Hipotermia

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Hipotermia

Acredite…

Saia desta casca que nos envolve e volve em várias direções. Sinta entre si e o próximo, próximo à prisão, a pena do bem, as penas da pomba da paz entrando em suas narinas sendo repelidas por um prazer estranho.

Talvez seja sexo, ou uma provável luta insana. Baco está vivo e, enologias à parte, parte de uma analogia parte. Parte súbita de mortes anunciadas surge desastrosamente, você ainda assim pode acreditar, basta transpor barreiras intransigentes abastecidas pelo preconceito mútuo, recíproco, autoritário, sem mais nem menos, com qualidade histórica e geografia definida.

Submerso, portanto, acabe com a água imunda que navega em seus pés, mãos e que voa ao longo das montanhas consideradas sagradas, porém reveladas após o enlevo, o leve sabor do fracasso, abotoando os vestidos de jovens belas em belos caixões surrupiados por conta de um caixa dois, imutavelmente aberto e fechado, dependendo da classe social.

Por fim, percorre deveras ao fundo e ao topo que inicia um sopro ao pulmão, considerando toda a organização dos órgãos falidos, incrementados pela burocracia reinante e de trocas de cargo, dança de cadeiras, já que as cabeças estão postas à mesa.

Tente seu norte, alcançando sempre um Sul, tamanha é a vitória de uma bobagem de mínima consideração. Trafegue pelas ruas vazias, sedentas por surgimentos mil, as rodas, os motores, o óleo que engrena a máquina que mata e derrama lágrimas nas calçadas.

Sugue o resto que sobrar pela tela de uma televisão marrom com coloridas notícias brancas que enegrecem a vista à vista ou parcelado, dependendo tão somente da propaganda propagada de praga e sucesso, sucessão de selvagem publicidade vinda de uma cidade provedora de sonho que embebece os mestres dos pesadelos mais insanos criados a partir do desejo.

Tenha esperança…

De que tudo terá um bom final, de que nem sempre precisamos ganhar para obter vitórias. Dê todas as fichas a quem achar melhor e aguarde pelo futuro promissor sem premissas de formas e formulários sorridentes solicitando, requerendo, pedindo sustos e ilusões.

Frases serão ditas pensando na semana seguinte, nas crianças da África e nos dólares do bolso. As dívidas extinguir-se-ão ao longo de meses de seca, e no verão de enchentes.

Não se paralise com as mulheres que levarão tudo em suas casas e deixarão povos inteiros aguardando auxílio de governantes altruístas que somente se lembrarão de seus soldados de chumbo que lutam contra o temível mal e que protegem o sensível negro sob a terra, após o enterro.

Destitua de sua mente tristes lembranças e o que importa é o lucro do presente, e que se foda o porvir.

Repense…

Aproximando as idéias dos intelectuais às dos marginais encontra-se um contra-fluxo de ecos que morrem ao final do dia, formalizando formas de formosas palavras situarem as tendências que à noite farão burburinho nos veículos de massa, que amassam a massa acima de cabeças periféricas.

Sintomaticamente apertar-se-ão botões, sejam dos televisores, sejam dos paletós, para antes de dormirem o sono dos estúpidos pactuarem a falta de noção e da nação em corpos emoldurados de óleo (ah, ele também serve para isso) que fazem olhos pularem.

Em vez de leituras, as vistas compram a prazo, e visto de todos os ângulos, as vestes se demonstram mera consequência de mercado, enquanto que nos supermercados do centro, os carrinhos são cada vez menores, tamanho é o chip que se compra para satisfazer desejos desengonçados desenvolvidos por sexo e drogas (onde está o Rock’n Roll?).

Sobra em relação ao relacionamento atual pura sobra de reles toques e tudo o que envolve o mundo podre pode podar sentimentos dos mais belos e lançar junto com os ônibus espaciais a caminho de Marte e da morte.

Aliás, a beleza tornou-se palavra de regra, regada apenas à aparência aparentemente parecida com as modelos dos outdoors que não comem e vomitam a coerência, enquanto que as caldas de chocolate são produzidas em grande escala para alimentar apenas as mentes, sedentas e excitadas, que porém, se encontram do outro lado da vidraça, vidradas pela íris que brilha e brilha e brilha entre bilhões de opacas cifras que desenham o que quer que seja, pois seja, seja o que for, formidavelmente desenham.

Renda-se…

Pois aquilo no qual por anos e anos a fio você acreditou não passa mais, até por que não passa de utopia, esta palavra que Saramago desejou ser extinta do mundo…

O que por toda a vida medíocre ao redor imóvel te deixou esperançoso, nada mais é do que espectro espremido num jogo de espelhos…

Pensar em repensar tudo aquilo que causou necessidade de mudança nos leva, ao fim desse pensamento infindável e infundado, à inevitável redenção.

Dhiancarlo Miranda

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