O Fiat Strada e a arte (non sense) nos comerciais

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O comercial é um show. São duas peças publicitárias de aproximadamente 60 segundos e nenhum motivo para achar que existe sentido em qualquer um dos versos das estrofes da paródia da música de Rick Martin.

Este é o comercial do Fiat Strada (o nome oficial da propaganda é “Um dois três Fiat Strada) em que são mostradas várias situações em que o espaço para o banco de trás e a facilidade de acesso fazem a diferença no veículo da fábrica italiana.

Comercial Fiat Strada

Mas o que quero salientar na peça publicitária é a sua espetacularização. O jeito como isso é utilizado para uma arte non sense com pitadas de duplo sentido e erotização nas entrelinhas com muitas figuras de linguagem sendo jogadas numa tela demonstrada ao telespectador com inúmeras cores e luzes fazendo do resultado final quase um show psicodélico.

A agência de propaganda responsável pelo filme é a Leo Burnett, empresa habitué das campanhas da Fiat, que já tinha feito sucesso com a aquela música do Rappa pedindo para “todo mundo ir pra rua” (claro que não esperavam que isso fosse entendido ao pé da letra nos protestos de junho e julho).

Deste modo, ressalto ainda a vocação que as propagandas têm em utilizar situações pitorescas para vender produtos ou serviços e que o modo como tudo tem sido veiculado ultimamente me soa meio sem sal.

A capacidade de fazer rir, de tentar captar novas mensagens subliminares a cada vez que se visualiza o comercial e o procedimento de poder fazer um filme maior para depois promovê-lo aos poucos é algo muito utilizado nos EUA e na Europa e acredito que os publicitários brasileiros que tantos prêmios ganharam no passado tem tido uma certa preguiça para criar coisa nova ultimamente.

Veja, por exemplo, as propagandas de cerveja lá fora: a grande e esmagadora maioria não precisa dos subterfúgios dos seios e bundas das mulheres gostosonas para vender o produto amado pelos homens. Basta dar uma olhada em recentes filmes da Heinneken e da Carlsberg para provar o que escrevo aqui.

Comercial da Carlsberg

Por fim, quero salientar que há um conceito entre os mais puristas de que comercial não pode ser considerado arte já que é feito com a exclusiva ideia de vender algo ao consumidor. Mas qual arte não faz isso? Será que um filme belíssimo também não pode ser vendido? Um quadro ou qualquer outra realização humana?

Sei que a resposta é que eles vendem a si próprios, enquanto que a propaganda o faz por um terceiro, mas não sei se isso a diminui. Sendo engraçada, dramática ou épica há sempre a possibilidade de uma peça publicitária tirar um suspiro do telespectador atento.

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