HQ “Yeshuah” tenta descanonizar a figura de um ícone religioso

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O indivíduo Jesus Cristo quase não é analisado por obras artísticas já que sempre há uma aura brilhante pairando sobre a cabeça do rapaz judeu.

Dai que quando surge qualquer possibilidade de visualização diferente desta figura histórica e religiosa é um tremendo problema para seu autor, pois os fieis seguidores do mito Jesus sempre acharam erros e desrespeitos neste procedimento. Por outro lado, é uma maneira possível de qualquer artista se empolgar na tentação de efetuar tal situação.

O quadrinista brasileiro Laudo Ferreira se debruçou nos últimos treze anos sobre a HQ “Yeshuah”, que virou série e chega ao seu último volume agora.

Esta terceira parte “Yeshuah: Onde Tudo Está” (Devir) sucede “Yeshuah: Assim em Cima, Assim Embaixo” e “Yeshuah: O Círculo Interno, O Círculo Externo”, também lançados pela Devir.

Neste volume final a HQ acompanha a epopeia de Jesus a Jerusalém e acaba por acompanhar as situações envolvendo a Páscoa, a última ceia, a prisão, o julgamento e sua execução.

A questão é que ele não se baseia somente nos textos bíblicos conhecidos do grande público, mas se depara com ações que foram pesquisadas nas narrações apócrifas que surgiram ao longo do tempo e que não são usados pela Igreja para que não haja uma desmistificação do líder religioso.

A obra de Ferreira também se atém a fatos que idealizaram uma imagem sagrada a Jesus. O apedrejamento da mulher adúltera e a ressurreição Lázaro são apenas alguns dos exemplos acerca disso.

Laudo também se baseia na sua própria análise individual, e demonstra uma tentativa de aproximar o cânone criado pela Igreja para um lado mais humano, que possui suas imperfeições como qualquer outra pessoa.

Num entrevista realizada pelo portal UOL Laudo Ferreira explicou que “à princípio a ideia (de escrever sobre um líder religioso) é difícil, pois a história de Jesus está enraizada na cultura humana como ícone religioso, católico. Porém, há a possibilidade de despir sua figura dos mitos religiosos, para que que qualquer um possa enxergar um homem forte, com toda uma mensagem para que cada um trabalhe e encontre o sagrado em si.”

Dessa forma, “Yeshuah…” é uma HQ como outra qualquer, mas que mostra a possibilidade de a arte ser um instrumento de questionamento. Ou como nas palavras do próprio autor, “o objetivo da arte é curar. Em qualquer sentido. A arte tem que trazer o poder curativo, mesmo que muitas vezes esteja numa atitude de instigar, mas que instigue a mudança e a mudança sempre traz um momento posterior, de novos entendimentos.”

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