Cinema e a dúvida cruel: papo cabeça ou pura diversão?

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Semana de idas e vindas ao cinema. Primeiro uma sessão de “Gravidade” me fez sair da sala de exibição imaginando como Hollywood pode ser inventiva com um texto bem escrito e com uma trama tão transcendental.

Alguns dias se passam e a saída da sala é depois de assistir ao novo “Thor”. A sensação, desta vez, é de entretenimento bem pago.

Pois é, sempre há essa discussão entre as pessoas a respeito do papel do cinema. Ele foi feito para ser arte ou para apenas divertir?

A resposta é simples (ou não): há espaço para as duas coisas. Sempre. Mas isso, às vezes, só é possível em filmes diferentes. Quando acontece tal procedimento na mesma película, então, é um deleite para qualquer cinéfilo.

Escolho os dois exemplos da semana para clarear as ideias: “Gravidade” (Alfonso Cuarón) é um filme passado no meio do espaço, mas a sua discussão é totalmente interna.

A preocupação do diretor é mostrar seres humanos, frente a frente com a morte, tendo que fazer escolhas, precisando agir e sem tempo para pensar muito. A experiência do personagem de George Clooney e a falta dela na personagem de Sandra Bullock têm que trabalhar juntas, mas o medo os aproxima.

Gravidade (Alfonso Cuarón)
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A ironia fica evidente quando se percebe um universo todo a frente deles, mas que pode se tornar nada se os personagens não conseguirem se salvar.

O filme é lindo, as atuações são convincentes e o tempo passa voando, apesar das cenas, muitas vezes, estáticas. Ponto para a direção e para o roteiro simples, direto, mas profundo.

Por outro lado, “Thor: O Mundo Sombrio” (Alan Taylor) é um filme blockbuster, não esconde isso e faz de tudo para deixar claro que não é mais do que isso.

Os personagens já são bem conhecidos do público, há ótimos atores no meio da empreitada (Natalie Portman, Rene Russo e Anthony Hopkins, por exemplo) e o roteiro é feito para não se prestar atenção, ou seja, enquanto você tenta entender o que está acontecendo lá vem algum soco ou explosão para te fazer esquecer o que estava pensando.

Há algumas falhas nele, como a insistência de fazer Loki contar piadas a cada cinco segundos, mas não é nada que compromete no geral (tal situação funciona mais nas HQs).

Claro que a franquia foi impulsionada pela condição de escada que fez para “Os Vingadores”, mas também funciona sozinha neste novo filme do deus nórdico.

Thor: O Mundo Sombrio (Alan Taylor)
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Por fim, Chris Hemsworth e Tom Hiddleston incorporaram bem os papeis de Thor e Loki e Stellan Skarsgard e Kat Dennings ganharam uma ponta mais cômica nesta segunda parte da saga.

Visto desse ponto de vista “O Mundo Sombrio” é um filme que não se leva a sério e deixa isso transparecer até mesmo nos momentos de maior tensão. Portanto, é puro entretenimento, e dos bons.

Dessa forma, por que ficar brigando para saber se o cinema é isso ou aquilo? Cada película tem suas qualidades e cada espectador tem suas intenções quando vai ao cinema. Arte e diversão podem se unir sem estragar uma à outra.

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