“Surfer Rosa” é o álbum de excelência dos Pixies

Pixies

Black Francis nem tinha esse nome ainda (chamava-se, naquele tempo, Charles Thompson) no ano de 1986, mas tinha uma ideia na cabeça, um papel e caneta na mão e um amigo de universidade, Joey Santiago.

A ideia na cabeça era de montar uma banda, pegou a caneta e anotou num papel um anúncio que levou até os jornais de Boston. Seu propósito era o de chamar pessoas para montar essa banda que já tinha Joey Santiago como guitarrista solo.

Depois disso apareceram Kim Deal e David Lovering. O resto faz parte da história.

Até o lançamento do primeiro álbum foram dois anos. E que álbum!

“Surfer Rosa” foi considerado o álbum do ano por boa parte da crítica musical. Mas precisamos entender o motivo para isso.

Primeiro: “Surfer Rosa” é diferenciado da maioria dos álbuns de estreia de qualquer banda, pois possui referências pouco usuais para a grande parte dos grupos que pululam por aí. São exemplos as letras sobre mutilação ou voyeurismo, a produção lenta e pesada e o som seco e unificado da bateria, que se deve muito ao engenheiro de som Steve Albini.

Além disso, este álbum da banda era um prosseguimento da gama temática tratada em “Come on Pilgrim”, EP de 1987, que já tinha as clássicas “Caribou”, “Vamos” e “Ed is Dead”. “Surfer Rosa” só fez ecoar por mais tempo a genialidade da primeira gravação.

Embora não tenha sido um sucesso comercial, “Surfer Rosa” é normalmente incluído entre os álbuns favoritos da crítica musical, não somente dos anos 80, mas também como referência do Rock alternativo em todos os tempos. As distorções de guitarra, as lacunas silenciosas dentro das músicas, as sequências repetitivas de vocais e as mudanças de timbre de voz juntamente com as batidas de bateria, além das letras em espanhol, são motivos pelos quais a bolacha é habitualmente colocada nos principais top ten das revistas especializadas.

Visual da Capa de “Surfer Rosa”
Surfer rosa

Há, inclusive, muitos artistas da cena indie, incluindo Billy Corgan e PJ Harvey, que citam o álbum como fonte de influência. O próprio Kurt Cobain viria a admitir posteriormente, já no auge de sua fama, que “Surfer Rosa” fora uma fonte de inspiração para “Nevermind”. Tanto é verdade que contratou o próprio Albini para tentar captar a sonoridade do álbum dos Pixies para seu último disco, In Utero.

Músicas de um estilo mais pop como “Broken Face”, “Break My Body” e “Brick is Red” são acompanhadas por canções de ritmos mais lentos e de variação melódica, como “Where Is My Mind?.” Sinta a bateria desta música e compreenda o que foi dito anteriormente sobre o som peculiar dela.

Por outro lado, há espaço no álbum para processos musicais mais pesados, todos com a assinatura de Black Francis, o onipresente líder dos Pixies. Isso só não se reflete unica e exclusivamente na ótima “Gigantic,” que foi escrita em parceria com Kim Deal. Mas “Gigantic” não é só interessante por isso, ela dá início à troca de vocais da banda, pois é nela que ouvimos pela primeira vez o vocal principal de Deal.

Quanto aos assuntos abordados pode-se dizer que há de tudo o que não era natural para ser promovido num disco. Percebe-se uma influência de Devo no que diz respeito ao clima de causar impacto ao mesmo tempo em que há um desprendimento com o mundo e com a realidade, além de um gosto pelo diferente, pelo feio, por algo que não é popular. Esse conteúdo inclui falas sobre mutilação (“Break My Body” e “Broken Face”), incursões pelo universo HQ (“Tony’s Theme”), o voyeurismo (“Gigantic”) e as letras de caráter surrealista (“Bone Machine” e “Where Is My Mind?”).

Por fim, são feitas referências a Porto Rico nas letras em espanhol (“Oh My Golly!” e “Vamos”) e a narração de um preso em carta nada comum à sua amada (“Cactus”).

Até a capa do álbum surge de um processo incomum. Trata-se de uma fotografia em topless de uma conhecida da banda, em pose de dançarina de flamenco, em frente a uma parede com um crucifixo e um poster rasgado. Segundo Simon Larbalestier, que forneceu fotografias para todos os álbuns dos Pixies, a decisão sobre a capa foi meramente pelo fato de que “nós não conseguíamos encontrar a atmosfera natural que pretendíamos”. Daí foi feita uma compilação entre ideias de todos os integrantes da banda e tudo fora incluído numa só fotografia.

Portanto, “Surfer Rosa” reúne o que deve caracterizar um álbum clássico: boas referências, ótimas letras, conjunto melódico harmonioso, carisma, um pouco de loucura e muita atitude.

Ouça abaixo algumas das faixas inclusas no álbum “Surfer Rosa”:

Bone Machine

Break My Body

Broken Face

Gigantic

Cactus

OBS – Esse texto faz parte de uma seção do Blog que tratará apenas de álbuns de música clássicos. Isso deverá ocorrer uma ou duas vezes por mês.

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2 comentários em ““Surfer Rosa” é o álbum de excelência dos Pixies

  1. Wisllan disse:

    Bela analise, sem duvidas ,um dos melhores albuns que ouvi.Essa imersão psicológica que as musicas te passam, você se desprende de tudo o que e real.

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