A obra de Bernard Cornwell não tem a genialidade e nem a insanidade dos livros de George R.R. Martin, mas até que dá um bom caldo

 
“Bernard Cornwell é um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade. Já publicou mais de 40 livros e teve obras traduzidas para mais de 16 idiomas.”
 
A informação acima é um resumo do texto do wikipedia a respeito da carreira do escritor inglês que até um tempo atrás era líder de vendagem de livros sobre a idade média ao redor do mundo.
 
Com o advento das “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin, Cornwell acabou por ser relegado a um segundo plano na literatura de aventura medieval, mas isso se deve mais pela inovação do escritor americano com que trata os temas de suas histórias do que por uma eventual queda na qualidade do autor britânico.
 
Cornwell é um apaixonado pela história em geral e quando se fala da história de seu país desde os primórdios de sua constituição física e social ele vai muito além. Esse sentimento se reflete em romances que retratam conflitos ocorridos no território inglês (como na série “A Busca do Graal”), situada durante o período de conflito entre Inglaterra e França que ficou mais conhecido como Guerra dos Cem Anos.
 
Ele ainda se meteu numa obra de três livros em que relatava as “Crônicas do Rei Artur” e por meio de uma sólida base histórica real promoveu uma versão muito pessoal das aventuras dos cavaleiros da távola redonda e do que havia por trás das grandes batalhas.
 
A vida de Bernard Cornwell não é normal desde o seu início. Ele acabou ficando órfão muito cedo e foi adotado por uma família em Essex, Inglaterra, que pertencia a uma seita religiosa chamada “Peculiar People” e ele diz até hoje que eram de fato “pessoas peculiares”.
 
Vivendo sob uma forte influência das tradições dessa família ele esperou sua juventude para fugir para a Universidade de Londres, e a partir daí começa a usar o sobrenome de sua mãe, Cornwell.
 
Foi professor, trabalhou para a rede de televisão BBC, envolveu-se com pesquisas no programa Nationwide e terminou como Chefe de Assuntos Televisivos Atuais da BBC na Irlanda do Norte.
Enquanto trabalhava na cidade irlandesa de Belfast ele conheceu sua esposa até hoje, Judy, uma americana por quem se apaixonou imediatamente e que não pôde se mudar para a Inglaterra por questões familiares.
 
Dessa forma, Bernard fez o inverso: foi para os Estados Unidos, mas foi-lhe recusado o Green Card. É este o ponto de partida para sua vida atual pela qual todos o conhecem.
 
Ele decidiu ganhar a vida como escritor, pois tal ofício não necessitava de permissão do governo dos EUA.
 
A série que o fez ser mais exaltado, “As Aventuras de Sharpe”, é formada por mais de 20 livros e foi adaptada para a televisão na Inglaterra, com histórias protagonizadas pelo ator inglês Sean Bean.
 
Além de “Crônicas do Rei Artur” (coleção de três livros), “A Busca do Graal” (mesmo número de volumes) e “As Aventuras de Sharpe” (11 livros traduzidos para o português, mas contando com vinte na língua original), Cornwell escreveu boas estórias ligadas ao mesmo tema da historiografia britânica desde o seu nascimento como nação: são os casos de “O Condenado”, “Stonehenge”, “Azincourt”, “O Forte” e “1356”.
 
Outra coleção interessante de Cornwell, talvez a que me cativou mais, é aquela que trata de assunto mais variado em relação aos outros volumes de sua carreira: falo de “As Crônicas Saxônicas” (sete livros publicados em português até agora) em que relata a saga de Uhtred, um inglês do século IX que é sequestrado por vikings dinamarqueses e por ter sido criado pelos guerreiros nórdicos volta ao seu país de origem mais tarde com toda a bagagem adquirida nos anos em que viveu numa cultura tão diversa para a época.
 
Apesar de retomar questões sobre os primórdios da Inglaterra medieval há um link direto da cultura de violência com que as pessoas estavam acostumadas a conviver naquele período tão demarcado pelo poder da Igreja e do poder absolutista.
 
Enfim, Bernard Cornwell pode não possuir a variedade linguística para inventar novos mundos ou mesmo a perspicácia para manter o leitor preso a histórias tão recheadas de tramas secundárias (como é o caso do louco George R. R. Martin), mas sabe segurar bem seus relatos e as descrições feitas por ele no que diz respeito ao mundo saxônico embrionário são muito bem realizadas.
 
Um autor que perdeu um pouco da aura que estava por trás das histórias de cavalaria, mas que nos entrega contos extremamente honestos do ponto de vista literário. A questão é que se a pessoa quiser iniciar a leitura de algum de seus livros terá que ir até o fim, algo que tomará espaço de sua vida por bastante tempo, visto que as obras são longas.
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14 comentários em “A obra de Bernard Cornwell não tem a genialidade e nem a insanidade dos livros de George R.R. Martin, mas até que dá um bom caldo

  1. Paula disse:

    Ele não é um Tolkien, mas com certeza é muito melhor que o George R.R. Martin

  2. Wilamim disse:

    Criticar um autor de romances históricos tendo em vista uma comparação com outro de conto fantasioso, chega a ser deselegante com Bernard Cornwell. Onde, o que ele resolve contar, trazer para o público se difere, e muito das comparações. Tolkien não pode ser comparado e ponto. George R.R. Martin criou algo tao inexplicável quanto incomparável, e Bernard trás sua genialidade, junto com o que o encanta: a história da sua nação contada com minúcia e sempre com o trágico humor inglês.

    • É muito importante fazer análise de toda e qualquer obra. Em nenhum momento a atividade de Cornwell foi diminuída durante a crítica (que pode ser positiva, negativa ou imparcial, como no caso) e a intenção é explicar exatamente para o público em geral que já diferenças entre os textos dos autores citados. Compreenda que o espaço do blog é de discussão e não apenas contemplativo. Obrigado pela leitura!

  3. Héber Zalewska disse:

    Sou fã da obra de Bernard Cornwell, assim como de George R. R. Martin e Tolkien, dentre muitos outros autores, renomados ou não. Compartilho da opinião dos leitores em não achar justa a afirmação de que Bernard não possui a genialidade de George Martin. A genialidade de Bernard Cornwell está em suas narrativas minuciosas de grandes batalhas históricas. Está na profunda relação entre o que ele escreve e a complexidade, repleta de detalhes coerentes, do preenchimento de lacunas que a própria história deixou. É tão injusto comparar autores de gêneros totalmente diferentes quanto comparar Laurentino Gomes com Paulo Coelho, por exemplo. Não vejo imparcialidade alguma na crítica efetuada aqui, e sim um posicionamento incapaz de isolar visões e estilos de escrita diferentes. Encontrei este blog por acaso, quando pesquisava novos lançamentos do autor no Google. Antes não tivera encontrado. Não pude me conter em expressar minha indignação. Deixo um conselho, pare de fazer isso. Você não tem o conhecimento e a mentalidade adequada. Atenciosamente.

    • Felizmente discordo de ti e você mostra seu preconceito pelo simples fato de condicionar minha capacidade de análise na sua opinião meramente pessoal de uma leitura apenas. Veja bem, uma única leitura te fez crer que não posso fazer nenhuma outra análise. Parou para pensar nisso? Mas mesmo assim agradeço pela leitura e comentário!

    • E é muito engraçado perceber que você tenha odiado tanto minha análise sendo que parece nem tê-la lido, pois durante meu texto faço extensos elogios ao modo de escrita de Cornwell. O analfabetismo funcional não é um mero problema educacional, ele é um problema social e é acompanhado pela capacidade que as pessoas agora encontram em apenas ler títulos de manchetes para depois descer a lenha naquilo que não leu. Eu realmente me divirto com isso!!!

  4. Reinaldo Stein disse:

    Eu entendo que a opinião é pessoal e livre. Concordar e discordar também. Entretanto tudo deveria estar circunscrito ao campo das idéias respeitosas, pois sem intolerância ou desqualificação o debate diverte, do contrário ele ofende, separa, destrói, desmotiva, cansa, e se torna inútil…

  5. leonardo disse:

    Observe o seguinte comentário: “Cornwell escreve sobre batalhas como ninguém” (George R.R Martin”. Pergunta, precisa falar mais? Já li os 5 volumes de as Crônicas de Gelo e Fogo, são ótimos, achei melhores do que Senhor dos Anéis.
    Também li a Trilogia do Graal, As Crônicas de Arthur e estou no 7º livre de as Crônicas Saxônicas e, só tenho um comentário a fazer, ele é incomparável, Martin é bom, Tolkien é bom, mas Cornwell é um gênio.
    Portanto aí vai um conselho: procure realmente ler todos os livros, e quando digo ler é entende-los para depois voltar a escrever sobre este gênio.

  6. Samuel Bonotto da Luz disse:

    Olá!! Respeito todas as opiniões, mas pessoalmente gosto mais do Bernard Cornwell. Abraços!

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