Resumão do meio da semana: Leonard Cohen, Alt J, The Drums e Julian Casablancas lançam novos discos; Sai data para o novo trabalho do Weezer

Em final de mês em Sampa que vai do rockão do Queens of the Stone Age, viaja no cachorro quente (que não vem ao show) de Miley Cyrus e finaliza com o sempre presente Franz Ferdinand nada melhor do que saber a respeito das novidades lá de fora também.
 
Se o Brasil realmente entrou na rota dos grandes shows já faz algum tempo é com bastante interesse que todos ficam esperando o povo da Time for Fun soltar nota com, pelo menos, algumas das atrações da parte sul-americana do Lollapalooza 2015.
 
Muito se fala sobre Robert Plant e Jack White, que dizem, já estariam fechados com a produção do evento, algum burburinho com as possíveis vindas de Green Day, Chvrches, Bastille, Foster the People, Bloc Party, Kasabian e Empire of the Sun, e pouco se comenta sobre o próximo assunto: o Alt J.
 
Os caras de Leeds lançaram ontem o aguardado disco “This Is All Yours”, segundo trabalho, que não foi bem recebido pela crítica inglesa, mas que parece ter entrado bem nas rádios de lá. A tendência é que estejam no set do Lolla por aqui ano que vem, pois fariam parte da cota de banda nova indie do festival.
 
Outras coisinhas bacanas aconteceram ontem pelo mundo afora.
 
Nosso eterno crooner (e bom velhinho) Leonard Cohen mostrou ao mundo seu “Popular Problems”, que é uma delicia de álbum, bem conduzido e exato no tom e na sonoridade.
 
Outro ícone dos novos bons ares da música indie mundial, The Drums, saiu-se ontem com o lançamento de “Encyclopedia”, terceiro disco do grupo americano que pousa em Sampa para mais uma apresentação em 05 de novembro pela PoploadGig Festival.
Ainda na onda de lançamentos da terça-feira, ainda há o novo de Julian Casablancas, “Tyranny” (que o blog ainda não ouviu) e tem medo de fazê-lo pela porcaria que foi a última incursão do rapaz de maneira solo. Volta logo, Strokes!
Para finalizar, saiu ontem a nova faixa do Weezer, a ótima “The British are Coming”, que busca dar maior publicidade para o lançamento do novo álbum “Everything will be Allright in the End”, que sairá mundialmente em 07 de outubro próximo.
Para um final de mês até que o negócio está bem agitado.
 
Agora é se preparar para o show amanhã e esperar por mais novidades do mundinho musical no mês que vem. 
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“The Queen is Dead” ou “O tempo em que Morrissey e Johnny Marr olhavam um na cara do outro”

O que faz uma banda ser necessária para a música? O que um artista precisa para ser genial? Quando sabemos que a coisa está degringolando?
 
Estas perguntas acima podem ser respondidas de diversas formas por fãs e críticos, mas elas só seriam absolutas se as pessoas envolvidas tivessem a mesma ideia sobre os acontecimentos.
 
No caso dos Smiths, a situação então teria que ser analisada com mais parcimônia por Morrissey e por Johnny Marr, mas, visto que nem se falam mais, seria impossível chegar a um veredicto.
 
E se por acaso eles concordassem em alguma coisa nos dias atuais é óbvio que já estariam com a banda na ativa novamente.
 
Então esqueçamos as perguntas iniciais e nos atenhamos ao foco da questão: “The Queen is Dead” é um álbum que, se não chega à perfeição, está muito próximo disso.
 
Tudo convergia para isso: o momento da Grã Bretanha pedia uma obra de protesto importante ao governo trabalhista e à monarquia, a voz de Morrissey era perfeita, o som tirado da guitarra de Johnny Marr, além de inventivo, era também empolgante, e Andy Rourke e Mike Joyce seguravam bem a cozinha do grupo.
 
Além disso, o carisma de Morrissey era evidente e sua beleza fazia as fãs se desmancharem em frente ao palco. Para que o negócio ficasse ainda mais interessante, as letras das músicas eram ótimas e até mesmo a capa do disco dizia muito a respeito (uma foto de 1965 de Allan Delon deitado como se estivesse morto) fazendo com que a provocação fosse uma das marcas fortes da banda britânica.
 
“The Queen is Dead” já era o terceiro álbum de estúdio da banda e por isso puderam criar mais ao longo da produção.
 
O lançamento acontece em 1986 e os integrantes visualizavam aquele período como uma possibilidade de libertação das tradições aristocráticas da Inglaterra. Para eles podia ser o fim do período do tédio inglês.
O disco é o auge criativo de todos os envolvidos com os Smiths, não podendo deixar de ser aclamado até hoje como um dos melhores discos de todos os tempos realizados no Reino Unido, ao lado de clássicos dos Beatles, Rolling Stones, Black Sabbath, The Clash, Led Zeppelin, entre outros.
 
A faixa-título, que abre o disco de forma arrasadora, apresenta-se como um rock potente através de várias camadas de guitarra conduzida milimetricamente por Marr. A letra já destila o veneno em cima da Inglaterra dos anos 80, criticando instituições fortes como a monarquia e a igreja, produzindo um forte protesto em relação a todo o conservadorismo do governo daquele país.
 
Ao final da música Morrissey declara que “A Rainha está morta, e é tão solitário no limbo; A vida é muito longa quando você está sozinho”. Um poço de dualidade entre o otimismo e o pessimismo.
 
“Frankly, Mr. Shankly” foi escrita ironizando Geoff Travis, dono da gravadora independente Rough Trade, responsável por todos os discos dos Smiths. Através do pseudônimo ‘Mr. Shankly’, Morrissey ridiculariza o cara por meio de uma sonoridade mais alegre que soa diferente em relação ao restante da obra.
 
A terceira faixa é um contraponto com a anterior e nos presenteia com uma balada soturna e tensa: “I Know it’s Over” é considerada por muitos uma obra prima dos Smiths na qual Morrissey pede consolo a sua mãe por estar sozinho, sem amor, apesar de ser inteligente e divertido. Uma tristeza só.
 
Daí, temos na sequência “Never had no one ever”, balada lenta em que a guitarra de Johnny Marr compassa bem e se junta com a timidez do baixo de Rourke e a marcação bem feita de Joyce. De novo, vemos uma choradeira bem cantada pelo titio Morrissey.
 
Chega-se à metade do disco com “Cemetry Gates”, uma canção que celebra a prosa e a poesia, e toca no tema polêmico e sempre atual do plágio por meio de uma homenagem linda ao escritor Oscar Wilde.
 
Um dos grandes singles do álbum é “Bigmouth strikes again”, que foi escrita depois que a imprensa inglesa criticou um comentário que Morrissey fez, lamentando que a então primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher teria escapado ilesa de um atentado a bomba. Para quem está acostumado com as polêmicas causadas por Morrissey hoje em dia aquilo era muito mais ácido e explosivo e o negócio perseguiu a carreira do músico por muito tempo, como um dos principais inimigos da política britânica.
 
Outro single do álbum é “The boy with the thorn in his side”, que pode ser traduzida como “o garoto com uma pedra no sapato”. A narração do vocalista sobre a tal pedra no sapato tinha como meta atingir a indústria musical mundial, que segundo o próprio integrante da banda, nunca acreditava no que ele dizia. Trata-se de uma faixa perfeita no sentido sonoro, com as marcações de guitarra simples e singelas de Johnny Marr e um acompanhamento perfeito de Rourke para fazer espelho para a batida descompromissada de Joyce. Uma música que marca aquela década.
 
Dentre as maiores virtudes de Morrissey como letrista está sua profunda capacidade de inventar poesias cheias de sarcasmo e ironia e “Vicar in a tutu” é exatamente isso. Um divertido relato sobre um vigário que se divertia usando um saiote de bailarina. E tome reclamação da Igreja e da parcela conservadora (maioria absoluta) da população britânica. Em consonância está a sonoridade tal qual um country-folk de faroeste. Muito boa!
 
A penúltima “There is a light that never goes out” é uma canção que define bem a carreira da banda e que pode ser considerada seu maior hino.
 
Fala sobre um passeio de carro durante a noite em companhia da pessoa amada. O cenário é tão perfeito que nem a morte poderia estragar. Uma ironia que tal situação possa ser usada para explicar a história do próprio grupo. Eles funcionaram tão bem juntos que mesmo as brigas absurdas  iniciadas por Morrissey não abalam a relevância dos Smiths para o rock.
 
O disco termina com “Some girls are bigger than others”, bem conduzida pela guitarra autoral de Johnny Marr. Até hoje, Marr pode figurar entre aqueles instrumentistas com uma marca pessoal, que pode ser identificado numa canção apenas com alguns acordes sendo ouvidos.
 
Enfim, um álbum que encerra um ciclo de poderio criativo de todos da banda. Ainda teríamos como lançamento inédito de estúdio o bom “Strangeways, Here We Come”, mas mesmo aí já se podia visualizar um desgaste da atividade de todos como grupo.
 
Um dos grandes alcances históricos de “The Queen is Dead” é que em 2013 o álbum foi classificado em primeiro lugar na lista dos melhores 500 discos de todos os tempos pelo semanário New Musical Express. Na lista figuravam nomes como Beatles e Led Zeppelin, para se ter uma ideia.
 
“The Queen is Dead” – Álbum faixa a faixa:
 
1 – “The Queen Is Dead” – 6:24
2 – “Frankly, Mr. Shankly” – 2:17
3 – “I Know It’s Over” – 5:48
4 – “Never Had No One Ever” – 3:36
5 – “Cemetry Gates” – 2:39
6 – “Bigmouth Strikes Again” – 3:12
7 – “The Boy with the Thorn in His Side” – 3:15
8 – “Vicar in a Tutu” – 2:21
9 – “There Is a Light That Never Goes Out” – 4:02
10 – “Some Girls Are Bigger Than Others” – 3:14
 
The Queen is Dead
 
Never Had No One Ever
 
Bigmouth Strikes Again
 
The Boy with the Thorn in His Side
There Is a Light That Never Goes Out

A obra de Bernard Cornwell não tem a genialidade e nem a insanidade dos livros de George R.R. Martin, mas até que dá um bom caldo

 
“Bernard Cornwell é um dos mais importantes escritores britânicos da atualidade. Já publicou mais de 40 livros e teve obras traduzidas para mais de 16 idiomas.”
 
A informação acima é um resumo do texto do wikipedia a respeito da carreira do escritor inglês que até um tempo atrás era líder de vendagem de livros sobre a idade média ao redor do mundo.
 
Com o advento das “Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin, Cornwell acabou por ser relegado a um segundo plano na literatura de aventura medieval, mas isso se deve mais pela inovação do escritor americano com que trata os temas de suas histórias do que por uma eventual queda na qualidade do autor britânico.
 
Cornwell é um apaixonado pela história em geral e quando se fala da história de seu país desde os primórdios de sua constituição física e social ele vai muito além. Esse sentimento se reflete em romances que retratam conflitos ocorridos no território inglês (como na série “A Busca do Graal”), situada durante o período de conflito entre Inglaterra e França que ficou mais conhecido como Guerra dos Cem Anos.
 
Ele ainda se meteu numa obra de três livros em que relatava as “Crônicas do Rei Artur” e por meio de uma sólida base histórica real promoveu uma versão muito pessoal das aventuras dos cavaleiros da távola redonda e do que havia por trás das grandes batalhas.
 
A vida de Bernard Cornwell não é normal desde o seu início. Ele acabou ficando órfão muito cedo e foi adotado por uma família em Essex, Inglaterra, que pertencia a uma seita religiosa chamada “Peculiar People” e ele diz até hoje que eram de fato “pessoas peculiares”.
 
Vivendo sob uma forte influência das tradições dessa família ele esperou sua juventude para fugir para a Universidade de Londres, e a partir daí começa a usar o sobrenome de sua mãe, Cornwell.
 
Foi professor, trabalhou para a rede de televisão BBC, envolveu-se com pesquisas no programa Nationwide e terminou como Chefe de Assuntos Televisivos Atuais da BBC na Irlanda do Norte.
Enquanto trabalhava na cidade irlandesa de Belfast ele conheceu sua esposa até hoje, Judy, uma americana por quem se apaixonou imediatamente e que não pôde se mudar para a Inglaterra por questões familiares.
 
Dessa forma, Bernard fez o inverso: foi para os Estados Unidos, mas foi-lhe recusado o Green Card. É este o ponto de partida para sua vida atual pela qual todos o conhecem.
 
Ele decidiu ganhar a vida como escritor, pois tal ofício não necessitava de permissão do governo dos EUA.
 
A série que o fez ser mais exaltado, “As Aventuras de Sharpe”, é formada por mais de 20 livros e foi adaptada para a televisão na Inglaterra, com histórias protagonizadas pelo ator inglês Sean Bean.
 
Além de “Crônicas do Rei Artur” (coleção de três livros), “A Busca do Graal” (mesmo número de volumes) e “As Aventuras de Sharpe” (11 livros traduzidos para o português, mas contando com vinte na língua original), Cornwell escreveu boas estórias ligadas ao mesmo tema da historiografia britânica desde o seu nascimento como nação: são os casos de “O Condenado”, “Stonehenge”, “Azincourt”, “O Forte” e “1356”.
 
Outra coleção interessante de Cornwell, talvez a que me cativou mais, é aquela que trata de assunto mais variado em relação aos outros volumes de sua carreira: falo de “As Crônicas Saxônicas” (sete livros publicados em português até agora) em que relata a saga de Uhtred, um inglês do século IX que é sequestrado por vikings dinamarqueses e por ter sido criado pelos guerreiros nórdicos volta ao seu país de origem mais tarde com toda a bagagem adquirida nos anos em que viveu numa cultura tão diversa para a época.
 
Apesar de retomar questões sobre os primórdios da Inglaterra medieval há um link direto da cultura de violência com que as pessoas estavam acostumadas a conviver naquele período tão demarcado pelo poder da Igreja e do poder absolutista.
 
Enfim, Bernard Cornwell pode não possuir a variedade linguística para inventar novos mundos ou mesmo a perspicácia para manter o leitor preso a histórias tão recheadas de tramas secundárias (como é o caso do louco George R. R. Martin), mas sabe segurar bem seus relatos e as descrições feitas por ele no que diz respeito ao mundo saxônico embrionário são muito bem realizadas.
 
Um autor que perdeu um pouco da aura que estava por trás das histórias de cavalaria, mas que nos entrega contos extremamente honestos do ponto de vista literário. A questão é que se a pessoa quiser iniciar a leitura de algum de seus livros terá que ir até o fim, algo que tomará espaço de sua vida por bastante tempo, visto que as obras são longas.

Lolla Brasil 2015 já se faz presente com alguns anúncios importantes

 
A contagem regressiva já começou: o Lollapalooza Brasil 2015 já começa a tomar para si as atenções dos comentários em redes sociais e colunas sobre música.
 
E não é para menos.
 
A data de início das vendas de ingressos foi divulgada nas últimas horas pela Ticket for Fun, produtora do evento.
 
Dia 24 de setembro é o ponto de partida para que as pessoas possam comprar o Lolla Pass, ingresso que dá aceso aos dois dias do festival, que terá custo, no primeiro lote, de R$ 580 (inteira) e R$ 290 (meia-entrada).
 
Nessa primeira leva de vendagem as entradas podem ser adquiridas através do site ticketsforfun.com.br ou na bilheteria do Citibank Hall em São Paulo, localizada na Av. das Nações Unidas, 17.955, em Santo Amaro.
 
Assim como aconteceu já neste ano, em 2015 o festival do próximo ano será novamente sediado no Autódromo de Interlagos, com as datas definidas entre os dias 28 e 29 de março.
 
Nos últimos dias algumas especulações de jornais paulistanos (notadamente o Jornal Destak, através do jornalista José Norberto Flesch) têm dado como certa a escalação dos headliners Jack White e Robert Plant para cada dia do festival.
 
Além deles, os nomes de mais três bandas já são faladas por aí: Kasabian, Foster The People e Bastille.
 
É bem provável que terça-feira ou mesmo na quarta-feira, dia de início das vendas do Lollapass haja a confirmação de, pelo menos, uma parte do line-up principal do evento.

Está longe, mas você verá Tim Burton no início de 2016 em São Paulo

Um dos cineastas mais criativos e inovadores dos últimos trinta anos estará em São Paulo em breve.

Entre janeiro e abril de 2016 (ainda sem data marcada), o MIS (Museu da Imagem e do Som) receberá uma megaexposição dedicada à obra de Tim Burton. Inclusive, o próprio diretor virá ao país para acompanhar a abertura.

“Ele vem pessoalmente à exposição”, conta André Sturm, diretor do Museu.

Segundo Sturm, assim como nas exposições de Stanley Kubrick e David Bowie, ambas trazidas de importantes instituições internacionais, a mostra de Tim Burton, original do MoMA, em Nova York, será adaptada ao MIS com trechos inéditos pensados especialmente para o espaço expositivo.

Desse modo, pode ser que algumas partes da exposição original não venha ou tenha de ser suprimida aqui.

“Vale adiantar que a exposição é muito cenográfica, vai além dos documentos originais, objetos de cenas, vídeos e fotografias”, revela Sturm.

Sendo assim, é óbvio que a proposta é de muita interação, assim como tem sido usual no museu paulistano. A questão é mesmo fazer o visitante se sentir literalmente dentro de um filme de Tim Burton.

A exposição ainda está longe de ocorrer, mas indica o fato de São Paulo entrar de vez nesse caminho de exposições mais interativas que tem passado pelos grandes centros culturais do mundo.

Também será a grande oportunidade de conhecer de perto o universo criado para produções como “Edward, Mãos de Tesoura”, “O Estranho Mundo de Jack”, “A Noiva Cadáver”, “Sweeney Todd”, “Alice no País das Maravilhas” e tantos outros filmes do cineasta.

A mostra trará 700 obras – entre pinturas, bonecos e storyboards – de toda a carreira do cineasta Tim Burton, incluindo objetos originais de cenas de filmes como “Batman” e “Alice no País das Maravilhas”.

Portanto, valerá a pena esperar tanto tempo para ter acesso a esse estranho (e interessante) mundo de Burton.

Uma banda de respeito: Thurston Moore e membros do Sonic Youth e My Blood Valentine vêm para show em São Paulo

 
O músico Thurston Moore, ex-líder do Sonic Youth, fará um show em São Paulo no próximo dia 4 de dezembro.
 
A apresentação é mais um recheio da 34ª edição do Popload Gig, evento no qual o guitarrista produzirá um show ao lado de sua nova banda: a Thurston Moore Band –, que ainda conta com o ex-baterista do Sonic Youth, Steve Shelley, e o baixista Debbie Googe, do My Bloody Valentine, além de James Sedwards, músico britânico da banda Nought.
 
O show acontecerá no já manjado Cine Joia, situado no bairro da Liberdade, em São Paulo, e terá no setlist as músicas do próximo disco de Thurston Moore, “The Best Day”, que tem lançamento previsto para o meio de outubro, pela Matador Records.
 
Esta será a quarta obra solo do guitarrista que ainda possui atividades com a banda Chelsea Light Moving, que estreou em estúdio em 2013.
 
Recentemente, Moore, em entrevista à Revista Rolling Stone, declarou sobre o fim do Sonic Youth e do casamento com Kim Gordon: “Eu sempre terei aquela experiência de tristeza que uma separação traz”.
 
É claro que tal situação também desenvolve forte impacto na composição de suas novas músicas e isso poderá ser conferido nas apresentações de São Paulo.
 
O músico, além de ser um ótimo guitarrista, é considerado um dos grandes instrumentistas inventivos de nossa época e influenciou grande parte das bandas do indie rock e das bandas de garagem.
 
Desde Pixies, passando pelos Stone Roses e caras mais novos como o Arctic Monkeys tiveram alguma influência da forma de tocar instintiva de Moore. Até mesmo o povo todo do grunge de Seattle se sintonizou no trabalho do Sonic Youth para ter sua própria produção musical.
 
Thurston Moore Band
4 de dezembro (quinta-feira), às 22h
Cine Joia – Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
Ingressos: R$ 180 (haverá meia-entrada)
Mais informações: http://cinejoia.tv/ingressos

A televisão venceu: True Detective é bom pra Cacete!

 
Sim, confesso meu atraso intelectual em perceber o quão importante é True Detective para a história das séries televisivas.
 
Mas, por outro lado, ter assistido posteriormente ao programa sem interrupções acabou por ser uma atividade mais agradável e menos aflitiva do que o quem teve que suportar a interminável espera entre um episódio e outro quando passou de forma inédita na HBO.
 
Por outro lado, deve ter sido mais produtivo o pensamento lento e divagador daqueles que assistiram à obra pausadamente, já que poderiam discorrer sobre as possíveis artimanhas do roteiro e os destinos de cada personagem.
 
Pois bem, a trama está saindo agora em formato de DVD (três discos) e não está á altura da potência de sua história. Os produtores da HBO deveriam ter tido cuidado maior não só com o lançamento, mas também com a qualidade da caixa. Não há nenhuma peculiaridade no lançamento que me faça tirar do bolso os tais cem reais em média que estão sendo cobrados por aí para adquirir o produto.
 
Ou seja, quem se dispuser a desembolsar o dinheiro será mesmo pela história da série (o que também já é dinheiro bem gasto também).
 
Outros lançamentos da própria HBO como “Game of Thrones” ou “True Blood” possuem uma qualidade muito mais intensa para ser entregue aos fãs: caixas estilizadas, cartazes internos com a ficha técnica da série e material de produção adicional.
 
No que diz respeito ao produto cinematográfico em si, não há o que discutir: é uma das produções televisivas mais bem apuradas e com melhor história dos últimos anos. Junta-se a isso a atuação de seus protagonistas e do corpo de atores coadjuvantes que empolga qualquer aficionado por suspense e tramas policiais de hoje e de sempre.
 
Estamos diante de um caso típico de simbiose artística: Mathew McConaughey (o enigmático e amalucado Rust Cohle) e Woody Harrelson (o pai de família que dá suas escapadas Martin Hart) estão perfeitos como os detetives que não se encaixam como dupla nem mesmo quando engatam certa amizade. O que Cohle tem de estranho e filosófico possui também de perspicaz e calculista ao desvendar alguns dos mistérios da trama. Por outro lado, Martin Hart é aquela alma que sempre procura ajudar aos outros e se sensibiliza facilmente, mas não aguenta um rabo de saia e destrói dia-a-dia sua relação com a esposa (Michelle Monaghan).
 
A história gira em torno de uma investigação que se inicia nos anos 90 e utiliza múltiplas linhas do tempo para traçar através de 17 anos a busca dos dois detetives por um assassino em série na Louisiana.
 
Nos primeiros episódios há uma cena recorrente de dois investigadores (os atores Michael Potts e Tory Kittles) nos dias atuais realizando depoimentos em separado com Rust e Martin, algo que provoca ainda mais tensão e suspense com relação ao que aconteceu anteriormente na vida de ambos que nem se falam mais.
 
Apesar de possuir na história de Nic Pizzolatto algumas viagens meio difíceis de entender ou se fazer verossímeis, a atuação do elenco principal é tão boa que o telespectador deixa isso passar e se prende ao âmago do roteiro: a procura pelos verdadeiros assassinos e a desconstrução dos personagens de McConaughey e Harrelson.
 
A direção de Cary Joji Fukunaga é tão precisa que acaba por se empolga em algumas cenas meio desnecessárias, como é o caso do plano-sequência do quarto episódio que, apesar de lindo, cheio de ação e bem feito, é profundamente desconexo do restante da série, que se baseia mais nas falas e nas divagações entre os personagens.
 
Enfim, não é uma série para acompanhar furtivamente sem se prender a ela: ou você se conecta profundamente com a vida e a atividade dos dois detetives ou se dissipa sua fluência com a história e isso pode levar ao tédio dos menos avisados.
 
A vitória de “True Detective” também se dá pela experiência de seu elenco principal que sabia desde o início que o negócio somente daria certo se realizassem a produção como se fosse um filmão de oito horas de duração sem que tivessem a pretensão de segundas, terceiras ou infinitas temporadas.
 
Ao contrário, por exemplo, de “Breaking Bad” que necessita de uma análise paulatina e gradativa da transformação psicológica e da personalidade de seu personagem principal, com True Detective acontece o inverso: nós vamos nos dando conta de que aquela casca mostrada dos protagonistas é apenas um invólucro para o que já está lá dentro desde sempre e meio que parafraseando o Dr House (para ficar em outra série) “Pessoas não mudam”.
Dessa forma, a tal desconstrução que se realiza ao longo dos oito capítulos da série não é em relação às características dos personagens e sim em relação ao que achávamos quem eles eram.
 
Uma pena que a indústria da televisão, apesar de tão criativa atualmente, ainda peca pelo conservadorismo nas premiações e não tenha promovido uma dobradinha de Oscar e Emmy para Matthew McConaughey que está perfeito em seu papel e que é alavancado pela experiência técnica da atuação precisa de Woody Harrelson.
 
Já pode ser considerado um marco para a televisão nessa década, ao lado de outras pérolas como “Breaking Bad” e “Game of Thrones”, cada um na sua área.