Poetizando

download (23)

Homero te conta
E te joga ao mar;
Mas a ideia é afronta,
O que ajuda a pensar.

Sócrates e Platão
Unidos pela palavra,
O pensamento aflora,
A filosofia afaga.

Aristóteles e sua poética
Censurados por serem belos;
Formatos que se assolam
E que nunca ficam velhos.

A epopéia de Gilgamesh
E a Yasna, a Eneida;
O Mahabarata e o Confucionismo
Não confundem mais que qualquer emenda.

As Eddas escandinavas
Com vikings e deuses;
O lirismo mais abaixo
Com índios e seus entes.

O poeta trovador canta,
O escárnio se entende
A vida é dura,
Mas a palavra ainda sente.

Canterbury e Chaucer são um só
Em busca de Milton e o Paraíso;
Shakespeare sem saber se é
Só sente o que é isso.

Daí, é que Camões viaja
E a graça de Moliere nasce;
Voltaire dá meia volta
E Sheherazade renasce.

Pope e Blake, entre muitos,
Sonham com Rousseau
E no novo mundo
O sonho já acordou

O que já vinha de Antonio Maria
Se refaz com Gonçalves Dias;
Os dias passam com Gregório
E Eça passa por várias vias.

Com o Machado realista cortando por aqui
Lá fora se institui o capital e a indústria;
Brontë alvorece e a mulher ganha força
Mas ainda se enche de angústia.

Castro Alves joga na cara a escravidão
E Rimbaud prefere outros temas
Baudelaire não se entende com a solidão
Mas as letras mantêm vidas acesas

Pessoa e suas muitas pessoas
Acompanham Joyce e sua loucura;
Faulkner rasga a América toda,
Virginia descobre no texto sua fuga.

Eliot, Kafka e Proust povoam a existência,
Mas provocam a transcendentalidade;
Hemingway e Neruda lutam
Mas decidem que o amor não tem idade.

Andrades comem a própria carne
E Simone de Beauvoir seduz;
Sartre é mais do que existir
Por que Orwell prova que estamos nus.

Vinícius prefere as loiras,
Drummond desafia as pedras e vai além;
Kerouak e Ginsberg botam o pé na estrada
E Nobokov ama, ama como ninguém.

Henry Miller choca ao fazer o que todo mundo faz
Borges divaga, tem ao lado Cortazar.
Leminski está em todas;
Márquez e Llosa brigam sem nenhum pesar.

Bandeira é a nossa flâmula
Wislawa é pura no meio da censura
Chico desafia o silêncio
E o Rock ultrapassa a usura

John, Paul, George e Ringo:
Uma turma que não se limita à morte.
Jagger, Bowie, Dylan, Cash:
Todos verdadeiros e falsos, para nossa sorte.

Cecília, Clarice e Cora:
Uma tríade de moças sem pudor;
Uma vida toda de dedicação
Ao verso e todo o infinito amor.

Todos, enfim, podem ser Flaubert;
Ninguém é menos do que Withman;
Basta dizer o que sente
Que a poesia lhe vem como um imã.

Guimarães Rosa está por aí;
A cultura beatnick é real;
Qualquer muda de planta floresce
E a palavra voa, se torna imortal.

Sensoriais são as maneiras de lidar
Com essa força que vem dessa meta.
Basta se render à letra, ao verso
Que de dentro surge um poeta.

Dhiancarlo Miranda

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s