Top Ten: Marchinhas de Carnaval

caranaval

Com a aproximação do Carnaval sobram cenas nos canais de tv das Escolas de Samba tanto no Rio de Janeiro como em São Paulo, aparecem muitas imagens dos Trios Elétricos da Bahia e Pernambuco e são inúmeros as propagandas sobre camarotes da marca x ou y.

Mas o que podemos captar, de fato nesse período, é um sem número de aparições de peças publicitárias, seja no abadá do turista do bloco de Salvador seja no patrocínio da cidade de Xeribimboca ao enredo da Escola de Samba Unidos do Mandaqui.

É claro e evidente que tudo, portanto, virou negócio. A antiga festa do povo se tornou uma ótima possibilidade de merchandising. Uma estupenda forma de se ganhar dinheiro.

Porém, seria inocência acreditar que ele não servia a este propósito mesmo lá atrás. Os bailes de Carnaval são de antes da época do onca e parece ser bem óbvio que nunca foram de graça, sendo muitos deles reservados apenas à alta sociedade.

Entretanto, havia um envolvimento da população em geral com o Carnaval de rua, dos blocos que passavam pelas principais vias de qualquer capital ou da menor cidade do país. Desde crianças até os mais velhos se preparavam para participar de bailes de fantasias ou apenas faziam sua máscara para sair à frente de casa. As pessoas se alegravam com uma simples marchinha de Carnaval.

Pois bem, cheguei ao ponto em que eu queria. Essas pequenas pérolas da música brasileira eram o ápice de qualquer manifestação em que a festa de Momo era o tema. Mas por que isso acabou?

Perda da inocência, tempos modernos voltados à individualidade ou simplesmente por que as pessoas se encheram daquele estilo de vida? Tem um pouco de tudo isso, mas também tem a ver com a participação ativa das grandes corporações neste período carnavalesco. Não há uma única pessoa famosa que não quer aparecer na Globo durante os desfiles. Desde a atividade na avenida como destaque até a amostra do ator bebum, tudo é marketing pessoal. Falem mal, mas falem de mim! Sacou?

As marcas de cerveja se estapeiam para conseguir patrocinar um camarote qualquer. Tem gente que patrocina até comercial para evitar acidentes nas estradas. O Carnaval não é para ser aproveitado, é para ser mostrado.

Mas por que não fazer um top ten relembrando estes velhos tempos em que as marchinhas guiavam as pessoas em qualquer baile noite adentro?

Eis então nossas dez marchinhas favoritas do Carnaval em todos os tempos:

Chiquinha Gonzaga – Abre-alas

Não há Regina Duarte que consiga tirar o glamour e a importância que Chiquinha teve para a música brasileira e para a participação da mulher nas artes deste país. Além disso, estamos falando de uma canção que narra o início do Carnaval, demonstra o fascínio da descoberta do amor, chora a perda, mas também joga tudo para o alto para aproveitar os quatro dias de folia. Perfeita, portanto. Abra alas para ela!

Carmem Miranda – Mamãe eu quero

O vídeo acima é com Carmem Miranda, nossa portuguesa mais brasileira e americana de todos os tempos, mas também teve interpretação famosa da saudosa Rosina Pagã, falecida recentemente.

Jorge Goulart – Cabeleira do Zezé

Jorge Goulart dá vida para essa composição de Roberto Faissal e J. Roberto. Um grande exemplo das músicas de duplo sentido totalmente inocentes que habitavam o imaginário popular da primeira metade do século passado.

Carlos Galhardo – A la la ô

Esse pequeno diamante de Haroldo Lobo e Nássara é interpretado neste áudio por Carlos Galhardo e sua voz potente. Há de tudo na marchinha: menção ao Oriente Médio (sem bombas), a água (ou a falta dela), o calor escaldante, além de um ótimo arranjo acompanhado de um coral magnífico.

Orlando Silva – A Jardineira

A música composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto teve muitos interpretes, mas nenhum com a cancha de Orlando Silva, vulgo, o cantor das multidões. Uma história triste, mas que passa despercebida por qualquer pessoa que a canta, já que a harmonia da melodia faz você quase não perceber o que está sendo cantado. O que vale mesmo é dançar no baile.

Aurora Miranda – Cidade Maravilhosa

“Cidade Maravilhosa” é uma marcha composta por André Filho e teve arranjo assinado por Silva Sobreira para o Carnaval de 1935. Aqui ouvimos a irmã menos famosa de Carmem Miranda dar uma cadência mais lenta à homenagem destinada ao Rio de Janeiro.

Ataulfo Alves – Ai que saudades da Amelia

Os autores Ataulfo Alves e Mario Lago normalmente são acusados de machismo quando é mencionada a Amélia da afamada música, mas as pessoas não se apercebem que o relato da canção é o último suspiro do homem durão, com saudades daquela que fazia tudo para ele. Ou seja, esta é uma crítica aos que pensavam que as mulheres eram apenas pacatas donas de casa. Simples assim!

Joel & Gaúcho – Aurora

A famosa dupla da era do rádio dá corpo a outro lamento macho composto por Mário Lago, desta feita em sociedade com Roberto Roberti. Também é interessante ouvir o arranjo muito bem realizados pelos músicos da época. Neste caso, feito sob encomenda para o Carnaval de 1940.

Heitor dos Prazeres – Pierrot Apaixonado

Uma ode ao saudosismo, um elogio do Carnaval de antigamente. Esta interpretação de Heitor dos Prazeres, para um programa da TV Cultura, faz do sucesso de Noel Rosa uma grande manifestação de irreverência e espontaneidade.

Celso Teixeira – Marcha da Cueca

Outro grande de irreverência nas canções de Carnaval é esta “Marcha da Cueca” interpretada por Celso Teixeira. Aliás, nos anos 70 ainda era bastante comum ter lançamento de álbuns com as principais marchinhas do ano num período pré-Carnaval. Portanto, quando chega a festa todo mundo já sabia as músicas de cor e salteado.

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