Somos todos macacos (e se isso gerar lucro, melhor ainda)

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Hoje em dia há campanhas e memes que se espalham pela internet de forma torrencial e são normalmente chamados de virais.

São essas manifestações que são acolhidas pelas pessoas via rede social e convencem a nós de que existe, mais do que nunca, uma manipulação de qualquer coisa dependendo de quem se apossa delas.

No último dia domingo (27) aconteceu mais um ato de racismo nojento, como já é costume em alguns campos da Espanha, desta vez contra o atleta brasileiro Daniel Alves. Nada que também não acontece por aqui também, aliás.

O jogador do Barcelona já havia vivido algo parecido há alguns dias quando membros de sua própria torcida imitaram macacos ao verem passarem em sua frente os jogadores negros do time catalão. Vê-se por aí que o preconceito racial é uma problema endêmico no país do Rei Juan Carlos.

Desta última vez, houve um idiota que lançou uma banana em direção de Daniel quando este iria cobrar um escanteio. O jogo acontecia no Estádio do Villareal, na província de Castellon.

Nada de novo na atitude absurda do torcedor. A novidade desta vez foi a reação do discriminado: Daniel pegou a fruta e a comeu. Ainda depois do jogo, mencionou que a banana o ajudou, pois ela dá energia e ele precisava disso para cobrar os escanteios e auxiliar sua equipe na vitória. Um tapa com luva de pelica na cara desses racistas.

A imagem rodou o mundo e outros jogadores (como Neymar, por exemplo) postaram fotos no Instagram com a fruta na mão. Pronto! estava iniciado o próximo viral de sucesso no mundo inteiro.

Incluíram a hashtag somostodosmacacos à ideia e se tornou febre na rede mundial de computadores.

Mas wsempre há um porém.

E sempre há quem se aproveite de uma ideia original, bacana para tirar proveito da imagem que isso pode render.

A situação chegou ao Brasil e logo o aproveitador de situações Luciano Huck postou uma foto em sua página do Facebook, ao lado da esposa Angélica, com uma banana na mão.

A imagem de família linda já é repetida tantas vezes pelo casal que parece comercial de margarina tamanho é a espontaneidade deles. Seus quadros de programa em que se apodera da situação deplorável do ser humano para ganhar pontos de audiência também não são novidade.

A questão, porém, ganhou mais um capítulo dessa vez. Mal estava sendo digerido pela mídia o acontecimento envolvendo Daniel Alves já havia no site do apresentador camisetas sendo vendidas com os dizeres “Somos Todos Macacos”. Rápido hein!

Luciano, normalmente, tem uma horda de baba-ovo que o defende com unhas e dentes em todas as polêmicas em que ele se envolve, sempre apelando para sua alma filantrópica. Mas, desta feita, isso não foi possível.

As reações foram, no mínimo, de nojo contra a estrela da Globo, o que manchou muito uma campanha, que no começo era séria e espontânea.

A necessidade de se demonstrar a repugnância que é o racismo, o preconceito e a discriminação em qualquer nível e de qualquer forma se faz presente num mundo em que a luta de classes e a intolerância tomam conta dos fóruns de debate, mas se aproveitar disso para ganhar dinheiro é mais sujo ainda.

Espera-se que as pessoas abram bem o olho para tais formadores de opinião que, na verdade, querem apenas formar mais dinheiro em torno de si. Isso é sério e faz a gente perder mais ainda fé na humanidade.

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Libertines preparam revival em Hyde Park

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A lendária banda criada em 1997 e envolta em polêmicas e barulho desde então tem um futuro.

Pete Doherty e Carl Barât afirmaram na página oficial dos Libertines no facebook: “É oficial… O bom navio Albion está se preparando para zarpar mais cedo do que vocês pensavam. Nós vamos ser a atração principal do BST Hyde Park, em 5 de julho, [e teremos] como convidados especiais Pogues, Spiritualized, Maximo Park, The Enemy e um monte de outras grandes bandas”.

A formação original do grupo inglês será o show de encerramento do festival British Summer Time, que se realiza em Hyde Park, parque localizado no centro de Londres, e sede de alguns dos maiores shows de algumas das melhores bandas de todos os tempos.

Foi lá, por exemplo, que os Rolling Stones fizeram uma de suas mais famosas apresentações.

Vista aérea do Hyde Park
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O texto incluído na rede social ainda informa que os moradores da capital britânica devem se preparar para o evento de “um verão sangrento”. “Os ingressos estarão à venda em 2 de maio, mas vocês podem garantir a compra antecipada a partir de segunda-feira (28). Caras – isso está acontecendo”. Parece que estão empolgados, afinal.

Já faz alguns dias que há um burburinho sobre o retorno da banda. O próprio Doherty, muito sincero, disse: “Não muito tempo atrás, ouvi Libertines no YouTube e tive uma explosão de nostalgia (…), e depois eles me disseram quanto vão nos pagar [pelo show], e não posso mentir para você, eu não poderia dizer ‘não’, ao menos no meu atual momento”, admtiu o músico.

Esse clima de nostalgia e necessidade de pagar as contas pode ser boa para os fãs ingleses, mas nada indica que uma turnê maior se realizaria.

A última vez em que o Libertines reuniu os quatro membros originais para tocar ao vivo aconteceu em 2010, nos festivais de Reading e Leeds. Na época, o jornal “The Guardian” informou que o cachê foi de 1,5 milhão de libras (cerca de R$ 5,6 milhões) pelas apresentações.

O Libertines foi fundado por Barat e Doherty em Londres em 1997, e começou a ser celebrado pela imprensa britânica em 2002, após uma série de shows com grupos como Strokes e Vines. Seu primeiro single foi produzido por Bernard Butler (do Suede).

Após inúmeros problemas com drogas e bebedeira o grupo se desintegrou em 2005. Doherty se envolveu com inconstante grupo Babyshambles, mas as reuniões dos Libertines têm acontecido de vez em quando desde então.

Abaixo, um vídeo dos Libertines em outro revival, no Reading Festival:

Centro de Cultura Judaica: opção cultural e histórica em São Paulo

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Quando se vive numa cidade grande há sempre muitas possibilidades culturais.

O fato de se viver numa cidade cosmopolita como São Paulo faz se multiplicar essa gama de opções.

A questão é que o município paulista ainda sofre de um mal enraizado no Brasil: o fato de não ter em seu âmago uma cultura de memória.

O problema é sério, pois se trata de um local inventado e construído com cidadãos de todo o país e, por consequência, de todo o resto do mundo. Há uma mistura de etnias, uma multiplicidade de pensamentos e de uniões de todas as regiões do globo, coisas que até desmentem conflitos de convivência existentes em outras praças.

É óbvio que aqui não se quer enfiar na cabeça alheia de que o preconceito não exista, de que a discriminação não está aí na nossa cara e de que o abismo entre as classes não é evidente. O que se percebe, por outro lado, em São Paulo, é um desperdício dessa geração multifacetada de cultura.

Há um sem-número de museus, centros culturais e casas voltadas para a arte e para a história em nossa cidade, mas o diabo é que a divulgação é falha. Por conta da falta de empolgação dos governos em mencionar essas possibilidades, muito em razão de não se preocuparem com uma cidade voltada para o turismo cultural.

Portanto, quando falamos de locais como o Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, todos os Sescs, o Centro de Cultura Nordestina, há muito o que comemorar.

Outros locais como o Centro de Cultura Japonesa e o Centro Afro-brasileiro tentam se manter sozinhos, pelas suas próprias forças, além de outros museus como o MUBE e o MIS que tiveram uma impulsão maior nos últimos tempos, fruto de inteligência própria e criatividade.

É difícil, então, ser um centro de cultura nessa cidade, mas é importante mencionar esses oásis existentes por aí.

Nesse sentido, há um local interessante por ser visitado, especificamente. É o Centro de Cultura Judaica, que só pelo tema já seria uma visita relevante, mas o cuidado com o qual é tratado por sua curadoria impressiona e faz dele um lugar onde se deve pisar pelo menos uma vez, nem que seja pela curiosidade.

A casa foi fundada por Leon Feffer (empresário ucraniano, radicado no Brasil) em 1964, sob a denominação Casa de Cultura de Israel, mas ficou mais famoso com o nome de Centro da Cultura Judaica anos depois. Ele é o resultado de mais de 35 anos de trabalho para divulgar a cultura e fortalecer os laços entre a comunidade judaica e brasileira.

Fachada do Prédio do Centro
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Acabou, com o tempo, por se tornar um espaço de referência e convivência, e fez questão de ser aberto ao público para oferecer eventos de música, teatro, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia, dança e educação.

A difusão do patrimônio cultural judaico e suas raízes é, obviamente o cerne de sua atuação, e propagação da cultura de paz e a coexistência e respeito entre os povos através das atividades de interatividade, reflexão e aceitação entre as diferentes culturas é um proposito maior.

Não se trata de um local de divulgação da religião judaica, mas sim de uma cultura milenar, quase extinta pela constante perseguição e dizimação dos povos judeus através dos tempos.

Visitas monitoradas para escolas
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A sede do centro cultural tem o mesmo formato desde abril de 2003, num moderno edifício de 5.000 metros quadrados, projetado pelo arquiteto Roberto Loeb, Sua arquitetura faz referência ao pergaminho da Torá, o texto central do judaísmo.

Mais de 60.000 pessoas visitam anualmente o Centro da Cultura Judaica, sendo mais de 10.000 alunos de escolas públicas e privadas e 8.000 que frequentam os mais variados cursos sobre a história e cultura judaica.

Vale lembrar que há visita monitorada no interior do museu e existe a possibilidade de solicitar transporte gratuito para escolas do município e adjacências.

Uma ótima opção dentro de uma São Paulo que precisa rever seus conceitos sobre sua historicidade, pois essa cidade pertence a todos os povos, a todas as culturas. A necessidade de se ter uma memória mais ativa promove uma melhor construção dos alicerces para uma metrópole mais justa no presente e mais agradável de se morar no futuro.

Serviço:

Centro de Cultura Judaica
Rua Oscar Freire 2500 – Sumaré
Telefone: 3065-4333 – 3065-4355
Site: http://www.culturajudaica.org.br
Email: culturajudaica@culturajudaica.org.br

Hoje é o dia internacional do livro: comemore lendo!

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Há inúmeras maneiras de se celebrar o dia de alguma coisa: no dia internacional da mulher é necessário que haja uma conscientização quanto ao papel do sexo feminino e de sua importância no mundo de hoje; quando se trata do dia da Terra (como foi ontem) é imprescindível analisarmos o que estamos fazendo em prol de um futuro melhor para o nosso planeta; no dia internacional da água o uso correto é uma maneira de demonstrar nossa comemoração.

Porém, quando se trata do dia internacional do livro, não há outra forma de demonstrar nosso amor por esse suporte de magia do que lendo.

Um livro na estante, um livro no armário não serve para nada. É figura morta, é uma sombra do que ele realmente significa.

Portanto, ler é a melhor homenagem que se pode fazer ao livro. Realizar uma leitura de algo novo, buscar no fundo da biblioteca aquele livro que você leu quando era jovenzinho ou finalmente ter coragem de enfrentar aquele texto que você achava impossível de compreender. São estas as formas de celebrar um dia que não é tão lembrado como deveria ser.

No Brasil, por exemplo, é um trabalho árduo para professores, bibliotecários e outros formadores de opinião acerca do livro, fazerem com que os novos públicos se encantem pela leitura.

E esse brilho nos olhos alheios quando o livro os cativa precisa ser mais difundido. O governo se preocupa muito com o letramento, com a alfabetização infantil, mas não prossegue com o trabalho de proporcionar uma leitura prazerosa a quem acabou de aprender a ler.

Buscar um mundo novo, histórias novas, personagens cativantes, antagonistas que tiram nossa respiração e descrições de lugares e imagens impressionantes são modos de ver a vida de um ângulo que até então não era possível para o novo leitor.

A visão de mundo, o esticamento do que se entende por vida, por universo acaba por ser confrontado pela infinidade de leituras que será feita a partir dali.

Para comemorar o dia, o blog fez uma lista de cinco livros que podem cativar o leitor e fazê-lo ir à procura de outras leituras. É esse o papel do livro. Multiplicar sua necessidade de ler, conhecer, criticar e discutir.

Boa leitura!

Cem Anos de Solidão- Gabriel Garcia Marquez

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Infelizmente Gabriel Garcia Marquez nos deixou na última semana, mas o gostoso da leitura dos livros é isso. Sua obra é imortal desde que saiu de suas mãos. A história que passa por gerações e que nos convida a entrar num mundo mítico nos confins da América do Sul é algo que comove, mas que também intriga. A escrita do autor perpassa por problemas familiares e realismos fantásticos com a mesma naturalidade e cativa o leitor gradualmente. Leitura necessária, mesmo diante da dificuldade em algumas passagens que se mostram mais complexas para olhos mais juvenis.

Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa

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“O diabo no meio da rua, no meio de redemunho”.

É assim que se inicia a clássica obra do médico mineiro. De fato, não é um livro para iniciantes. Trata-se de uma história confusa, pois se apodera de elementos linguísticos criados pelo autor para contar a saga de Riobaldo em busca de vingança. As idas e vindas no enredo e os encontros com personagens quase misticos, além da relação do protagonista com o enigmático Diadorim é das coisas mais intrigantes que vocÊ irá ler em sua vida. Leitura obrigatória para qualquer ser humano.

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

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Imagine você que no florescer do Espiritismo realizado por Allan Kardec um autor brasileiro seja espirituoso o bastante para cunhar um título de livro assim. Pois é, a fina ironia e o sarcasmo empregados por Machado de Assis não tinham limite. Ou tinham e é impossível de imaginar onde eles terminam. Há outros títulos como “Dom Casmurro” ou “Quincas Borba” que poderiam figurar aqui nessa lista, mas a história contada pelo defunto recém passado para o outro lado sobre sua vida chinfrim é uma das coisas mais belas que já surgiu na literatura mundial. Trata-se de um libelo à vida, mas também um indicativo de que uma obra pode ser fantástica mesmo que sendo a descrição de um anti-herói que não tem nada de mais para nos contar. O que vale não é o que, mas como.

Crônicas de Gelo e Fogo – George R.R. Martin

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Reserve alguns meses de sua rica vida para ler os cinco volumes da saga (que ainda não acabou) inventada por Martin. Não se trata apenas de ler, mas também de saborear essa que foi considerada “O Senhor dos Anéis” para adultos por algumas revistas especializadas quando de seu lançamento. O universo criado pelo autor tem e tudo, é cheio de magia, infestado de ótimos personagens, possui aparências mais do que simplórias com nosso mundo real e demonstra o que acontece quando o poder chega às mãos de qualquer um. A escolha por fazer cada um de seus personagens narrar um capítulo diferente também é interessante e essa visão de cada fato nos faz raciocinar devagar cada fato que acontece. Depois de ler também deve-se separar outro tempo para comparar a saga do livo com a história contada na série televisiva. Vira vício!

“A Odisseia” – Homero

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É claro que tudo se inicia com “Ilíada”, mas é impossível não se apaixonar com a aventura de Ulisses de volta à sua casa. Os perigos enfrentados por ele para chegar a Ítaca e os enfrentamentos contra deuses, titãs e outras criaturas têm, incrivelmente, seu ponto alto quando precisa lutar contra outros meros mortais que querem sua mulher e seu trono. A influência dos seres superiores ainda é bastante notada na obra, mas já se vê o idealismo e a necessidade por autonomia tomarem conta do espírito humano. O texto é muito bem narrado e não se deixa levar pelo heroísmo do protagonista, pois mostra seus defeitos, suas fraquezas e sua gana pelo poder. A história é nada mais nada menos do que o ponto de partida para todas as aventuras criadas desde então, portanto, não perca essa odisseia por nada nesse mundo.

Homero, Sheherazade, Poe e o Incrível Hulk

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Não é segredo para ninguém a importância de “As Mil e Uma Noites” para a história da literatura mundial. Também não é nenhuma situação secreta que o conjunto de contos orientais é considerado um dos primeiros relatos criativos escritos pelo homem naquela região do globo.

Mas é necessário salientar a ruptura que há entre a literatura dramática realizada pelos autores gregos, explicitamente Homero, com a “Ilíada” e “A Odisseia”, e as obras aventurescas da região oriental. Isso é imprescindível para a explicação da historiografia literária mundial já que percebe-se por meio desta análise que a hierarquização de deuses e humanos não acontece com os contos fantásticos do oriente médio, logo não há uma subserviência na menção aos seres superiores.

A Odisseia – Homero
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Além disso, há um sentido narrativo diferenciado nos contos maravilhosos de “As Mil e uma Noites” que não se nota na tragédia e nos textos épicos gregos: desaparece a narração oculta de Homero e surge a narração na pessoa de Sheherazade. Sua fala traspassa todos os contos e interfere, não de um modo prático, mas de uma maneira retórica.

É através de sua oratória que a magia dos contos de Ali Baba, Aladim e Simbad são traduzidos para o sultão, e por consequência, ao leitor. A capacidade de contar histórias se torna uma arma e esse poder passa a ser compreendido através dos tempos.

A narração de “As Mil e Uma Noites” é informal, no sentido em que conta um fato como se este estivesse sido contado por outro alguém, mas é quase presente pela detalhação de descrições infinitas dos lugares onde se passam as histórias.

As Mil e Uma Noites
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Os personagens são simples, mas o que é descrito ao passar dos inúmeros contos te aproxima de cada um deles, sejam bons ou ruins.

Eles se tornam humanizados, mesmo que estejam de um ou outro lado da batalha e os gênios possuem falhas assim como os meros homens e mulheres das mesmas histórias.

Deste modo, quando há uma comparação entre a literatura grega inicialmente conhecida e a literatura do oriente médio logo se contrapõem aspectos importantes: enquanto na primeira há uma necessidade de explicar tudo por conta da influência e da decisão dos deuses sobre a alma e o destino humano é na segunda que esse destino se desvencilha da participação divina e as coincidências e as escolhas dos homens se tornam senhoras de nosso futuro. Nós estamos no controle, até mesmo para errarmos.

É claro que a literatura grega vai continuar influenciando a escrita humana por milênios até os dias atuais, vide Shakespeare, Machado de Assis ou Bram Stoker, mas não há como negar que a decisão de impor o destino às escolhas de nós próprios faz com que a literatura oriental seja reverenciada.

E a demonstração da narração realizada em “As Mil e Uma Noites” comprova a força de se contar histórias e a forma como ela se dá favorece (ou não) a atenção de quem a lê, vê ou ouve.

E foi com a ideia de pesquisar para este post que encontrei uma relíquia do cinema dos anos 80.

A MGM deixou (não se sabe como) o diretor e roteirista Enzo G. Castellari filmar o longa “Simbad e os Sete Mares”.

Na verdade, este Simbad não faz parte da versão conhecida de “As Mil e Uma Noites”, é sim, uma história escrita por Edgar Allan Poe, que no fim de sua mal-fadada carreira, já destruído pelo alcoolismo e pela tuberculose, resolveu recriar algumas aventuras de personagens advindos da obra original árabe. É deste intuito que Poe escreveu esse “Simbad” e foi com essa intenção que Castellari quis filmar a película.

Ora, se a própria obra do corvo não era das melhores coisas realizadas por ele imagine o que aconteceria ao ser transportada para a tela grande.

Primeiro, estamos falando de uma péssima escolha de atores: Lou Ferrigno, Alessandra Martines e John Steiner são alguns dos atores que participaram da enrascada e suas atuações não ajudam em nada para que o filme seja salvo de alguma forma.

Talvez, se o espectador assistir à obra a fim de analisar o produto cômico que se tornou o filme seja mais prazeroso conseguir aguentar os 79 minutos mal dirigidos, pessimamente representados em seu figurino e com cenários horrorosos.

A decisão de se colocar uma menininha para ouvir a história contada pela mãe é outro ponto hilário e a interpretação de ambas é tão ruim que acaba por levantar suspeitas da verdadeira intenção do autor em realizar algo tão terrível.

A versão dublada seguiu o padrão da original e o que se vê um descompasso eterno entre o que fala o ator em inglês e o que o dublador fala. Há um hiato de quase dez horas entre o fechar da boca de qualquer pessoa e sua fala.

Por fim, a eterna visão do incrível Hulk na pessoa de Lou também ajuda na comicidade da história do marujo, sua tripulação, do califa e das infinitas aventuras pelos sete mares. Mas aventura mesmo é conseguir terminar de assistir a este filme.

Abaixo, veja o filme completo:

Pitacos antes do feriado: tem especial com o Afghan Whigs, disco novo do Parquet Courts e “otras cositas más”

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O feriado vem aí e a maluquice das pessoas por viajar também.

Tem de tudo e mais um pouco. É gente saindo já de manhã para pegar a estrada, povo alucinado para comprar ovos de páscoa para alimentar um país inteiro e outros preocupados em se trancar em casa para consumir todo dvd possível durante os quatro dias da semana santa.

Mas não podemos perder a cabeça, pois tem muita coisa boa saindo por aí no mundo da música.

Ontem, por exemplo, a rádio preferida do blog, a KEXP de Seattle, fez um bate-papo ao vivo com a queridíssima banda Afghan Whigs no tradicional momento pocket show de aproximadamente 30 minutos.

A conversa se baseou mais no lançamento de “Do the Beast”, o sétimo disco da banda, pelo selo Sub Pop, a curiosidade sobre a apresentação no Coachella semana passada e a respeito da turnê em Boston, Nova York e Baltimore, no próximo mês (aliás, sold out).

Diante de tanta coisa legal a respeito da banda de Greg Dulli somente uma notícia ruim: vai mal das pernas a venda para os shows do Brasil no mês que vem, dia 22 em São Paulo e 23 em Porto Alegre. Perigo até de não haver apresentação se o negócio não andar. Será?

A apresentação completa da banda para a rádio KEXP você vê aqui:

Quem também fez um mini-show para uma emissora americana, a rádio californiana KCRW, foi o Cage the Elephant.

Na session que rolou ontem o set pendeu mais para as músicas que rolaram aqui no Lollapalooza do início do mês e que serão tocadas amanhã no Coachella Festival (todo mundo do cenário indie está por lá hein).

Atualmente, a empolgação do grupo de Kentucky vem do fato de que o álbum “Melophobia”, do ano passado, tem feito muito sucesso nas rádios alternativas americanas e os shows, tanto lá como cá, tem recebido inúmeros elogios.

Confira um pedaço da apresentação na rádio KCRW abaixo (a session completinha você vê aqui http://www.kcrw.com/music/programs/mb/mb140416cage_the_elephant):

Outra banda predileta do blog, o Parquet Courts, também na programação do festival de Indio, California, aparece com novidade de lançamento.

Os caras do Brooklyn, Nova York, vão aproveitar o sábado (19) do Record Store Day (mais informações no post de ontem) para soltar um single novo.

A pedrada se chama “Sunbathing Animal” e será também o nome do segundo álbum do grupo influenciado por Fugazzi e Gang of Four, com saída prevista para junho.

Abaixo, veja o clipe da música:

Então é isso. Se houver alguma novidade durante o feriadão o blog sai de seu recesso e dá seus pitacos sobre o mundo da cultura, mas se nada acontecer por esses dias desejo a todos um ótimo descanso.

Até segunda-feira!

Green Day libera nova faixa para impulsionar o Record Store Day

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A banda de Billie Joe Armstrong está para lançar uma série de 18 demos gravadas durante a produção da trilogia “¡Uno!”, “¡Dos!”, “¡Tré!”.

O nome da compilação é “Demolicious”, e estará disponível para o público em geral a partir do dia 19 de abril, propositalmente para comemorar o Record Store Day.

O disco será lançado em CD, fita cassete e vinil transparente ou vermelho, além de trazer uma versão acústica de “Stay the Night”, do álbum “¡Uno!” e a inédita “State of Shock”, divulgada domingo no Youtube da banda. Esta faixa você ouve logo abaixo:

O Record Store Day é uma celebração internacional realizada por gravadoras, produtoras e distribuidoras independentes em conjunto com lojas de discos, com o intuito de impulsionar a cultura da atividade musical fora das grandes corporações.

Parece que o movimento não pegou muito por aqui no Brasil. Aliás, ninguém vai salvar a indústria independente musical desse país?

Voltando ao assunto: por lá, principalmente nos EUA, há sempre embaixadores para movimentar a venda de produtos ligados aos independentes. Já tivemos os membros do Metallica fazendo esse papel, o R.E.M., Bruce Springsteen, e agora os meninos do Green Day.

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Sempre há a catalogação de alguns álbuns especiais lançados nessa época (mais precisamente o terceiro sábado do mês de abril) para a venda ao público geral.

Já saiu muita coisa boa envolvendo Devo, John Lennon, The Doors, Lady Gaga, Duran Duran, Gorillaz, entre outros, quase sempre tratando-se de sobras de estúdio ou versões diferentes de músicas já existentes dos artistas citados.

O negócio teve seu início em 2009 e a lista de artistas participantes só cresce. A de 2014 já virá recheada de lançamentos de raridades dos Allman Brothers, Dave Alvin and Phil Alvin, Bastille, David Bowie, Broken Bells, Creedence Clearwatter Revival, Fleetwood Mac, além do próprio Green Day, entre outros.

O set completo das lojas (virtuais, inclusive) participantes do Record Store Day está disponível no site do evento: http://www.recordstoreday.com/Venues