O Arcadismo, o lirismo do campo e a influência da mitologia antiga

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O arcadismo surgiu no continente europeu durante o século XVIII, numa época de ascensão da burguesia e de seus valores sociais, políticos e religiosos.

Essa ideia arcadista acabou por se caracterizar numa valorização da vida bucólica e dos elementos que povoam a natureza e tudo o que a rodeia. Portanto, era um contraponto ao que acontecia nas grandes cidades.

A nomenclatura se dá por causa da região grega chamada Arcádia (local de residência do deus Pan).

Os poetas desta escola literária se baseavam nas maravilhas visualizadas no campo em contraposição ao burburinho da cidade grande.

Em todos os textos do Arcadismo, são ressaltadas a tranquilidade proporcionada pela natureza e a contemplação da vida simples.

Deste modo, é evidente que os autores daquela época literária negassem a vida nos grandes centros urbanos e toda a vida agitada, além dos problemas enfrentados pelas pessoas deste polos de desenvolvimento.

Para realçar ainda mais a utilização desses símbolos do campo e da simplicidade numa forma de viver que remetia às histórias da mitologia grega (e por vezes, até nórdica) os poetas arcadistas chegavam a usar pseudônimos (apelidos) de pastores latinos ou gregos.

Na Europa, os autores foram inspirados na frase do escritor latino Horácio “fugere urbem” (“fugir da cidade”), e imbuídos da teoria do “bom selvagem” de Jean-Jacques Rousseau, os autores árcades voltaram-se para a natureza em busca dessa vida pastoril, do “locus amoenus”, do refúgio ameno em oposição aos centros urbanos dominados pelo absolutismo monárquico.

Por outro lado, é importante salientar que essa busca configurava apenas um estado de espírito, uma posição política e ideológica, já que esses autores estavam em contato direto com os centros urbanos e, como burgueses, ali mantinham os seus interesses econômicos.

É por isso que se justifica a expressão “fingimento poético” no arcadismo, fato que aparece claramente no uso dos próprios pseudônimos pastoris.

Outra frase reluzente da fase arcadista é o “carpe diem”, pela qual o pastor, ciente da brevidade do tempo, convida a sua pastora a gozar o momento presente.

Quanto à forma utilizada nos textos, em sua maioria poemas, usavam muitas vezes sonetos com versos decassílabos, rima optativa e a tradição da poesia épica. Os principais ícones dessa tradição arcadista são basicamente portugueses e se destacam os escritores Manuel Maria Barbosa du Bocage, António Dinis da Cruz e Silva, Correia Garção, Marquesa de Alorna e Francisco José Freire.

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No Brasil, o arcadismo chega e desenvolve-se na segunda metade do século XVIII, em pleno auge do ciclo do ouro na região de Minas Gerais.

Esse cruzamento entre o contexto histórico e a cena artística será importante para entender o movimento no país já que muitos dos poetas eram também intelectuais que participaram de alguma forma da Inconfidência Mineira.

É também neste momento que ocorre a difusão do pensamento iluminista, principalmente entre os intelectuais de Minas Gerais. É desta região, envolta de cultura e efervescência social da época, que saíram os grandes poetas.

Entre os principais autores do arcadismo brasileiro, podemos destacar Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Basílio da Gama, Frei Santa Rita Durão e Silva Alvarenga.

Abaixo, alguns trechos de textos clássicos da Escola Arcadista no Brasil. Entre parêntesis você vê o pseudônimo do autor:

Marília de Dirceu – Tomás Antonio Gonzaga (Dirceu)

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“Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos ainda não está cortado;
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder de meu cajado.”

Liras – Alvarenga Peixto (Enéias no Lácio)

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“Bárbara bela,
Do norte estrela,
Que o meu destino
Sabes guiar,
De ti ausente,
Triste, somente
As horas passo
A suspirar.”

Caramuru – Santa Rita Durão

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“Bárbaro (a bela diz) tigre e não homem…
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças no amor, que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem,
Como não consumis aquele infame?
Mas pagar tanto amor com tédio e asco…
Ah! Que corisco és tu…raio…penhasco”

Vila Rica – Cláudio Manoel da Costa

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“O conceito, que pede a autoridade,
Necessária se faz uma igualdade
De razão e discurso; quem duvida,
Que de um cego furor corre impelida
A fanática idéia desta gente?
Que a todos falta um condutor prudente
Que os dirija ao acerto?”

Como esse texto tem apenas a intenção de se tornar uma mola propulsora para que seus leitores se interessem mais pela poesia da escola literária do Arcadismo, listo abaixo alguns dos links para maiores informações sobre o tema:

http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_lit/index.cfm?fuseaction=definicoes_texto&cd_verbete=12157&lst_palavras=

http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/arcadismo.html

http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/arcadismo-resumo-autores-dicas-questao-comentada-598999.shtml

http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/arcadismo.htm

http://www.brasilescola.com/literatura/arcadismo-brasil.htm

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Um comentário em “O Arcadismo, o lirismo do campo e a influência da mitologia antiga

  1. edu gata disse:

    arasooooooooooooooooooo

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