“Power, Corruption & Lies” é a guinada do New Order para o que conhecemos hoje da banda

New order

O álbum “Power, Corruption & Lies” é o segundo álbum de estúdio do New Order, lançado em 1983.

O grupo ainda tentava se desfazer das comparações com o Joy Division, mas já promovia uma nova tendência musical para sua identidade.

O New Order fora formado logo depois do suicídio de Ian Curtis em maio de 1980 e tinha na sua origem Bernard Sumner (vocais, guitarra e sintetizadores), Peter Hook (baixo e sintetizadores) e Stephen Morris (bateria, bateria eletrônica e sintetizadores), todos remanescentes do Joy Division, com a adição de Gillian Gilbert (guitarra, sintetizadores). A própria ideia do nome deveria soar como um ressurgimento, uma ressurreição da banda.

Eles chegaram a causar certo burburinho com o lançamento, em 1981, do álbum Movement, mas o grupo seguiu fazendo experimentações que foram sendo detectadas pelos fãs, e principalmente pela crítica especializada, durante os próximos dois anos, caso exemplar de “Temptation” de 1982.

Daí, em 1983, com claras referências musicais a Giorgio Moroder, Kraftwerk e Devo, além de uma tendência pós-punk já demonstrada por outros grupos britânicos, lançam a extraordinária “Blue Monday”, single que precede “Power, Corruption & Lies”
e que seria o maior sucesso comercial da banda (mais ainda quando foi relançado em 1987, tornando-se o single mais longo a chegar ao topo da parada daquele país).

Este impulso foi imprescindível para que o segundo álbum dos caras pudesse ultrapassar as barreiras da música que ainda estava sendo feita no Reino Unido.

Uma das características marcantes presentes em “Power, Corruption & Lies” é a maneira como foi realizada essa transição da obscuridade do Joy Division (e que ainda aparecia em “Movement) para uma proposta musical mais clean, mais dançante.

É a partir desse momento que os temas sombrios, depressivos, e os arranjos atmosféricos dão lugar a uma união equilibrada entre o pós-punk, o experimentalismo eletrônico e os ritmos mais empolgantes melódicos.

O New Order entra de vez no mainstream britânico e se consolida como um dos pioneiros do Dance rock.

Formação Original do New Order:
08_mhg_neworder

Algumas das canções deste disco lançaram a estrutura do som techno dos anos 2000. A faixa “586”, assim como “Blue Monday” anteriormente, por exemplo, baseia-se nos experimentos com programação rítmica do baterista Stephen Morris. Ele já tinha feito isso com um outro experimento musical chamado “Hacienda” ou “Prime 5-8-6”. Outra curiosidade por trás dessa gravação é que ela foi incluída em 1997 num CD single rebatizada com o nome “Video 5-8-6”. A potência sonora dessa canção possui o tradicional ritmo “bate-estaca”, já produzido pelo Kraftwerk desde o “Trans-Europe Express” em 1977.

Outro hit do álbum, a música “Your Silent Face”, possui um arranjo claramente inspirado no próprio “Trans-Europe Express” e, por esta razão, o New Order a apelidou de “Kraftwerk One (KW1)”.

Mas, há no disco também, a pujança do instrumento de Peter Hook, o baixo. É através da batida característica do músico que “Age of Consent” sobrevoa nossos ouvidos. “We All Stand” faz mais o estilo viajandão e ambiental do Joy Division e a pulsante “Ultraviolence” que mostra na letra, e no vocal de Bernard Summer, o que se sentimos na pele quando estamos apaixonados:

“Who felt those cold hands
Who felt those cold hands
Touch my skin
Deep within
Burn my soul
Fell to the ground
Where I was found
All those years ago
All those tears ago
All those years ago”

A instrumental “Ecstasy”, “The Village” com sua frase inicial “Quando uma nova vida te afronta, e a noite se torna uma enseada, nós permaneceremos para sempre” são outras duas músicas com peso melódico indicando novos rumos para o cruzamento entre o rock e o eletrônico.

Finalmente, a profunda “Leave me Alone” fecha o disco com a seguinte visão do mar, das pessoas, da neve:

“On a thousand islands in the sea
I see a thousand people just like me
A hundred unions in the snow
I watch them walking, falling in a row
We live always underground
It’s going to be so quiet in here tonight
A thousand islands in the sea
It’s a shame”

No ano de 1989, a revista Rolling Stone encaixou “Power, Corruption & Lies” na posição 94 da sua lista dos “100 Melhores Álbuns dos Anos 80”. Entretanto, em 2012, a revista Slant (Estados Unidos) colocou o álbum no 23º lugar entre os álbuns do mesmo período.

Já em 2010, a capa do disco (com suas flores características) foi homenageada pelo serviço postal do Reino Unido com a tiragem limitada de um selo comemorativo que fazia parte de uma leva de 10 outros selos em homenagem a “10 álbuns clássicos do Rock britânico”.

Capa do Álbum:
power-corruption-and-lies-W320

Lista das músicas de “Power, Corruption & Lies”

1. “Age of Consent”
2. “We All Stand”
3. “The Village”
4. “586”
5. “Your Silent Face”
6. “Ultraviolence”
7. “Ecstasy”
8. “Leave Me Alone”

Age Of Consent

Ultraviolence

Ecstasy

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Um comentário em ““Power, Corruption & Lies” é a guinada do New Order para o que conhecemos hoje da banda

  1. larissa arcoverde disse:

    legal

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