“Cabeça Dinossauro”: o tempo em que os Titãs tinham fôlego de sobra para causar na música brasileira

Este é o terceiro álbum de estúdio dos Titãs e foi lançado em junho de 1986.
 
Cabeça Dinossauro não só marcou a estreia da parceria da banda com o produtor Liminha como também garantiu o primeiro disco de ouro para a banda, algo que aconteceu em dezembro do mesmo ano.
 
Estamos vivendo a época de ouro do rock brasileiro e grupos como Legião Urbana e Paralamas do Sucesso também estão no topo de sua criatividade artística.
 
Antes do início das gravações do álbum houve a prisão de Arnaldo Antunes e de Tony Bellotto, no final de 1985, ambos por porte de heroína, e tal situação pode ter engajado a banda de alguma forma a tirar forças maiores para realizar um trabalho mais primoroso ainda do que poderia ter feito.
 
A vontade da banda era a de buscar uma unidade sonora mais pesada do que o que havia acontecido com “Titãs” (1984) e “Televisão” (1985), discos que se baseavam mais na poesia de Arnaldo Antunes do que na potência das guitarras.
 
A força e rapidez de “Cabeça” promoveram uma mudança estética na banda,  que após isso investiram mais na capacidade irônico-sarcástica das letras e a aceleração de algumas de suas músicas.
 
A capa do álbum é um esboço do pintor italiano Leonardo Da Vinci, intitulado “A expressão de um Homem Urrando” e outro desenho de Da Vinci, “Cabeça Grotesca”, foi parar na contracapa do disco.
 
A influência evidente do punk rock do final dos anos 70 é uma característica forte da produção, mas há também um processo mais eclético em criar a sonoridade para as músicas do que nos trabalhos anteriores. Vide o caso de  “Família” que possui uma levada reggae e o funk de “O Quê?”, em divergência com o peso sujo de “Bichos Escrotos” e “Estado Violência”.
 
No que diz respeito às letras, vários assuntos de diversas áreas da sociedade foram discutidos da maneira mais corajosa possível, sem que fosse esquecido o poder da acidez e sarcasmo dos principais letristas da banda.
 
Canções como “Bichos Escrotos” (Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Nando Reis), “Polícia” (Tony Belotto), “Igreja” (Nando Reis) e “Estado Violência” (Charles Gavin) são relevantes tanto no âmbito sonoro quanto na abordagem polêmica das letras.
 
Neste quesito, não se pode esquecer que o álbum teve censurada a execução de “Polícia” e “Bichos Escrotos” nas rádios brasileiras por conta de palavrões contidos nas letras, resquício ainda da ditadura que acabara de ser vencida pela campanha das Diretas Já.
 
Até mesmo músicas menos pesadas como “Homem primata” e “Dívidas” incluíam críticas pesadas à sociedade de consumo e à burocracia do Estado.
 
Uma curiosidade acerca do álbum é que “Bichos Escrotos”, já era tocada desde 1982, uma sinalização do amadurecimento e da coragem dos integrantes em polemizar.
 
Outra importante avaliação que pode ser tirada de “Cabeça Dinossauro” é o seu apelo popular já que 11 das 13 faixas foram executadas em rádios. Somente “A Face do Destruidor” e “Dívidas” ficaram de fora do dial nacional.
 
Até hoje são ecoados elogios pela qualidade de “Cabeça Dinossauro”. Em 1997, a revista Bizz elegeu o disco como sendo o melhor álbum de pop-rock nacional.
 
A própria revista realizou uma eleição com críticos em que “Cabeça Dinossauro” foi listado como um dos 100 melhores discos da música brasileira. Sua posição foi a 19ª.
 
Em 2012, em comemoração aos 30 anos da banda, a banda passou realizar shows temáticos do álbum executando-o na íntegra.
 
Além disso, as 13 canções originais foram relançadas em conjunto com as versões demo delas e a inédita “Vai pra Rua”, de Arnaldo Antunes e Paulo Miklos.
 
Uma dessas apresentações foi registrada e lançada em CD, DVD, Blu-ray e Download digital, como o nome “Cabeça Dinossauro Ao Vivo 2012”.
 
1 – “Cabeça Dinossauro”
2 – “AA UU”        
3 – “Igreja”         
4 – “Polícia”
5 – “Estado Violência”    
6 – “A Face do Destruidor”     
7 – “Porrada”        
8 – “Tô Cansado”  
9 – “Bichos Escrotos”     
10 – “Família”       
11 – “Homem Primata”     
12 – “Dívidas”
13 – “O Que”
 
Cabeça Dinossauro
 
AA UU
 
Igreja
 
Bichos Escrotos
 
Homem Primata

Os jogos Vorazes de Lorde: Sai novo single da neozelandesa responsável pela trilha da terceira parte da saga

E não é que a menina sobreviveu pelo primeiro de sucesso, passou pelo segundo ano como estrela musical e entra no terceiro ano já tendo responsabilidades maiores do que a maioria consegue?

Lorde chega neste dia 29 de setembro de 2014 com uma marca importante: é a curadora oficial da trilha sonora de “Jogos Vorazes” – A Esperança Parte 1.

Sim, a menina de 19 anos tem a possibilidade de confirmar quem entra e quem sai da parte musical do filme mais esperado do ano.

Ela lançou hoje o single “Yellow Flicker Beat”, primeira canção liberada da película dirigida por Francis Lawrence (Eu sou a Lenda, Constantine) que tem na atriz Jennifer Lawrence sua maior estrela e trunfo artístico.

A música é mais uma peça meio-eletro-meio-minimalista em que a voz de Lorde é o importante e a instrumentação ambient house no fundo dá todo o clima misterioso. Uma canção perfeita para a dancinha stranger da menina.

Confira abaixo o single:

Listinha para acabar com a amizade: o ranking que a Kerrang! fez com as “melhores bandas da atualidade”

 
É óbvio que listas foram inventadas para causar certo furor, para termos a possibilidade de concordar ou discordar da mesma forma apaixonada com que defendemos outros tipos de opinião em nossa sociedade, mas ninguém se habilita a exterminar essa atividade.
 
Todos querem botar o seu bedelho na lista alheia.
A Kerrang!, revista britânica especializada em Rock, em uma de suas mais recentes edições elegeu as 60 maiores bandas dos dias atuais.
Ok. Tem muita barbaridade, como é o caso de algumas das que estão nas primeiras colocações, mas não deixa de ser um bom termômetro da indústria musical nesses dias de músicas por streaming e a apple dando disco de graça do U2 para seus usuários.
 
Mas tudo nessa vida tem uma explicação.
 
No caso do ranking da Kerrang! alguns dados foram colhidos e algumas regras foram utilizadas para considerar a banda “relevante” no cenário roqueiro atual.
 
Foram considerados os números de álbuns vendidos, ingressos e participações em shows e festivais, materiais de merchandising e os números que essas bandas apresentam nas redes sociais.
 
Portanto, não estamos falando necessariamente de qualidade, mas mesmo assim, é evidente que dá certo susto ver umas coisas pitorescas nesse top 60. Do mesmo modo que muita gente de sucesso no mercado interno britânico ou americano também dá as caras por aqui, o que pode surpreender quem não tem conhecimento mais profundo dessas bandas.
 
Vamos à lista em ordem decrescente:
 
60. Marmozets
59. Airbourn
58. Halestorm
57. Bury Tomorrow
56. Shinedown
55. Sleeping With Sirens
54. Deaf Havana
53. Yellowcard
52. While She Sleeps
51. Deftones
50. Young Guns
49. Don Broco
48. Neck Deep
47. The All-americans Reject
46. Leftlive
45. Bullet For My Valentine
44. Killswitch Engage
43. Issues
42. We Are The In Crowd
41. Mallory Knox
40. Lower Than Atlantis
39. Twin Atlantic
38. Black Veil Brides
37. Of Mice & Men
36. Steel Panther
35. Papa Roach
34. Tonight Alive
33. Weezer
32. All Time Low
31. Enter Shikari
30. The Offspring
29. Panic At The Disco
28. Jimmy Eat World
27. Pierce The Veil
26. Korn
25. Falling In Reverse
24. Pearl Jam
23. Green Day
22. Asking Alexandria
21. Rammstein
20. Limp Bizkit
19. AC/DC
18. You Me At Six
17. Black Stone Cherry
16. Bring Me The Horizon
15. A Day To Remember
14. Avenged Sevenfold
13. Muse
12. The Pretty Reckless
11. 30 Seconds to Mars
10. Queens of The Stone Age
09. Paramore
08. Slipknot
07. Biffy Clyro
06. Blink 182
05. Iron Maiden
04. Foo Fighters
03. Metallica
02. Fall Out Boy
01. Linkin Park

II Concurso de Contos de Terror do Riva: confira quais são as coleções de livros para a premiação

Os prêmios que serão oferecidos aos vencedores do Concurso são os seguintes:

1º Lugar – Coleção “Crônicas de Gelo e Fogo”

2º Lugar – Coleção “Assassin’s Creed”

3º Lugar – Coleção “Livros de Terror (Drácula, Frankenstein, O Médico e o Monstro, O Exorcista)”

4º Lugar – Coleção “Dragões de Éter”

5º Lugar – Coleção “Jogos Vorazes” 

As inscrições para o II Concurso de Contos de Terror do Riva serão encerradas no próximo dia 29 de setembro.

No dia 01 de outubro já haverá a postagem no blog de todos os contos concorrentes e a eleição popular estará valendo. Lembrando que a atividade de votação é aberta para qualquer pessoa seja da escola ou não.

O processo eleitoral para elegermos os cinco primeiros colocados do concurso termina no dia 29 de outubro, pois no dia seguinte (30) haverá uma festa de premiação na EMEF Professor Rivadávia Marques Junior com uma atividade cultural sobre o Halloween (Dia das Bruxas).

Alunos, corram para participar do concurso. Amigos leitores do blog, prestigiem a atividade votando naquele conto favorito.

Observação: somente valerá um voto por pessoa para cada conto.

Queens of the Stone Age conta com ajuda do público para realizar apresentação apoteótica em São Paulo

Queens of the Stone Age Resenha: Queens of The Stone Age em São Paulo

Nenhuma parafernália pirotécnica. Nada de telões ligados durante o show. Informação zero no palco a respeito de banda ou nome da turnê.

Foi assim que o público presente ao Espaço das Américas em São Paulo visualizou o local onde o Queens of the Stone Age iria tocar.

Numa época em que tudo aquilo que rodeia uma apresentação de música é tão ou mais importante do que a execução das músicas feita pelos artistas tal situação acontecida ontem na capital paulista é um alento para os amantes do bom e velho rock’n roll.

Ponto positivo em vários aspectos também para a organização do evento que, apesar de ter embaçado bastante para fazer uma fila quilométrica andar teve bom desempenho para receber os fãs e executar a entrada sem muitos vacilos ao interior da casa de espetáculos.

Não presenciei nenhum incidente grave e o comportamento dos presentes ao evento também contribuiu para um bom andamento da atividade da noite agradável que foi esta quinta-feira.

Além disso, o papel dos seguranças teve preponderância no que diz respeito á detecção dos espertinhos que queriam acender seus cigarros num espaço tão fechado como é o local. Mesmo assim, há de se elogiar o ar condicionado da casa já que aguentou bem a energia de um público que não parava de pular nenhum minuto e que, por este motivo, poderia elevar demais a temperatura ambiente.

No quesito “banheiros” mesmo com as filas sempre bastante grandes para adentrar aos sanitários ainda havia certa organização e lá dentro havia a conservação de certa limpeza.

Para quem conseguiu vencer a imensa fila logo na abertura da casa ainda pôde assistir a uma apresentação ok do músico americano Alain Johannes que segurou bem o público (que já estava ansioso pelo show principal) no esquema simples do banquinho e violão.

Após uma pausa de aproximadamente quarenta e cinco minutos o QOTSA subiu ao palco e começou a tocar sua pedradas sem nem precisar falar um boa noite para demonstrar a simpatia de todos do grupo. “You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire” foi a primeira música a ser executada.

Josh Homme, líder da banda, só foi falar com a galera presente no Espaço das Américas ao final da segunda ou terceira música.

Com uma precisão cardíaca na execução das canções, todos os instrumentistas ganham aqui uma menção honrosa já que a energia perceptiva nos discos do Queens não se perde no palco. Pelo contrário, há potência na maneira de promover as músicas e quando há tempo pequenas extensões delas acontecem ser necessariamente parecerem maçantes a quem escuta.

Alguns pontos altos da noites ficaram com a execução de músicas do disco “…Like a Clockwork” (notadamente “My God is the Sun”, “Smooth Sailing” e If I Had a Tail”) que foram cantadas por Josh em companhia dos fãs mais jovens que obviamente se identificam mais com o último trabalho dos caras.

Mas também houve espaço para as porradas dos discos anteriores. “Sick Sick Sick” foi uma desculpa perfeita para a abertura de algumas rodas de bate-cabeça que se mostraram muito empolgantes, “Feel Good Hit of the Summer” foi estendida e isso levou a plateia à loucura com um cover posterior de “Never Let Me Down Again” do Depeche Mode.

Mesmo nas músicas mais lentas como “Make It Wit Chu” a participação dos fãs foi quase que em uníssono.

Depois de algum tempo cantando, Josh parou algumas vezes para conversar bem rapidamente com o público meio que para descansar, mas era visível que a força das canções tocadas pelo grupo contagiaram demais o pessoal presente ao show e isso retornou de forma evidente na atividade dos rapazes no palco. Troy Van Leeuwen, Dean Fertita, Michael Shuman eJon Theodore souberam como deixar o líder do QOTSA à vontade para hipnotizar de vez a plateia. O Trabalho destes instrumentistas realmente é muito bem feito.

Outra jogada de mestre da banda é saber como utilizar toda sua discografia para realizar o set list de suas apresentações e ontem não foi diferente: “Mexicola”, única do primeiro disco, “No One Knows” do Songs for the Deaf e “Monstersof the Parasol” do Rated D se mostraram muito bem ao lado de músicas novas como “I Sat by the Ocean” e “I Appear Missing”.

A primeira parte do show terminou com a ótima “Go With the Flow” para que depois de um minuto os menino voltassem com a trinca “The Vampyre of Time and Memory”, “Do it Again” e “A Song for the Dead”, esta última finalizada de uma maneira tão apoteótica que levou os fãs á loucura (literalmente).

Muita gente ainda parecia dançar mesmo depois do término da música, do acendimento das luzes e do desaparecimento de Josh e companhia do palco.

Simplesmente fantástico.

Desde já, rivaliza com a apresentação fora de série do Arcade Fire no Lollapalooza Brasil deste ano.

Abaixo, veja o set list completo da apresentação de ontem e um vídeo de “Fairweather Friends” feira por uma fã. O responsável pelo blog gravou a clássica “Feel Good Hit of the Summer”, mas ficou tão péssima a qualidade do vídeo que prefere não passar vergonha:

  1. You Think I Ain’t Worth a Dollar, but I Feel Like a Millionaire
  2. No One Knows
  3. My God Is the Sun
  4. Smooth Sailing
  5. Monsters in the Parasol
  6. I’m Designer
  7. I Sat by the Ocean
  8. …Like Clockwork
  9. Feel Good Hit of the Summer / Never Let Me Down Again (Depeche Mode)
  10. The Lost Art of Keeping a Secret
  11. If I Had a Tail
  12. Little Sister
  13. Fairweather Friends
  14. Make It Wit Chu
  15. I Appear Missing
  16. Sick, Sick, Sick
  17. Mexicola
  18. Go With the Flow
  19. The Vampyre of Time and Memory
  20. Do It Again
  21. A Song for the Dead

Feel Good Hit of the Summer Ao Vivo

Games: Velocity 2X é sequência ok para a saga espacial

 
Quando chegou ao mercado mundial Velocity iniciou uma febre entre os gamers por ter uma jogabilidade simples e viciante.
 
Por conta dessa empolgação da galera indie com o título, este novo título da produtora Futurelab, acabou por ser bem antecipado.
 
Dessa forma, Velocity 2X traz novamente uma combinação muito boa entre a forma com que se joga com a alta velocidade. Esse processo flui muito bem e a adição de fases 2D ao jogo promove variedade ao que já era interessante.
 
O roteiro do game é este: a tenente Kai está perdida no espaço e acaba capturada por uma raça alienígena que escraviza outras espécies e se transforma numa líder de uma causa rebelde que tentará iniciar uma revolução.
 
A narrativa é entrecortada, isto é, as informações aparecem por meio de cenas cortadas ao longo do jogo, algo que pode até ser um empecilho para a compreensão da história em dados momentos, mas isso se torna irrelevante, pois a missão já está dada e a evolução de telas é bastante autoexplicativa.
 
E no final das contas a saga de Kai serve mesmo como desculpa para a maneira como ela é suplantada através de sua jogabilidade.
 
No que diz respeito ao design de cada fase não há o que reclamar. As coisas podem ser superficiais e bem lineares no começo, mas os caminhos da tela são rapidamente abertos, o que forma diferentes rotas sincronizadas por vezes com mini-estágios 2D dentro das fases espaciais e quebra-cabeças que pedem atenção, memória e precisão.
 
Acerca dessas fases realizadas no espaço há certa preguiça do desenho das imagens e da evolução das coisas já que se parecem muito com o game original, mas isso logo se dissipa com a colocação da câmera de cima para baixo, onde o jogador controla uma nave equipada de um potente acelerador e uma variedade de armas.
 
A viagem em teletransporte, por exemplo, é um componente que permite esquecer as falhas do design descrito anteriormente, pois permite à Kai levar sua nave de um ponto para o outro.
 
Sua realização requer foco total do jogador e a atenção com que deve ser promovida a viagem é dos momentos mais tensos do jogo.
 
Dessa forma, Velocity 2X até se torna fácil de aprender, mas a dificuldade reside em seu domínio com precisão.
 
Há também que se tomar cuidado com a mira do sistema quando se realiza a viagem de teletransporte longa, pois não é tão sincronizada e qualquer vacilo impede o jogador de acertar o alvo.
 
Por último, a sequência completada de todas as 50 fases do segundo título da saga espacial pode ser apenas um início de desafio consigo mesmo já que a luta pode prosseguir para completar as mesmas fases de maneira mais perfeccionista.
 
O game Velocity 2X está disponível para PlayStation 4 e PS Vita.

Resumão do meio da semana: Leonard Cohen, Alt J, The Drums e Julian Casablancas lançam novos discos; Sai data para o novo trabalho do Weezer

Em final de mês em Sampa que vai do rockão do Queens of the Stone Age, viaja no cachorro quente (que não vem ao show) de Miley Cyrus e finaliza com o sempre presente Franz Ferdinand nada melhor do que saber a respeito das novidades lá de fora também.
 
Se o Brasil realmente entrou na rota dos grandes shows já faz algum tempo é com bastante interesse que todos ficam esperando o povo da Time for Fun soltar nota com, pelo menos, algumas das atrações da parte sul-americana do Lollapalooza 2015.
 
Muito se fala sobre Robert Plant e Jack White, que dizem, já estariam fechados com a produção do evento, algum burburinho com as possíveis vindas de Green Day, Chvrches, Bastille, Foster the People, Bloc Party, Kasabian e Empire of the Sun, e pouco se comenta sobre o próximo assunto: o Alt J.
 
Os caras de Leeds lançaram ontem o aguardado disco “This Is All Yours”, segundo trabalho, que não foi bem recebido pela crítica inglesa, mas que parece ter entrado bem nas rádios de lá. A tendência é que estejam no set do Lolla por aqui ano que vem, pois fariam parte da cota de banda nova indie do festival.
 
Outras coisinhas bacanas aconteceram ontem pelo mundo afora.
 
Nosso eterno crooner (e bom velhinho) Leonard Cohen mostrou ao mundo seu “Popular Problems”, que é uma delicia de álbum, bem conduzido e exato no tom e na sonoridade.
 
Outro ícone dos novos bons ares da música indie mundial, The Drums, saiu-se ontem com o lançamento de “Encyclopedia”, terceiro disco do grupo americano que pousa em Sampa para mais uma apresentação em 05 de novembro pela PoploadGig Festival.
Ainda na onda de lançamentos da terça-feira, ainda há o novo de Julian Casablancas, “Tyranny” (que o blog ainda não ouviu) e tem medo de fazê-lo pela porcaria que foi a última incursão do rapaz de maneira solo. Volta logo, Strokes!
Para finalizar, saiu ontem a nova faixa do Weezer, a ótima “The British are Coming”, que busca dar maior publicidade para o lançamento do novo álbum “Everything will be Allright in the End”, que sairá mundialmente em 07 de outubro próximo.
Para um final de mês até que o negócio está bem agitado.
 
Agora é se preparar para o show amanhã e esperar por mais novidades do mundinho musical no mês que vem. 

“The Queen is Dead” ou “O tempo em que Morrissey e Johnny Marr olhavam um na cara do outro”

O que faz uma banda ser necessária para a música? O que um artista precisa para ser genial? Quando sabemos que a coisa está degringolando?
 
Estas perguntas acima podem ser respondidas de diversas formas por fãs e críticos, mas elas só seriam absolutas se as pessoas envolvidas tivessem a mesma ideia sobre os acontecimentos.
 
No caso dos Smiths, a situação então teria que ser analisada com mais parcimônia por Morrissey e por Johnny Marr, mas, visto que nem se falam mais, seria impossível chegar a um veredicto.
 
E se por acaso eles concordassem em alguma coisa nos dias atuais é óbvio que já estariam com a banda na ativa novamente.
 
Então esqueçamos as perguntas iniciais e nos atenhamos ao foco da questão: “The Queen is Dead” é um álbum que, se não chega à perfeição, está muito próximo disso.
 
Tudo convergia para isso: o momento da Grã Bretanha pedia uma obra de protesto importante ao governo trabalhista e à monarquia, a voz de Morrissey era perfeita, o som tirado da guitarra de Johnny Marr, além de inventivo, era também empolgante, e Andy Rourke e Mike Joyce seguravam bem a cozinha do grupo.
 
Além disso, o carisma de Morrissey era evidente e sua beleza fazia as fãs se desmancharem em frente ao palco. Para que o negócio ficasse ainda mais interessante, as letras das músicas eram ótimas e até mesmo a capa do disco dizia muito a respeito (uma foto de 1965 de Allan Delon deitado como se estivesse morto) fazendo com que a provocação fosse uma das marcas fortes da banda britânica.
 
“The Queen is Dead” já era o terceiro álbum de estúdio da banda e por isso puderam criar mais ao longo da produção.
 
O lançamento acontece em 1986 e os integrantes visualizavam aquele período como uma possibilidade de libertação das tradições aristocráticas da Inglaterra. Para eles podia ser o fim do período do tédio inglês.
O disco é o auge criativo de todos os envolvidos com os Smiths, não podendo deixar de ser aclamado até hoje como um dos melhores discos de todos os tempos realizados no Reino Unido, ao lado de clássicos dos Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath, The Clash, Led Zeppelin, entre outros.
 
A faixa-título, que abre o disco de forma arrasadora, apresenta-se como um rock potente através de várias camadas de guitarra conduzida milimetricamente por Marr. A letra já destila o veneno em cima da Inglaterra dos anos 80, criticando instituições fortes como a monarquia e a igreja, produzindo um forte protesto em relação a todo o conservadorismo do governo daquele país.
 
Ao final da música Morrissey declara que “A Rainha está morta, e é tão solitário no limbo; A vida é muito longa quando você está sozinho”. Um poço de dualidade entre o otimismo e o pessimismo.
 
“Frankly, Mr. Shankly” foi escrita ironizando Geoff Travis, dono da gravadora independente Rough Trade, responsável por todos os discos dos Smiths. Através do pseudônimo ‘Mr. Shankly’, Morrissey ridiculariza o cara por meio de uma sonoridade mais alegre que soa diferente em relação ao restante da obra.
 
A terceira faixa é um contraponto com a anterior e nos presenteia com uma balada soturna e tensa: “I Know it’s Over” é considerada por muitos uma obra prima dos Smiths na qual Morrissey pede consolo a sua mãe por estar sozinho, sem amor, apesar de ser inteligente e divertido. Uma tristeza só.
 
Daí, temos na sequência “Never had no one ever”, balada lenta em que a guitarra de Johnny Marr compassa bem e se junta com a timidez do baixo de Rourke e a marcação bem feita de Joyce. De novo, vemos uma choradeira bem cantada pelo titio Morrissey.
 
Chega-se à metade do disco com “Cemetry Gates”, uma canção que celebra a prosa e a poesia, e toca no tema polêmico e sempre atual do plágio por meio de uma homenagem linda ao escritor Oscar Wilde.
 
Um dos grandes singles do álbum é “Bigmouth strikes again”, que foi escrita depois que a imprensa inglesa criticou um comentário que Morrissey fez, lamentando que a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher teria escapado ilesa de um atentado a bomba. Para quem está acostumado com as polêmicas causadas por Morrissey hoje em dia aquilo era muito mais ácido e explosivo e o negócio perseguiu a carreira do músico por muito tempo, como um dos principais inimigos da política britânica.
 
Outro single do álbum é “The boy with the thorn in his side”, que pode ser traduzida como “o garoto com uma pedra no sapato”. A narração do vocalista sobre a tal pedra no sapato tinha como meta atingir a indústria musical mundial, que segundo o próprio integrante da banda, nunca acreditava no que ele dizia. Trata-se de uma faixa perfeita no sentido sonoro, com as marcações de guitarra simples e singelas de Johnny Marr e um acompanhamento perfeito de Rourke para fazer espelho para a batida descompromissada de Joyce. Uma música que marca aquela década.
 
Dentre as maiores virtudes de Morrissey como letrista está sua profunda capacidade de inventar poesias cheias de sarcasmo e ironia e “Vicar in a tutu” é exatamente isso. Um divertido relato sobre um vigário que se divertia usando um saiote de bailarina. E tome reclamação da Igreja e da parcela conservadora (maioria absoluta) da população britânica. Em consonância está a sonoridade tal qual um country-folk de faroeste. Muito boa!
 
A penúltima “There is a light that never goes out” é uma canção que define bem a carreira da banda e que pode ser considerada seu maior hino.
 
Fala sobre um passeio de carro durante a noite em companhia da pessoa amada. O cenário é tão perfeito que nem a morte poderia estragar. Uma ironia que tal situação possa ser usada para explicar a história do próprio grupo. Eles funcionaram tão bem juntos que mesmo as brigas absurdas  iniciadas por Morrissey não abalam a relevância dos Smiths para o rock.
 
O disco termina com “Some girls are bigger than others”, bem conduzida pela guitarra autoral de Johnny Marr. Até hoje, Marr pode figurar entre aqueles instrumentistas com uma marca pessoal, que pode ser identificado numa canção apenas com alguns acordes sendo ouvidos.
 
Enfim, um álbum que encerra um ciclo de poderio criativo de todos da banda. Ainda teríamos como lançamento inédito de estúdio o bom “Strangeways, Here We Come”, mas mesmo aí já se podia visualizar um desgaste da atividade de todos como grupo.
 
Um dos grandes alcances históricos de “The Queen is Dead” é que em 2013 o álbum foi classificado em primeiro lugar na lista dos melhores 500 discos de todos os tempos pelo semanário New Musical Express. Na lista figuravam nomes como Beatles e Led Zeppelin, para se ter uma ideia.
 
“The Queen is Dead” – Álbum faixa a faixa:
 
1 – “The Queen Is Dead” – 6:24
2 – “Frankly, Mr. Shankly” – 2:17
3 – “I Know It’s Over” – 5:48
4 – “Never Had No One Ever” – 3:36
5 – “Cemetry Gates” – 2:39
6 – “Bigmouth Strikes Again” – 3:12
7 – “The Boy with the Thorn in His Side” – 3:15
8 – “Vicar in a Tutu” – 2:21
9 – “There Is a Light That Never Goes Out” – 4:02
10 – “Some Girls Are Bigger Than Others” – 3:14
 
The Queen is Dead
 
Never Had No One Ever
 
Bigmouth Strikes Again
 
The Boy with the Thorn in His Side
There Is a Light That Never Goes Out

A obra de Bernard Cornwell não tem a genialidade e nem a insanidade dos livros de George R.R. Martin, mas até que dá um bom caldo

 
“Bernard Cornwell é um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade. Já publicou mais de 40 livros e teve obras traduzidas para mais de 16 idiomas.”
 
A informação acima é um resumo do texto do wikipedia a respeito da carreira do escritor inglês que até um tempo atrás era líder de vendagem de livros sobre a idade média ao redor do mundo.
 
Com o advento das “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin, Cornwell acabou por ser relegado a um segundo plano na literatura de aventura medieval, mas isso se deve mais pela inovação do escritor americano com que trata os temas de suas histórias do que por uma eventual queda na qualidade do autor britânico.
 
Cornwell é um apaixonado pela história em geral e quando se fala da história de seu país desde os primórdios de sua constituição física e social ele vai muito além. Esse sentimento se reflete em romances que retratam conflitos ocorridos no território inglês (como na série “A Busca do Graal”), situada durante o período de conflito entre Inglaterra e França que ficou mais conhecido como Guerra dos Cem Anos.
 
Ele ainda se meteu numa obra de três livros em que relatava as “Crônicas do Rei Artur” e por meio de uma sólida base histórica real promoveu uma versão muito pessoal das aventuras dos cavaleiros da távola redonda e do que havia por trás das grandes batalhas.
 
A vida de Bernard Cornwell não é normal desde o seu início. Ele acabou ficando órfão muito cedo e foi adotado por uma família em Essex, Inglaterra, que pertencia a uma seita religiosa chamada “Peculiar People” e ele diz até hoje que eram de fato “pessoas peculiares”.
 
Vivendo sob uma forte influência das tradições dessa família ele esperou sua juventude para fugir para a Universidade de Londres, e a partir daí começa a usar o sobrenome de sua mãe, Cornwell.
 
Foi professor, trabalhou para a rede de televisão BBC, envolveu-se com pesquisas no programa Nationwide e terminou como Chefe de Assuntos Televisivos Atuais da BBC na Irlanda do Norte.
Enquanto trabalhava na cidade irlandesa de Belfast ele conheceu sua esposa até hoje, Judy, uma americana por quem se apaixonou imediatamente e que não pôde se mudar para a Inglaterra por questões familiares.
 
Dessa forma, Bernard fez o inverso: foi para os Estados Unidos, mas foi-lhe recusado o Green Card. É este o ponto de partida para sua vida atual pela qual todos o conhecem.
 
Ele decidiu ganhar a vida como escritor, pois tal ofício não necessitava de permissão do governo dos EUA.
 
A série que o fez ser mais exaltado, “As Aventuras de Sharpe”, é formada por mais de 20 livros e foi adaptada para a televisão na Inglaterra, com histórias protagonizadas pelo ator inglês Sean Bean.
 
Além de “Crônicas do Rei Artur” (coleção de três livros), “A Busca do Graal” (mesmo número de volumes) e “As Aventuras de Sharpe” (11 livros traduzidos para o português, mas contando com vinte na língua original), Cornwell escreveu boas estórias ligadas ao mesmo tema da historiografia britânica desde o seu nascimento como nação: são os casos de “O Condenado”, “Stonehenge”, “Azincourt”, “O Forte” e “1356”.
 
Outra coleção interessante de Cornwell, talvez a que me cativou mais, é aquela que trata de assunto mais variado em relação aos outros volumes de sua carreira: falo de “As Crônicas Saxônicas” (sete livros publicados em português até agora) em que relata a saga de Uhtred, um inglês do século IX que é sequestrado por vikings dinamarqueses e por ter sido criado pelos guerreiros nórdicos volta ao seu país de origem mais tarde com toda a bagagem adquirida nos anos em que viveu numa cultura tão diversa para a época.
 
Apesar de retomar questões sobre os primórdios da Inglaterra medieval há um link direto da cultura de violência com que as pessoas estavam acostumadas a conviver naquele período tão demarcado pelo poder da Igreja e do poder absolutista.
 
Enfim, Bernard Cornwell pode não possuir a variedade linguística para inventar novos mundos ou mesmo a perspicácia para manter o leitor preso a histórias tão recheadas de tramas secundárias (como é o caso do louco George R. R. Martin), mas sabe segurar bem seus relatos e as descrições feitas por ele no que diz respeito ao mundo saxônico embrionário são muito bem realizadas.
 
Um autor que perdeu um pouco da aura que estava por trás das histórias de cavalaria, mas que nos entrega contos extremamente honestos do ponto de vista literário. A questão é que se a pessoa quiser iniciar a leitura de algum de seus livros terá que ir até o fim, algo que tomará espaço de sua vida por bastante tempo, visto que as obras são longas.