20000 dias de Nick Cave

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O documentário é dirigido pela dupla Iain Forsyth e jane Pollard, os mesmos da série de mini-documentários “Do You Love me Like I love You”.

Se o nome “20000 Days on Earth” é ótimo a expectativa pela película também o é.

Nick Cave é um artista que povoa o imaginário de quem gosta de música, letras matadoras e apresentações fulminantes desde o final dos anos 70. Mas foi durante os anos 80 que Nick ficou conhecido ao se juntar à Bad Seeds (banda que nunca poderá ser chamada de “apoio”, tamanha sua competência em estúdio e no palco) e realizar um tipo musical que agradava aos darks, góticos, headbangers, religiosos, não-religiosos e fuçadores de relíquias musicais.

Os diretores tinham a seguinte ideia: “Aquilo que parece predominante nos documentários musicais contemporâneos é centrarem-se todos em ver por trás de qualquer coisa, em revelar qualquer coisa, tirar a máscara, eliminar o mito”.

Pollard e Forsyth queriam manter a aura mitológica de Nick intacta.

Além disso, o cantor os deixou livres para trabalhar somente depois de conversar muito sobre o foco do projeto. “Apresentaram-me algo que não era simplesmente contar a história de Nick Cave tal como a conhecemos ou não. A ideia é deles”, disse Nick durante as gravações.

O conjunto de inspirações que os diretores pontuam é bem grande e de qualidade. Dizem serem influenciados por “One Plus One”, de Jean-Luc Godard, que delineia um paralelo entre as cenas do filme em meio à situação política do momento, mas também citam “Dazed and Confused”, a viagem sonora-visual do Led Zeppelin.

A primeira apresentação do filme aconteceu nesta semana (20) durante o Sundance Festival e as reações foram muito boas.

As iamgens que foram demonstradas a quem não teve a chance de estar no Festival de Robert Redford são poucas, mas mostram o que já havia sido falado pelos próprios realizadores do filme.

Nas cenas vistas vemos Cave analisando fotos do passado. A intenção é fazer retrocessos na vida artística e pessoal do músico durante o processo de gravação de “Push on the Sky Away”, disco lançado no ano passado.

É possível que isso tenha tido influência na forma como foi concluído o álbum? Não se sabe ao certo.

Mas isso não é importante já que a transição sonora que vemos em “Push Sky Away” nos descreve uma ambientalização una, cheia de aspectos de introspecção, de exteriorizar aquilo que ainda não está digerido lá dentro.

Voltando ao filme, entre as cenas de acompanhamento do artista em conversas com outros artistas, casos de Kylie Minogue e do ator Ray Winstone, enquanto dirige pelas estradas da Inglaterra, visualiza-se ele e seus asseclas no estúdio ou em diálogos fúteis. Mas, mais uma vez, a mitologia do cantor prossegue fechada.

Por fim, pelas primeiras críticas recebidas, o filme se desenha entre altos e baixos na forma como mostra Cave (ora em profundo silêncio, ora em absurda loucura durante as gravações) e nos faz pensar o que significa ser um artista como Nick, mas sem o definir, é o que dizem.

E a história do título do filme, tendo sido tirado de um verso que Nick Cave tinha escrito num bloco de notas demonstrando os 20 mil dias que o rapaz tinha sobre a Terra até o início das gravações de “Push the Sky Away”, só nos faz solicitar aos deuses da música que o deixe aqui por mais 20000 dias.

Resta-nos aguardar que a filme chegue até o Brasil e que isso não demore esse mesmo tempo.

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