Pormenores

Pequenos-Momentos-Mudam-Grandes-Rotas-15

Por menores que sejam a vida e a morte;
Por melhores que vinguem trabalho e sossego;
Por maiores que possam ser viagens e chagas;
Não se prova nada.
Não se eleva ao todo.

Por menores que sejam tombos e falas;
Por melhores que atravessem pontes e bons momentos;
Por maiores que possam ter os pratos e as plantações;
Não se prova nada.
Não se eleva ao todo.

Por menor a forma;
Por melhor o modelo;
Por maior a tinta
E a prova do todo
Ao elevar o nada.

Situações vis;
Flor e consciência,
Prataria e ameaça.

Situações vis;
Pleito e ternura,
Promoção à altura.

Situações vis;
Torneado ao temor,
Prematuro e primata.

Situações vis;
Modernos e cromados,
Pinturas e resumos.

Situações vis;
Mil certezas de uma dúvida cruel.
Produções de arenosa feição…
Sumário,
Indeciso,
Irrisório,
Irrealizável.
Satisfatoriamente da maneira como deve ser:
Menos,
Melhor,
Mais.

Dhiancarlo Miranda

Começa hoje: Bowie no MIS

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O homem lançou disco novo no início do ano passado, mas decidiu não anunciar nova turnê, nem lá nem cá.

Está recluso, não aparece para a imprensa e não dá entrevista. Mas sabe como promover o álbum, é mestre na arte da publicidade artística e não precisa mendigar por espaço na mídia.

Este é David Bowie, que mesmo com todas essas características atuais, não perde o lugar ao sol que merece (e como!).

Pois é este mesmo Bowie que terá o lançamento de exposição faladíssima (por aqui e lá fora) no MIS (Museu da Imagem e do Som), em São Paulo.

A retrospectiva sobre a obra do camaleão do rock foi concebida e iniciada em Londres, no Victoria and Albert Museum, onde se tornou sucesso de público e crítica. Além de lá, Toronto, no Canadá, foi a única cidade a realizar a mostra antes de chegar à metrópole brasileira.

Imagem da Exposição
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Além de possuir uma carreira musical genial e cheia de mudanças em seu ritmo e modo de produzir o som que toca, Bowie também tem uma especial qualidade visual, seja no modo como se veste, algo que lhe rendeu inúmeros elogios ao longo do tempo, ou mesmo no cinema.

Os trabalhos do artista fora da música são bem representados em um telão com trechos de sua filmografia, com destaque para “Labirinto – A magia do tempo”, de 1986, e em alguns quadros pintados por Bowie, incluindo um retrato de Iggy Pop.

Há um próprio planejamento na forma como foi constituída a Mostra, fazendo o espectador visualizar todas as fases da carreira do cantor inglês.

Imagem da Exposição
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Mesmo os exageros são detalhes que permitem ao público fazer uma análise da vida social e artística do cantor inglês.

Tanto nos de recortes de jornal quanto nos cartazes de filmes a exposição confirma a sensibilidade em cada momento de sua carreira. É o contexto histórico em que as músicas foram feitas, em que as roupas foram usadas, em que as declarações foram dadas ou em que participou dos filmes provam o quanto David calcula bem o que deve e o que não deve fazer com seu nome e seu espólio cultural.

Até mesmo o fascínio que as novas tecnologias impuseram a Bowie conseguem ser retratadas na exposição.

E mesmo chegando ao ano 2014 sabemos que o camaleão não perde a chance de se transformar. E isso faz de Bowie um artista versátil e provoca a sensação de que tal exposição é imperdível.

Agenda:

Data: De 31 de janeiro a 20 de abril de 2014
Horários: Terças a sextas, das 12h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
A bilheteria fecha 1h antes do término do horário de visitação.
Ingressos: Na recepção do MIS (R$ 10 inteira e R$ 5 a meia) ou pelo site ingressorapido.com.br (R$ 25)
Às terças-feiras a entrada no MIS é gratuita.
Endereço: Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo
Mais informações: (11) 2117 4777 | http://www.mis-sp.org.br

Recomeço

Largada

Divago,
Divago, pois não tenho outro mundo a percorrer;
Divago, já que me encontro vago: no tempo, no espaço e no formato;
Divago, apesar de soterramentos momentâneos; apesar de opostos e acasos;
De ocasos e apostas;
Divago, pois divagar é preciso, se preciso for;
Divago da maneira e do modo como o sonho quiser;
De vago a devagar;
Divago e o coração volta a pulsar;
O propósito do poeta tem novo alento;
O lento começo deve desafogar;
Divago, por mais que pareça pródigo;
Prolixo, formal, desconexo, primordial;
Divago ao divagar…

Dhiancarlo Miranda

Overdose de Lorde também no Brasil

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O que um Grammy não faz, ou dois, no caso.

A menina Lorde passou de artista desconhecida no Brasil para a cantora com mais downloads na semana do iTunes daqui. O hit “Royals” é o culpado por isso.

Ainda falando da mocinha, houve a divulgação de uma carta na internet em que ela agradece aos fãs por todo o carinho depositado nela e um certo descontentamento com a imprensa de seu país, a Nova Zelândia.

A cantora realizou um show ontem em sua terra natal, Auckland, e tudo indica que teve problemas até mesmo para sair do aeroporto, por conta do assédio dos paparazzi.

Por fim, também foi informado pela neo-zelandesa que em fevereiro ela tocará ao lado do Disclosure, outra sensação de 2013, na festa da música britânica, o Brit Awards.

Ah, e não se esqueça que em abril a nova musa do blog também toca por aqui dentro do set do Lolla Brasil 2014.

Abaixo, a apresentação (da qual não gostei) no Grammy, domingo passado:

Vazio

vazio

O que se expande numa cabeça atordoada pelo silêncio
O que se permite dizer de uma boca calada
Por onde sai o suor de um esforço solitário
Quem avalia o batimento de um coração de gelo
Quais os comandos de dedos sem rumo
Por quem dobram os braços indiferentes
De que é feito o olhar triste, mas sem direção
Qual é a solidão de alguém que sempre o foi

Ninguém pode segui-lo
Nada deve tentar modifica-lo
Ninguém merece passar pelo seu caminho
E se decepcionar com sua falta de respiração
Com seu desconhecimento do que todos querem
De seu descontentar maligno

Que as forças divinas afastem os bons
De sua morbidez profunda
De seu palavreado seco
De sua boca

Nada o fará mudar
Pois ele não sabe o que faz

Dhiancarlo Miranda

E a Comic Con chega ao Brasil: Os nerds piram!!!

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A tradicional feira de novidades do mundo das HQs, seriados, filmes sci-fi, games, RPG e adjacentes, originalmente realizada em San Diego no último trimestre de cada ano virá ao Brasil para uma experiência.

De 4 a 7 de dezembro de 2014, o Brasil receberá a Comic Con Experience, o primeiro evento por aqui nos moldes das comic-cons realizadas em diversas partes do mundo.

O evento sempre reúne fãs de cultura pop e possui um ambiente totalmente diferente de qualquer feira comum da área cultural em qualquer lugar do globo.

Sempre há malucos fantasiados de tudo o que possa ser possível (ou impossível) em uma grande celebração do universo geek.

As informações fornecidas pelos organizadores do evento ainda são muito incipientes, mas sugerem algumas dicas.

O evento ocupará 17 mil metros quadrados do Expo Imigrantes, local próximo da estação Jabaquara do Metrô, em São Paulo.

Todo o restante sobre o evento (informações sobre programação, valor dos ingressos e data de início das vendas) terá divulgação nos próximos meses.

Abril Pro Rock terá Sebadoh

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A edição deste ano do festival Abril Pro Rock terá como um de seus headliners o supertrio Sebadoh (projeto paralelo do baixista Lou Barlow, do Dinosaur Jr.).

Além da banda de rock alternativo também tocará em Recife o grupo de death metal Obituary.

A 22ª edição do evento está marcada para os dias 25 e 26 de abril no Chevrolet Hall, em Recife. Os produtores do evento informaram que somente será anunciada a programação completa após o Carnaval, período em que também terá início a venda de ingressos.

Outras atrações anunciadas são o músico Renato Barros, líder do Renato e seus Blue Caps, que se apresentará junto com os Autoramas, e a cantora Karina Buhr, que subirá ao palco com repertório do Secos e Molhados.

A banda Sebadoh, por sua vez, passará também por São Paulo e Belo Horizonte, para shows solo.

A banda que também é composta pelo guitarrista/baixista Jason Loewenstein e o baterista Bob D’Amico, voltou aos palcos em 2013, com o novo EP, Secret, e o álbum Defend Yourself.

Confira abaixo a apresentação completa da banda nos estúdios da Rádio KEXP de Seattle no ano passado.

Ira! confirma retorno na Virada Cultural

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A banda Ira! que estava em inatividade desde o desentendimento de Nasi com o empresário do grupo (seu irmão, por sinal) anunciou que fará seu retorno na Virada Cultural deste ano.

A Virada está marcada para o dia 18 de maio, em São Paulo, e eles devem se apresentar em um dos palcos principais da festa.

O show marca o início da turnê “Núcleo Base”, que deve durar dois anos e rodar por todo o país.

Entretanto, Ricardo Gaspa e Andre Jung, respectivamente baixista e baterista, que participaram do Ira! de 1985 até a separação da banda em setembro de 2007 não farão parte da turnê.

Não foi confirmado o motivo, mas talvez o fato de que a turnê tenha aproximadamente 200 shows inviabiliza a participação deles por conta de seus projetos pessoais.

E o Daft Punk roubou a cena do Grammy

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A maior premiação da música, o Grammy, aconteceu neste domingo e mesmo com a tradicional chatice das três horas e meia de duração teve alguns pontos altos na noite.

Apesar da insistência imperdoável de colocar atrações regadas a piano (foram pelo menos umas seis) houve bons encontros que valeram a audiência.

O Daft Punk desbancou os favoritos Bruno Mars e Macklemore & Lewis e levou os principais prêmios da noite, seguido de perto da boa surpresa Lorde.

A presença dos robôs franceses no palco foi sempre acompanhada da dupla Pharell Willians e Nile Rodgers que discursaram no lugar dos caras (que por causa dos capacetes e da mística que criaram em cima disso não podiam se pronunciar). Foram cinco prêmios no total.

Além disso, os músicos franceses fizeram a melhor apresentação da noite ao lado dos já citados Willians e Rodgers, em conjunto com Steve Wonder. Colocaram até a Yoko Ono para dançar.

Mas também houve shows emocionantes como o reencontro rapidinho de Paul McCartney e Ringo Starr, a união entre Willie Nelson, Kris Kristofferson, Merle Haggard e Blake Shelton, além de uma bela homenagem a Corole King e uma jam dela ao piano. Aliás essa e a apresentação de Paul com o mesmo piano que usou na Magical Mistery Tour dos Beatles foram as únicas vezes em que o piano foi usado com moderação. Foram inúmeras as vezes em que o instrumento apareceu e isso acabou por trazer uma sensação de incomodo a quem assistiu à premiação. Ficou repetitivo demais.

O Macklemore & Lewis também iniciou uma bela apresentação com sua ode ao respeito das diferenças, mas descambou à pieguice absurda quando Madonna, Queen Lattifah e um milhão de noivos se casaram na plateia. Foi o momento vergonha alheia da noite.

Pink ficou se pendurando durante uma apresentação regada ao playback, mais algumas estrelinhas Country (Kacey Musgraves e Keith Urban inclusos) fizeram suas apresentações sem sal e o Imagine Dragons conseguiu acabar com um de seus hits ao realizar uma mistureba com o rapper Kendrick Lamar.

A menininha surpresa da noite, Lorde (uma das favoritas da casa), fez uma apresentação apenas Ok de sua “Royals”, mas está perdoada, afinal de contas tem apenas 17 anos.

O Chicago tocou também, mas foi apenas um medley de canções suas e o Metallica foi outro ponto fraquíssimo do Grammy. Após Jared Leto falar sobre a grande perda de Lou Reed no ano passado a banda de São Francisco realizou a enésima versão de “One” ao lado do pianista (!) Lang Lang. E dá-lhe falta de sincronia e falta de ritmo. Ficou a sensação de que não houve homenagem ao Lou.

No fim, houve uma apresentação boa do Queens of the Stone Age junto com o Trent Reznor e Dave Grohl, mas o Daft Punk já tinha passado. Fazer o que né!!!

Enfim, para uma premiação que vinha patinando nos anos anteriores até que algumas situações fizeram do show uma atração interessante. O fato de ter premiado aqueles que de fato fizeram algo diferente, inovador e, acima de tudo, ótima música, também contou positivamente para o evento.

Fechado para Reforma

trema

Da reforma ortográfica,
Da reforma dentro de si,
Daquilo que em si mesmo se reforma,
De forma que não se entenda nada.
De nada que se vire forma,
Da forma que der,
Das formas de Deus criar o homem,
E de o homem criar um Deus.
Para o homem se deixar viver.
Do feminino.
Do insucesso da sociedade
De informar;
A questão de um formato único,
Aquele que não termina em si.
Como assim?
Por aqui,
Por ali.
Portanto, sem mais nem menos,
Por menos que se entenda;
O entendimento se reforma
E ela tem de ser realizada por todo o sempre
Para sempre ser necessária
E se fechar num círculo que atordoa a todos.
A tudo, por nada.
Para simplesmente se reformar.

Dhiancarlo Miranda