Hunky Dory: uma preciosidade de David Bowie faz aniversário hoje

Há exatos 43 anos, o quarto álbum da carreira de David Bowie era lançado. As histórias por trás da produção do disco já rendem bons textos, mas a música contida no trabalho se garante pela qualidade.

Todos sabem da alcunha de Camaleão do Rock atribuída a Bowie, mas poucos conseguem pesquisar especificamente o motivo pelo qual esse apelido casa tão bem ao cantor britânico.

O simples fato do senhor David Robert Jones ter como formação a publicidade já dá mais ou menos o tom de quanto suas transformações tiveram peso em seu sucesso e como cada uma delas foi extremamente bem pensada por ele.

Bowie formou sua primeira banda (Kon-Rads) aos 15 anos de idade, ele tocava guitarra em reuniões de jovens e em casamentos, e o grupo tinha uma formação que variava entre quatro e oito membros, mas por conta desta inconstância logo formou outra banda, os King Bees.

Por conta da falta de sucesso comercial, Bowie se viu obrigado a tentar ganhar a vida de formas diferentes. Até chegar ao sucesso comercial com “Space Odity” o cantor se virou de diversas formas, mesmo fazendo um comercial para se autopromover aos executivos das gravadoras da época.

Curiosamente, o segundo disco de Bowie havia sido precedido por um trabalho de pouca repercussão do artista e muito por isso tinha sido realizada uma mudança de rota em seu som que de violão e voz passou a utilizar mais experimentações.

Isso se intensificou, portanto, em “The Mans Who Sold The World (1970) que já era fruto do trabalho de um cantor mais maduro e de um compositor muito mais ousado a cada letra escrita.

A caracterização estilística mais voltada ao som de rock pesado da sua nova banda marcou explicitamente um afastamento do violão e do estilo folk mais moderno que já havia estabelecido no seu trabalho predecessor.

Foi a partir daí que realizou uma turnê de divulgação entre janeiro e fevereiro de 1971, foi entrevistado por emissoras de rádio e mídia e se tornou bastante visível ao mercado mundial. A exploração de sua aparência andrógina também ajudou muito na divulgação do álbum.

É com esse contexto que chega ao mercado em 17 de dezembro de 1971 o álbum “Hunky Dory”.

No trabalho de produção, sai Visconti, seu produtor e baixista, que é substituído de ambos os papéis por Ken Scott e Trevor Bolder, respectivamente.

O álbum testemunha o retorno parcial do cantor de “Space Oddity”, com canções como “Kooks”, escrita para seu filho, Duncan Zowie Haywood Jones, nascido naquele mesmo ano.

Por outro lado, o álbum também explorou temas sérios e homenageia algumas de suas influências musicais, nas canções “Song for Bod Dylan”, Andy Warhol” e “Queen Bitch”, está última que celebrava o som e a atitude do grupo Velvet Underground.

“Hunky Dory” não foi um estrondo comercial, tanto que não alcançou o topo das paradas de nenhum lugar do mundo à época, mas traz um desprendimento com a necessidade de vender que Bowie soube manobrar a partir de então.

Sua liberdade de expressão aumenta neste disco e concebe refrões especiais como o de “Changes”: “Don’t wanna be a richer man; Ch-ch-ch-ch-Changes; (Turn and face the strange); Ch-ch-Changes; Just gonna have to be a different man. Time may change me But I can’t trace time”.

A faixa é claramente um relato pessoal da necessidade do cantor em se reinventar a todo momento.

Além disso, há ótimos trabalhos de piano e vocal como em “Oh! You Pretty Things” numa quase canção folk de velho oeste, “Eight Line Poem” e seus poucos versos cheios de mistério (“Will all the cacti find a home?”), além da clássica “Life on Mars” que prossegue com a obsessão de Bowie com o espaço sideral (ou seria com o mundo moderno e seus ícones?).

Nesse sentido, o álbum não se preocupava tanto com uma estética fixa como outros de Bowie, mas conseguia uma concisão incrível, pois há faixas mais e menos pessoais, bem encorpadas ou extremamente simples, e “Quicksand” é uma prova disso ao destacar violões em tom bem baixo no início, voz densa e limpa de Bowie posteriormente com um trabalho instrumental que parece que vai explodir a qualquer momento, mas que se mantém no mesmo nível até o fim ao piano e violinos ao fundo.

“Fill Your Heart” é a única música do disco que não foi composta por David Bowie, já que se trata de um cover de Biff Rose, com coautoria de Paul Williams, mas o trabalho coeso dos músicos que acompanham a bela voz que se diversifica ao longo da faixa e tem clima despojado, faz com que pensemos nela como uma reinvenção do britânico.

E chegamos a “The Bewlay Brothers”, composição belíssima que nos mostra um cantor experiente e envolto aos caprichos da produção e dos instrumentos que o acompanham.

O álbum foi  o primeiro de Bowie lançado pela RCA, gravadora que o acompanharia por mais tantos outros trabalhos nos anos 1970.

A equipe de músicos causa inveja, pois além de contar com Ken Scott, ainda tem Mick Ronson na guitarra, mellotron e arranjos, Rick Wakeman ao piano, Trevor Bolder no baixo e trompete Mick Woodmansey na bateria.

Aparentemente, a qualidade de “Hunky Dory” só foi ser aclamada a partir dos anos 90 com a inclusão do LP em grandes listas de melhores álbuns, como foram os casos da Q Magazine que o encaixou na colocação 43 de um ranking dos cem melhores discos de todos os tempos e do renomado site de classificação de discos Pichtfork Media que o incluiu na posição 80 dos melhores álbuns dos anos 70.

Abaixo o track list completo de “Hunky Dory”:

Lado A

  1. “Changes”
  2. “Oh! You Pretty Things”
  3. “Eight Line Poem”
  4. “Life On Mars”
  5. “Kooks”
  6. “Quicksand”

Lado B

  1. “Fill Your Heart” (Biff Rose, Paul Williams)
  2. “Andy Warhol”
  3. “Song for Bob Dylan”
  4. “Quee Bitch”
  5. “The Bewlay Brothers”

David Bowie – Life On Mars


David Bowie – Andy Warhol


David Bowie – Queen Bitch


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2 comentários em “Hunky Dory: uma preciosidade de David Bowie faz aniversário hoje

  1. Mortonoquilo disse:

    Cara, sempre é bom ver alguém escrevendo sobre Bowie e sobre Hunky Dory, que não é tão lembrado como Ziggy Stardust ou a trilogia de Berlim.

    Eu também tenho um blog e escrevemos sobre o Hunky Dory lá, se quiser conhecer mais acesse aqui (a ideia é que eu e meu amigo escrevemos textos sobre os mesmos discos, cada um dando a sua impressão): blogcasbah.blogspot.com

    Abraço!

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