Algumas boas novidades no cenário musical brasileiro em 2013

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Acabei de pausar o blog, mas lembrei que precisava falar um pouco sobre a cena musical do Brasil.

Neste ano de 2013 algumas bandas novas apareceram e fizeram coisa boa por aí.

Sabe-se que, tirando São Paulo, a abertura para grupos novos tocarem é quase nula, o que inviabiliza a aparição delas em seus estados de origem, mas acaba por deflagrar uma explosão de mini-festivais e bons shows no cenário alternativo paulistano.

Hoje, vou falar apenas de algumas, mas eu guardo outros destaques para os próximos dias.

Boogarins: Os caras saíram de Goiânia para fazer sucesso nas casas noturnas de São Paulo, ganharam destaque no blog de Lúcio Ribeiro (Popload), realizaram uma mini-turnê pelo interior de Sampa e assinaram um contrato de três álbuns com o selo Other Music Recording de Nova Iorque.

Tudo isso para ter o ápice na abertura de show para o Tame Impala no Cine Joia há coisa de um mês.

O nome do álbum de estreia é “As Plantas que Curam” e já posaram em algumas páginas gringas de música alternativa.

Boogarins – Despreocupado

Aldo: Isso sim é que é banda indie. Ao ponto de ser difícil encontrar algo sobre eles. Mas na página do Facebook deles vem a explicação pura e simples: uma banda de irmãos com o nome retirado do único tio que eles têm. A homenagem tem explicação, pois o tio Aldo foi quem os iniciou na vida cultural e musical, mesmo tendo virado evangélico posteriormente.

Os irmãos já levaram seu dance-pós-punk à The Week, em São Paulo, no fim de novembro, e foram considerados por sites importantes como o Omelete e o Popload como um dos melhores discos do ano. Aliás, em novembro eles participaram do Popload Festival, na mesma edição em que o The XX tocou.

Aldo – Hey (Pixies)

Audac: Esse pessoal descolado de Curitiba teve seu primeiro EP (Audac) produzido por Gordon Raphael e, ao contrário da maioria das bandas de fora de São Paulo, consegue se estabilizar bem em Curitiba (que possui uma cena bem desenvolvida).

Somente pelo fato de ter essa chancela do produtor dos dois primeiros discos do Strokes é claro que as possibilidades para 2014 são enormes aqui e lá fora.

Audac – Back to the Future

Semana que vem falo sobre outras bandas.

Agora, volto ao stand by do blog.

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Blog pausado

standby

A página entra em recesso nos próximos dias, mas se trata apenas de uma pausa, um stand by.

À medida que acontecer algo novo, importante, diferente ao ponto de que seja interessante postar por aqui estarei a postos para quebrar meu período de férias.

E quando houver algum tempo eu colocarei algumas histórias que os alunos enviaram a mim nos últimos dias de aula para serem apreciadas por todos aqui no Blog.

Feliz ano novo!!!

Darwin

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Darwin

Bebês engatinham
Em seu mundo insípido;

Meninos cambaleiam em sua mente
Povoada por menores desejos;

Homens correm turbinados por sua vasta cesta de reminiscências
E por seu vislumbre por um futuro próspero;

Velhos se apóiam em sua experiência,
Mas já utilizam a bengala do esquecimento
E a cadeira das obras inacabadas;

Os mortos,
Ah! Os mortos… Pelo menos, estes têm o fim.

Dhiancarlo Miranda

Contato

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Contato

Com tanto contato,
Com tato contente,
Tente, com ou sem,
Sem ou que for para sempre.

Contanto, dentre tudo,
Sempre entre no mundo.

Para onde, por onde, Sucumbe imundo.
Sabe-se quando, de fronte,
O absurdo.

Surdo?
Mudo.
Louco entre todos.

Avante e sistemático,
Para o antes e o depois
Surrupia a problemática do problemático.
Matemática
Ou uma Linguagem sem símbolos.

Contato de contente,
Temente ao que vem à frente.
Para si e contra o pranto
O mestre é a vida
E a vida vai contando.

Dhiancarlo Miranda

Parabéns ao mestre Lee

"Spider-Man" Premiere

Não. Não se trata nem de Bruce (que é mestre no kung fu), nem de Rita, mestra da música brasileira. O Lee em questão é nosso querido Stan que faz nesse 28 de dezembro 91 anos.

E esse senhor quase centenário tem uma vivacidade incrível. Ainda é um dos quadrinistas mais criativos da história e uma das maiores influências no meio.

Além disso, faz participações especiais em filmes que mostram na tela suas criações. E olha que são muitas: Homem-Aranha, X-Men, Homem de Ferro, Hulk, Thor e uma grande quantidade de contribuições para a Marvel Comics desde a metade do século passado.

Ainda há um programa na tv a cabo que fala sobre super-humanos e que tem na figura de Stan Lee o mentor do show.

É isso mesmo, o bom velhinho da Marvel não para.

Além dessa veia criativa, desenvolvida ao longo de vários anos de trabalho na indústria dos Comic Books (quadrinhos para nós), Stan Lee destacou-se por ter uma aguçada visão de mercado e de tudo o que o cerca.

Este senhor possui uma sensibilidade e isso vem desde o início de sua carreira. Já lá atrás sabia bem o que poderia agradar aos leitores de quadrinhos, que sempre são muito exigentes em relação ao que querem consumir.

No início da década de 1960, Stan Lee começou a propor uma série de personagens que exploravam um dos arquétipos mais recorrentes da cultura pop norte-americana, o do herói que consegue ser bem sucedido, apesar de ter todos os elementos contra si.

Foi a partir dessa premissa que surgiram algumas de suas maiores criações.

O propósito era mesclar ironia e características do chamado anti-herói aos personagens que ele estava criando. Esse procedimento era pouco comum aos personagens das revistas de histórias em quadrinhos à época e ao trazer heróis que conviviam com problemas ou dificuldades diferentes ao cotidiano daquilo que se via até então lançou um novo tipo de padrão à história em quadrinhos moderna.

Deste modo, Stan Lee não é apenas um quadrinista famoso, mas um excelente visionário e um atuante desenvolvedor de novas personagens e roteiros inovadores.

Parabéns a ele e que ainda haja muita coisa para sair dessa mente à frente de nosso tempo e espaço.

Quem sabe o homem não seja de outra dimensão em algum lugar perdido de alguma história criada por ele próprio.

Não há nada melhor ao vivo do que Nick Cave and the Bad Seeds

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Vá lá, eu exagerei. Quem sabe a Gisele Bündchen ou a Scarlett Johansson sussurrando ao seu ouvido, mas aí não vale já que é algo impossível para um nerd.

Pois bem, um show de Nick Cave e seus asseclas e algo imaginável (talvez não para quem mora no Brasil), é algo atingível.

Você tem dúvida do título do post? Então dê uma olhadela rápida nesse vídeo da apresentação da banda em Glantonbury, em maio deste ano, fazendo Jubille Street, do novo (e ótimo) álbum Push the Sky Away:

Não é por causa da vivacidade dos músicos, não é por causa do trabalho vocal (perfeito) de Nick ou da melodia da canção: É por causa disso tudo!!! E por transformar essa gama de qualidades em ritmo, em paixão, em algo escutável e visível.

Nesse ponto, há que se perceber que o estilo dos músicos (todos, sem exceção) é definitivo, proporciona uma curiosidade em quem nunca os ouviu e reafirma uma tendência vintage empolgante em quem os escuta há anos.

A base instrumental da Bad Seeds é algo inovador, vanguardista, mas ao mesmo tempo nos proporciona um resgate das big bands, dos concertos do século XIX, das jam sessions de Jazz e Blues dos anos 40 e 50.

Nick Cave é branco e negro em seu paladar musical. Sua mudança de potência se fortalece ao vivo. Ele não se recusa a extrapolar seu poderio vocal. Nick Cave é foda!

Além disso, há alguns detalhes que fogem ao alcance de qualquer banda normal no mundo. Não há nenhuma com um violinista insano, nem com guitarristas e baixistas tão integrados ao som do seu vocalista ou um baterista sincronizado com a maluquice dos outros.

Uma banda que faz shows tão “grandes” quanto o que fizeram em Glastonburry consegue a mesma energia, mas com toques minimalistas em apresentações para a BBC.

Além disso, há as parcerias: Nick Cave já realizou duetos ao vivo apaixonados com P.J. Harvey (Henry Lee) e extremamente dramáticos e emocionantes com Kylie Minogue (Where the Wild Roses Grow).

Desta forma, a banda já teve alcunhas variadas dadas pela imprensa especializada: coisas como Pós-Punk, Gothic Rock ou Garage Band já apareceram para definir o som do grupo, mas tudo isso muda em apresentações ao vivo, pois a diversidade de estilos em que se encaixam suas músicas desestabiliza qualquer nomenclatura pura e simples.

Enfim, um show de Nick Cave and the Bad Seeds é necessário, transgressor das regras não escritas dos shows no mundo.

Eles não seguem padrão e nem se classificam. Um show deles não foi feito para dançar nem para balançar a cabeça. É uma apresentação apenas para se ver e ficar com a boca aberta e o queixo caído.

Infelizmente, não se pode esperar que um show de Nick e sua trupe seja fácil de se conseguir por esses lados tupiniquins já que os produtores brasileiros não perceberam ainda o quanto uma apresentação deles seria legal num festival.

Esperar, por outro lado, um show solo da banda é esperar o retorno do cometa Halley já que se tornaria caro.

Portanto, veja qualquer atividade ao vivo deles no Youtube e se delicie com a performance dos caras. Pois, se pela internet ou em qualquer DVD a coisa parece embasbacante imagine você frente a frente com eles?!

Abaixo, algumas apresentações incríveis de Nick Cave and the Bad Seeds:

Nick Cave and the Bad Seeds – Live at BBC Sessions

Nick Cave and the Bad Seeds – Live at Metropolis House in Montreal

Nick Cave and the Bad Seeds – Live – God is in the House

Consciência Procedente

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Consciência Procedente

Arte contemporânea,
Contemporaneidade artística;
Filosofia da arte
De artes que não antes foram vistas.

Sítios arqueológicos insípidos,
Formas e cores de fósseis anímicos;
Alegria de viver ao pé de uma rocha pura,
Ao notar o norte que nos vem em vida dura.

Soterramentos químicos de uma ideia insossa
Sobre o surgimento intangível da verdade nua e crua.
A força irradiante da camada de um linfoma
Trespassa a figura viva e quente, nua.

Sol, mar e o que mais há?
Trabalhas deveras aonde?
Dízimo crescente da dívida consigo próprio.
Pernoites mal dormidas pelo caos mórbido.

Condiga, tu és?
Prossiga o revés.
Semeie o porvir,
Mas siga, por isso, feliz!!!!

Dhiancarlo Miranda