Reading There Will Be Blood as the expanded epilogue to Blood Meridian

Para quem lê em inglês e gosta tanto de bons filmes quanto de ótimos livros.

Biblioklept

Watching (again) Paul Thomas Anderson’s 2007 film There Will Be Blood last night, it struck me that the film can be read as an expansion of the epilogue to Cormac McCarthy’s 1985 novel Blood Meridian.

Here is that infamously perplexing passage, a strange note that punctuates the devastating infanticidal horror at the novel’s core:

In the dawn there is a man progressing over the plain by means of holes which he is making in the ground. He uses an implement with two handles and he chucks it into the hole and he enkindles the stone in the hole with his steel hole by hole striking the fire out of the rock which God has put there. On the plain behind him are the wanderers in search of bones and those who do not search and they move haltingly in the light like mechanisms whose movements are monitored with escapement and…

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Direto da NME: As meninas Haim e o Weezer formam super-grupos para o novo show de Jimmy Kimmel na tv

Quem deu a notícia foi a revista britânica NME: Haim, Morris Day & The Time, Weezer e ZZ Top são algumas das bandas que irão formar supergrupos para uma nova série criada para o Jimmy Kimmel Live!, famoso programa do apresentador americano.

A atração que já tem o nome de “Mash Up Mondays”, vai acontecer obviamente às segundas-feiras e terá dois blocos com uma banda criada para cada um deles.

Deste modo, a cada semana haverá dois super-grupos diferentes.

Os primeiros “mash ups” anunciados são ” Wee-Z Top” (Weezer e ZZ Top), “Morris Day and the HAIM” (Morris Day & The Time ande Haim) e “Aloe Blaccstreet ” (Aloe Black e Blackstreet).

Os shows irão ao ar pela primeira vez no dia 2 de Fevereiro, com os dias 9 e 16 já confirmados também.

Provavelmente, este será o último evento no qual as meninas californianas participarão antes de iniciarem os trabalhos de seu segundo álbum em conjunto com o produtor Ariel Rechtshaid. Tudo isso posteriormente ao álbum de estreia da banda “Days Are Gone” que chegou à posição número um do Reino Unido em seu lançamento em setembro de 2013.

A tecladista Alana Haim disse durante o verão passado que esta era a primeira vez que ela escrevia durante uma turnê. “Nós estamos indo para casa e teremos um mês para começar a gravar. Eu prometo que este novo registro não virá em seis anos, ele chegará muito em breve.”

No caso do Weezer, está havendo trabalho intenso desde outubro por conta do lançamento de seu novo álbum de estúdio “Everything Will Be Allright In The End”.

O vocalista Rivers Cuomo também apareceu recentemente no álbum pop de McBusted, que foi lançado em dezembro.

O Jimmy Kimmel Live! É transmitido pela ABC nos EUA e pelo canal GNT da Globosat aqui no Brasil.

Assista abaixo a apresentações das meninas Haim (My Song 5) e do Weezer (I,’ve Had it Up to Here)em momentos diferentes do Jimmy Kimmel Live!:

Não é por que a programação é mais modesta que os eventos de 2015 no MIS-SP perdem na qualidade

O ano de 2014 foi simplesmente mágico para o Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP).

Foram dois eventos monstruosos: primeiro, com a Exposição David Bowie, que chegou a levar 80190 pessoas ao museu em apenas 71 dias, numa média de 1129 pessoas por dia; e a do Castelo Rá-Tim-Bum que ultrapassou todos os recordes da instituição com um número de 410 mil visitantes em pouco mais de cinco meses de trabalho árduo e duas prorrogações até o último domingo quando teve seu encerramento decretado.

Pois eis que o ano de 2015 se inicia já tendo toda a programação dos 365 dias pronta e parece ser mesmo um período de preparação para a temporada de 2016 que será extremamente pesada com a informação já confirmada da exposição sobre a obra de Tim Burton que é sucesso por onde passou.

Portanto, saem as grandes instalações como as realizadas para o aniversário de 20 anos do programa infantil da TV Cultura ou os processos de interatividade da mostra sobre o cantor britânico e entram em cena atividades mais modestas acerca de coisas não menos interessantes.

Fevereiro começa com a Mostra “Jessica Lange: Fotografa”, atração que mostra uma faceta pouco ou quase nada conhecida a respeito da atriz famosa por grandes papeis em Hollywwod e que agora faz sucesso na série de terror “American Horror Story”.

A exposição se concentra em 135 fotografias captadas pela artista nos últimos 20 anos, todas em preto e branco, e mais 12 folhas de contato, processo que prova a maestria e a sensibilidade com que a moça trabalha.

Foto de Jessica Lange ao lado de uma de suas obras fotográficas

Aliás, a história da fotógrafa (e não da atriz) começa quando, em 1967, Jessica Lange foi contemplada com uma bolsa de estudos da Universidade de Minnesota para estudar fotografia, mas uma série de situações a levou a embarcar para Espanha e França, locais onde ela decidiu estudar artes cênicas e largou a fotografia por um tempo.

Investindo forte na carreira de atriz, atuou em filmes clássicos e ganhou um Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em “Tootsie”, em 1983, e outro de melhor atriz por “Céu Azul”, em 1995.

É só a partir dos anos noventa, quando Sam Shepard (seu marido até então) a presenteou com uma Leica M6, que Jessica assume a aventura de fotografar novamente, só que dessa vez com mais afinco e proficuidade.

As imagens que estarão na Mostra foram capturadas em suas viagens, tenham essas sido por conta de seu trabalho no cinema ou em férias.

Seus cliques foram dados em países como EUA, França, Finlândia e Itália, mas fica evidente certa predileção pelo México, pois ela mesma diz que seja “por suas luzes e noites maravilhosas”.

Serviço:

Exposição / Fotografia (Jessica Lange: Fotógrafa)

10 de fevereiro a 05 de abril de 2015
Terças a Sextas, das 12h às 21h; Sábados, das 10h às 22h; Domingos e Feriados, das 11h às 20h
Exposições 1º andar

valor do Ingresso: R$ 6 (inteira) R$ 3 (meia)

“Seguindo o rasto de Houellebecq, um escritor genial de pena envenenada” – Jan Le Bris de Kerne

Ótima matéria do blog “Autores e Livros” sobre o escritor francês no Blog

Autores e Livros

Extraído do jornal Público de Lisboa:

É o grande homem dos franceses e da sua literatura, comparado a Balzac, Zola ou Flaubert. É um choque a sua omnipresença há 15 anos — a densidade do seu pensamento, a força do seu estilo. Um choque, também, a polémica que desencadeia. Eis o mais recente: Submissão, que fala da França, do islão, de política, de vencedores e vencidos.

Todos conhecemos pessoas doces, indolentes, transparentes ou que se fazem de simpáticas que, com o uso e o tempo, se revelam, sob o verniz, heróis, tiranos, loucos, sectários ou génios. Sofremos então um choque: como nos tínhamos enganado em relação à pessoa que temos agora à nossa frente e que está já a anos-luz daquela que olhávamos ainda há instantes.

Michel Houellebecq é um choque permanente. Não é possível ignorá-lo. É o grande homem dos franceses e da sua literatura, comparado a Balzac…

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Demis Roussos se foi e ninguém deu nota?

Só fiquei sabendo do triste ocorrido por conta de uma notinha sem-vergonha da Rolling Stone Brasil, mas a morte do cantor radicado na Grécia aconteceu no último sábado (24).

Ele tinha 68 anos de idade e de acordo com a Rádio BBC de Londres, o músico estava em um quarto privado no Hygeia Hospital, em Atenas, já há algum tempo, tratando uma doença que não chegou a ser revelada nem pela emissora nem pela assessoria de imprensa do artista, mas fontes não oficiais dizem que a filha Emily (do primeiro casamento) anunciou que o pai morreu de um câncer do estômago fulgurante.

Demis ficou muito conhecido nos anos 70 por conta de uma carreira solo de grande sucesso comercial que se alongou ainda pelos anos 80.

Roussos tem no hit “Forever And Ever” o seu ápice na carreira, já que ele o levou ao no topo das paradas de diversos países no ano de 1973, mas soube aproveitar essa empolgação do público por muito tempo ainda.

Outras faixas de sucesso do crooner são “Goodbye My Love”, “From Souvenirs to Souvenirs”, “Quand je t’aime”, “My Friend the Wind”, “My Reason”, “Someday Somewhere” e “Happy To Be On An Island In The Sun”.

Outro fato curioso da carreira de Roussos é que ele participou de inúmeros projetos mais ligados ao rock progressivo antes de seguir seu trabalho solo. O mais duradouro e conhecido foi quando se tornou um dos integrantes da banda Aphrodite’s Child, que contava com outros artistas relevantes, o multi-instrumentista Vangelis Papathanassiou e o baterista Loukas Sideras.

Formada ainda nos anos 1968, o grupo chegou a lançar três discos: “It’s Five O’Clock”, “The Apocalypse of St John” e “End of the World”.

Antes dessa época, o cantor nascido como Artemis Venntouris Roussos na Alexandria (Egito) em 1946, já havia sido cantor principal na banda We Five em conjunto com o compositor Laki Vlavianos.

O cantor contava sempre em suas entrevistas dos últimos anos que houve um fato marcante que mudou todo o seu conceito de vida.

No meio da década de 80 o cantor já vivia praticamente como aposentado e aproveitava seu tempo viajando bastante. Em 14 de julho de 1985, junto com sua terceira esposa, Demis estava em um avião da TWA Airlines que ia de Atenas para Roma e a aeronave chegou a ser sequestrada.

Felizmente, o fato não teve um desfecho trágico, mas este fato surreal que o fez ver a morte de perto levou o cantor a refletir sobre o valor de sua vida e decidiu reassumir sua carreira de cantor, com gravações e shows ao vivo, como forma de contribuir para um futuro melhor para a humanidade.

Dessa forma, gravou vinte canções, e realizou o álbum “The Story of demis Roussos” que deu novo sopro ao seu espólio musical.

Roussos participou de inúmeros eventos voltados para soluções de problemas humanos, como o fórum pela paz e desarmamento em 1987 na Rússia e e se preocupou com os problemas ambientais tendo participado da Reunião de Cúpula da Terra no Rio de Janeiro, a famosa Eco-92.

Aliás, Demis Roussos veio ao Brasil algumas vezes, com a última turnê tendo sido feita em 2005, e que promoveu três shows com lotação máxima, o que rendeu inclusive até um disco, o “Demis Roussos – Live in Brazil”.

Desde então, o cantor vivia calmamente no litoral grego uma aposentadoria mais do que merecida.

Demis Roussos (Aphrodite’s Child) – I Want to Live

Por que esta juventude de hoje é uma geração bunda-mole

Primeiro era uma pergunta, posteriormente se tornou uma afirmação: o fato é que a frase acima começou a matutar em minha cabeça desde a semana passada mais fortemente.

Na verdade, já faz algum tempo que eu tinha esse pensamento inculcando minha mente, mas os protestos de junho de 2013 deram ânimo para que eu pudesse perceber que essa faísca na consciência era um erro.

Ledo engano!

O fato é que tais ações populares terminara sem nenhum efeito prático e com uma série de manifestações pacíficas que o máximo que conseguiam era fazer um monte de servidores aplicados do Estado (a famigerada polícia brasileira) descerem o cacete em jovens pacatos que ainda pediam paz, amor e um pouco mais de nutella no pão.

Infelizmente, parece que essa fúria inicial de uma parcela considerável da juventude nacional teve um resultado reverso na sede do povo por um país melhor.

Tivemos no ano passado uma eleição cheia de picaretagem (de lado a lado, diga-se) em que não se podia olhar para nenhum lado que só se enxergava podre e conservadorismo chegando a vários ápices. Senão, vejamos:

* o uso político da morte de um dos candidatos pela candidata que herdou a vaga;

* um candidato que possui um problema sério de vício sendo mostrado em claro momento de embriaguez e ninguém parece ter notado seu despreparo para qualquer ocupação de cargo político administrativo;

* uma presidente-candidata que usou e abusou da máquina do Estado ao ponto de sotar notas apócrifas acusando os outros proponentes de retirada de benefícios que já existem;

* uma revista fazendo clara propaganda política para um candidato chegando ao cúmulo de mentir sobre uma acusação que recaía sobre ela;

* etc, etc, etc…

Ora, num cenário horripilante como esse não houve uma terceira, quarta, quinta via política competente para realizar uma oposição de fato a esses absurdos e nem para denunciar tais fatos. Além disso, faltou força para movimentos sociais que poderiam ter estimulado mais o voto nulo ou a abstenção para boicotar a eleição que já estava viciada (ops, sorry pelo trocadilho).

Ok, o voto nulo não resolve nada na prática, mas funciona como um termômetro da insatisfação pública em relação à classe política em geral.

E a galera jovem realmente se calou nessa. Pelo contrário: houve uma onda de declarações xenófobas e preconceituosas após as eleições principalmente nas redes sociais (que obviamente são mais usadas pelo nicho jovem).

Mas não é somente no quesito “política” que a juventude vive um marasmo de atitude e reflexão sobre o seu contexto histórico. Tanto no cinema, na literatura e no cinema já tem algum tempo que há muita “bunda-molice” nas escolhas dos jovens para lutar contra o conservadorismo e o stablishment.

Imagens das manifestações de junho de 2013


Cinema: 

Hollywood hoje é comandada por grandes franquias, histórias adaptadas dos quadrinhos ou dos games e brinquedos. Tudo bem, há cinema independente e cinema adulto que ainda tem seu mercado, mas o cinema bom de outros países e a produção alternativa que antes era muito apreciada pelo público jovem hoje mofa à espera de alguém nos cineclubes das grandes cidades.

Um Quentin Tarantino ou um Martin Scorsese nunca poderiam iniciar uma carreira nos dias atuais com base na curiosidade da molecada. Kubrick nunca faria “Laranja Mecânica”, pois o que todos querem é ver a trigésima sequência de “Velozes e Furiosos” ou os efeitos especiais de uma draga como “Transformers”.

Pior que isso: mesmo gente já bem estabelecida e talentosa tem de se render a um “Harry Potter” ou a um “Jogos Vorazes”.

Nada contra tais filmes, mas eles servem apenas para entreter e seus cortes rápidos e roteiros rasos não chegam aos pés da complexidade de um “Perdidos na Noite” ou de um “Trainspotting” que falavam ao pé do ouvido da juventude de suas épocas, mas não a fazia de idiota.

Dessa forma, mesmo com bons diretores nos dias atuais os roteiros de ótima qualidade nem chegam ao corredor dos grandes estúdios e o jeito é fazer a coisa de forma independente. Daí é que o povo bunda-mole não vai em frente, preferindo sempre seguir os caminhos que estão dando certo. Ninguém quer sofrer para evoluir, quer só as coisas mais fáceis e o mais do mesmo acaba sendo consagrado.

Trailer Trainspotting (1996)


Literatura:

Eu sei que há gente ligada a mim e até um pessoal muito inteligente e de mente bastante arejada que adora bobagens como “Harry Potter”, “Divergente” ou “Jogos Vorazes” (com o grande asterisco de que os dois últimos ainda possuem uma crítica social e política bem elaborada), mas a questão é que a literatura feita para a juventude hoje em dia é muito molenga.

Mesmo aquela literatura que não era jovem antigamente poderia ser devorada pela geração mais jovem, pois eles se apropriavam de seu texto, seus temas, sua forma de mostrar o mundo.

Portanto, obras como “Admirável Mundo Novo” (Aldoux Huxley), “On the Road” (Jack Kerouac), “Revolução dos Bichos” (George Orwell), “Os Irmãos Karamazov” (Dostoiévski) e “A Metamorfose” (Franz Kafka) teriam poucas chances num mercado que dá mais valor a coisas como as adaptações do game “Assassin’s Creed”.

Estes livros eram sugados pelos meninos e meninas com 13,14 anos no tempo em que foram publicados, pois o assunto do qual  falavam diziam respeito às suas vidas, ou causavam curiosidade por algo que queriam estar mais a par. Alguns até eram proibidos para menores.

Até a literatura fantástica era melhor aproveitada pelo público jovem, pois “Cem Anos de Solidão” (Gabriel Garcia Marquez), “Senhor dos Anéis” (J.R.R. Tolkien), “Alice no País das Maravilhas” (Lewis Carrol) ou qualquer livro de Vitor Hugo e Júlio Verne eram inteligentes a toda prova e sabiam como causar espanto, suspense, empolgação e excitação sem que buscassem soluções rápidas para suas tramas. Algumas nem eram para o público jovem, mas sua complexidade (caso de Cem anos de Solidão) ainda provocava  a mente jovial.

Mesmo na literatura policial, de terror e de suspense que sempre foi povoada por gente perspicaz como Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes), Ian Fleming (James Bond), Edgar Allan Poe, Bram Stocker e Mary Shelley lidos incessantemente pela juventude ao longo do tempo hoje tem seus melhores escritores com mais de cinquenta anos, no mínimo.

E ainda assim, gente como Stephen King, Elmore Leonard (morto em 2013), James Ellroy e Cormac McCarthy não seriam reconhecidos na rua por nenhum dos moleques fãs de J.K. Rowlling nem qualquer livro deles deve ter sido folheado por alguma histérica aficionada por E.L. James. Obras profundas como “O Iluminado”, “Ponche de Rum”, “L.A. Confidential” ou “Onde os Fracos não têm Vez” teriam valia incondicional para essa geração de jovens que quer tudo na mão e não faz um único raciocínio crítico para avaliar se sua vida está valendo a pena do jeito que estão as coisas.

Onde os Fracos não têm Vez (adaptação para o cinema feita pelos irmãos Coen)


Música

Para ser bem sincero, quando pensei em escrever sobre este tema a primeira coisa que me veio à cabeça foi a questão musical.

Esta talvez seja a primeira geração de jovens desde o advento do Rock’n Roll com mais bunda-mole no mundo da música.

E digo isso pensando tanto nos fãs quanto nos artistas.

Um exemplo vivo disso foi a vinda do Foo Fighters ao Brasil na última semana. Banda ok, música ok, atitude ok. O problema realmente não está aí mesmo, mas sim no tamanho que é atribuído aos caras.

Ora, como já descrito pelo parceiro André Barcinski, o Foo Fighters é um “mal necessário” visto que faz um trabalho bacana ao apoiar bandas menores, produtoras de discos e afins, mas seu som é de uma bunda-molice (acho que inventei um termo) tremenda e não há nada dentro dele que faça da banda uma coisa genial. Só para comparar com o próprio histórico de Mr Grohl o que é o F.F perto do Nirvana?

Além disso, os artistas mais rock’n roll que tenho visto por aí atualmente são Justin Bieber e Miley Cyrus.

Juro!

Não estou brincando, pois estes dois moleques são os únicos que possuem o espírito rebelde, explosivo e “não estou nem aí para a sociedade” no momento. É óbvio que esperávamos que a qualidade da música viesse junto, mas o problema é que o restante do showbiz ou mesmo da cena alternativa não dá pistas de que isso irá mudar.

Há muita coisa boa por aí como a trupe do Arcade Fire, bandas ótimas da cena indie americana ou mesmo os mais antigos como Nick Cave, Mark Lanegan ou o renascido David Bowie, mas e a galera nova?

Onde está aquele rock anárquico do Punk dos anos 70 ou a coragem de gente como Jerry Lee Lewis. Não vejo por aí nada parecido com o Grunge dos 90 ou o virtuosismo com conteúdo de Led Zepellin e Pink Floyd.

Reviro tudo por aí para achar um The Cramps ou um Fugazi, mas é difícil.

E isso se reflete no público ou o público se reflete no som das bandas.

Mesmo assim, é claro que há gente com talento e com punch para tanto, mas ninguém está afim de dar uma chance para esse tipo de artista. E os jovens são desinteressados demais para ir atrás de coisa nova e diferente. E bandas como Parquet Courts ou caras como Ty Seagal não chegam no grande público.

Não vou falar do cenário brasileiro, pois aí a coisa fica mais triste e o texto é capaz de não acabar por conta de minhas lágrimas.

O que importa é que o público está preguiçoso, a juventude não está nem aí para nada e só se importa em demonstrar o quanto é bela e merece mais que os outros.

E questão não é mais de saber mais, informar-se, criar ou subverter o que está estabelecido. O que realmente se mostra empolgante para essa galera jovem é ter, ter e ter.

É uma época de selfies, de ostentação e consumismo. E não há uma gama considerável de meninos e meninas que queiram se opor a isso.

E se há eles não estão se pronunciando. E isso é triste!

Abaixo, só para ilustrar, veja o vídeo de um trecho da apresentação dos Ramones em São Paulo em 1992:

Novembro no Brasil pode começar com AC/DC e terminar com Rolling Stones (ou vice-versa)

Já era sabido desde o meio do ano passado que a banda inglesa comandada por Mick Jagger e Keith Richards viria ao nosso país em 2015.

Havia, de fato, uma dúvida quanto ao momento correto para isso acontecer. Primeiro falou-se em algo parecido com o que ocorreu no Rio de Janeiro uma vez com a apresentação dos Stones durante a virada do ano, mas logo isso foi rechaçado tanto por banda quanto pelos organizadores de sua vinda. Mais a frente indicou-se até a possibilidade do grupo ser headline no Rock in Rio, mas também a fofoca não vingou.

Mais recentemente foi finalmente confirmado que os velhinhos virão no mês de novembro para alguns shows (inicialmente São Paulo) no país.

A informação de alguns dias atrás é de que no mesmo mês teremos a presença do Pearl Jam também. Lembrando que ano passado o vocal Eddie Vedder veio apenas com seu violão para algumas boas apresentações.

E a bomba da semana foi jogada na internet ontem com a informação ainda não carimbada de que o AC/DC será o próximo peso-pesado a aportar por aqui no penúltimo mês do ano.

A ideia é que o grupo australiano faça do Brasil caminho para sua turnê Rock or Bust que já se iniciou e que fará paradas no mês que vem para uma apresentação rápida no Grammy 2015 e outra no meio do ano para fechar uma das noites do Coachela.

Mesmo com as dificuldades antes do lançamento do disco novo com as questões ligadas à saúde de Malcolm Young de um lado e as de justiça com o baterista Phil Rudd de outro, o AC/DC não parou nenhum minuto para lamentar a má sorte e estão em plena atividade.

Nem as datas nem os locais dos shows tanto de Rolling Stones quanto de AC/DC foram confirmadas (no caso do AC/DC temos apenas o furo de reportagem do site Popload acerca da turnê), mas assim que houver é certeza que haverá correria intensa para a compra dos ingressos. Espera-se, pelo menos, que não haja o aumento absurdo dos valores que tem se percebido nos últimos eventos musicais por aqui.

Ritmo lento de “Leviatã” faz falta ao cinema atual

A forma como é contada a história do filme russo “Leviatã” é de uma calma tão necessária quanto sutil e o vai e vem emocional proporcionado pela atuação de seus atores faz com que a coisa funcione bem.

Dirigido por Andrey Zviaguintsev (“O Retorno” – 2003 e “Elena” – 2011) e com roteiro dele em parceria com Oleg Negin, o filme tem no seu elenco principal e em alguns bons coadjuvantes o sustentáculo essencial para que tal ausência de pressa possa ser suportada pelo espectador.

É claro que durante as mais de duas horas de duração da fita acabam por incomodar alguns cinéfilos durante a sessão, mas isso é mais um cacoete de quem se acostumou com os flashs intensos e as cenas entrecortadas da Hollywood atual.

A história é centrada em Kolya (Alexei Serebriakov), mecânico que herdou um casarão no alto de um pequeno monte em frente a um cenário entre o mar lindo e a ponte que dá para a cidade. Acontece que o prefeito quer de todas as maneiras comprar o local e faz da vida do rapaz um inferno a ponto de recorrer à lei para adquirir o imóvel a serviço do bem público e com um valor muito abaixo do mercado.

O que encuca a quem assiste ao filme é o motivo para tanta celeuma por parte de Vadim, o governante vivido por Roman Madianov. Muitas são as suposições durante o percurso da história, mas isso só é revelado bem à frente.

Quando está prestes a perder o processo pela casa, Kolya recorre a um amigo de longa data, o advogado Dmitri (Vladimir Vdovitchenkov) para salva-lo.

Além disso, o mecânico tenta ainda salvar seu casamento com Lilya (Elena Lyadova) por conta da rejeição que o seu filho tem por ela.

Quando se desenha uma nítida imparcialidade da justiça da província onde vive Kolya em favor do prefeito Vadim, então se inicia uma série de reviravoltas envolvendo chantagem, traição, intimidação, violência e até morte, situações que promovem um espiral infinito de degradação na família do personagem.

Uma coisa interessante nesta produção russa indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro é que durante o trajeto de sua história parece que vão variando os protagonistas dela, pois ora o advogado é retratado com mais ênfase, ora é o prefeito, por muitas vezes isso se dá com Kolya e por outras com sua esposa Lilya. Até mesmo o menino Roma parece ter seu momento de protagonismo.

Com um elenco de apoio muito talentoso, é por meio dele que há as principais cenas cômicas do filme, para que haja um suavização do peso que recai sobre os ombros de quem o assiste. Destaque para o casal vivido por Anna Ukolova e Roman Madyanov e para o policial bonachão Stepanych (Sergey Bachurskyi) que protagoniza uma das cenas mais engraçadas do longa.

Agora, voltando ao ritmo da obra, até mesmo a explicação acerca do titulo do filme, demora a chegar e quando isso acontece vem em forma de ótima figura de linguagem entre a ironia e a antítese. Para quem não sabe “Leviatã” é o nome dado a um monstro retratado no livro de Jó, no velho testamento. A Igreja chegou a citar o monstro como sendo uma representação do quinto pecado, a inveja.

Portanto, chega a ser interessante que na Rússia atual, cheia de censuras e bloqueios criativos por parte de seu premiê Vladimir Putin contra a classe artística, um filme com uma forte crítica ao uso político da Igreja Ortodoxa Cristã pelo governo e vice-versa e que cutuca temas como a corrupção e o sistema ultraconservador que ainda é encarado como natural por parcela considerável da população seja liberado e até financiado pelo fundo governamental para o audiovisual russo, algo parecido com a nossa Ancine.

Aliás, há sim uma explicação palpável para isso: a sutileza com que é contada a história (citada inúmeras vezes neste mesmo texto) pode ter ajudado, já que é por meio dela que certos diálogos e alguns fatos acabam só sendo perceptíveis ao ouvidos e olhos mais atentos. E sabemos que para esses homens do poder apenas o seu umbigo é o que importa.

Ponto para a arte e à liberdade de expressão!

Após hiato de quatro anos, a musa PJ Harvey está de volta com novidades

Polly Jean deu o ar da graça pela última vez em 2011 com o lançamento de “Let England Shake” e algumas da melhores apresentações ao vivo daquele ano.

Por conta da qualidade relevante do disco, a moça, inclusive, influenciou a publicação de um livro do escritor brasileiro Sávio Lopes sobre a música indie intitulado (vejam só) “Deixe a Inglaterra Tremer” (Editora Novo Século).

Passaram-se quatro anos em que a artista não realizou muita coisa suficiente para que pudéssemos saber que havia algo acontecendo de fato até a semana passada chegar.

O local era a Sommerset House de Londres e o dia foi a última sexta-feira (17). O público (cerca de três dúzias de pessoas que conseguiram ingressos disputados a tapa) estavam presentes para a primeira sessão pública de gravação do seu novo álbum, que acabará por se transformar uma instalação artística nas próximas semanas.

Isso mesmo! PJ fará a gravação do seu novo álbum a partir de sessões públicas na cidade de Londres.

Muita gente ficou excluída da sessão do primeiro dia para assistir ao concerto da cantora que fará o seu trabalho dentro de um estúdio construído a partir de uma espécie de caixa envidraçada, que permite ao público olhar para o interior, sem que os músicos tenham contato visual com os espectadores.

Os primeiros testemunhos falam de uma experiência estranha, porém única.

Segundo a revista New Musical Express, PJ Harvey não chegou a cantar nesta primeira sessão, mas pôde dar mostras de sua condição de multi-instrumentista tocando um pouco de saxofone, harmônica e violino.

O grupo de espectadores também viu Polly fazendo pausas para conversar com seus produtores John Parish e Flood, além de fazer inúmeras jam sessions com dois de seus músicos que a acompanham (casos de Terry Edwards e James Johnson). Aliás, este é o mesmo time com quem trabalhou em seu último trabalho.

A publicação britânica também explanou que a cantora e compositora iniciou a atividade para concluir a gravação de uma música intitulada “Near the memorials to Vietnam and Lincoln”.

Outra publicação da terra da rainha, The Guardian, chegou a mencionar que também estava no estúdio ao ar livre o fotógrafo Seamus Murphy, profissional que irá fazer um filme acerca do projeto da musa indie.

Ao que tudo indica, muitas das músicas que estarão no disco a ser lançado até o meio do ano já estão escritas e ensaiadas, mas que a ideia também seja realizar improvisações durante a atividade próxima ao público.

Parece que Harvey quer mesmo uma experiência que seja a mais próxima possível do espírito de gravar dentro de um contexto de concerto.

“Quero que ‘Recording In Progress’ funcione como se fosse uma exposição numa galeria”, disse a cantora antes do início da sessão. “Espero que os visitantes sejam capazes de experimentar o fluxo e a energia do processo de gravação.”

O projeto durará até 14 de Fevereiro, com 45 minutos diários de gravação. O álbum terá lançamento pela Island Records.