Out of Time: O álbum que fez o R.E.M. perder o medo de ser grande

out of time

O R.E.M. já tinha o respeito dos críticos e uma boa quantidade de fãs. Mas ainda migrava entre as rádios alternativas americanas e os festivais mais independentes do país.

Os lançamentos desde “Radio Free Europe”, em 1981, pela gravadora independente Hib-Tone colocavam a banda de Athens, Georgia, num mundo underground. Após este single, veio o EP Chronic Town, em 1982, o primeiro lançamento da banda pela I.R.S. Records; em 1983, o groupo lançou o primeiro álbum de estúdio, Murmur, construindo sua reputação com as ótimas composições e os riffs de guitarra característicos.

Após isso, o single “The One I Love”, de 1987, alçou o grupo a voos maiores. Até assinou com a major Warner Bros. Records no ano seguinte, com uma guinada de suas letras ao assunto da preocupação política e ambiental.

Mas daí, veio o ano de 1991, a febre do grunge com Nirvana, Mudhoney, Soundgarden, Alice in Chains e Pearl Jam, a acidez melódica de “Blood Suggar Sex Magic” do Red Hot Chili Peppers, a estridência vocálica do álbum duplo dos Guns’n Roses, além da domesticação do álbum preto do Metallica. Estávamos num ano mágico para a música. E o R.E.M. não ficou de fora desse momento histórico.

O grupo formado por Michael Stipe (vocal), Peter Buck (guitarra), Bill Berry (bateria) e Mike Mills (baixo) aproveitou o instante perfeito para lançar “Out of Time” e entrou de vez no mainstream americano e mundial. Um disco forte, cheio de letras que abusavam de ilustrações e figuras de linguagem, além de um movimento sensorial único de sua cozinha sonora.

A guitarra e o uso de experimentações instrumentais de corda realizadas por Buck (violão clássico, bandolim, violão folk) deram a tônica necessária para formar um padrão para o som dos rapazes naquele instante de ruptura de suas carreiras.

A bateria de Bill Berry militava entre a suavidade e o duo perfeito com o baixo de Mike Mills, além da voz de Stipe funcionando com um catalizador do sofrimento de seu timbre em conjunto com a necessária interpretação de suas próprias composições.

Pronto, tínhamos um clássico desde o final da gravação dessa pérola dos anos 90.

Além disso, estamos falando de um álbum que fugia dos padrões estabelecidos pelo grupo no que havia sido feito até por eles.

Há de tudo, participação especial de Kate Pierson (B52’s) na alegre e quase new wave “Shiny Happy People”, um flerte com o rapper KRS-One em “Radio Song” e as experimentações de vários tipos de violões, já mencionadas, no super hit “Losing my Religion”.

Mas não é só isso. O R.E.M. conseguiu emplacar nada menos do que oito vídeos na programação da MTV, ótima quantidade num tempo em que havia a concorrência já citada anteriormente.

Houve a consagração com o recebimento de 6 prêmios Grammy, além da mundança de patamar da banda para shows em enormes arenas ao redor do mundo.

Apesar disso, o som mais próximo do pop, revoltou alguns fãs extremistas do grupo americano, o que causou um retorno ao som mais alternativo deles no álbum posterior, “Automatic of the People”, igualmente clássico, mas por outras razões.

Além das músicas descritas anteriormente, também há de se destacar “Near Wild Heaven”, outro single do disco que foi a primeira canção co-escrita e cantada pelo baixista Mike Mills. Ele dividiu com Stipe a responsabilidade das letras, “Half a World Away” e “Texarkana” são outras pérolas de “Out of Time”.

O LP também passeia pela soturna “Low”, além de “Country Feedback”, “Endgame” e “Belong”.

Independente disso, o álbum funciona muito bem se ouvido do início ao fim, um processo de degustação leve e acústico, se comparado com qualquer outro disco deles.

Enfim, a banda conseguiu surpreender fãs e crítica ao lançar um disco muito diferente de tudo o que foi feito no mesmo ano. Inclusive, Buck havia dito não querer gravar guitarras por algum tempo, e mesmo assim, foi o disco que mais vendeu no mundo todo (perto de 10 milhões).

“Out of Time” ficou em primeiro lugar na América e Reino Unido e isso perdurou por algumas semanas desde o seu lançamento, dia 11 de março de 1991.

Lista em ordem de gravação de “Out of Time”:

1. “Radio Song” – 4:12
2. “Losing My Religion” – 4:26
3. “Low” – 4:55
4. “Near Wild Heaven” – 3:17
5. “Endgame” – 3:48
6. “Shiny Happy People” – 3:44
7. “Belong” – 4:03
8. “Half A World Away” – 3:26
9. “Texarkana” – 3:36
10. “Country Feedback” – 4:07
11. “Me In Honey” – 4:06

Losing My Religion

Shiny Happy People

Radio Song

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