Top Ten: Marchinhas de Carnaval

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Com a aproximação do Carnaval sobram cenas nos canais de tv das Escolas de Samba tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, aparecem muitas imagens dos Trios Elétricos da Bahia e Pernambuco e são inúmeros as propagandas sobre camarotes da marca x ou y.

Mas o que podemos captar, de fato nesse período, é um sem número de aparições de peças publicitárias, seja no abadá do turista do bloco de Salvador seja no patrocínio da cidade de Xeribimboca ao enredo da Escola de Samba Unidos do Mandaqui.

É claro e evidente que tudo, portanto, virou negócio. A antiga festa do povo se tornou uma ótima possibilidade de merchandising. Uma estupenda forma de se ganhar dinheiro.

Porém, seria inocência acreditar que ele não servia a este propósito mesmo lá atrás. Os bailes de Carnaval são de antes da época do onca e parece ser bem óbvio que nunca foram de graça, sendo muitos deles reservados apenas à alta sociedade.

Entretanto, havia um envolvimento da população em geral com o Carnaval de rua, dos blocos que passavam pelas principais vias de qualquer capital ou da menor cidade do país. Desde crianças até os mais velhos se preparavam para participar de bailes de fantasias ou apenas faziam sua máscara para sair à frente de casa. As pessoas se alegravam com uma simples marchinha de Carnaval.

Pois bem, cheguei ao ponto em que eu queria. Essas pequenas pérolas da música brasileira eram o ápice de qualquer manifestação em que a festa de Momo era o tema. Mas por que isso acabou?

Perda da inocência, tempos modernos voltados à individualidade ou simplesmente por que as pessoas se encheram daquele estilo de vida? Tem um pouco de tudo isso, mas também tem a ver com a participação ativa das grandes corporações neste período carnavalesco. Não há uma única pessoa famosa que não quer aparecer na Globo durante os desfiles. Desde a atividade na avenida como destaque até a amostra do ator bebum, tudo é marketing pessoal. Falem mal, mas falem de mim! Sacou?

As marcas de cerveja se estapeiam para conseguir patrocinar um camarote qualquer. Tem gente que patrocina até comercial para evitar acidentes nas estradas. O Carnaval não é para ser aproveitado, é para ser mostrado.

Mas por que não fazer um top ten relembrando estes velhos tempos em que as marchinhas guiavam as pessoas em qualquer baile noite adentro?

Eis então nossas dez marchinhas favoritas do Carnaval em todos os tempos:

Chiquinha Gonzaga – Abre-alas

Não há Regina Duarte que consiga tirar o glamour e a importância que Chiquinha teve para a música brasileira e para a participação da mulher nas artes deste país. Além disso, estamos falando de uma canção que narra o início do Carnaval, demonstra o fascínio da descoberta do amor, chora a perda, mas também joga tudo para o alto para aproveitar os quatro dias de folia. Perfeita, portanto. Abra alas para ela!

Carmem Miranda – Mamãe eu quero

O vídeo acima é com Carmem Miranda, nossa portuguesa mais brasileira e americana de todos os tempos, mas também teve interpretação famosa da saudosa Rosina Pagã, falecida recentemente.

Jorge Goulart – Cabeleira do Zezé

Jorge Goulart dá vida para essa composição de Roberto Faissal e J. Roberto. Um grande exemplo das músicas de duplo sentido totalmente inocentes que habitavam o imaginário popular da primeira metade do século passado.

Carlos Galhardo – A la la ô

Esse pequeno diamante de Haroldo Lobo e Nássara é interpretado neste áudio por Carlos Galhardo e sua voz potente. Há de tudo na marchinha: menção ao Oriente Médio (sem bombas), a água (ou a falta dela), o calor escaldante, além de um ótimo arranjo acompanhado de um coral magnífico.

Orlando Silva – A Jardineira

A música composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto teve muitos interpretes, mas nenhum com a cancha de Orlando Silva, vulgo, o cantor das multidões. Uma história triste, mas que passa despercebida por qualquer pessoa que a canta, já que a harmonia da melodia faz você quase não perceber o que está sendo cantado. O que vale mesmo é dançar no baile.

Aurora Miranda – Cidade Maravilhosa

“Cidade Maravilhosa” é uma marcha composta por André Filho e teve arranjo assinado por Silva Sobreira para o Carnaval de 1935. Aqui ouvimos a irmã menos famosa de Carmem Miranda dar uma cadência mais lenta à homenagem destinada ao Rio de Janeiro.

Ataulfo Alves – Ai que saudades da Amelia

Os autores Ataulfo Alves e Mario Lago normalmente são acusados de machismo quando é mencionada a Amélia da afamada música, mas as pessoas não se apercebem que o relato da canção é o último suspiro do homem durão, com saudades daquela que fazia tudo para ele. Ou seja, esta é uma crítica aos que pensavam que as mulheres eram apenas pacatas donas de casa. Simples assim!

Joel & Gaúcho – Aurora

A famosa dupla da era do rádio dá corpo a outro lamento macho composto por Mário Lago, desta feita em sociedade com Roberto Roberti. Também é interessante ouvir o arranjo muito bem realizados pelos músicos da época. Neste caso, feito sob encomenda para o Carnaval de 1940.

Heitor dos Prazeres – Pierrot Apaixonado

Uma ode ao saudosismo, um elogio do Carnaval de antigamente. Esta interpretação de Heitor dos Prazeres, para um programa da TV Cultura, faz do sucesso de Noel Rosa uma grande manifestação de irreverência e espontaneidade.

Celso Teixeira – Marcha da Cueca

Outro grande de irreverência nas canções de Carnaval é esta “Marcha da Cueca” interpretada por Celso Teixeira. Aliás, nos anos 70 ainda era bastante comum ter lançamento de álbuns com as principais marchinhas do ano num período pré-Carnaval. Portanto, quando chega a festa todo mundo já sabia as músicas de cor e salteado.

Por que “O Lobo de Wall Street” merece o Oscar

o lobo de wall street

Um filme que fala sobre a canalhice do “tudo por dinheiro”. Uma película que tem no seu personagem principal um homem sem escrúpulos, um misógino, um preconceituoso de marca maior e que vive de tirar a economia suada de gente pobre. E o pior: é verídico, ele existe em carne e osso.

Sim, este poderia ter sido um filme em que todos os adjetivos ruins mencionados acima perfariam um vilão dos mais grotescos, um picareta que deve pagar pelos seu crimes, mais cedo ou mais tarde.

Só que não!

“O Lobo de Wall Street” não é fácil de se classificar. É muito engraçado, mas é repugnante também; faz uso de viagens cocainômanas, porém nos demonstra bem como é a realidade do mundo do dinheiro; divaga pela consciência de alguns personagens, entretanto avalia a não-consciência de outros.

Enfim, traz à tona toda a genialidade de Martin Scorsese num momento da carreira em que não precisa pedir opinião a nenhum produtor de Hollywood ou solicitar a benção de algum investidor para colocar ou retirar alguma cena de seu longa-metragem.

Dessa forma, “O Lobo…” acaba por ter poucos cortes, torna-se longo, mas em nenhum momento parece pedante. Quem se aventurar a ir ao cinema assistir ao filme, com certeza, não sentirá falta das três horas que deixou lá fora.

O fato de nos depararmos com o autêntico vilão Jordan Berfort (Leonardo DiCaprio) parece que não atrapalha a ideia de Martin em contar este conto sobre o mundo irreal do dinheiro de Wall Street que cria um submundo fantástico para quem se apodera dele. Este aspirante a corretor da bolsa sai de uma vida pacata e modorrenta do interior, para se aventurar nessa selva que é o mundo financeiro. Lá conhece seu guru, Mark Hanna (Matthew McConaughey, em atuação curta e excelente) que lhe ensina todos os truques para vencer naquela fogueira das vaidades.

Aos poucos, somos apresentados aos parceiros de Belfort nessa empreitada, desde aquele que se torna seu melhor amigo (Jonah Hill), e que percebemos em determinado momento que isso não tem a mínima importância diante do dinheiro, até outras figuras caricatas deste mundo de ilusões.

Daí em diante, as ações e os golpes na classe média americana do final dos anos 80 ganham proporções bilionárias, a ponto de começarem a ser acompanhados de perto pelo FBI. As altas transações realizadas por Belfort e seus comparsas superam todos os limites da ética e do respeito humano, mas não há em nenhum momento da saga deste ser amoral algum resquício de arrependimento.

Para muita gente, esse é um ponto fraco do filme, por transparecer uma sensação de que os fins justificam os meios, mas para mim é exatamente o que o fortalece, já que Scorsese, com sua filmagem longa e sem cortes, não toma partido em nenhum instante sequer. Aquilo é o que eles são, os lobos de Wall Street, e isso não pode ser deturpado para ser mostrado ao grande público.

As orgias acompanhadas de cocaína também não podem ser recriminadas, pois tudo ali faz parte da ostentação (palavra da moda no Brasil) buscada pelos grandes atores da cena financeira de Nova York.

O que se vê, portanto, é um filme que, tal qual “Os Bons Companheiros” (1990), acompanha uma narração feita pelo protagonista para contar como ele chegou a todas as ações que o levaram a ser quem ele é. A diferença aqui é que falamos de um cara que na vida real não se deu mal (ou nem tanto), pois apesar de ter sido preso, Belfort saiu da cadeia apenas dois anos depois, escreveu um livro de sucesso sobre Wall Street e hoje dá palestras concorridas ao redor do mundo.

Há participações muito bem vindas e que seguram muito bem a trama como as do diretor do banco suíço, Jean Jacques Jaurel (Jean Dujardin), que tem uma cena hilária com o personagem de DiCaprio, o pai do protagonista Max Belfort (vivido pelo diretor Rob Reiner) com seu mau humor com tudo ao redor e, talvez, um dos seres mais morais da história, ao lado do agente do FBI Patrick Denham (Kyle Chandler), além da inclusão providencial da gostosíssima Naomi Lapglia (a maravilhosa Margot Robbie).

No final, o que se pode dizer é que “O Lobo de Wall Street” tem algumas qualidades que fazem dele um filme digno de Oscar de melhor produção, pois possui uma direção de atores competentíssima, um plano sequencial de cenas muito bem feito (mesmo com as três horas de rodagem), um roteiro que não escorrega em soluções simples (trabalho excepcional de Terrence Winter, com consultoria do próprio Jordan Belfort), contando uma história que não decai do início ao fim, além da direção de câmera segura de Martin.

Uma pena se não ganhar, mas o mundo das artes, de qualquer forma, já ganhou um novo clássico do cinema.

Trailer oficial do filme:

Nova HQ de “A Liga Extraordinária” já tem data de lançamento (lá fora)

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Enquanto a HQ “Nemo: Coração de Gelo”, última incursão de Alan Moore na saga de “A Liga Extraordinária” nem saiu ainda aqui no Brasil, as editoras Top Shelf e Knockabout já estão divulgando uma nova aventura das personagens retirados da literatura fantástica do século XIX.

“The League of Extraordinary Gentlemen: Roses of Berlin” sai em abril e já foram anunciadas a capa e algumas ilustrações da revista.

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A ideia de Alan Moore agora é contar uma história que traz à tona algumas ações de personagens realizadas no passado mais distante que vão culminar com problemas exatamente no estopim da segunda guerra mundial. Acompanha mais de perto, portanto, a saga de Janni Dakkar em tentar fugir do legado de seu pai, Nemo. Neste momento da história ela terá de enfrentar os heróis crepusculares, dentre outros perigos, na Alemanha nazista.

Inclusive, a sinopse da uma deixa quanto a isso: “Dezesseis anos atrás, a infame bandoleira científica Janni Nemo fez uma jornada aos confins gelados da Antártida para dar solução ao volumoso legado de seu pai numa tempestade de loucura e perda, mal tendo escapado com seu Nautilus e sua vida. Agora estamos em 1941, e tendo a filha estrategicamente casada com um familiar do senhor da guerra aeronáutica Jean Robur, os piratas de Janni têm apenas contato restrito com o poderio militar do ditador-palhaço alemão-tomaniano Adenoid Hynkel. Mas quando a rainha pirata descobre que seus entes queridos foram feitos de reféns na fantasmagórica Berlim, sua única opção é intervir diretamente, viajando com seu idoso amado Broad Arrow Jack ao cerne da metrópole bestial.”

O lançamento, como de costume, acontece inicialmente na Inglaterra, para depois rodar o mundo. Nessa, só o Brasil está chupando o dedo ultimamente.

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Para piorar as coisas para os fãs tupiniquins, Alan Moore, e sua equipe de desenhistas, já planeja o fim da trilogia focada em Nemo ainda para este ano. O nome provável do volume que sucede “Roses of Berlin” será “River of Ghosts” e se passará em algum canto remoto da América do Sul.

Para quem não aguenta o tormento de aguardar o lançamento em português pode adquirir o segundo volume da série Nemo (em inglês mesmo), em sites especializados a partir do mês que vem.

Alguém ainda não viu o novo vídeo (e a dancinha) das Haim?

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Essas meninas, e seu jeito de ser pra lá de descolado, continuam muito bem na fita (ou no vídeo, para ser mais exato).

Foi lançado na última segunda-feira o novo vídeo-clipe das irmãs Haim.

Este, Danielle e Alana têm carisma, sabem tocar muito bem e possuem vozes marcantes, cada uma ao seu estilo. Dá para imaginar que com essas características musicais e de estilo elas irão dominar o mainstrean americano com facilidade.

A música mostrada na nova incursão das garotas da Califórnia é “If I Could Change Your Mind”, do primeiro álbum delas, o “Days Are Gone”.

Durante o vídeo elas mostram uma coreografia que pode significar uma provocação pela quantidade de cantoras que apostam nessa fórmula para fazerem sucesso, mas também pode funcionar como algo cool mesmo, tamanho é o astral legal que essas meninas passam.

Outra notícia que já virou repetição para elas é a participação em premiações de melhores do ano. Ontem, no caso, foi a da Revista NME, da Grã-Bretanha, que as agraciou com o prêmio de melhor banda internacional.

Lembrando que a NME tem suas principais categorias voltadas para o mercado interno, ou seja, ela se preocupa mais com os artistas de lá mesmo. Neste quesito não teve para ninguém e Alex Turner e sua trupe do Arctic Monkeys venceram de lavada em cinco categorias.

Voltando as Haim, apesar de não terem ganhado em outras categorias causa uma certa surpresa que uma banda nova, com apenas um disco lançado já tenha apanhado um número tão expressivo de seguidores fieis. Tanto as páginas no Facebook quanto o perfil das meninas no Twitter são extremamente requisitados com um acompanhamento quase em tempo real de todas elas. Muito bacana ver isso.

Para provar isso, em apenas quatro dias de exibição, o vídeo de “If I Could Change Your Mind” já obteve mais de 1 milhão de visualizações. Não é mole não hein!

Com vocês, a dancinha das irmãs:

A nova incursão de Dragon Ball Z pelos games

Dragon Ball Z

Parece haver um consenso na cultura geek de que o universo da saga Dragon Ball tenha personagens e histórias suficientes para encher caminhões com novos produtos a cada dia.

A questão é saber se isso sempre será realizado com a qualidade que o anime merece.

A nova incursão da série no mundo dos games segue esta sina. A desenvolvedora Artdink tenta realizar um trabalho amplo e irrestrito quanto aos personagens (todos estão lá), as batalhas acontecem nos mais diferentes lugares e das mais variadas maneiras, mas percebe-se que há algo faltando.

É óbvio que um expert no quesito jogabilidade teria mais competência para explicar o que acontece com Dragon Ball Z: Battle of Z, mas só de olhar para o jogo é possível perceber alguns equívocos.

Os controles têm o maior grau de defeito, pois não são nada intuitivos e não promovem um aprofundamento suficiente para prender o jogador. O jogador online, pode se tornar um exímio praticante só de decorar sequências bem óbvias. Mas o problema não para por aí: a defesa, durante as lutas, é possível apenas com um movimento aleatório, o que pode culminar na futura vitória sem muito esforço.

Além disso, causa algum desinteresse a progressão da aventura pela diminuição de visão do sistema de câmera. Alguns ambientes não conseguem simplesmente aparecer junto com os personagens daquele momento e não é raro tomar um sopapo sem saber de onde ele foi desferido.

De qualquer forma, Dragon Ball Z: Battle of Z pode se destacar entre os games adaptados dos anime pelo simples fato de possuir uma quantidade enorme de personagens e de ter elaborados gráficos do início ao fim, mas sempre ficará a sensação de que as muitas referências não se sustentam com a pouca qualidade no produto entregue.

Creio que possa fazer relativo sucesso pela mera atividade nostálgica que promoverá junto aos fãs da saga, mas poderia ter sido mais bem aproveitado pelo nome que carrega por trás.

Desta maneira, prossiga jogando coisas menos modernas como Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3 (PlayStation 2), ou continue recordando as batalhas deste clássico pelos animes antigos. E não perca as esperanças de que alguém saia da mesmice e consiga criar um jogo que faça jus à série através de mudanças, que pelo que se viu aqui, não são nada de outro mundo.

Veja um trecho do jogo:

Confirmado: Jaguar Ma passa por aqui em março

Jaguar ma

O site Popload, gerido pelo jornalista e agitador cultural indie Lúcio Ribeiro, anunciou ontem as principais atrações de sua Popload Gig (festival a ser realizado, pelo menos uma vez a casa dois meses em 2014) em São Paulo.

O primeiro músico a ser anunciado é o cantor árabe Omar Souleyman, que promete fazer a plateia paulistana ter as mesmas sensações que públicos de todo o mundo têm sentido durante suas apresentações cheias de influências dos ritmos do Oriente Médio, mas sem perder a cadência dançante.

Mas é o outro nome anunciado que causa maior furor: os australianos do Jaguar Ma, que acabaram de participar do Mega-Blaster Festival The Big Day Out, em sua terra natal, pois já estarão entre nós no próximo mês. A banda de rock psicodélico dos moleques Jono Ma, Gabriel Winterfield e Jack Freeman faz única apresentação no Audio Club.

A tendência é que nos próximos dias o site Popload solte mais algumas atrações que ocorrerão durante o ano, mas só de ter este início já dá para vislumbrar um ótimo ano para a cena indie.

Lembrando que muitas casas com esta temática mais underground estão sendo abertas na cidade, casos da ótima Blitz Hauss, do Beco 203 ou do Red Bull Station, todas nas imediações do centro de megalópole.

Veja Abaixo o serviço completo para as duas atrações anunciadas:

Omar Souleyman
Local: Beco 203
Data: 23 de março – domingo
Horário: 21h
Ingressos: R$ 70 (meia) e R$ 140 (inteira). Bilheteria (sem taxa de serviço): Rua Augusta, 430, de 
segunda a sexta das 14h às 18h.
Informações: http://www.beco203.com.br
Abertura: Yougurtaban DJs

Jaguar Ma
Local: Audio Club
Data: 27 de março – quinta-feira
Horário: 23h
Ingressos: 1º Lote: R$ 100 (R$ 50, meia); 2º Lote: R$ 120 (R$ 60, meia)
Informações: http://www.facebook.com/audioclubsp
Abertura: Damn Fridays DJs

Omar Souleyman – Wenu Wenu

Jaguar Ma – Cover Arctic Monkeys (Why’d You Only Call When You’re High)

Livros foram feitos para voar

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O filme que veremos a seguir tem algumas particularidades que fazem dele muito próximo da perfeição.

Ganhador do Oscar de curta de animação em 2012, “Os Fantásticos Livros Voadores do Sr Lessmore” é uma parceria de William Joyce com a Moonbot Studios.

Neste desenho de quinze minutos, somos levados (forçadamente) para uma cidade metafórica onde os livros ganham vida. Há um paralelo com a vida do personagem-título já que este precisa escrever durante a história o seu próprio livro que perdeu as letras de suas páginas durante um acidente cataclísmico.

É uma viagem que se faz entre a imaginação proporcionada pela leitura de qualquer obra literária, a visão fantástica de um bibliotecário e a própria evolução de nossa vida, desde o passar do tempo através da aprendizagem do dia-a-dia até a sua transcendentalidade.

“Sr Lessmore” é cheio de doçura no seu ritmo quase didático, mas também cheio de beleza por meio das melodias que acompanham cada um dos passos na vida do personagem e seus companheiros.

Ideal para as crianças, pois mesmo não compreendendo a profundidade da discussão como um todo, percebem se tratar do ciclo da vida (nascimento-vida-morte), mas desconsertante aos adultos que podem derramar algumas lágrimas ao final da película.

Veja abaixo o filme completo:

Brody Dalle e a música do ano (até aqui)

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Brody Dalle é conhecida pela sua voz rouca e suas letras estilosas, mas também é comumente associada a Josh Homme (tem uma filha com ele). Coisas de Revista Caras!

Mas, a musa rocker que já liderou a Sourpuss, o The Distillers e agora está com o Spinerettes, está em vias de lançar um álbum solo com a ajuda de algumas amigas.

Numas das faixas canta ao lado da Emily Kokal, do Warpaint, mas também solta a voz junto com outra musa, Shirley Manson, do sumidão Garbage.

A música “Meet the Foetus”, que não sai da cabeça do ouvinte desde o momento em que se escuta, tem uma potência sonora muito além do que tem sido feito por aí afora, além de contar com dois vocais de alcance estilístico próprio, ou seja, tem identidade.

Não consegui baixar o vídeo da música, porém o Blog Popload de Lúcio Ribeiro mostrou em primeira mão a animação dirigida por Anthony Winn.

Veja no link abaixo como ficou a viagem sonora-imagética:

http://popload.blogosfera.uol.com.br/#ooid=5waWV0azpg1WoQvMvVQ7dcchsG3owyBn

Toy: uma brincadeira sonora que deu certo

Toy

Desculpem pelo trocadilho sem-vergonha do título, mas era inevitável. É quase como uma patologia! (kkk)

Mas voltando ao tema do post, Toy é uma banda inglesa já bem conhecida no circuito indie de Londres e Brighton, local onde foi fundada em 2010 pelos colegas de escola Tom Dougall (guitarrista e vocalista), Dominic O’Dair (guitarrista), Maxim Barron (baixista), além de Charlie Salvidge (baterista) e a espanhola Alejandra Diez (tecladista).

No ano seguinte ao de sua fundação o Toy assinou um contrato com a Heavenly Records e lançou o single “Left Myself Behind”, tendo recebido inúmeros elogios de revistas e jornais ingleses como o The Guardian, que considerou a música “excelente”.

Left Myself Behind

Mais à frente, tirou do forno, em 2012, o álbum homônimo que alcançou boas vendagens e outras tantas ótimas críticas da revista NME. O grupo fez alguns shows com The Horrors, banda do fã Rhys Webb, que chegou a mencionar que o Toy tinha sido a “coisa mais excitante que ele havia ouvido naqueles tempos”.

Em 2013, a banda de psichedelic rock fez uma mini-excursão pelo interior da Inglaterra com The Vaccines.

E já estava no fim do ano passado promovendo o novo álbum “Join the Dots”, fato que comprova sua rapidez e proficuidade em compor.

O som da banda possui muitos elementos do rock psicodélico inglês dos anos 60 e 70, lembrando as passagens de ambientação sonora realizadas pelo Pink Floyd na sua fase mais viajandona, mas em determinadas faixas de seus dois discos parece haver uma instrumentalização influenciada pelas músicas incidentais de filmes e seriados americanos dos anos 70 e 80.

Mas a coisa não fica por aí: há algo do pós punk inglês tanto nas letras quanto na sonoridade da banda. Você tem alguma lembrança de Echo and the Bunnyman ou de Joy Division com sua cozinha muito bem conduzida e em sincronia, mas também um trabalho de teclado que pode nos fazer lembrar das bandas alemãs dos anos 60 que militavam entre o rock e o eletrônico, quando inventaram aquilo que ficou conhecido pelo nome de Krautrock.

Algumas músicas deste novo álbum podem estabelecer essa familiaridade com as influências citadas acima. São os casos de “Conductor” (primeira faixa) em que a introdução se assemelha com as divagações do Pink Floyd na fase “Wish You Are Here” e “Animals”; “You Wont be the Same”, clara ligação com Jesus and Mary in Chain; a faixa-título “Join the Dots”, ótima sincronia entre bateria e baixo; além de “Endelessly”; “Frozen Atmosphere” e “Fall All Out Love”.

Enfim, uma boa continuação ao álbum de estreia, o que reforça a condição de banda promissora no cenário britânico, que já está presenciando a nova turnê do grupo por muitas cidades do Reino Unido.

No último dia 18 de fevereiro, o Toy tocou em sua cidade-natal, Brighton, mas já está na estrada numa sequência que os levará a Manchester hoje, além de passagens por Newcastle (26), Glasgow (27) e Liverpool (28). No próximo mês já iniciam com shows em Norwich e Londres. Para saber mais sobre a banda e sua turnê basta acessar sua página oficial http://toy-band.com/site/.

Ouça abaixo o álbum “Join the Dots” na íntegra:

Lista das músicas do disco:

01 – Conductor
02 – You Won’t Be the Same
03 – As We Turn
04 – Join the Dots
05 – To a Death Unknown
06 – Endlessly
07 – It’s Been So Long
08 – Left to Wander
09 – Too Far Gone to Know
10 – Frozen Atmosphere
11 – Fall Out of Love

“Surfer Rosa” é o álbum de excelência dos Pixies

Pixies

Black Francis nem tinha esse nome ainda (chamava-se, naquele tempo, Charles Thompson) no ano de 1986, mas tinha uma ideia na cabeça, um papel e caneta na mão e um amigo de universidade, Joey Santiago.

A ideia na cabeça era de montar uma banda, pegou a caneta e anotou num papel um anúncio que levou até os jornais de Boston. Seu propósito era o de chamar pessoas para montar essa banda que já tinha Joey Santiago como guitarrista solo.

Depois disso apareceram Kim Deal e David Lovering. O resto faz parte da história.

Até o lançamento do primeiro álbum foram dois anos. E que álbum!

“Surfer Rosa” foi considerado o álbum do ano por boa parte da crítica musical. Mas precisamos entender o motivo para isso.

Primeiro: “Surfer Rosa” é diferenciado da maioria dos álbuns de estreia de qualquer banda, pois possui referências pouco usuais para a grande parte dos grupos que pululam por aí. São exemplos as letras sobre mutilação ou voyeurismo, a produção lenta e pesada e o som seco e unificado da bateria, que se deve muito ao engenheiro de som Steve Albini.

Além disso, este álbum da banda era um prosseguimento da gama temática tratada em “Come on Pilgrim”, EP de 1987, que já tinha as clássicas “Caribou”, “Vamos” e “Ed is Dead”. “Surfer Rosa” só fez ecoar por mais tempo a genialidade da primeira gravação.

Embora não tenha sido um sucesso comercial, “Surfer Rosa” é normalmente incluído entre os álbuns favoritos da crítica musical, não somente dos anos 80, mas também como referência do Rock alternativo em todos os tempos. As distorções de guitarra, as lacunas silenciosas dentro das músicas, as sequências repetitivas de vocais e as mudanças de timbre de voz juntamente com as batidas de bateria, além das letras em espanhol, são motivos pelos quais a bolacha é habitualmente colocada nos principais top ten das revistas especializadas.

Visual da Capa de “Surfer Rosa”
Surfer rosa

Há, inclusive, muitos artistas da cena indie, incluindo Billy Corgan e PJ Harvey, que citam o álbum como fonte de influência. O próprio Kurt Cobain viria a admitir posteriormente, já no auge de sua fama, que “Surfer Rosa” fora uma fonte de inspiração para “Nevermind”. Tanto é verdade que contratou o próprio Albini para tentar captar a sonoridade do álbum dos Pixies para seu último disco, In Utero.

Músicas de um estilo mais pop como “Broken Face”, “Break My Body” e “Brick is Red” são acompanhadas por canções de ritmos mais lentos e de variação melódica, como “Where Is My Mind?.” Sinta a bateria desta música e compreenda o que foi dito anteriormente sobre o som peculiar dela.

Por outro lado, há espaço no álbum para processos musicais mais pesados, todos com a assinatura de Black Francis, o onipresente líder dos Pixies. Isso só não se reflete unica e exclusivamente na ótima “Gigantic,” que foi escrita em parceria com Kim Deal. Mas “Gigantic” não é só interessante por isso, ela dá início à troca de vocais da banda, pois é nela que ouvimos pela primeira vez o vocal principal de Deal.

Quanto aos assuntos abordados pode-se dizer que há de tudo o que não era natural para ser promovido num disco. Percebe-se uma influência de Devo no que diz respeito ao clima de causar impacto ao mesmo tempo em que há um desprendimento com o mundo e com a realidade, além de um gosto pelo diferente, pelo feio, por algo que não é popular. Esse conteúdo inclui falas sobre mutilação (“Break My Body” e “Broken Face”), incursões pelo universo HQ (“Tony’s Theme”), o voyeurismo (“Gigantic”) e as letras de caráter surrealista (“Bone Machine” e “Where Is My Mind?”).

Por fim, são feitas referências a Porto Rico nas letras em espanhol (“Oh My Golly!” e “Vamos”) e a narração de um preso em carta nada comum à sua amada (“Cactus”).

Até a capa do álbum surge de um processo incomum. Trata-se de uma fotografia em topless de uma conhecida da banda, em pose de dançarina de flamenco, em frente a uma parede com um crucifixo e um poster rasgado. Segundo Simon Larbalestier, que forneceu fotografias para todos os álbuns dos Pixies, a decisão sobre a capa foi meramente pelo fato de que “nós não conseguíamos encontrar a atmosfera natural que pretendíamos”. Daí foi feita uma compilação entre ideias de todos os integrantes da banda e tudo fora incluído numa só fotografia.

Portanto, “Surfer Rosa” reúne o que deve caracterizar um álbum clássico: boas referências, ótimas letras, conjunto melódico harmonioso, carisma, um pouco de loucura e muita atitude.

Ouça abaixo algumas das faixas inclusas no álbum “Surfer Rosa”:

Bone Machine

Break My Body

Broken Face

Gigantic

Cactus

OBS – Esse texto faz parte de uma seção do Blog que tratará apenas de álbuns de música clássicos. Isso deverá ocorrer uma ou duas vezes por mês.