Ser ateu nos países nórdicos é normal (e o que a música tem a ver com isso)

simbolo-ateismo

A última grande pesquisa no mundo sobre religiões e as estatísticas acerca de seus adeptos foi em 2007. Neste estudo, o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman mediu taxas e padrões contemporâneos no segmento das crenças e uma informação que chamou à atenção foi a grande quantidade de ateus, agnósticos e não-crentes em Deus na região nórdica (Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia).

Para se ter uma ideia, nessa pesquisa de Zuckerman, o ranking dos dez países com maior proporcionalidade de ateus no mundo tem quatro desses países (sendo a Suécia, a primeira colocada com 85% da população sem nenhuma crença).

Neste rol de países nórdicos somente a Islândia não possui um número considerável de ateus, pois a maioria absoluta de seus habitantes pertence à Igreja Luterana.

Todos os outros países têm uma média acima de 60% da população sem nenhuma crença e sem nenhuma preocupação com questões religiosas ou com alguma crença dessa natureza.

Ranking dos países com maior quantidade de ateus

Suécia (1º): 85%
Dinamarca (3º): 85%
Noruega (4º): 72%
Finlândia (8º): 60%

Fontes: Pesquisas de Phil Zuckerman (2007), Richard Lynn (2008) e Elaine Howard Ecklund (2010), ONU, adherents.com, American ReligiousIdentification Survey, The Pew Research Center, Gallup Poll, The New York Times, Good, Nature, Live Science e Discovery Magazine.

Nestes países, e até na Islândia, se cultua muito a cultura escandinava e os mitos e lendas vikings, com suas sagas e Eddas (poemas inspirados nas aventuras dos povos daquela região), mas mesmo com o respeito a essa tradição politeísta não há nada que os faça seguir os deuses nórdicos de uma maneira dogmática. O empenho desses povos é em manter acesa tal cultura sem que sejam determinadas crenças específicas para venerar algum deus.

Isso tem alguma explicação (ou muita) na história de exploração do Império Romano naquela região, que ao tomar as terras das cidades nórdicas, proibiam a prática de qualquer atividade de suas tradições e enfiavam goela abaixo o cristianismo como salvação a eles.

Mitos, lendas e procedimentos sagrados eram terminantemente excluídos da vida cotidiana de pessoas que, apesar de não ter uma organização linguística rica, possuía uma hierarquia social e familiar que funcionava bem, uma vocação para a guerra enorme e um rico panteão de personagens em seu folclore.

Até mesmo árvores que eram consideradas importantes em seus rituais de adoração a Odin, Thor, Freya, entre outros deuses, eram cortadas para que não houvesse a possibilidade de peregrinação dos povos nórdicos, principalmente no século XI, época da ocupação romana mais intensa.

Representação de Odin
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Um povo detentor de uma cultura e de uma cosmologia tão variada e bem definida com histórias interessantes sobre a criação do universo, das coisas, dos homens e da natureza, foi podado de pratica-la em detrimento de uma religião em que somente há salvação se for seguido um único deus. É claro a visualização de um crença forçada não faria a cabeça dessas pessoas, portanto o interesse pela religião dos romanos não vingou e seu acompanhamento nunca foi levado a sério.

Mas a cultura nórdica, escandinava, viking, nunca ficou de fora da vida desses países, e reviver seu folclore tem papel preponderante nesse processo de divulgação dessa cultura que nunca morreu e que toma nova força nos dias atuais.

Os poemas épicos sobre a conquista de terras distantes pelos povos nórdicos, a narração das viagens impressionantes realizadas por esses guerreiros e as batalhas pelo poder proporcionadas pelos deuses ajudaram os jovens dos tempos modernos a viajar na história. Nisso, o papel não só da literatura, mas também do teatro, do cinema e principalmente da música, são preponderantes para prosseguir acesa a chama da cultura nórdica.

Representação de guerreiro Viking
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As bandas de rock na Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Islândia são das mais variadas e os temas abordados pelas letras também.

Numa outra pesquisa realizada via internet em 2012 pelo site Metal Archives (www.metalarchives.com/browse/country) destacou que há uma predominância do estilo Heavy Metal em países nórdicos, nos quais são atingidos picos de até 53 bandas de metal a cada 100.000 pessoas. Os países ganhadores são Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia.

A maioria das bandas nesses locais utiliza temas satânicos ou mitológicos em suas letras, faz som extremo ou combina metal com elementos de folk e música clássica. Em sua maioria, são grupos compostos por pessoas de formação musical profunda, estudiosos dos temas que se propõem a discutir em suas músicas e que usam corais operísticos na composição de suas peças.

Aliás, muitos deles promovem um clima teatral às suas apresentações e não é difícil encontrar álbuns temáticos e conceituais sobre a cultura viking ou a respeito da eterna luta entre o bem o mal.

Essa forma de utilizar os contrapontos entre o bem e o mal, entre o amor e o ódio, entre as trevas e as luzes faz com que, invariavelmente, os grupos também sejam rotulados estilisticamente como góticos, o que não pode ser descartado tanto na maneira como são confeccionadas as letras como também os usos e costumes de seus integrantes.

A própria temática satânica, é importante salientar, só pode ser algo comum, pelo fato de a maioria da população desses países não ter nenhuma predisposição religiosa. Portanto, veem a música com esse assunto da forma como deve ser vista, apenas como uma expressão de arte e nunca uma tendência de pensamento. Da mesma maneira que uma banda norueguesa fala das andanças de Lucifer pelo mundo também grita lamurias a Deus em outras canções.

A religião é um tema, assim como o são a política, o preconceito, a morte, a vida, enfim, tudo aquilo que qualquer pessoa poderia abordar em qualquer música de qualquer estilo.

Abaixo, listei algumas bandas de Viking Metal, Indie Folk, Folk Metal, Metal Sinfônico, Black Metal e Gothic Metal que povoam o imaginário nórdico e que possuem certo renome também fora daquelas fronteiras gélidas do Atlântico Norte.

Dimmu Borgir (The Sacrilegious Scorn) – Noruega

Bathory (The Foreverdark Woods)- Suécia

Korpiklaani (Rauta) – Finlândia

Nightwish (The Islander) – Finlândia

Amon Amarth (Guardians of Asgaard) – Suécia

Of Monsters and Men (King and Lionheart) – Islândia

Mercyful Fate (Witches Dance) – Dinamarca

Burzum (Dunkelhein) – Noruega

Severed Crotch (Spawn of Disgust) – Islândia

Helheim (Dualitet og Ulver) – Noruega

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25 comentários em “Ser ateu nos países nórdicos é normal (e o que a música tem a ver com isso)

  1. Paulo Masson disse:

    Só uma observação, Dhiancarlo: o cristianismo só foi oficializado por Roma por volta de 380, sendo que o Império Romano do Ocidente caiu em 476 dC sob domínio dos bárbaros, logo, não houve uma influência tão grande assim do Cristianismo a ponto de Roma agir da maneira como você citou. Ainda: esta não era a prática romana. Na sua dominação, Roma costumava permitir a manutenção da cultura local (até por isso o judaísmo se perpetuou mesmo após a destruição do templo de Salomão em 70dC, causado pelas tantas brigas internas em Jerusalém). Sua dominação era mais política e econômica. Mesmo em sua continuação, o Império Bizantino, que perdurou até a queda de Constantinopla sob domínio dos turcos, em 1453, este império (aí sim, bem cristianizado, mas na vertente mais ortodoxa/grega) não chegou a atingir as fronteiras mais nórdicas da Europa. Não houve, de fato, uma dominação seja do Império Romano, seja do Império Bizantino, em relação aos povos escadinavos/nórdicos. Na verdade, eles é que dominaram e, entre aspas mesmo, “acabaram” com o Império Romano do Ocidente.

    • Claro que houve, amigon, já que o Império Romano teve papel importante de exploração na região nórdica apenas no início do segundo milênio d.C., período em que o Cristianismo estava enraizado na cultura europeia desde muito tempo, como você bem lembrou. Os relatos dos próprios historiadores desses países demonstram uma censura muito grande por parte dos romanos naquele período com relação aos usos e costumes do povo nórdico. Até mesmo árvores que eram consideradas sagradas pelos povos da região eram queimadas para que eles não pudessem fazer nem suas manifestações nem seus sacrifícios aos deuses em quem acreditavam.

    • Só para finalizar: No início do século XI houve uma campanha do Império Romano pelos países nórdicos, mas não houve uma instalação grande na região, porém, a Igreja Católica agiu em favor de sua crença de maneira bem forte e os relatos de queima de templos e árvores sagradas não são poucos nesse momento. Pouco depois, por conta desse domínio cultural sobre a cultura pagã e uma certa catequização das classes mais abastadas, pessoas que ainda cultivavam uma tradição do folclore escandinavo começaram a ser perseguidos e Islândia, Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca instituíram oficialmente a religião cristã como crença única. Portanto, se não houve uma exploração do Império por muito tempo naquelas terras ficou, pelo menos, a exploração cultural.

      • Toleman disse:

        Só uma questão, você está confundindo Império Romano (o famoso S.P.Q.R. do filme Gladiador, por exemplo) com o Sacro Império Romano Germânico, que foi coisa bem diferente. O Império Romano caiu já no século V, no XI havia o Romano Germânico, que não era bem um império, mas um amontoado de cidades e feudos.

      • Você tem razão. Eu estava me referindo ao Império no sentido da força da Igreja fundada dentro dele. Mas pode não ter saído tão bem explicado. Obrigado pela dica!!!

  2. Gostei muito do seu post, Dhiancarlo! Muito interessante!

  3. Viktor Silva disse:

    A veradde: muitos cristãos se dizem ateus nessas pesquisas para ficarem livres do Imposto Eclesiástico de 9$ do salário cobrado nas igrejas. Quem me garante que não é essa a verdade? Vejam a confusão que está acontecendo lá na Alemanha por causa do tal imposto.

  4. Republicou isso em Outros Sonse comentado:

    O Blog está em recesso até o dia 05 de janeiro. Até lá serão postados textos que foram bastante acessados durante esses dois anos e meio de trabalho.

  5. Daniel Soares disse:

    Cara! Muito bom! Ótimo trabalho…

  6. Nathan Tomaz disse:

    Muito interessante a ligação que vc fez da falta de religião nessas regiões pelo fato da cultura ser voltada para o paganismo na forma artistica. Você poderia citar também que os escandinavos foram tardiamente cristianizados, assim como de certa forma o norte da europa tb, isso pode ter afetado, pois ideais iliministas anti-clericais surgiram apenas 800 anos depois da completa cristianização, não tendo tanto tempo como em outras regiões para o assimilamento completo sendo assim fortemente influenciado pelo secularismo e tals…
    Uma outra regiões proeminente ateia é a frança, que por fatores de ser o ceio da revolução francesa tem essas caracteristicas.

  7. Lukas disse:

    Oras a Suécia não é uma país ateu, isso é uma má interpretação da pesquisa do Phil Zuckerman, o sociólogo Americano. Veja;

    http://neoateismodelirante.blogspot.com.br/2013/11/a-suecia-e-um-pais-ateu.html

    Ademais, uma caracteriza dos países nórdicos, é terem a Igreja Luterana ( Fundada pelo reformado Martim Lutero), como Religião Oficial de Estado, diferente de nós Brasileiros, que não temos uma religião no governo… Embora a Noruega tenha iniciado a separação de Igreja e Estado em 2012, ate hoje os noruegueses tem fortes ligações com a Igreja Luterana, por exemplo, estão querendo construir Igrejas Luteranas na Arábia Saudita, ( um país extremamente anti cristão,) aonde tem uma teocracia Islâmica, que proíbe a pratica do Cristianismo. Veja;

    http://blogdojanews.blogspot.com.br/2014/11/obrigado-noruega-se-nao-ha-igrejas-na.html

    A Suécia, também iniciou a separação de Igreja e Estado em 1995, ou seja, há 21 anos, porem, ate hoje essa separação não foi concluída, por isso, o governo Sueco, continua informando, que a Suécia tem a maioria da população formada por evangélicos Luteranos e que ainda é um país cristão, veja dois sites oficiais do governo sueco falando sobre isso;

    https://sweden.se/society/10-fundamentals-of-religion-in-sweden/

    http://www.swedenabroad.com/pt-PT/Embassies/Brasilia/Sobre-a-Suecia/Dados-sobre-a-Suecia/)

    Embora, de fato, existam muitos ateus nestas sociedades, porem, eles não são a maioria da população, a pesquisa veio do Phil Zuckerman, e como disse anteriormente, tem uma margem de erro, absurda, de 45%, alem de o próprio governo sueco contrariá-lo.

    De fato, países nórdicos têm altas porcentagens de ateus, mas não são a maioria da população, como informa, alguns sites…. Quanto à Dinamarca, Finlândia e Islândia, continuam mantendo suas Igrejas Luteranas como a religião oficial do Estado, e cobrando impostos da população, motivo pelo qual, um ateu nestes países estaria livre de impostos, já que o governo cobra dos cristãos, por isso, muitos cristãos, como disse nosso amigo lá em cima em outro comentário, se dizem irreligiosos ou se desligam da Igreja, para evitar os impostos cobrados pelos estados luteranos nórdicos.

    • A própria nomenclatura “neoateismo” é uma forma pejorativa que algumas igrejas encontraram para falar sobre a crescente onda de descrentes pelo mundo afora, algo que já descaracteriza a tal informação trazida pelo blog citado por ti. Além disso, as estatísticas mostradas por mim são oficiais e isentas, não cabendo interpretação diferenciada. Quanto à Igreja Luterana há realmente um bom número de fiéis nos países europeus e algum pouco nos países nórdicos, mas nunca algo que mereça a alcunha de uma parcela tão considerável quanto fazes pensar. De resto, os dados transmitidos nos sites citados por ti são de instituições que propagandeiam a religião e isso diminui a veracidade de muitos dos dados apresentados. Já, o texto escrito por mim se baseia em números de instituições sérias e que são amplamente divulgados e conhecidos pela comunidade internacional. Mesmo assim agradeço pela visita e espero que volte sempre ao blog. Um abraço!

    • Além disso, o que expus durante o texto todo é que há nos países nórdicos uma consciência tão grande quanto à liberdade de expressão que ninguém se importa com a necessidade de ter religiões e em nenhuma dessas nações há qualquer menção de religião oficial como fizeste crer com relação à Igreja Luterana, fato inverídico que pode colher alguns mal informados, mas que pode ser facilmente derrubado com uma pesquisa rápida na internet. Portanto, não há mesmo nenhum país ateu oficial, e ainda bem que não, pois isso viria contra o que entendemos como liberdade de pensamento e expressão. O que há é cada vez mais gente percebendo que as religiões são atividades comerciais e castradoras do pensamento livre e individual que se aproveitam da fragilidade humana para incutir ideias que só favorecem aos seus líderes, além da óbvia melhoria financeira para tais usurpadores.

      • Lukas disse:

        ”os dados transmitidos nos sites citados por ti são de instituições que propagandeiam a religião e isso diminui a veracidade de muitos dos dados apresentados”…

        Claro que não, ambos os sites são oficiais do governo Sueco

        https://sweden.se/society/10-fundamentals-of-religion-in-sweden/

        http://www.swedenabroad.com/pt-PT/Embassies/Brasilia/Sobre-a-Suecia/Dados-sobre-a-Suecia/)

        Não são sites religiosos, são sites governamentais do próprio governo, que nada tem haver com religião…

        E eu gostaria de vê as pesquisas citadas por você, como; The New York Times, Good, Nature, Live Science e Discovery Magazine, e gostaria de saber também, se essas pesquisas também são baseadas nas de Phil Zuckerman, Agradeço caso possa me informar.

        Outra coisa interessante, é que, em um documento de PDF lançado por ele mesmo(Phil Zuckerman), sobre a irreligiosidade dos suecos, ele diz explicitamente; Que 30% dos suecos acreditam no céu, 20% dos suecos oram varias vezes em um mês, 24% se identificam como cristão, veja o resto da pesquisa aqui, em um documento lançado por ele mesmo, porem esta em Inglês;

        http://tapir.pdc.no/pdf/NJRS/2009/2009-01-4.pdf

        Tudo isso contraria, a afirmação de que 85% da população é formada por ateus, pois se fosse verdade, seria impossível que que 30% dos suecos acreditassem no céu, 20% dos suecos orassem varias vezes em um mês, e 24% se identificassem como cristão… No entanto, ele deixa claro, tudo isso, e a própria pesquisa dele, contraria estes supostos 85% de ateus na sociedade sueca…

        Sim, voltarei em seu site, gosto de rock, e vim por isso, mas como vi essa matéria aproveitei para comentar…

      • Lukas disse:

        ” e em nenhuma dessas nações há qualquer menção de religião oficial como fizeste crer com relação à Igreja Luterana, ”

        Acho que você tem que se informar melhor, com todo respeito, veja a Dinamarca E Islândia, não existe uma separação de Igreja e Estado nestes países, Embora exista liberdade de expressão, mas o próprio Estado destes países, declara o Luteranismo como Religião oficial….

        https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Nacional_da_Dinamarca
        ( Obvio que Wikipedia sem fontes, não é confiável, porem, existe fontes em sites dinamarqueses sobre essa minha afirmação, de que existe uma religião oficial na Dinamarca).

        https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Nacional_da_Isl%C3%A2ndia
        A mesma coisa em relação a Islândia, e Finlândia

        https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_Evang%C3%A9lica_Luterana_da_Finl%C3%A2ndia

        Como eu disse anteriormente, as fontes na Wikipedia, são dos próprios países citados, é só ler, esta nas referencias..

      • Independente do quiseste fazer crer novamente não há aqui informação oficial de governo religioso. Só isso. O mesmo acontece no Brasil, no qual sempre se confunde o fato de haver muitos católicos com um religião oficial. Lá, nem isso acontece. É só um esclarecimento, pois não quis determinar que haja nações ateias, mas que pelo fato de haver um grande contingente de pessoas que não proferem nenhuma fé isto é digno de nota. Um abraço!!!

      • Outra coisa interessante dos links indicados por ti é que são mencionadas “Igrejas do Estado”. São nomenclaturas bastante usadas pelas próprias igrejas luteranas, mas não é algo oficial. Novamente, não quero aqui fazer crer que estamos diante de estados ateus, mas que são locais onde há um contingente maior do que em outras regiões do globo de pessoas que não ligam para denominações religiosas (ainda bem) disso não há dúvida!

  8. E por último: eu mesmo mencionei no texto que na Islândia há uma quantidade boa de luteranos. Além disso, o resultado final da pesquisa de 2007 indica que há mesmo um número aproximado de 85% de pessoas que não cultuam nenhuma religião. Isso não quer dizer que não possam acreditar em céu (são questões diferentes). Fora isso, ainda existe a questão de que tais pesquisas do sociólogo mesmo já tendo sido reverberadas por sites de jornais e revistas de grande circulação aqui e no estrangeiro a atividade é corroborada simplesmente por um órgão chamado ONU. Será que esta instituição tem prestígio?

    • Lukas disse:

      ‘’ Independente do quiseste fazer crer novamente não há aqui informação oficial de governo religioso’’…

      1°, Eu não disse que existe informação do governo religioso, não é a Igreja que submete o estado, é o Estado que submete a Igreja, o estado la não é religioso, é extremamente secular, o que eu quis dizer é que, não existe separação de Igreja e Estado, como afirma este ministro dinamarquês, quando questionado sobre este assunto;

      Bertel Haarder,(ministro da educação da Dinamarca ) manifestou-se sobre uma divisão: “Igreja e Estado serão separados quando mais de metade da população não for mais membros [da Igreja]”… Pode ser achado no Google, no idioma deles claro.

      … Ai você continua ‘’ Só isso. O mesmo acontece no Brasil, no qual sempre se confunde o fato de haver muitos católicos com um religião oficial. Lá, nem isso acontece’’

      2° Novamente você esta enganado, em uma pesquisa sobre a separação de Igreja e Estado na Dinamarca, os cidadãos reconhecem que não existe separação de Igreja e Estado.

      De acordo com uma pesquisa de opinião realizada pelo diário gratuito
      MetroXpress, 52% queriam a divisão entre a igreja e o Estado, 30% eram contra e 18% indecisos.Aqui no Brasil, todo mundo sabe que o catolicismo não é religião de Estado, la na Dinamarca, todo mundo sabe que luteranismo é religião de Estado, conforme indica a pesquisa que pode ser achada no Google..

      Ademais, O Folketinget,(parlamento) é a autoridade legislativa suprema da igreja.

      O que dizer então, da Constituição dinamarquesa que designou a igreja como sendo a “Igreja do povo dinamarquês”. A igreja é apoiada financeiramente pelo Estado, se existisse separação, o estado jamais poderia apoiar a Igreja, já que o dinheiro é publico, motivo pelo qual o MetroXpress indicou 52% queriam a divisão entre a igreja e o Estado.

      Leia a constituição dinamarquesa;

      http://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—ed_protect/—protrav/—ilo_aids/documents/legaldocument/wcms_127469.pdf

      Eu sei que você não fez nenhuma afirmação sobre estado ateu, ou nações ateias, estou ciente que estamos discutindo sobre a religiosidade das sociedades nórdicas e o fato de haver ou não uma religião oficial do Estado….E eu concordo plenamente, quando você diz, que ‘’ são locais onde há um contingente maior do que em outras regiões do globo de pessoas que não ligam para denominações religiosas’’, concordo com isso, no Ocidente, é o lugar aonde mais existe irreligiosos de fato, apenas acho que existe um certo exagero nessas afirmações, e quando eu digo que ‘’acho’’, e claro que tenho motivos.

      Eu também quero questionar um comentário seu, quando você diz;
      ‘’ Além disso, o resultado final da pesquisa de 2007 indica que há mesmo um número aproximado de 85% de pessoas que não cultuam nenhuma religião. Isso não quer dizer que não possam acreditar em céu (são questões
      diferentes).’’

      É interessante, você destacar que a pesquisa foi feita em 2007, pois a que eu postei (http://tapir.pdc.no/pdf/NJRS/2009/2009-01-4.pdf) do Phil Zuckerman, contrariando estes supostos 85% de ateus, foi feita em 2009, ou seja, 2 anos depois da pesquisa em que você se baseou em seu artigo, e como eu disse, se o próprio Zuckerman afirmou que; 30% dos suecos acreditam no céu, 20% dos suecos oram varias vezes em um mês, 24% se identificam como cristão, logo não existe espaço para 85% de ateus, só haveria espaço para 15% de religiosos, mas Zuckerman indica que há muito mais.

      A não ser claro, que os ateus suecos fazem orações, vão a Igreja e acreditam no céu, e ainda se identificam como cristão, o que seria bastante contraditório.

      Ele tem 2 pesquisas, sendo uma feita em 2007 usada por você, (em que você não postou absolutamente nada sobre isso), apenas disse que foi feita em 2007 e o nome do pesquisador, e a outra pesquisa, que eu postei em PDF lançado em 2009 pelo próprio Zuckerman.

      Ai você finaliza;

      ‘’ Fora isso, ainda existe a questão de que tais pesquisas do sociólogo mesmo já tendo sido reverberadas por sites de jornais e revistas de grande circulação aqui e no estrangeiro a atividade é corroborada simplesmente por um órgão chamado ONU. Será que esta instituição tem prestígio?’’

      Creio que sim, tem prestigio, embora, seja um efeito dominó, se existe contradições nas pesquisas de Zuckerman, consequentemente, as pesquisas de outros jornais de grandes circulações que se basearam na pesquisa dele, de 2007, também não são 100% confiáveis, por quê? Simplesmente porque ele entrou em contradição em suas pesquisas de 2007(usada por você) e 2009 (usada por mim).

      Para finalizar, posto um trecho do que o Zuckerman escreveu, em seu artigo de 2009;

      ‘’Este artigo é uma tentativa de explicar a irreligiosidade dos dinamarqueses e Suecos. Estou, no entanto, como um sociólogo americano, incapaz de ler dinamarquês ou sueco no nível acadêmico. Assim, meus argumentos apresentados a seguir são os de um estranho, e minha análise certamente sofre de minha lamentável incapacidade de acessar e utilizar a vasta literatura importante sobre religião e laicidade produzido por escandinavos que é publicado em suas respectivas línguas’’

      Ou seja, ele próprio admite que as pesquisas dele, não são de nível acadêmico, é uma suposição, eu realmente, recomendo que você leia, no próprio artigo, ele reconhece que não há uma clara separação de Igreja e Estado, na Dinamarca e na Suécia, alem de dar outras informações bastante interessantes.

      http://tapir.pdc.no/pdf/NJRS/2009/2009-01-4.pdf

      Fico feliz, que você abra este espaço para nosso debate, normalmente em outros sites que não simpatizam muito com religião, eles nem postam os comentários que questionem o artigo deles, aqui eu vejo que é um site livre, de uma pessoa com mente aberta, Abraço.

      • Bom, acho que está dirimida nossa controvérsia já que falamos de pesquisas (ou de depoimentos do pesquisador) diferentes em anos diversos. Concordo e me rendo a muitas das informações transmitidas por ti, mas quero ressaltar que, independente dos novos números mostrados por você, o objetivo central do texto escrito por mim é demonstrar (assim como o próprio título diz) que o ateísmo é normal ao redor do mundo, em contrapartida a um preconceito e tentativa de menosprezar quem não tem fé em nenhum suposto deus ou igreja aqui no Brasil. O próprio fato de estarmos num país laico não faz sentido quando encontramos professores de Ciências que alimentam suas aulas com referências ao criacionismo (sou professor e tenho inúmeros exemplos sobre isso). Além disso, a intervenção que membros ligados a muitas instituições religiosas realizam na criação de leis ou como representantes legislativos é outro tema que me assusta e me deixa temoroso quanto ao futuro de nossa liberdade. Nada contra a liberdade de proferir qualquer fé, mas cada qual no seu ambiente próprio. Quanto ao fato de dar liberdade para o debate aqui no blog só pode ser assim mesmo já que prezo por isso e mesmo aqueles mal educados que vem aqui me xingar eu aprovo (obviamente que não é o seu caso) para deixar nítida que minha ideia é sempre a possibilidade ao contraditório, mesmo que, às vezes, não tenhamos o diálogo em alto nível. Neste caso, aliás, o bom nível foi do início ao fim. Seja sempre bem-vindo. Abraço!

  9. nayra disse:

    É tão difícil ler debates nos comentários que sejam bem escritos, respeitosos e agregadores que precisei elogiar. Parabéns Lukas e Dhiancarlo!

  10. Aiel disse:

    Romanos no século XI?!? Kkkkkkk! Vai ler um pouco camarada….

    • Eu poderia ser mais educado, mas não serei. Estude mais você, imbecil, pois o império romano teve sua parte oriental estendida até 1453. Portanto, antes de criticar com opinião vazia vá ler mais e saiba realizar interpretação de texto, anta!!!

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