Você Já Ouviu Parquet Courts?

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A cada nova semana os blogs (como este), revistas, rádios e sites especializados em música acham alguém para salvar o Rock’n Roll.

Todos os dias há alguma dessas mídias provando que o Rock’n Roll morreu faz tempo.

Acho que não tem resposta pronta para essa questão. Há muita gente boa, desprendida e descolada fazendo algum barulho ali e acolá. Mas nem sempre é algo que valha a pena prestar atenção por muito tempo. Existem bandas pré-fabricadas, grupos que não tem um pingo de originalidade ou mesmo não merecem ser ouvidas, simples assim.

Porém, nosso novo Messias Alex Turner disse ontem “O rock, né? O rock nunca vai embora. Pode estar hibernando às vezes, afundado na lama musical… Acho que é a natureza cíclica do universo que faz engolir essas regras. Mas o rock está sempre ali, esperando, na esquina, prontinho para voltar como uma pedra estraçalhando um telhado de vidro, com a aparência mais bonita como nunca teve”.

A declaração meio irônica meio cheia de desdém do líder do Arctic Monkeys apenas comprova que o ritmo proveniente dos confins dos anos 50 precisa sempre de um novo sopro para sair das catacumbas.

Creio ser essa a missão do Parquet Courts.

Banda americana de pós-punk rock sediada em Brooklyn, New York, se formou no final de 2010, mas só apareceu no final de 2012 para o universo indie.

Esse grupo é cheio de estilo e influência de grupos da segunda metade dos anos 70, tipo Gang of Four e Buzzcocks, mas com uma pequena pitada sonora de sons dos anos 80 e 90, casos de Fugazi, Stiff Fingers e Mission of Burma.

Eles incluem em sua página na internet (http://parquetcourts.wordpress.com) bandas das quais gostam, como Wiccans, Yuppies e Psychic Boots, mas não necessariamente precisam ser influências.

A banda é composta por Andrew Savage (vocais, guitarra), Austin Brown (guitarra), Sean Yeaton (baixo), e Max Savage (bateria), mas tem em sua harmonia um som de power trio.

Eles lançaram um EP “American Specialties” (inicialmente, um cassete), mas só fecharam um álbum inteiro em 2012, com o espetacular “Light Up Gold”.

Aliás, quando isso aconteceu, de forma totalmente independente e com má distribuição, ninguém nem prestou atenção até que foi relançado uns meses depois pelo selo maiorzinho What’s your Rupture. Daí o povo do submundo do rock americano conheceu de verdade os caras.

Há quem possa dizer que o álbum tem um Q do Nirvana de “Bleach”, mas a banda possui luz própria e as faixas de “Light Up Gold” provam isso.

A capacidade de inverter riffs de guitarra em velocidade altíssima para depois baixar para 10KM/H é impressionante e a atitude em palco fazem crer que eles ainda irão evoluir sonoramente.

Músicas como “Master of my Craft” (guitarra a la Gang of Four), “Free Ice” (uma sonoridade próxima de Pavement) e “Stoned and Starving” (lembra Fugazi, mas sem ser cópia) comprovam a boa escola do Parquet Courts, mas também anuncia músicos que souberam encaixar bem essa predileção melodiosa em novas roupagens. As duas guitarras e os dois vocais são bem casados e o baixo funciona bem nesse cruzamento entre barulho e melodia.

De qualquer forma, com o início da apresentação dos sets dos principais festivais americanos o Parquet Courts começa a figurar em alguns deles e será inevitável vê-los povoar mais palcos até o final do ano, até por que a temporada promete ser mais cheia lá e na Europa.

Enfim, uma banda que desafia a máxima de que o Rock é um velho gagá e que pode tirar algumas teias de aranha do ritmo que tem se reinventado para não ser sepultado de vez.

Apresentação do Parquet Courts nos Estúdios da KEXP FM

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