A beleza das letras vista pelas crianças

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É engraçada a vida, alguém já disse.

Algumas coisas que aprendemos quando somos pequenos se torna diferente e há a necessidade de retomarmos sua análise depois de grandes.

Falo isso por conta da aprendizagem escolar, principalmente. Há muito o que dizer sobre nossas expectativas educacionais e o que de fato é entregue para nossas cabecinhas ávidas por conhecimento, mas muitas vezes somos nós mesmo que nos enganamos naquilo que deveria ser e não é.

Papo de maluco, não?!

Não.

Veja o caso da poesia (ou da literatura poética, para ficar mais claro).

Quando somos crianças somos apresentados às figuras, à beleza das coisas, das palavras quase monossílabas, para que tenhamos uma ideia do que é a vida, mas somos afastados dos sentimentos ruins e das seriedades que são imprescindíveis para a convivência humana.

Não quero mudar o rumo das coisas, tudo a seu tempo. Mas o que ocorre é que nem sempre as pessoas aprendem a reconhecer o outro lado posteriormente. Ficam aprisionados naquela pureza, ou inocência, ou ignorância das idades iniciais da infância. Não amadurecem, não ficam cascudas. Mas isso é um problema da pessoa, não dos que o cercam.

O poema que lemos e rimamos com a ideia apenas de causar ritmo é bem diferente daquela coisa mais obscura que teremos contato mais tarde. Somos nós, os leitores, que não queremos sair do casulo, da jaula protetora da figura infantil.

A poesia é linda e perfeita quando retrata qualquer coisa. O que ela precisa é de lirismo, aquele âmago profundo, forte, que pode ser amargo ou singelo, depende mesmo é do seu autor. Talvez o contato que deixamos nossos filhos ter com a poesia quando crianças é apenas ínfimo perto do que eles poderiam ter mais a frente. Tanto isso pode ter um fundo de verdade (não sou dono dela, nem o quero) que conforme eles se transformam em jovens há um profundo desapego pela poesia, pelo poema, pelo lirismo das palavras. Vira coisa de gente fresca.

Cecília Meireles, Clarice Lispector, Cora Coralina, José Paulo Paes, Carlos Drummond de Andrade, José Saramago e tantos outros clássicos escreveram para os pequenos também, mas não quiseram se descuidar da qualidade dramática e profunda de sua escrita. Eles prosseguiam com suas discussões filosóficas (claro que transferidas para a cabeça infantil) sem quererem subestimar a inteligência dos meninos e meninas.

Outros autores dos dias atuais procuram esconder sua incapacidade de conversar de igual para igual com as crianças com o preenchimento quase que completo de suas obras com lindas imagens e desenhos dos melhores ilustradores possíveis. Nada contra a imagem para a transmissão de uma ideia, mas Monteiro Lobato quase nunca precisou enfiar desenhos goela abaixo do seu público infantil para poder contar suas fantásticas estórias.

Aliás, mesmo que seus clássicos ainda tenham novas publicações sem a inclusão de ilustrações, Lobato ainda prossegue como um dos mais procurados em bibliotecas e salas de leitura para ser lido com empolgação e afinco.

O que peço é apenas um pouco mais de atenção com a mente infantil e menos com os olhos deles. Parece uma necessidade de promover uma hipnotização das crianças para que estas não deem trabalho aos mais velhos. Um claro recado para que eles não saiam de seus lugares, mas que também não precisem pensar e que depois disso façam perguntas.

Por que não se enganem: perguntar ainda é muito mais interessante do que ter a resposta na ponta da língua e o conhecimento se faz muito mais da dúvida do que da certeza inconsequente. Ler deve ser uma coisa prazerosa sim, mas precisa ter conteúdo para que ela produza o ser crítico que tanto queremos para fazer deste país a nação do presente e não mais aquela eterna promessa futura.

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Um comentário em “A beleza das letras vista pelas crianças

  1. Os ricos tem muita facilidade para fazer faculdade. Mais os pobres tem que tentar todo ano uma prova para fazer uma faculdade

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