O que é que a Irlanda tem

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A Irlanda é uma ilha que desde o início de sua produção escrita apresenta uma variedade intensa de contos, lendas e textos líricos de dar inveja aos mais cultos países da Europa.

Mas desde a chegada da religião cristã à ilha no século V a literatura irlandesa teve grande impulso, pois antes disso, somente a forma simples de escrita chamada “ogham” era utilizada para a grafia de palavras.

Dessa maneira, o latim, introduziu expressões à língua irlandesa de forma adaptada, algo que resultou no surgimento de uma classe letrada composta tanto por leigos como por representantes clericais da região.

As primeiras descrições do país e sua cultura vêm de obras poéticas e algumas narrativas de lendas antigas mantendo a tradição religiosa e mística muito presente em seus conteúdos. Isso data aproximadamente do século VI e se juta a isso a constante ode à natureza e tudo o que se dá dela.

As próprias descrições mitológicas de tempos longínquos do país são intercalados entre a prosa intensa e os versos produzidos para enfatizar os instantes mais emocionantes.

Com a maior intromissão da Inglaterra da vida cotidiana irlandesa é no século XVII obviamente há também uma maior influência dos textos clássicos ingleses na produção literária dos irlandeses.

Mas isso não pode ser considerado um processo traumático ao povo de lá já que foram ponderados ao cruzar formas do inglês tradicional com a cultura irlandesa.

Por isso, quando surge a escrita moderna na Irlanda, a partir do século XIX, muita é a variedade da produção literária e diversos são os temas apontados em cada texto, mas com a crise da Grande Fome entre 1845 e 1849 na Irlanda, há um recrudescimento dos nativos quanto ao uso da língua inglesa e o irlandês conservador passa a ser mais utilizado em áreas mais nacionalistas do sul e oeste.

É dessa época o famoso poema “The Midnight Court” (ou “Cúirt an Mheán Oíche” em irlandês), uma sátira cheia de sarcasmo e criatividade escrita por Brian Merriman.

Abaixo, um trecho do poema:

“Lady of Craiglea, you must assess
The extent of Irish women’s distress,
How, if the men continue with their ways,
Alas, women will have to make the plays
By the time the men are disposed to wed
They’re no longer worth our while to bed
And it’ll be no fun to lie below
Those old men who are so weak and slow”

Normalmente, os entendidos em literatura irlandesa separam aqueles que escrevem na língua nativa antiga e os outros que escrevem em inglês. Dessa forma, quando se fala no idioma inglês Seamus Heaney, William Butler Yeats, Oscar Wilde, James Joyce, Jonathan Swift e Samuel Beckett fazem as honras da casa, mas no que diz respeito à escrita em língua irlandesa, alguns exemplos são Máirtín Ó Direáin, Muiris Ó Súilleabháin, Peig Sayers e Brian O’Nolan.

James Joyce costuma ser o mais conhecido por conta de sua obra “Ulisses”, um marco do modernismo mundial, que fez um paralelo entre os episódios da Odisseia de Homero trazendo-a para os seus dias através de uma técnica que se tornaria tendência entre outros autores, o fluxo de consciência.

Mas pela lista apresentada acima percebe-se a grandiosidade da literatura desta ilha europeia, devido à variedade com que os autores conseguem flutuar entre a poesia e a prosa, o teatro dramático e a ficção moderna.

Há a exuberância romântica da poesia de Yeats, as descrições do cotidiano e da simplicidade do relato realizados por Patrick Kavanagh, a sensibilidade poética de Seamus Heaney e o modernismo lírico de Brian Coffey. Estamos falando de autores do século XX que conseguiram manter intacta a tradição do povo irlandês em escrever bem.

Mas até mesmo se voltarmos ao século XVIII com as obras de fantasia realista de Jonathan Swift podemos encontrar essa característica autoral da sociedade daquele país. As obras de Oliver Goldsmith, as novelas de Maria Edgeworth, John Banim, Gerald Griffin, Charles Kickham, William Carleton e George Moore são outros exemplos na ficção de que a pena irlandesa pesa no cenário qualitativo da escrita mundial. Mesmo o horror de Bram Stoker, o autor de Drácula, faz jus a uma maneira profunda de descrever personagens e introduzir o leitor a um universo literário criativo e denso.

No que concerne ao teatro irlandês, os dramaturgos mais importantes foram William Congreve, conhecido pelas comédias da Restauração, Oliver Goldsmith e Richard Brinsley Sheridan, dois dos escritores mais importantes do século XVIII, além de Dion Boucicault, escritor muito reconhecido pela veia cômica, George Bernard Shaw e Oscar Wilde, dois dos mais requisitados dramaturgos europeus até os dias atuais, e responsáveis pela criação do Teatro Literário Irlandês na Dublin de 1899.Ao chegar no século XX, muitos teatrólogos irlandeses chegaram ao reconhecimento europeu: Samuel Beckett, Brendan Behan Denis Johnston, Brian Friel, Thomas Kilroy, Tom Murphy, Hugh Leonard e John B. Keane são alguns desses nomes.

Por outro lado, é importante atentar ao grande número de obras escritas em irlandês neste período. Desde os anos 70 muitas companhias teatrais como as conhecidas Focus Theatre, The Children’s T Company, The Project Theatre Company, Druid Theatre, TEAM e Field Day apareceram trataram de mudar o teatro irlandês ao introduzir diferentes enfoques na sua condução apresentada ao público.

Portanto, a produção literária e teatral da Irlanda desde sempre provoca grande furor também na Inglaterra e não são poucas as obras daquela região que ainda hoje são encenadas em Londres. A própria adaptação de peças irlandesas para a glamourização da Broadway e os roteiros filmados em Hollywood fornecem dados preciosos sobre essa atuação da caneta irlandesa no território mundial.

Principais obras (teatro e literatura) irlandesas:

Samuel Beckett – Esperando Godot (Teatro)

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A primeira peça de teatro escrita pelo dramaturgo Irlandês Samuel Beckett (1906-1989) foi escrita originalmente em francês, publicada pela primeira vez em 1952 e apresentada no pequeno Théâtre Babylone em Paris, com direção de Roger Blin (1907-1984). O Brasil foi o segundo país a ter uma montagem deste texto, com a direção de Alfredo Mesquita, em 1955 . É considerado um das principais textos do teatro do absurdo e a principal obra do autor.

Bernard Shaw – A Profissão da Senhora Warren (Teatro)

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Em “A profissão da Senhora Warren”, a protagonista, uma mulher rica, dá à sua única filha uma educação elitista, até que ela se forme na aristocrática Cambridge. Mas uma revelação vem perturbar a tranqüilidade burguesa na qual vive sua família – a origem de sua de sua riqueza e ascensão social.

Seamus Heaney – Poemas (Livro)

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A história de violências da Irlanda do Norte, que se acirrou nos anos 70 com episódios terríveis, exigiu de Heaney imagens e símbolos adequados àquela realidade, adicionando à sua poesia uma complexidade histórica, política e humanista. É este o conteúdo de “Poemas”.

James Joyce – Ulisses (Livro)

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“Ulisses” adapta a Odisseia de Homero, condensando a viagem de Odisseu (na pessoa do agente de publicidade Leopold Bloom) em 24 horas, entre os dias 15 e 16 de junho de 1904. Também é uma viagem pela consciência do personagem e pelas ruas de Dublin, algo que faz qualquer pessoa do mundo se transportar para os bares sujos da noite irlandesa. Um livro imprescindível do modernismo mundial.

Jonathan Swift – Viagens de Gulliver (Livro)

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A história fantasiosa do homem que chega a uma ilha povoada por miniaturas de gente fascina o leitor pelo olhar implacável que seu autor põe sobre o homem, suas instituições, seu apego irracional ao poder e ao ouro,e sua insistência em prolongar a vida mesmo quando esta só proporciona sofrimento. A viagem de Gulliver também é uma profunda análise de até onde podemos ir para alcançar algo muito desejado.

Bram Stoker – Drácula (Livro)

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A história do líder romeno Vlad Tepes (Drácula), que, ao defender a igreja cristã na Romênia contra o ataque dos turcos, tem sua noiva Elisabetha enganada levando-a a morte por suicídio traz tantas passagens clássicas que é difícil mencionar alguma delas para demonstrar a sua grandiosidade. Fruto de uma pesquisa incessante de seu autor e de uma forma apaixonada de escrever como situações do passado perseguem o homem amaldiçoado por toda a eternidade só pode ser considerada uma obra-prima.

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Um comentário em “O que é que a Irlanda tem

  1. Alexsander disse:

    são ótimas experiênciasque esses autores tiveram para influênciar bons contos.

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