A-ha no Rock in Rio: Não, este não é um texto de 1991

 
A manchete estampada em alguns sites de cultura e entretenimento na tarde de ontem (04) parecia demonstrar o anúncio como um trunfo, uma carta na manga dos organizadores do Rock in Rio.
 
É isto mesmo que o caro leitor leu: no ano que vem uma das principais atrações do festival conhecido mundialmente que ocorre mais uma vez na cidade que lhe deu o nome (parece piada, mas o Rock in RIO já foi realizado em Portugal, Espanha e terá uma edição neste ano nos EUA) será o A-ha.
 
Em 1991, a banda norueguesa liderada pelo topetudo Morten Harket levou o seu show ao Maracanã lotado para bater o recorde de público do festival até os dias atuais. Havia na apresentação daquele dia 198 mil pessoas (em sua maioria meninas histéricas) gritando os nomes de Harket, Furuholmen e Waaktaar.
 
A questão não é a relevância do grupo nórdico naquele momento histórico da música mundial (ou nacional), mas o que eles representam para a indústria do entretenimento nos dias atuais. E a resposta é: ZERO!!!
 
Trata-se de um grupo que surfou numa moda que durou quatro, cinco anos e que se desintegrou como qualquer fruto da sazonalidade da indústria do entretenimento.
 
De uma hora para outra ninguém mais ouviu falar de A-ha e isso continuaria a acontecer se não houvesse algum gênio do marketing dentro da produção do evento que acontecerá nos dias 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro de 2015, na Cidade do Rock, na Zona Oeste da cidade carioca.
 
O que incomoda é que a curadoria de qualquer projeto do porte de um Rock in Rio da vida deveria se preocupar também com a relevância musical do evento.
 
Sei que os patrocinadores são necessários e que ninguém deste meio conseguiria proporcionar uma atividade desta magnitude sem que haja um mínimo de publicidade em seu interior.
 
Mas o Rock in Rio exagera: você não consegue andar mais do que cinco metros sem que haja alguém querendo fazer um penteado novo no seu cabelo ou que outro ofereça balas que o deixam com hálito de pétalas de rosas ou que outro fulano demonstre as maravilhas de uma bebida energética que te leva para o espaço sideral com um apenas um gole.
 
Desta forma, a programação musical do festival, curiosamente, fica em segundo plano.
 
Assim como já acontece com o Lollapalooza daqui de São Paulo, que inicia a venda de seus ingressos sem que haja sequer a confirmação de algum dos artistas participantes, o Rock in Rio começou a comercialização de seus tickets tendo anunciado apenas Kate Perry como headliner de sua line-up total.
 
Como o resultado é satisfatório (os cerca de 100 mil Rock in Rio cards foram pulverizados em menos de um dia) a produção caga e anda para quem irá cantar no festival e para o público que espera por alguém realmente significativo em cima do palco.
 
Portanto, assim como já diz o camarada André Barcinski, “festival de música não é para quem gosta de música”.
 
Mas isso só evidencia outra coisa: há muita preguiça encrustada nas costas destes organizadores.
 
Ora, se tanto faz quem vem para cantar no festival, já que os ingressos seriam vendidos mesmo que depois fosse anunciada uma sessão de Heavy Metal da Peppa Pig, poderiam estes produtores se preocupar em chamar uns artistas de maior expressão musical, pois são estes músicos normalmente que custam menos, fazem menos exigências e poderiam dar um ar mais sério ao evento e um salto qualitativo para sua história.
 
Artistas do universo indie (Spoon, Wilco, Weezer, Dinossaur Jr., The National), músicos que estão iniciando (Warpaint, Haim, Poliça, Grimes, Chvrches) ou mesmo feras que nunca fazem apresentações por aqui (Nick Cave, Leonard Cohen, P.J. Harvey) teriam o maior prazer em vir para cá desde que tivessem à disposição estrutura adequada para seus shows.
 
Mas como a demanda não é crítica com relação ao produto que compra não há uma pressão maior por melhoria dessa situação.
 
O jeito é assistir coisas legais pela tv, internet, ou mesmo se aventurar pelos festivais gringos que possuem essa consciência de que a qualidade vem junto com a necessidade de ganhar rios de dinheiro.
 
Aliás, ninguém quer que não haja a comercialização do evento, o que não precisa é vender o nada já que a ideia seria fazer shows musicais, algo que está se perdendo nos festivais de “música” daqui do Brasil.
Anúncios

Um comentário em “A-ha no Rock in Rio: Não, este não é um texto de 1991

  1. Karla Kélvia disse:

    Bem, eu gosto de A-ha! Acho que atrairá um público mais velho ( será que é esse que foi ao de 91 e quer cantar Take on Me de novo?)… na vdd, curto mto a banda, mas tb não entendi a razão de eles virem, deve ser pelo revival, sei lá. Mas Rock in Rio não me atrai msm, de qualquer forma.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s