“The Endless River”: a última remada do Pink Floyd

A espera acabou.

É hoje a estreia do novo álbum de uma das maiores bandas de todos os tempos. E já está disponível mundialmente para audição em diversos serviços de streaming e a versão física pode ser comprada em lojas ou encomendada em inúmeros serviços virtuais.

O Pink Floyd lança “The Endless River” com muito estardalhaço depois de muito tempo sem algo inédito. A última vez que isso havia acontecido foi em 1994 com “The Division Bell”. Já se vão vinte anos, portanto.

Mas o décimo-quinto disco de estúdio da carreira da banda inglesa não causa furor somente pelo hiato que encerra. O fato de todos os integrantes remanescentes da formação original terem declarado que este é o último trabalho do grupo formula a comoção necessária para que também seja um sucesso de vendagens mundo afora.

E quem esperava por algo grandioso pode se decepcionar. A produção em si nos entrega uma espécie de elegia, um canto do cisne cheio de melancolia e tristeza.

O fato de ser quase todo tomado por faixas instrumentais comprova esse sentimento e os solos de guitarra cheios da personalidade marcante de David Gilmour permite que o ouvinte sinta uma ponta de saudade de tempos anteriores do grupo quando ainda se fazia presente o espírito mais pautado pela experimentação e psicodelia dos anos 60 e 70.

“Louder Than Words”, linda composição da esposa de Gilmour, a escritora Polly Samson, é a única música cantada do álbum e intensifica ainda mais essa sensação de algo terminando.

No fim das contas, a pinta é de um disco de despedida, o que pode mudar a qualquer momento, visto que milhões de bandas antigas realizam trabalhos finais diversas vezes ao longo da carreira para, em seguida, fazerem coisas novas. É o apelo do mercado, digamos.

Mas ainda vem coisa nova por aí em breve, visto que Gilmour relatou sua vontade de realizar novo trabalho solo em 2015. Esperamos que sua veia experimental esteja mais pulsante ao tocar sozinho.

Mesmo assim, consegue-se ouvir qualidade do misto de blues e jazz que preenche bem as dezenove canções separadas em quatro partes durante o disco todo.

A produção dividida entre Gilmour, Martin Glover, Andy Jackson e Phil Manzanera também auxilia na limpeza das faixas e diminui a pegada mais rock. Por outro lado, outro fato fortalece ainda mais a nostalgia dos fãs, pois Richard Wright, tecladista falecido em 2008, participa em diversas canções.

Isso se deve, principalmente, pelo fato de que “The Endless River” ser quase um apêndice de “The Division Bell, pois muitas das músicas são sobras daquele trabalho que foram recheadas com nova roupagem ao longo dos últimos anos. A morte de Wright deve ter impulsionado o desejo de Nick Mason e David Gilmour para a realização, o que também contribui para o clima mais soturno.

O próprio Mason, que ajusta sua bateria para uma batida mais jazzística neste disco, havia salientado no livro “Inside Out: A Pesonal History of Pink Floyd” que aquelas canções que ficaram de fora do álbum de 1994 eram suficientes para um novo disco, mas que ainda não havia tido a oportunidade (ou vontade) de finalizá-las. Inclusive, o disco que finalmente sai agora, tinha um apelido entre os integrantes do Pink Floyd, “The Big Spliff”, desde aquela época.

Coube ao ao músico convidado Guy Pratt a tarefa de tocar o baixo nas canções.

O álbum sai pela Parlophone, em colaboração com a Warner mundial.

Louder Than Words – Pink Floyd

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