A senhora Josh Home ou o senhor Brody Dalle? “Diploid Love” é o melhor disco deste ano até agora

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A senhora de Josh Home saiu da toca. Após um tempo fora dos holofotes da mídia musical, apenas vivendo à sombra do líder do Queens of the Stone Age, a belíssima australiana Brody Dalle deu o ar da graça: lança agora o primeiro disco solo da carreira de nome “Diploid Love”. E consegue deixar um pouco o maridão em segundo plano.

Após escrever seu nome no mundo punk-indie-riotgirrrl com suas bandas Spinnerette e The Distillers, Dalle resolveu dar uma pausa em sua vida de palco e cuidar das crianças. O período sabático acabou e ela demonstra ter retornado com muita vontade de empolgar o público viúvo de seus antigos grupos.

“Diploid Love” foi solto na internet no site iTunes em 28 de Abril ao preço módico de U$8,99, através da Caroline Records/Queen of Hearts, mas só sai fisicamente nos EUA por volta de 22 de maio.

Na Inglaterra e no Canadá, a bolacha já saiu e a menina está toda prosa fazendo pocket shows para divulga-lo.

Veja o show acústico de ontem numa loja de discos em Toronto, Canadá:

Esse trabalho é mais uma atividade da garota loira, ruiva e um pouco morena com o experiente produtor e engenheiro de som, proveniente do Chile, Alain Johannes, que já trabalhou também com a banda do esposo e com Chris Cornell.

O álbum é menos porrada do que os trabalhos de Brody em suas bandas anteriores, mas não perde a energia.

Também é resultado de uma enxurrada de parcerias ao longo das nove faixas inéditas contidas nele. São músicos do quilate de Shirley Manson que ajudam Brody a cantar e a tocar.

A parceria se estende a Nick Valensi (The Strokes) e Michael Shuman (Queens of the Stone Age) no auxílio dos arranjos e alguns amiguinhos do cenário indie como Emily Kokal (Warpaint), Darren Weiss (ex-Girls), Jessy Greene (famosa violinista), Tyler Parkford (Mini Mansions), Hayden Scott (Paramore), que somente ajudaram no disco ou também irão participar da turnê da moça.

Há maiores explorações musicais em “Diploid Love” e Dalle mostra ultrapassar a essência punk para atingir um público maior do rock.

Dalle incluiu instrumentos inéditos na sua sonoridade musical (como metais e violinos), mas não se esqueceu do barulho que ajudou-a a ser reconhecida como ícone indie do final da primeira década deste século. Se há maior trabalho instrumental nas canções também há a permanência do peso delas tal qual Che dizia. Isso tem mesmo a mão da mulher já que seu nome está lá nas informações adicionais do álbum como co-produtora.

As influências já sabidas das bandas punk do fim dos anos 70 e início dos 80 (Misfits, Black Flag, Buzzcocks) são acompanhadas agora de sonoridades mais calmas e profundas como os membros underground da cena mundial (Metronomy, Yeah Yeah Yeahs) e até experimentações a la Devo. A guitarreira suja está lá, mas agora se situando em locais específicos da música e andando lado a lado com maior serenidade da voz de Brody. A rouquidão dela ainda está presente como marca registrada, mas há subidas e descidas desse vozerio arranhado.

A cozinha também tem marcação mais intensa com bateria bem desenvolvida e baixo que pode ser balbuciado junto.

Por fim, são as guitarras fortes que emolduram bem as letras e isso provoca um casamento sonoro possível.

O álbum começa com “Rat Race” e a participação de Nick Valensi na guitarra e Alain Johannes nos trompetes fazendo da canção uma obra pop com refrão polpudo. Aliás, outro elogio a se fazer do disco é a qualidade dos refrões, que grudam feito chiclete sem ser pedantes. E dá para acreditar em Dalle quando ela grita “I’m gonna burn this city down”.

Na segunda música, “Underworld”, Dalle realiza uma ode ao México, mas de forma vibrante e com voracidade, além da interessante inclusão de um som mariachi ao fim do registro.

“Don’t Mess With Me”, parece ser um hino contra o bullying, mas não fica apenas na ideia de falar contra os agressores, ela canta para que as pessoas agredidas se defendam e enfrentem o problema de frente. A sonoridade de poucos acordes de guitarra soa como um punk dos últimos tempos sem perder a veia pop.

“Dressed in Dreams” e “Carry On” são canções acerca da sobrevivência no inferno dos dias de hoje, seja em qualquer megalópole do mundo. É estímulo sem ser autoajuda. Também se valem das participações especiais e a bateria eletrônica de “Carry On” se ajusta bem ao baixo de Michael Shumman.

Chegamos à fantástica “Meet The Foetus / Oh The Joy” com parcerias empolgantes e dividida em duas partes. Primeiramente, uma canção pulsante e baseada no baixo, com uma progressão crescente e uma inesperada ruptura na metade de sua execução para virar um hino punk. Daí há uma explosão de guitarras com a voz rouca de Brody se digladiando com a maior densidade vocal de Shirley e a “Warpaint” Emily Kokal.

É, além de tudo, um elogio às mães e a maneira que Brody Dalle encontrou para homenagear sua família.

“I don’t Need Your Love” é a prova de que a música anterior não foi feita para todo mundo da família dela. Dalle simplesmente acaba com o pai nessa canção baseada em piano.

O álbum finaliza com “Blood in Gutters”, com Nick Valensi na guitarra e baixão encorpado, além de “Parties for Prostitutes”, música sustentada em órgão Fun Machine.

Dessa forma, o disco criado por Brody Dalle só pode ser considerado excelente, já que não tem altos e baixos e se mantém estiloso e pulsante do início ao fim. Ótima oportunidade para percebermos que há gente boa fazendo coisa melhor ainda pela cena musical mundial.

O fato de ser um trabalho honesto e direto também apoia a questão de que para realizar algo importante na música atual não precisa reinventar essa manifestação artística. O “Do it yourself” também pode ser o “Do it simply”. Simples assim!

Brody Dalle – Diploid Love

brody dalle

1 – Rat Race
2 – Underworld
3 – Don’t Mess with Me
4 – Dressed in Dreams
5 – Carry On
6 – Meet the Foetus / On The Joy
7 – I Don’t Need Your Love
8 – Blood in Gutters
9 – Parties for Prostitutes

Brody Dalle – Meet the Foetus / On the Joy

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