E o rei censor ataca novamente

livro

Saiu no G1, mas já há outros veículos de comunicação reverberando o caso.

Depois de censurar o lançamento de “Roberto Carlos em detalhes”, a biografia do cantor que foi tirada de circulação em abril 2007, após disputa judicial, o brasa já está de olho novamente no escritor Paulo Cesar de Araújo.

A situação se repete, pois Araújo, depois de ter perdido anos de sua vida realizando pesquisas, entrevistas e agindo em prol da biografia do cantor brasileiro resolveu transformar toda a celeuma em torno do processo que culminou com a retirada dos volumes de sua obra das livrarias em um novo livro.

A pesquisa sai agora com o criativo nome de “O réu e o Rei” (Companhia das Letras).

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A própria editora, por meio de sua assessoria de imprensa, explicou ao portal G1 que “decidiu avisar a imprensa e os leitores só com o livro pronto.” Eles, portanto, já estavam a par dos riscos que corriam, apesar de “não ser uma biografia sobre o cantor – e sim um relato, uma reportagem sobre a relação do PCA e RC”.

Todo o cuidado da Companhia das Letras tinha um motivo justo. A grande equipe de advogados que segue Roberto Carlos é rápida no gatilho e já estuda uma maneira de entrar na justiça contra a venda do livro. Mas isso não ocorreria se não houvesse uma ordem expressa do rei. O próprio empresário do cantor, Dody Sirena, disse ao G1 que havia encomendado um parecer jurídico sobre o novo texto.

A nova tentativa de censura já não é nenhuma surpresa, mas é interessante que depois de toda a discussão sobre autorização de biografias, meses atrás, não se esperava que tanta sede ao pote fosse verificada pelos artistas apreciadores do bloqueio da liberdade de expressão e de imprensa.

Inclusive, duas semanas atrás a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que libera a venda de biografias não autorizadas pelos biografados ou por suas famílias, em caso de morte.

É claro que o texto ainda precisa passar pelo Senado antes de ir à sanção presidencial, mas já é uma grande evolução diante do que nós tínhamos anteriormente aqui no Brasil.

Até mesmo o Supremo Tribunal Federal faz menção de analisar a ação que pede a liberação da publicação desse tipo de obra. O caso será decidido pela entidade durante o julgamento de ação proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel).

Mesmo assim, corre-se o risco de que um autor como Paulo Cesar de Araújo tenha novo prejuízo pessoal e profissional por conta da arrogância e censura de uma pessoa pública, tida como ídolo nacional e que não tem motivo justo para atrapalhar o trabalho jornalístico e até histórico acerca de nossa música nacional e de nossa cultura.

Tomara que, dessa vez, haja maior sensatez do cantor, seu staff e da própria justiça a respeito da liberdade à informação: direito meu, seu, de todos nós.

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