Lançamento de novo álbum do Smashing Pumpkins: só se fala em outra coisa

O ano é 1991: sai pela Caroline Records um álbum chamado “Gish”, trabalho da criativa banda Smashing Pumpkins.
 
Logo chegam os primeiros elogios da crítica e algumas pessoas do meio musical dizem estar impressionadas com o peso das guitarras e a qualidade das letras realizadas por um cara chamado Billy Corgan.
 
James Heatfield do Metallica é uma dessas pessoas que tece loas ao cantor americano de apenas 23 anos que, ao lado de James Iha (guitarra, vocais), D’arcy Wretzky (baixo, vocais) e Jimmy Chamberlin (bateria, percussão), começa a se apresentar com bastante frequência ao redor dos EUA.
 
O grupo, ainda que muito parecido em muitas das características do grunge que estava surgindo, era menos influenciado pelo punk rock e possuía uma sonoridade bastante diversa e densa
 
O apelo da presença marcante de guitarras os aproximava do rock gótico e do heavy metal em conjunto com certa suavização do dream pop. Ao mesmo tempo flertava com o rock psicodélico e progressivo dos anos 60 e 70. Há até quem diga que possuíam um estilo de produção shoegaze.
 
A banda passou rapidamente a se mostrar ambiciosa querendo alçar voos bem maiores do que apenas as rádios indie americanas. Logo estava em grandes festivais mostrando suas letras catárticas, lamentos angustiados e relatos da mente atormentada de Billy Corgan.
 
Segue-se que em 1993 eles lançam o segundo álbum de estúdio, “Siamese Dream” e logo estão nas principais paradas do mundo todo. Já faziam shows solo maiores e ganham inúmeros prêmios de melhor álbum do ano.
 
Essa fama proporcionou viagens maiores na cabeça insana do líder do grupo e transformou essa megalomania no álbum “Mellon Collie and the Infinite Sadness”, lançado no ano de 1995 que, mesmo sendo um disco duplo e de difícil degustação, tamanho era o seu virtuosismo e seu lado conceitual, estreou na primeira posição na Billboard e vendeu mais de 18,3 milhões de álbuns vendidos apenas nos Estados Unidos.
 
Ainda tiveram bastante atenção da mídia com o irregular “Adore” (1998), mas a necessidade de ser um Deus do Rock subiu à cabeça de Corgan e as brigas e problemas envolvendo outros integrantes da banda fez com que ela se dissolvesse aos pouquinhos, primeiramente com a baixa da qualidade e posteriormente com o encerramento total das atividades em 2000.
 
Pois eis que a banda voltou (ou apenas Billy Corgan e seu ego) em 2007 com o obscuro álbum “Zeitgeist”, mas o resultado não foi dos mais expressivos e mesmo seus antigos fãs mais ardorosos nem sabem do que se trata este trabalho.
 
E é triste verificar que nesta última semana (05) houve o lançamento de “Monuments to an Elegy” e, no máximo tomou o tempo dos editores das revistas de música para serem escritas uma ou duas linhas a respeito do novo álbum do Smashing Pumpkins.
 
Nem mesmo as palavras elogiosas de Tommy Lee (Motlëy Crue), que assumiu a bateria para a confecção do disco, dando conta de que o “novo álbum dos Smashing Pumpkins é o melhor que Billy Corgan já fez” causaram comoção no universo musical atual.
 
Até a confirmação de que o grupo formado em Chicago fará um dos shows do Lollapalooza Brasil 2015 não fez nenhum aficionado por eles se animar.
 
O álbum pode ser bom, bem produzido, um resgate da alma do Smashing Pumpkins antigo, uma possibilidade do retorno da qualidade daqueles três memoráveis primeiros trabalhos, mas a banda entrou num processo idêntico ao que se verifica com a cerveja Kaiser aqui no Brasil: podem mudar o rótulo, a garrafa, o conteúdo, a fórmula, tentar uma viagem no tempo, mas o público não consegue mais confiar no produto e, portanto, não está nem aí para a marca. E olha que está cheio de gente no mundo do rock assim.
 
O Smashing Pumpkins e a megalomania de Billy Corgan são apenas um exemplo desse comportamento tanto de público quanto de banda.
 
Ou, numa visão mais positiva, pode ser uma nova fase da banda voltando às raízes e ao mundo indie, mas é difícil prever isso com a capacidade egocêntrica com que o líder do grupo trabalha os rumos quer seguir. É ver para crer.
 
Veja o tracklist completo do álbum “Monuments to na Elegy”:
1.       “Tiberius” 
2.       “Being Beige”       
3.       “Anaise!”    
4.       “One and All (We Are)” 
5.       “Run2Me”   
6.       “Drum + Fife”      
7.       “Monuments”        
8.       “Dorian”     
9.       “Anti-Hero”
Smashing Pumpkins – Tiberius
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