30 anos do álbum “Powerslave” do Iron Maiden

1984 - Powerslave Album

Datas comemorativas são momentos ótimos para refletir sobre a importância de algumas marcas.

No caso de um álbum, há muito o que dizer. Quando se fala do disco de uma banda ou artista relevante no cenário mundial é sintomático perceber se aquele trabalho ainda possui importância tamanha como a de seu lançamento. 

Agora, quando estamos falando de Iron Maiden, aí o negócio toma proporções inimagináveis.

Iron é grande tanto para o bem quanto para o mal.

Trata-se de uma mega banda de Heavy Metal que ultrapassou as barreiras da música pesada e alcançou voos jamais tripulados por outro grupo do gênero no mainstrean mundial até então.

É por causa de Iron Maiden que Metallica, Megadeth, Sepultura e outras bandas conseguiram entrar no dial das rádios FM no final dos anos 80 e começo dos anos 90.

Por outro lado, a conduta de seus fãs mais acintosos, às vezes, descamba para um fanatismo desnecessário e toda argumentação crítica acerca do trabalho dos rapazes é minada por uma legião de defensores que mais atrapalha do que ajuda.

Enfim, nada no rock é munido de total sanidade, principalmente quando falamos de seus seguidores mais inflamados. Sempre haverá quem odeie ou queira diminuir o trabalho de alguém ou que ame qualquer porcaria feita por um ídolo seu, simplesmente por um gosto pessoal ou arrogância mesmo.

Ninguém está fora disso, o blog incluso.

Algo que não pode se aplicar a “Powerslave”, álbum matador do Iron Maiden que está fazendo neste 03 de setembro de 2014 trinta anos de sua estreia no circuito mundial.

Sem muitas delongas, o disco é o quinto lançado pelos ingleses e é considerado pela mídia especializada como um dos mais pesados da discografia da banda.

Estamos falando do ápice do entrosamento relacional e instrumental dos integrantes e, provavelmente, do melhor momento artístico de todos os membros do grupo.

Ao lado de “The Number of the Beast”, “Powerslave” é o álbum em que fica mais evidente o trabalho conceitual e a base mais consistente da carreira dos caras.

Tanto o lado referente às letras quanto o processo de composição das partituras, mais elaboradas e bem conduzidas por todos os instrumentistas, dão um ar de trabalho de excelência a “Powerslave”.

A parceria de Bruce Dickinson (professor renomado de História) e Adrian Smith sendo mais utilizada (eles assinam “2 Minutes to Midnight” e “Back in the Village”) é evidente o ganho artístico das faixas. Bruce ainda assina mais duas faixas (“Flash of the Blade” e a faixa-título do álbum) deixando mais outras quatro a carga do dono da banda, Steve Harris (“Aces High”, “Losfer Words”, “The Duellists” e Rime of the Ancient Mariner”).

Com temática que varia entre a influência egípcia (“Powerslave”, por exemplo, fala do tema e “Losfer Words” tem sonoridade com um pé na tradição musical daquela parte do planeta), letras sobre batalhas da segunda guerra mundial (“Aces High” possui trecho de um discurso de Winston Churchill) e da ameaça nuclear (“2 Minutes to Midnight” fala disso nas entrelinhas) o disco mantém forte coesão.

Além disso, assuntos como o perigo do poder corromper a alma humana (“The Duellists” e “Back in the Village”), e de citações a demônios, deuses e seres mitológicos (“Rime of the Ancient Mariner” sobre um homem amaldiçoado por uma sereia da morte foi escrita com base num poema de Samuel Taylor Coleridge) promovem uma coerência estilística e uma pegada consistente do início ao fim.

A variação rítmica do vocal de Bruce Dickinson, ligada a sua potência, casa bem com o duelo de guitarras entre Andrian Smith e Dave Murray que abusam das batalhas de cavalgadas sonoras de seus instrumentos, além de serem bem acompanhados e, às vezes, até mesmo suplantados pela espantosa forma como Steve Harris debulha seu baixo. Dessa forma, Nicko McBrain tem sua tarefa facilitada, pois entra com sua força em bater as baquetas na bateria para dar um ar mais rápido à cozinha do Iron Maiden. O som só poderia ter um resultado incrível, tanto do ponto de vista da virtuose com que o som é reproduzido durante o disco todo quanto de sua qualidade criativa.

Em 1995, “Powerslave” foi relançado com um disco bônus. Três anos mais tarde, uma nova edição foi lançada, contendo uma faixa multimídia com os vídeos de “Aces High” e “2 Minutes to Midnight”.

A abordagem egípcia do álbum já aparece na própria capa que mostra um Eddie gigante, como se fosse a estátua de um deus do Egito, na entrada de uma pirâmide. A arte ficou a cargo de Derek Riggs.

A produção do álbum é de Martin Birch, que já havia realizado trabalhos com o Deep Purple e acabou se aposentando anos mais tarde depois de produzir “Fear of the Dark” para o mesmo Iron Maiden.

“Powerslave” foi gravado em um estúdio nas Bahamas, mas foi mixado nos EUA, tendo sido distribuído pela EMI.

1 – Aces High – Steve Harris – 4:29
2 – 2 Minutes to Midnight – Smith/Dickinson – 5:59
3 – Losfer Words (Big ´Orra) – Steve Harris – 4:12
4 – Flash of the Blade – Bruce Dickinson – 4:02
5 – The Duellists – Steve Harris – 6:06
6 – Back in the Village – Smith/Dickinson – 5:20
7 – Powerslave – Bruce Dickinson – 6:47
8 – Rime of the Ancient Mariner – Steve Harris – 13:34

Aces High

2 Minutes to Midnight

Powerslave

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Um comentário em “30 anos do álbum “Powerslave” do Iron Maiden

  1. Igor Maxwel disse:

    Melhor disco do Iron Maiden, com certeza!

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