Queens of the Stone Age conta com ajuda do público para realizar apresentação apoteótica em São Paulo

Texto originário de 26 de setembro de 2014

Outros Sons

Queens of the Stone Age Resenha: Queens of The Stone Age em São Paulo

Nenhuma parafernália pirotécnica. Nada de telões ligados durante o show. Informação zero no palco a respeito de banda ou nome da turnê.

Foi assim que o público presente ao Espaço das Américas em São Paulo visualizou o local onde o Queens of the Stone Age iria tocar.

Numa época em que tudo aquilo que rodeia uma apresentação de música é tão ou mais importante do que a execução das músicas feita pelos artistas tal situação acontecida ontem na capital paulista é um alento para os amantes do bom e velho rock’n roll.

Ponto positivo em vários aspectos também para a organização do evento que, apesar de ter embaçado bastante para fazer uma fila quilométrica andar teve bom desempenho para receber os fãs e executar a entrada sem muitos vacilos ao interior da casa de espetáculos.

Não presenciei nenhum incidente grave e o comportamento dos presentes ao evento também contribuiu para…

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Ser ateu nos países nórdicos é normal (e o que a música tem a ver com isso)

O Blog está em recesso até o dia 05 de janeiro. Até lá serão postados textos que foram bastante acessados durante esses dois anos e meio de trabalho.

Outros Sons

simbolo-ateismo

A última grande pesquisa no mundo sobre religiões e as estatísticas acerca de seus adeptos foi em 2007. Neste estudo, o sociólogo norte-americano Phil Zuckerman mediu taxas e padrões contemporâneos no segmento das crenças e uma informação que chamou à atenção foi a grande quantidade de ateus, agnósticos e não-crentes em Deus na região nórdica (Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Islândia).

Para se ter uma ideia, nessa pesquisa de Zuckerman, o ranking dos dez países com maior proporcionalidade de ateus no mundo tem quatro desses países (sendo a Suécia, a primeira colocada com 85% da população sem nenhuma crença).

Neste rol de países nórdicos somente a Islândia não possui um número considerável de ateus, pois a maioria absoluta de seus habitantes pertence à Igreja Luterana.

Todos os outros países têm uma média acima de 60% da população sem nenhuma crença e sem nenhuma preocupação com questões religiosas ou com alguma…

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Previsões do Blog para 2015

Política:

Emergirão no campo nacional novas denúncias nos casos de corrupção já conhecidos (petrolão e trensalão), políticos renomados e raposas velhas estarão no olho do furacão e muitos líderes do governo e da oposição estarão envolvidos até a medula.

Juízes e desembargadores irão vociferar contra a corrupção e líderes de bancada falarão à nação contra os métodos escusos e absurdos do Estado.

No final das contas, tudo virará fumaça, alguns poucos borra-botas serão presos e ainda por cima, os barões da política brasileira serão alçados a novos voos políticos.

Além disso, faltará água em São Paulo, haverá enchente no final do ano no sudeste e seca no meio do ano no nordeste. Não haverá uma única atividade ou obra de contenção contra estes problemas e o jogo seguirá com o PSDB em São Paulo e o PT no governo federal.


Educação:

O Brasil continuará seguindo no fim da fila das principais listas sobre aprendizagem, proficiência em inglês, matemática, língua materna ou qualquer coisa que tenha a ver com educação.

O governo continuará condicionando liberação de verbas aos municípios e estados ao nível de aprovação e não ao índice de aprendizagem e fará de tudo para que professores e equipes gestoras (inclusive pressão e outras maneiras menos cíveis) para que estes aprovem todo e qualquer aluno, mesmo aquele que morreu no mês de maio.

Haverá greves de professores por todo o Brasil e os secretários de Educação e secretários da mesma pasta tratarão os mestres como se fossem cachorros vira-latas (e bem que estes últimos têm tido melhor vida ultimamente). Ao final dessas manifestações desgastantes e que dividirão a categoria os profissionais sairão com menos direitos do que quando entraram na disputa com o Estado.


Manifestações nas redes sociais e nas ruas

Coxinhas e Petralhas continuarão se degladiando pelas redes sociais e o clima de Fla x Flu continuará imperando na internet.

Não importará se você estiver falando do novo filme de Tarantino ou do novo restaurante do Alex Atala> o que vale é defender seu partido e seu estilo de vida da onda comunista que irá comer criancinhas ou do capitalismo selvagem que rouba suas cuecas.

Também haverá muito protesto de rua de gente alienada pedindo a volta do Regime Militar e de seu edificante processo de tortura, perseguição e censura, tudo isso contra a Cubanização do Brasil ou da necessidade de mandar que não pensa como um ogro da Idade Média para morar em Havana.

Do outro lado, teremos inúmeras pessoas saindo às ruas com suas máscaras compradas no shopping center prontos para quebrar tudo, mas sem a mínima ideia sobre o que está protestando. Mas haverá gritos contra o consumismo e o capitalismo das mesmas bocas que são sustentadas por pés calçados com belos Nikes e Adidas.

Amigos se tornarão inimigos e inimigos tentarão se matar, mas tudo não passará de frescura da mais idiota possível, pois quando houver aumento do IPTU ou do IPVA todos correrão ao banco o mais rápido possível para conseguir um desconto no pagamento.


Cinema

No âmbito nacional, continuaremos a ser brindados com muitas estreias com aquele gordinho como atração principal fazendo piadas engraçadas serem encaradas como uma dose de diazepan ou utilizando caretas que mais parecem a de um garoto que acabou de tomar a vacina do Zé Gotinha.

Além disso, outras películas brasileiras terão como mote principal o rescaldo de séries, programas ou novelas que já são ruins, mas que poderão ser potencialmente pioradas na tela grande.

Enquanto isso, blockbusters americanos tomarão cento e cinquenta por cento das salas do Brasil e impedirão você, caro leitor, de assistir a uma obra sincera e bem executada da Argentina ou Espanha.

Os melhores títulos ficarão de fora e muitos você só conseguirá baixar pelo sistema torrent.

No Oscar, os melhores atores, atrizes diretores e roteiristas serão deixados de lado em prol de algum filmeco que o faça chorar que nem criança.


Música

A música sertaneja continuará a ser destaque nas rádios nacionais, mas isso não impede que fenômenos como o de Pablo ganhe notoriedade nas redes sociais e tenha gente gostando da porcaria só por que outros imbecis gostaram da mesma porcaria.

O funk continuará no gueto, mas atrapalhando a vida (e os ouvidos) daquele que estiver no trânsito ou em casa, ou no espaço, pois os melhores aparelhos de som automotivos já vêm com algum CD de funk bem horripilante para tocar no carro parcelado em 100 vezes que o fulano não consegue pagar, mas que prefere equipar com caixas e subwoofers potentes para que com essa estranha e ridícula dança do acasalamento consiga pegar algumas “novinhas”.

No campo internacional, surgirá uma nova Lorde que fará sucesso meteórico, mas não conseguirá o sucesso mais expansivo da garota neozelandesa. As gravadoras bem que tentarão que isso aconteça, mas só uma parcela do público ainda é tão idiota para comprar ideias fabricadas assim a cada semana.

Paul McCartney, Metallica, Iron Maiden e Laura Pausini se apresentarão por aqui e conseguirão tirar alguma grana de produtores e fãs mais uma vez.

Lollapalooza e Monsters of Rock terão música, independente dos gostos baterem ou não, mas nem chegarão perto da mídia que o festival de não-música Rock in Rio conseguirá. Por lá haverá muita propaganda, oferecimentos mil acerca de produtos para o público jovem, mas música que é bom você ouvirá de vez em quando.


Esportes

Algum brasileiro abnegado do xadrez ou do curling será campeão mundial com seus próprios recursos e esforço individual, será alçado a novo ídolo nacional e será comparada ao mala Ayrton Senna. No momento em que desembarcar no Brasil, o fulano será recebido por milhares de pessoas que dirão acompanhar a carreira dele desde quando era pequeno e falarão com a maior cara de pau que o curling é o seu esporte predileto.

Na próxima etapa quando o tal esportista tiver um mau dia, será achincalhado pela massa tupiniquim e recebera a alcunha já conhecida de pipoqueiro.

No futebol, a coisa continuará sendo disputada entre o jogo bonito e pouco eficaz do Barcelona, o futebol copiado do Bayern Munique ou o jogo mistura de tudo isso do Real Madrid. Individualmente, Cristiano Ronaldo continuarão dividindo s os louros das premiações de fim de ano.

Pela seleção brasileira, o risadinha Neymar continuará dando inúmeras vitórias ao time da CBF contra times do Golfo Pérsico, da África Central ou da Oceania e será festejado como o melhor do mundo depois do português e do argentino. Isso tudo para fazer vexame nas competições que valem de verdade. A entidade máxima do futebol do bananão continuará a roubar e a sugar tudo o que podem de times e jogadores e estes continuarão quietos achando que quem está errado e o pessoal do Bom Senso FC.

Por aqui, Cruzeiro e Atlético tendem a prosseguir na disputa entre os primeiros lugares de nossos campeonatos, mas quando o negócio for lá fora pela Libertadores iremos tomar mais uns chocolates dos países vizinhos. E dá-lhe contratação de ex-jogadores, salários astronômicos, brigas internas e outras coisas que farão os times de São Paulo e Rio se afundarem e chafurdarem cada vez mais na lama.


Bem, é isso, por enquanto. Se alguém quiser discordar, tem uma previsão mais otimista ou pior mande o seu comentário.

O Blog entrará em recesso a partir de agora para a passagem das festas de final de ano e deseja a todos um ótimo início de 2015.

Voltamos em 05 de janeiro, mas se houver alguma outra novidade passaremos por aqui para dar a notícia ou comentar alguma barbaridade por aí.

Mais algumas listas que respeitamos

Nossa lista de melhores álbuns do ano já foi postada aqui na última semana e ela agradece muita gente boa por ter informado em primeira mão música interessante para que o blog pudesse ouvir e ser sugado por sua qualidade.

Dentre as listas que mais respeitamos aqui no Brasil aquela feita pelo blog Popload e a realizada na página de André Barcinski são as mais prestigiosas para nós.

Lá fora, já havíamos falado de Rolling Stones, Guardian e NME, portanto algumas outras devem aparecer por aqui agora para fazermos um paralelo interessante com nossas escolhas.

No caso da Popload, eles fizeram várias listas com indicações de todos os colaboradores do site, então escolhemos incluir aqui apenas a realizada pelo inventor da página, o jornalista Lúcio Ribeiro.

Lista da Popload (Lúcio Ribeiro):

1. “St. Vincent”, St. Vincent
2. “Built on Glass”, Chet Faker
3. “Salad Days”, Mac DeMarco
4. “Our Love”, Caribou
5. “Manipulator”, Ty Segall
6. “This Is All Yours”, Alt J
7. “Jungle”, Jungle
8. “It’s a Pleasure”, Baxter Dury
9. “Sunbathing Animal”, Parquet Courts
10. “Love Letters”, Metronomy

Alt J (Hunger of the Pine)


Lista do André Barcinski:

Ty Segall – Manipulator

Woods – With Light and With Love

Swans – To Be Kind

Beck – Morning Phase

The War on Drugs – Lost in the Dream

Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra – Fuck Off Get Free We Pour Light on Everything

Thee Oh Sees – Drop

The Men – Tomorrow’s Hits

Future Islands – Singles

Hiss Golden Messenger – Lateness of Dancers

The War on Drugs – Red Eyes


Lista da Pitchfork:

1. Run the Jewels – Run the Jewels 2
2. FKA twigs – LP1
3. The War on Drugs – Lost in the Dream
4. Aphex Twin – Syro
5. Grouper – Ruins
6. Swans – To Be Kind
7. Sun Kil Moon – Benji
8. Todd Terje – It’s Album Time
9. Ariel Pink – Pom Pom
10. Caribou – Our Love
11. Perfume Genius – Too Bright
12. Mac DeMarco – Salad Days
13. Spoon – They Want My Soul
14. Real Estate – Atlas
15. Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness
16. St. Vincent – St. Vincent
17. Flying Lotus – You’re Dead!
18. Arca – Xen
19. Sharon Van Etten – Are We There
20. Vince Staples – Hell Can Wait
21. Eno • Hyde – High Life
22. Future Islands – Singles
23. Lykke Li – I Never Learn
24. Parquet Courts – Sunbathing Animal
25. Azealia Banks – Broke With Expensive Taste
26. Ex Hex – Rips
27. YG – My Krazy Life
28. Pharmakon – Bestial Burden
29. How to Dress Well – “What Is This Heart?”
30. Iceage – Plowing Into the Field of Love
31. Taylor Swift – 1989
32. White Lung – Deep Fantasy
33. Rich Gang – Tha Tour Part 1
34. Cloud Nothings – Here and Nowhere Else
35. Shabazz Palaces – Lese Majesty
36. Tinashe – Aquarius
37. Perfect Pussy – Say Yes To Love
38. Hundred Waters – The Moon Rang Like a Bell
39. Ought – More Than Any Other Day
40. Ty Segall – Manipulator
41. Leon Vynehall – Music for the Uninvited
42. Owen Pallett – In Conflict
43. Freddie Gibbs & Madlib – Piñata
44. A Sunny Day In Glasgow – Sea When Absent
45. Andy Stott – Faith In Strangers
46. Ariana Grande – My Everything
47. Shellac – Dude Incredible
48. Clark – Clark
49. Mr Twin Sister – Mr Twin Sister
50. Ben Frost – A U R O R A

Future Islands – Seasons (Waiting on You)


Lista da New York Magazine:

1. Frankie Cosmos, Zentropy
2. Run the Jewels, Run the Jewels 2
3. St. Vincent, St. Vincent
4. Angel Olsen, Burn Your Fire for No Witness
5. Perfume Genius, Too Bright
6. Lana Del Rey, Ultraviolence
7. Todd Terje, It’s Album Time
8. Perfect Pussy, Say Yes to Love
9. Jessie Ware, Tough Love
10. Aphex Twin, Syro
11. Jenny Lewis, The Voyager
12. One Direction, Four
13. Mary J. Blige, The London Sessions
14. The Hotelier, Home, Like No Place Is There
15. FKA twigs, LP1
16. A Sunny Day in Glasgow, Sea When Absent
17. Young Thug & Bloody Jay, Black Portland
18. Sharon Van Etten, Are We There
19. Spoon, They Want My Soul
20. Parquet Courts, Sunbathing Animal
21. Azealia Banks, Broke With Expensive Taste
22. Ariana Grande, My Everything
23. Bitchin’ Bajas, Bitchin’ Bajas
24. YG, My Krazy Life
25. Ex Hex, Rips
26. Mr. Twin Sister, Mr. Twin Sister
27. Tinashe, Aquarius
28. Grouper, Ruins
29. Lykke Li, I Never Learn
30. Girlpool, Girlpool EP
31. Isaiah Rashad, Civilia Demo
32. Chumped, Teenage Retirement

Perfume Genius – Queen


Lista da Consequence of Sound:

1. The War on Drugs – Lost in the Dream
2. Run the Jewels – Run the Jewels 2
3. Angel Olsen – Burn Your Fire For No Witness
4. Cloud Nothings – Here and Nowhere Else
5. Caribou – Our Love
6. Against Me! – Transgender Dysphoria Blues
7. FKA Twigs – LP1
8. St. Vincent – St. Vincent
9. Spoon – They Want My Soul
10. Freddie Gibbs & Madlib – Piñata
11. Sun Kil Moon – Benji
12. Owen Pallett – In Conflict
13. Lana Del Rey – Ultraviolence
14. Strand of Oaks – HEAL
15. Lykke Li – I Never Learn
16. Weezer – Everything Will Be Alright In the End
17. Sharon Van Etten – Are We There
18. Beyoncé – Beyoncé
19. Todd Terje – It’s Album Time
20. Lil Herb – Welcome to Fazoland
21. Shellac – Dude Incredible
22. Perfume Genius – Too Bright
23. Hiss Golden Messenger – Lateness of Dancers
24. Ty Segall – Manipulator
25. ScHoolboy Q – Oxymoron
26. Pharmakon – Bestial Burden
27. Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy
28. Swans – To Be Kind
29. Together Pangea – Badillac
30. Aphex Twin – Syro
31. Flying Lotus – You’re Dead!
32. Future Islands – Singles
33. MØ – No Mythologies to Follow
34. The Men – Tomorrow’s Hits
35. Arca – Xen
36. YG – My Krazy Life
37. PUP – Pup
38. SBTRKT – Wonder Where We Land
39. Modern Baseball – You’re Gonna Miss It All
40. Cameron Esposito – Same Sex Symbol
41. Ought – More Than Any Other Day
42. Kool A.D. – Word O.K.
43. Ryan Adams – Ryan Adams
44. Preatures – Blue Planet Eyes
45. Alex G – DSU
46. Big K.R.I.T. – Cadillactica
47. Lower – Seek Warmer Climes
48. Andy Stott – Faith In Strangers
49. Warpaint – Warpaint
50. Merchandise – After the End

Caribou – Can’t Do Without You


Mais uma relíquia da KEXP: Throwing Muses ao vivo e em cores

Estava fazendo uma pesquisa de musas do rock para postar alguma coisa na página do blog no Facebook quando me deparei com essa maravilha.

E olha que sou ouvinte assíduo da Rádio KEXp de Seattle, mas deixei passar essa.

Uma apresentação ao vivo da lendária e sensacional banda Throwing Muses, criação da musa inspiradora do universo indie dos anos 90, Tany Donelly.

O evento aconteceu em 5 de fevereiro deste ano e está liberada para visualização desde então no Youtube e no site da emissora americana.

Para quem não conhece o super grupo é bom situar o momento em que a banda surgiu.

Estamos em 1981 e a cena realmente marcante que há no mundo é na Inglaterra com o final do Punk e início do Pós-Punk com bandas como New Order, Echo and the Bunnyman e, mais tarde, Smiths. Nos EUA, o R.E.M. surgia nos guetos de Athens, mas ainda não havia estourado. Quer dizer, nem as meninas do Throwing Muses, a bem da verdade.

O grupo nasce em Newport, Rhode Island e tinha como principais lideranças as duas vocalistas, Kristin Hersch e Tanya Donelly, que também eram as principais compositoras da banda. O som podia ser nomeado como alternativo, visto que não havia nenhuma nomenclatura para se aplicar á sonoridade única de guitarras e baixo num tom que permitia distorções tímidas e incursões de bateria bem ao estilo do punk dos guetos daquela época.

As letras eram ora densas e marcantes, mas falavam de um feminismo ativo sem meias palavras, ora sutis e sensíveis, mas que chegava ao público em forma de bela poesia das bocas das meninas.

O mais impressionante a respeito do Throwing Muses é ter sobrevivido durante toda a década de 80 numa cena underground restrita e ainda ter influenciado outras bandas, como Drugstore, Babies in Toyland e Lush, de universos musicais e locais diferentes.

Além disso, o fato de ter parido outras duas importantes e relevantes bandas para a cena indie mundial, casos de Belly e The Breeders também credencia a banda como uma das mais influentes e desenvoltas da história.

Outra coisa peculiar: as meninas tinham como interlocutores muita gente bacana e interessante no mundo da música: Kim Deal, com quem Tanya lançou o Breeders era uma dessas pessoas e fez com o som do Pixies tivesse alguma partícula do Throwing Muses e vice-versa.

O primeiro LP delas (Throwing Muses) só foi chegar às lojas em 1986, mas depois disso tiveram fôlego para mais seis até chegar a “Limbo” (1996) quando encerraram as atividades para voltar com o relançamento cheio de bônus de seu primeiro disco em 2003 e um álbum de inéditas no ano passado.

No set apresentado à KEXP a banda, agora reduzida a Kristin Hersch (que é meia-irmã de Tanya Donelly) na guitarra e vocal, David Nascizo na bateria e Bernard Georges no baixo mostraram apenas quatro canções do álbum de 2013 “Paradise/Purgatory (Sunray Venus, Freesia, Milan, Static), mas já deu para matar a saudade.

A guitarra repetidamente surrada para uma sonoridade que depois o grunge se apropriou ainda estão lá e as viradas de bateria também se posicionam bem ao se encontrar com o baixo forte, pujante e a voz de Kristin.

Além de uma conversa agradável com a banda o programa que teve pouco mais de vinte minutos quase me mata do coração.

Veja abaixo a apresentação completa:

Hunky Dory: uma preciosidade de David Bowie faz aniversário hoje

Há exatos 43 anos, o quarto álbum da carreira de David Bowie era lançado. As histórias por trás da produção do disco já rendem bons textos, mas a música contida no trabalho se garante pela qualidade.

Todos sabem da alcunha de Camaleão do Rock atribuída a Bowie, mas poucos conseguem pesquisar especificamente o motivo pelo qual esse apelido casa tão bem ao cantor britânico.

O simples fato do senhor David Robert Jones ter como formação a publicidade já dá mais ou menos o tom de quanto suas transformações tiveram peso em seu sucesso e como cada uma delas foi extremamente bem pensada por ele.

Bowie formou sua primeira banda (Kon-Rads) aos 15 anos de idade, ele tocava guitarra em reuniões de jovens e em casamentos, e o grupo tinha uma formação que variava entre quatro e oito membros, mas por conta desta inconstância logo formou outra banda, os King Bees.

Por conta da falta de sucesso comercial, Bowie se viu obrigado a tentar ganhar a vida de formas diferentes. Até chegar ao sucesso comercial com “Space Odity” o cantor se virou de diversas formas, mesmo fazendo um comercial para se autopromover aos executivos das gravadoras da época.

Curiosamente, o segundo disco de Bowie havia sido precedido por um trabalho de pouca repercussão do artista e muito por isso tinha sido realizada uma mudança de rota em seu som que de violão e voz passou a utilizar mais experimentações.

Isso se intensificou, portanto, em “The Mans Who Sold The World (1970) que já era fruto do trabalho de um cantor mais maduro e de um compositor muito mais ousado a cada letra escrita.

A caracterização estilística mais voltada ao som de rock pesado da sua nova banda marcou explicitamente um afastamento do violão e do estilo folk mais moderno que já havia estabelecido no seu trabalho predecessor.

Foi a partir daí que realizou uma turnê de divulgação entre janeiro e fevereiro de 1971, foi entrevistado por emissoras de rádio e mídia e se tornou bastante visível ao mercado mundial. A exploração de sua aparência andrógina também ajudou muito na divulgação do álbum.

É com esse contexto que chega ao mercado em 17 de dezembro de 1971 o álbum “Hunky Dory”.

No trabalho de produção, sai Visconti, seu produtor e baixista, que é substituído de ambos os papéis por Ken Scott e Trevor Bolder, respectivamente.

O álbum testemunha o retorno parcial do cantor de “Space Oddity”, com canções como “Kooks”, escrita para seu filho, Duncan Zowie Haywood Jones, nascido naquele mesmo ano.

Por outro lado, o álbum também explorou temas sérios e homenageia algumas de suas influências musicais, nas canções “Song for Bod Dylan”, Andy Warhol” e “Queen Bitch”, está última que celebrava o som e a atitude do grupo Velvet Underground.

“Hunky Dory” não foi um estrondo comercial, tanto que não alcançou o topo das paradas de nenhum lugar do mundo à época, mas traz um desprendimento com a necessidade de vender que Bowie soube manobrar a partir de então.

Sua liberdade de expressão aumenta neste disco e concebe refrões especiais como o de “Changes”: “Don’t wanna be a richer man; Ch-ch-ch-ch-Changes; (Turn and face the strange); Ch-ch-Changes; Just gonna have to be a different man. Time may change me But I can’t trace time”.

A faixa é claramente um relato pessoal da necessidade do cantor em se reinventar a todo momento.

Além disso, há ótimos trabalhos de piano e vocal como em “Oh! You Pretty Things” numa quase canção folk de velho oeste, “Eight Line Poem” e seus poucos versos cheios de mistério (“Will all the cacti find a home?”), além da clássica “Life on Mars” que prossegue com a obsessão de Bowie com o espaço sideral (ou seria com o mundo moderno e seus ícones?).

Nesse sentido, o álbum não se preocupava tanto com uma estética fixa como outros de Bowie, mas conseguia uma concisão incrível, pois há faixas mais e menos pessoais, bem encorpadas ou extremamente simples, e “Quicksand” é uma prova disso ao destacar violões em tom bem baixo no início, voz densa e limpa de Bowie posteriormente com um trabalho instrumental que parece que vai explodir a qualquer momento, mas que se mantém no mesmo nível até o fim ao piano e violinos ao fundo.

“Fill Your Heart” é a única música do disco que não foi composta por David Bowie, já que se trata de um cover de Biff Rose, com coautoria de Paul Williams, mas o trabalho coeso dos músicos que acompanham a bela voz que se diversifica ao longo da faixa e tem clima despojado, faz com que pensemos nela como uma reinvenção do britânico.

E chegamos a “The Bewlay Brothers”, composição belíssima que nos mostra um cantor experiente e envolto aos caprichos da produção e dos instrumentos que o acompanham.

O álbum foi  o primeiro de Bowie lançado pela RCA, gravadora que o acompanharia por mais tantos outros trabalhos nos anos 1970.

A equipe de músicos causa inveja, pois além de contar com Ken Scott, ainda tem Mick Ronson na guitarra, mellotron e arranjos, Rick Wakeman ao piano, Trevor Bolder no baixo e trompete Mick Woodmansey na bateria.

Aparentemente, a qualidade de “Hunky Dory” só foi ser aclamada a partir dos anos 90 com a inclusão do LP em grandes listas de melhores álbuns, como foram os casos da Q Magazine que o encaixou na colocação 43 de um ranking dos cem melhores discos de todos os tempos e do renomado site de classificação de discos Pichtfork Media que o incluiu na posição 80 dos melhores álbuns dos anos 70.

Abaixo o track list completo de “Hunky Dory”:

Lado A

  1. “Changes”
  2. “Oh! You Pretty Things”
  3. “Eight Line Poem”
  4. “Life On Mars”
  5. “Kooks”
  6. “Quicksand”

Lado B

  1. “Fill Your Heart” (Biff Rose, Paul Williams)
  2. “Andy Warhol”
  3. “Song for Bob Dylan”
  4. “Quee Bitch”
  5. “The Bewlay Brothers”

David Bowie – Life On Mars


David Bowie – Andy Warhol


David Bowie – Queen Bitch


Marina and the Diamonds: ela vem ao Brasil ano que vem e está feliz (apesar de não parecer)

 
Artista prodígio por ter alcançado o segundo lugar da lista “BBC Sound of 2010”, Marina Lambrini Diamandis, mais conhecida pelo nome artístico Marina and the Diamonds, é uma cantora e compositora de origem galesa.
 
Foi com o EP “The Crown Jewels”, e ainda usando o nome de batismo, que Marina, com a ajuda da Neon Gold Records, apareceu para o mundinho inglês há quatro anos.
 
Depois de ter assinado com a 679 Recordings, ela lançou seu primeiro álbum de estúdio, “The Family Jewels”, firmou-se na parada inglesa e alçou novos voos.
 
O segundo álbum, “Electra Heart”, teve no trabalho do single “Radioactive” seu ponto principal e fez com que tivesse mais notoriedade fora da parada indie.
 
Apesar da alcunha alternativa, ela está mais para uma New-New-Wave (se é que isso existe) com pitadas de Electropop. Mas de vez em quando você ouve algumas coisas mais pesadinhas em seus discos, algo que a aproxima do Indie Pop, sempre se favorecendo de seu alcance vocal (mezzosoprano lírico).
 
No quesito influências musicais, ela mesma diz que ouvia de tudo na infância e adolescência. Se não acredita veja a lista de artistas escutados pela garota: Daniel Johnston, Blondie, The Distillers, Patti Smith, Tom Waits, Nirvana, Kate Bush, PJ Harvey, Yann Tiersen, Elliott Smith e Dolly Parton.
 
Veja que pela folha corrida a menina de 26 anos é bem eclética em seu gosto sonoro e isso acaba por transparecer no som que realiza.
 
Agora, a garota se prepara para lançar o terceiro LP, já denominado “Froot”, e acaba de soltar na net a faixa “Happy”.
 
Não, não se trata de um cover da bubblegum-song de Pharrell Williams. É uma canção meio deprê, acompanhada por piano e carregada pela bela voz de Marina. Nem parece que está feliz mesmo.
 
E só para constar nos autos, Marina and the Diamonds é uma das atrações do Lollapalooza Brasil 2015 que acontecerá novamente no autódromo de Interlagos, em São Paulo, nos dias 28 e 29 de março do próximo ano.
Veja abaixo o vídeo de “Happy”: