Assistir a “Frozen” ao lado de crianças é um evento realmente diferente

CRIANA~1
 
Por força da necessidade profissional é muito comum a mim assistir a filmes infantis acompanhado de crianças de diversas idades.
 
Também foi pelos ossos do ofício que pude visualizar o desenho da Disney “Frozen”, recentemente, com um público do quarto e quinto anos do ensino fundamental.
 
Não havia podido assistir ao desenho quando de sua estreia nos cinemas, fato este que atrapalha meu entendimento sobre como foram as reações à produção naquela época pela plateia, mas é fácil supor que houve empolgação com a película já que seu sucesso foi estrondoso.
 
O simples fato de ostentar o quinto lugar na lista das maiores bilheterias na história, sendo a animação de maior bilheteria mundial e a segunda a ultrapassar a marca de 1 bilhão de dólares arrecadados (o primeiro foi Toy Story 3) já depõe a favor de sua qualidade.
 
Além disso, foi laureado com prêmios de relevância no cenário global como a categoria de Melhor Filme de Animação no Globo de Ouro de 2014 e o Oscar de Melhor Filme de Animação e Melhor Canção Original no mesmo ano.
 
Mas nada é mais concreto do que a reação do público infantil ao filme.
 
Apesar do subtítulo ridículo e desnecessário na versão em português e de algumas canções, quando dubladas, terem um timbre irritante dos profissionais brasileiros, “Frozen” trouxe a mim uma surpresa que nunca presenciei na vida escolar.
 
É inédita essa vibração que o filme passa. Há um completo frenesi entre os pequenos quando assistem ao filme.
 
Nunca vi essa capacidade de um musical fazer sua plateia acompanhar com inúmeros balbucios a maioria das canções. É estranho ver que todos conseguem ter empatia por personagens que ficam cantando ao vento suas emoções que normalmente são guardadas dentro de nós.
 
É verdade que não sou fã de musicais, mas é bom reconhecer quando a coisa é bem feita e “Frozen” tem essa capacidade.
Fora isso, também há a questão do roteiro: a livre adaptação de um conto do dinamarquês Hans Christian Andersen, “A Rainha da Neve”, é muito bem elaborada e não deixa muitas falhas ao longo da mais de uma hora e meia de produção.
 
Mesmo quando nos deparamos com coisas meio apressadas de se apresentar ao público, como o amor repentino de Anna pelo príncipe Hans, conseguimos sentir certa verossimilhança por conta da amarração que isso tem com a história e outros casos durante o filme provam que os roteiristas foram hábeis em decifrar aquilo que favorece a atenção presa por parte dos meninos e meninas.
 
Há muita ação, diálogos inteligentes que não precisam ser longos para explicar aquilo que deve ser entendido pelo público e os momentos emocionantes que podem eventualmente até fazer cair algumas lágrimas são posteriormente acompanhados de cenas em que se pode ter nova inspiração para a aventura que prossegue.
 
A trilha sonora, que poderia ser mais uma chatice, é bem direcionada, casos dos duelos musicais das irmãs Elsa e Anna e as apresentações dos personagens como a hilariante canção de Olaff, o boneco de neve detentor das partes mais engraçadas do desenho.
 
A qualidade cinematográfica também é uma boa desculpa para assistir ao filme e os efeitos computadorizados auxiliam muito para que a película tenha essa precisão para a perfeita visualização, algo que sempre é bastante interferido pelo branco absoluto. E para isso não ser um problema é otimamente realizado.
 
Mas, o show todo durante minha experiência é mesmo a reação do público infantil: eles torcem, vibram, empolgam-se com as aventuras e perigos enfrentados por Anna e se sensibilizam com a história da rainha Elsa que guarda consigo uma maldição terrível.
 
 A satisfação dos pequenos é tão grande que em alguns momentos do filme eles ficam tão embasbacados que não se ouve um único ruído por parte deles, em contraste com as risadas sinceras que eles dão e a aflição percebida diante de um algum perigo com os protagonistas.
 
Até mesmo quando há uma reviravolta e um dos principais personagens revela sua identidade malvada, há um suspiro de insatisfação por eles demonstrada que comprova que estão vidrados no desenrolar das ações da história.
 
Mesmo quando a rainha Elsa parece pender para o outro lado há certa compreensão dos meninos e meninas por saber que ela só faz aquilo para o bem da irmã.
 
Todo esse ritmo de olhos estatelados em frente à tela tem o verdadeiro ápice nas cenas finais quando a plateia grita, contorce-se na cadeira e fica aflita com o possível destino da princesa e da rainha, ambas irmãs.
 
E tem sua apoteose com o seu final feliz comemorado como se fosse um gol em Copa do Mundo. As crianças vão ao delírio, alguns assobiam, outros até se abraçam.
 
Juro mesmo, eu nunca vi tal reação das crianças a um filme, mesmo os da Disney, que por causa de sua qualidade sempre têm mais predileção por parte deles.
 
Isso faz de “Frozen” realmente um evento interessante e diferente de se acompanhar quando o público que o visualiza é constituído de crianças ávidas por novas aventuras na tela.
 
Por fim, é uma comprovação de que uma história, quando bem contada, não pode ter outro destino, senão o sucesso.
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