivamente, participem da atividade cultural que finalizará esse concurso, com data prevista para acontecer no dia 31 de outubro próximo. O motivo, sem qualquer explicação mínima, é religioso. Saber que uma pessoa será alijada da participação num evento escolar por conta de motivação religiosa já é, para mim, um absurdo. Perceber que isso também não vem acompanhado de uma explicação plausível torna o fato mais pitoresco.

A festa do Halloween nada mais é do que uma manifestação folclórica, com origens pagãs. Mostre-me uma festividade brasileira, europeia ou de qualquer outro local do planeta que não tenha seu princípio em atividades não cristãs e eu te dou um doce (ou uma travessura). O cristianismo tem pouco mais de dois mil anos e as comemorações judaicas não atingem uma grande parcela da população mundial. O mesmo pode ser dito do islamismo que é uma religião fechada e restrita a alguns países.

Qualquer outra festividade de conhecimento mundial e popular tem seu princípio em situações rotineiras do início e fechamento de alguma estação do ano, por ocasião da colheita ou por adoração de deuses e espíritos. O Carnaval tem suas raízes nesses mitos, a Páscoa começou assim, o próprio ano-novo e o Halloween também seguem a mesma linha.

O que me chama à atenção é que somente o Halloween ficou com essa pecha amaldiçoada aqui no Brasil. Nem mesmo a identificação de alguns puristas nacionalistas de que é uma festa estrangeira e que devíamos celebrar nossas lendas e mitos faz sentido, pois a maioria desses mesmos mitos tem origem em histórias trazidas pelos europeus. A própria gama de histórias contadas pelos índios foi adaptada pelos colonizadores para ficar mais “civilizada”.

Então pergunto: O que tem de ruim em comemorar uma festa que antecede o Dia de Todos os Santos e que celebra o dia em que todos os espíritos estão soltos no mundo. No próximo post do blog irei explanar sobre as origens e as histórias acerca do Halloween. Quem sabe as pessoas que se arvoram em suas religiões para demonizar uma festa tão inocente não mudem de opinião.

Na verdade, apesar de ser um desejo, eu não tenho essa pretensão, mas é importante deixar claro, novamente, que um dos princípios do magistério é não sonegar conhecimento e isso tem de ser feito acima de qualquer crença ou religião.

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2 comentários em “Halloween – Qual é o problema desta festa?

  1. ANGELO disse:

    Interessante incentivar a criatividade, as técnicas de escrita e redação no concurso com alunos. A temática do terror traz a curiosidade sadia e diversão de ler o que o colega escreveu. A temática poderá fazer o aluno a pesquisar sobre escritores do gênero como Edgar Alan Poe, Ághata Christie, Stephen King e por que não Augusto dos Anjos em seus poemas e Tim Burton em seus filmes.

    • Obrigado pelo comentário, amigon. Na verdade, todo esse repertório de autores e estilos sobre o gênero já foi transmitido anteriormente aos alunos. É muito gratificante saber que esse trabalho está dando frutos. E vem ma por aí!!! Continue visitando o blog. Abraço!

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