A Queda de um tal Eike Ostentação

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Dias atrás comentava com um amigo sobre algumas figuras dos bastidores da cena brasileira que são mais influentes pela sua capacidade de estar no lugar certo e na hora certa do que pelo poderio econômico ou político. Citamos Sarney, que hoje tem poderio político, mas que nem sempre foi assim, citamos ainda outros seres mal-fadados de nossa sociedade.

Depois pensei um pouco sobre Eike Batista e seu espólio conquistado na base da influência econômica, mas também com pitadas de amizades coloridas com o governo.

Neste caso, ainda há um componente adicional: Eike não queria apenas o poder financeiro, ele precisava ostentar isso, necessitava mostrar ao mundo. Tinha até como meta ser o homem mais rico do mundo e nunca escondeu isso de ninguém.

Então, o que é que deu errado? O que aconteceu no meio do caminho para que a meta não fosse cumprida?

Em “Ascensão e Queda do Império X” (Editora Nova Fronteira), o jornalista Sergio Leo, conhecido pelo seu trabalho no periódico “Valor Econômico”, analisa como o patrimônio de Eike Batista desabou de US$ 30 bilhões para pouco mais de US$ 200 milhões. Isso mesmo, não é nenhum erro com os números, o tombo teve esse tamanho mesmo.

Capa do Livro de Sergio Leo

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A convicção com que Eike mantinha seu desejo de ser a pessoa mais rica deste planeta teve seu auge em 2011, quando ele mesmo cravou isso. O que Leo faz é desvendar o quanto essa promessa parecia ser verdadeira e o quanto teve de empolgação nisso. Também esmiúça a ligação escusa entre as empresas do empresário e os governos do Rio de Janeiro e o Federal para que pudessem criar expectativas tão extravagantes. Foi atrás de planos de construção civil, de portos, de hotéis e tantos outros negócios que não faziam parte de seu conhecimento empresarial que parecia querer engolir tudo o que estivesse ao seu alcance.

O “Império X” (como é chamado seu conglomerado de ações) começou a desabar em 2012. Mas mesmo assim, até o início do ano passado, o empresário possuía a pecha de empresário próspero e símbolo do desenvolvimento financeiro de um Brasil em evolução. O governo se utilizava disso como propaganda política, inclusive.

Mas no mundo frio das bolsas de valores já havia quem pulasse fora dessa barca.

A crise passou a ter maior publicidade em julho de 2013, com o anúncio de que a Petroleira OGX não daria sequência ao desenvolvimento de três campos de petróleo e que interromperia a construção de cinco plataformas. Ninguém entendia nada, já que, até então, Eike só fazia comprar aqui e ali. Sergio Leo vai fundo nisso e demonstra como o império bilionário desmoronou diante dos investidores.

No livro, o jornalista examina as escolhas equivocadas (ou de puro exibicionismo) de Eike, como o modelo de premiação dos seus executivos, e expõe as jogadas de marketing e a omissão das más notícias. Nesse ponto deixa claro como o mercado não perdoa tais erros.

Uma ótima pesquisa jornalística, e até histórica, sobre o momento econômico de nosso país e das escolhas de um personagem que estava no lugar certo e na hora certa por muito tempo, mas que foi corrompido pelo desejo de aparecer demais. Uma projeto de poder que não deu certo, aparentemente, pela necessidade de ostentar e se manter entre os grandes muito maior do que fazer bons negócios empresariais. Há lições para todos os gostos: aprendizagem financeira, política e até filosófica.


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