Sem João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Suassuna cresce uma lacuna na cultura brasileira

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As últimas semanas têm sido especialmente cruéis para a classe pensadora e literária do Brasil.

A morte de João Ubaldo Ribeiro na semana passada (18) já havia sido um baque sério no que diz respeito ao movimento criativo de nossa nação, pois pesava sobre os ombros do autor baiano a escrita que vira e mexe era avaliada como uma herdeira da forma de Jorge Amado escrever, bem como também da comprovada riqueza estilística de romances como “Sargento Getúlio”, “O Sorriso do Lagarto”, “A Casa dos Budas Ditosos”, “Diário do Farol” e “Viva o Povo Brasileiro”.

A carreira literária de mais de cinquenta anos de Ubaldo Ribeiro se misturava com sua paixão pela música e sapiência com que publicava suas crônicas para inúmeros jornais ao longo dos anos. Uma perda irreparável que parecia ser a mais sentida para o ano em que a Bienal do Livro volta a São Paulo.

Não passaram 24 horas para que o arregalar dos olhos dos amantes pela boa escrita se marejassem novamente. Foi no dia 19 que Rubem Alves sucumbiu ao problema que já vinha lhe debilitando a parte física havia alguns anos.

Infelizmente, o psicanalista, pesquisador da área da educação, teólogo e profícuo escritor já não fará mais as provocações que realizava com relação ao mundo educacional brasileiro.

Rubem Alves podia ser meio utópico numa grande parte das coisas que discutia, mas ainda possuía a qualidade de debater sobre temas que são relegados ao último plano neste país que não liga a mínima para a melhoria da Educação.

Dessa forma chegamos a uma nova semana atordoado por essas duas perdas, mas a principal delas ainda estaria por vir.

Eis que ontem Ariano Suassuna teve seu descanso final confirmado.

O Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como “Auto da Compadecida”, “O Romance d’A Pedra do Reino” e o “Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, foi um dos maiores defensores da cultura do Nordeste do Brasil, além de ter sido secretário da Cultura de Pernambuco nos anos 80.
Além disso, era um palestrante genial que falava manso, mas que possuía opiniões fortes e contundentes. Um verdadeiro frasista e autor de passagens inesquecíveis na história da literatura nacional.

Vão-se, portanto, três grandes nomes de nosso círculo cultural e a reposição se torna impossível de ser realizada.

Uma pena que os homens se extinguem, mas um alento saber que suas obras prosseguirão para sempre.

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