Centro de Cultura Judaica: opção cultural e histórica em São Paulo

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Quando se vive numa cidade grande há sempre muitas possibilidades culturais.

O fato de se viver numa cidade cosmopolita como São Paulo faz se multiplicar essa gama de opções.

A questão é que o município paulista ainda sofre de um mal enraizado no Brasil: o fato de não ter em seu âmago uma cultura de memória.

O problema é sério, pois se trata de um local inventado e construído com cidadãos de todo o país e, por consequência, de todo o resto do mundo. Há uma mistura de etnias, uma multiplicidade de pensamentos e de uniões de todas as regiões do globo, coisas que até desmentem conflitos de convivência existentes em outras praças.

É óbvio que aqui não se quer enfiar na cabeça alheia de que o preconceito não exista, de que a discriminação não está aí na nossa cara e de que o abismo entre as classes não é evidente. O que se percebe, por outro lado, em São Paulo, é um desperdício dessa geração multifacetada de cultura.

Há um sem-número de museus, centros culturais e casas voltadas para a arte e para a história em nossa cidade, mas o diabo é que a divulgação é falha. Por conta da falta de empolgação dos governos em mencionar essas possibilidades, muito em razão de não se preocuparem com uma cidade voltada para o turismo cultural.

Portanto, quando falamos de locais como o Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural Banco do Brasil, todos os Sescs, o Centro de Cultura Nordestina, há muito o que comemorar.

Outros locais como o Centro de Cultura Japonesa e o Centro Afro-brasileiro tentam se manter sozinhos, pelas suas próprias forças, além de outros museus como o MUBE e o MIS que tiveram uma impulsão maior nos últimos tempos, fruto de inteligência própria e criatividade.

É difícil, então, ser um centro de cultura nessa cidade, mas é importante mencionar esses oásis existentes por aí.

Nesse sentido, há um local interessante por ser visitado, especificamente. É o Centro de Cultura Judaica, que só pelo tema já seria uma visita relevante, mas o cuidado com o qual é tratado por sua curadoria impressiona e faz dele um lugar onde se deve pisar pelo menos uma vez, nem que seja pela curiosidade.

A casa foi fundada por Leon Feffer (empresário ucraniano, radicado no Brasil) em 1964, sob a denominação Casa de Cultura de Israel, mas ficou mais famoso com o nome de Centro da Cultura Judaica anos depois. Ele é o resultado de mais de 35 anos de trabalho para divulgar a cultura e fortalecer os laços entre a comunidade judaica e brasileira.

Fachada do Prédio do Centro
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Acabou, com o tempo, por se tornar um espaço de referência e convivência, e fez questão de ser aberto ao público para oferecer eventos de música, teatro, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia, dança e educação.

A difusão do patrimônio cultural judaico e suas raízes é, obviamente o cerne de sua atuação, e propagação da cultura de paz e a coexistência e respeito entre os povos através das atividades de interatividade, reflexão e aceitação entre as diferentes culturas é um proposito maior.

Não se trata de um local de divulgação da religião judaica, mas sim de uma cultura milenar, quase extinta pela constante perseguição e dizimação dos povos judeus através dos tempos.

Visitas monitoradas para escolas
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A sede do centro cultural tem o mesmo formato desde abril de 2003, num moderno edifício de 5.000 metros quadrados, projetado pelo arquiteto Roberto Loeb, Sua arquitetura faz referência ao pergaminho da Torá, o texto central do judaísmo.

Mais de 60.000 pessoas visitam anualmente o Centro da Cultura Judaica, sendo mais de 10.000 alunos de escolas públicas e privadas e 8.000 que frequentam os mais variados cursos sobre a história e cultura judaica.

Vale lembrar que há visita monitorada no interior do museu e existe a possibilidade de solicitar transporte gratuito para escolas do município e adjacências.

Uma ótima opção dentro de uma São Paulo que precisa rever seus conceitos sobre sua historicidade, pois essa cidade pertence a todos os povos, a todas as culturas. A necessidade de se ter uma memória mais ativa promove uma melhor construção dos alicerces para uma metrópole mais justa no presente e mais agradável de se morar no futuro.

Serviço:

Centro de Cultura Judaica
Rua Oscar Freire 2500 – Sumaré
Telefone: 3065-4333 – 3065-4355
Site: http://www.culturajudaica.org.br
Email: culturajudaica@culturajudaica.org.br

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Um comentário em “Centro de Cultura Judaica: opção cultural e histórica em São Paulo

  1. Milene dos Santos disse:

    Esse texto é muito bom..Assim podemos refletir um pouco sobre a existencia dos judeus ..Apesar do racismo continuar em diverso paises agente devia, PARAR e PENSAR se fosse nois no lucar deles.Como seria? … Vamos deixar as desigualdades de lado e Viver em paz …Como um pais mais justo..

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