Novembro no Brasil pode começar com AC/DC e terminar com Rolling Stones (ou vice-versa)

Já era sabido desde o meio do ano passado que a banda inglesa comandada por Mick Jagger e Keith Richards viria ao nosso país em 2015.

Havia, de fato, uma dúvida quanto ao momento correto para isso acontecer. Primeiro falou-se em algo parecido com o que ocorreu no Rio de Janeiro uma vez com a apresentação dos Stones durante a virada do ano, mas logo isso foi rechaçado tanto por banda quanto pelos organizadores de sua vinda. Mais a frente indicou-se até a possibilidade do grupo ser headline no Rock in Rio, mas também a fofoca não vingou.

Mais recentemente foi finalmente confirmado que os velhinhos virão no mês de novembro para alguns shows (inicialmente São Paulo) no país.

A informação de alguns dias atrás é de que no mesmo mês teremos a presença do Pearl Jam também. Lembrando que ano passado o vocal Eddie Vedder veio apenas com seu violão para algumas boas apresentações.

E a bomba da semana foi jogada na internet ontem com a informação ainda não carimbada de que o AC/DC será o próximo peso-pesado a aportar por aqui no penúltimo mês do ano.

A ideia é que o grupo australiano faça do Brasil caminho para sua turnê Rock or Bust que já se iniciou e que fará paradas no mês que vem para uma apresentação rápida no Grammy 2015 e outra no meio do ano para fechar uma das noites do Coachela.

Mesmo com as dificuldades antes do lançamento do disco novo com as questões ligadas à saúde de Malcolm Young de um lado e as de justiça com o baterista Phil Rudd de outro, o AC/DC não parou nenhum minuto para lamentar a má sorte e estão em plena atividade.

Nem as datas nem os locais dos shows tanto de Rolling Stones quanto de AC/DC foram confirmadas (no caso do AC/DC temos apenas o furo de reportagem do site Popload acerca da turnê), mas assim que houver é certeza que haverá correria intensa para a compra dos ingressos. Espera-se, pelo menos, que não haja o aumento absurdo dos valores que tem se percebido nos últimos eventos musicais por aqui.

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Ritmo lento de “Leviatã” faz falta ao cinema atual

A forma como é contada a história do filme russo “Leviatã” é de uma calma tão necessária quanto sutil e o vai e vem emocional proporcionado pela atuação de seus atores faz com que a coisa funcione bem.

Dirigido por Andrey Zviaguintsev (“O Retorno” – 2003 e “Elena” – 2011) e com roteiro dele em parceria com Oleg Negin, o filme tem no seu elenco principal e em alguns bons coadjuvantes o sustentáculo essencial para que tal ausência de pressa possa ser suportada pelo espectador.

É claro que durante as mais de duas horas de duração da fita acabam por incomodar alguns cinéfilos durante a sessão, mas isso é mais um cacoete de quem se acostumou com os flashs intensos e as cenas entrecortadas da Hollywood atual.

A história é centrada em Kolya (Alexei Serebriakov), mecânico que herdou um casarão no alto de um pequeno monte em frente a um cenário entre o mar lindo e a ponte que dá para a cidade. Acontece que o prefeito quer de todas as maneiras comprar o local e faz da vida do rapaz um inferno a ponto de recorrer à lei para adquirir o imóvel a serviço do bem público e com um valor muito abaixo do mercado.

O que encuca a quem assiste ao filme é o motivo para tanta celeuma por parte de Vadim, o governante vivido por Roman Madianov. Muitas são as suposições durante o percurso da história, mas isso só é revelado bem à frente.

Quando está prestes a perder o processo pela casa, Kolya recorre a um amigo de longa data, o advogado Dmitri (Vladimir Vdovitchenkov) para salva-lo.

Além disso, o mecânico tenta ainda salvar seu casamento com Lilya (Elena Lyadova) por conta da rejeição que o seu filho tem por ela.

Quando se desenha uma nítida imparcialidade da justiça da província onde vive Kolya em favor do prefeito Vadim, então se inicia uma série de reviravoltas envolvendo chantagem, traição, intimidação, violência e até morte, situações que promovem um espiral infinito de degradação na família do personagem.

Uma coisa interessante nesta produção russa indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro é que durante o trajeto de sua história parece que vão variando os protagonistas dela, pois ora o advogado é retratado com mais ênfase, ora é o prefeito, por muitas vezes isso se dá com Kolya e por outras com sua esposa Lilya. Até mesmo o menino Roma parece ter seu momento de protagonismo.

Com um elenco de apoio muito talentoso, é por meio dele que há as principais cenas cômicas do filme, para que haja um suavização do peso que recai sobre os ombros de quem o assiste. Destaque para o casal vivido por Anna Ukolova e Roman Madyanov e para o policial bonachão Stepanych (Sergey Bachurskyi) que protagoniza uma das cenas mais engraçadas do longa.

Agora, voltando ao ritmo da obra, até mesmo a explicação acerca do titulo do filme, demora a chegar e quando isso acontece vem em forma de ótima figura de linguagem entre a ironia e a antítese. Para quem não sabe “Leviatã” é o nome dado a um monstro retratado no livro de Jó, no velho testamento. A Igreja chegou a citar o monstro como sendo uma representação do quinto pecado, a inveja.

Portanto, chega a ser interessante que na Rússia atual, cheia de censuras e bloqueios criativos por parte de seu premiê Vladimir Putin contra a classe artística, um filme com uma forte crítica ao uso político da Igreja Ortodoxa Cristã pelo governo e vice-versa e que cutuca temas como a corrupção e o sistema ultraconservador que ainda é encarado como natural por parcela considerável da população seja liberado e até financiado pelo fundo governamental para o audiovisual russo, algo parecido com a nossa Ancine.

Aliás, há sim uma explicação palpável para isso: a sutileza com que é contada a história (citada inúmeras vezes neste mesmo texto) pode ter ajudado, já que é por meio dela que certos diálogos e alguns fatos acabam só sendo perceptíveis ao ouvidos e olhos mais atentos. E sabemos que para esses homens do poder apenas o seu umbigo é o que importa.

Ponto para a arte e à liberdade de expressão!

Após hiato de quatro anos, a musa PJ Harvey está de volta com novidades

Polly Jean deu o ar da graça pela última vez em 2011 com o lançamento de “Let England Shake” e algumas da melhores apresentações ao vivo daquele ano.

Por conta da qualidade relevante do disco, a moça, inclusive, influenciou a publicação de um livro do escritor brasileiro Sávio Lopes sobre a música indie intitulado (vejam só) “Deixe a Inglaterra Tremer” (Editora Novo Século).

Passaram-se quatro anos em que a artista não realizou muita coisa suficiente para que pudéssemos saber que havia algo acontecendo de fato até a semana passada chegar.

O local era a Sommerset House de Londres e o dia foi a última sexta-feira (17). O público (cerca de três dúzias de pessoas que conseguiram ingressos disputados a tapa) estavam presentes para a primeira sessão pública de gravação do seu novo álbum, que acabará por se transformar uma instalação artística nas próximas semanas.

Isso mesmo! PJ fará a gravação do seu novo álbum a partir de sessões públicas na cidade de Londres.

Muita gente ficou excluída da sessão do primeiro dia para assistir ao concerto da cantora que fará o seu trabalho dentro de um estúdio construído a partir de uma espécie de caixa envidraçada, que permite ao público olhar para o interior, sem que os músicos tenham contato visual com os espectadores.

Os primeiros testemunhos falam de uma experiência estranha, porém única.

Segundo a revista New Musical Express, PJ Harvey não chegou a cantar nesta primeira sessão, mas pôde dar mostras de sua condição de multi-instrumentista tocando um pouco de saxofone, harmônica e violino.

O grupo de espectadores também viu Polly fazendo pausas para conversar com seus produtores John Parish e Flood, além de fazer inúmeras jam sessions com dois de seus músicos que a acompanham (casos de Terry Edwards e James Johnson). Aliás, este é o mesmo time com quem trabalhou em seu último trabalho.

A publicação britânica também explanou que a cantora e compositora iniciou a atividade para concluir a gravação de uma música intitulada “Near the memorials to Vietnam and Lincoln”.

Outra publicação da terra da rainha, The Guardian, chegou a mencionar que também estava no estúdio ao ar livre o fotógrafo Seamus Murphy, profissional que irá fazer um filme acerca do projeto da musa indie.

Ao que tudo indica, muitas das músicas que estarão no disco a ser lançado até o meio do ano já estão escritas e ensaiadas, mas que a ideia também seja realizar improvisações durante a atividade próxima ao público.

Parece que Harvey quer mesmo uma experiência que seja a mais próxima possível do espírito de gravar dentro de um contexto de concerto.

“Quero que ‘Recording In Progress’ funcione como se fosse uma exposição numa galeria”, disse a cantora antes do início da sessão. “Espero que os visitantes sejam capazes de experimentar o fluxo e a energia do processo de gravação.”

O projeto durará até 14 de Fevereiro, com 45 minutos diários de gravação. O álbum terá lançamento pela Island Records.

“Countdown to Extinction”: A formação clássica do Megadeth fazendo o que dela se espera

O álbum “Countdown to Extinction” pode não ser o mais pesado da carreira do Megadeth (“Peace Sells…but Who’s Buying?” e “Rust in Peace” são melhores neste quesito), mas com certeza é o mais conciso, detentor das melhores letras e possuidor de alguns dos melhores riffs do rock da década de 90.

Trata-se do segundo álbum do Megadeth com a formação que acabou ficando para a história como a clássica da banda, contando com Dave Mustaine no vocal e na guitarra, Marty Friedman na guitarra solo, violão e no vocal de apoio, além de David Ellefson no baixo e Nick Menza na bateria.

Dessa forma, é óbvio que estamos falando de um super grupo com caras que estão na primeira prateleira de melhores instrumentistas do Heavy Metal mundial.

“Countdown…” é o quinto álbum de estúdio da banda e foi gravado entre 6 de janeiro a 28 de abril de 1992, com lançamento americano em 14 de julho do mesmo ano. Teve na gravadora Capitol sua distribuidora global e contou com a produção de Max Norman e do próprio Deve Mustaine.

A icônica capa do álbum é um trabalho da parceria entre Hugh Syme (criação e desenho) e Cameron Wong (fotografia dos elementos da capa) e mostra um homem esquelético preso numa pequena e miserável cela que parece estar sendo arrebatado daquele local.

Com cerca de 47 minutos de duração e onze músicas, o disco foi lançado com a pretensão de alcançar o mesmo público que o grupo já possuía desde a sua criação, algo em torno de 2 milhões de vendas mundiais, mas assim como já havia tido um salto de duplicação de vendagem com o disco anterior, este “Countdown to Extinction” ultrapassou todas as perspectivas iniciais e chegou ao número mágico de 7 milhões de cópias adquiridas pelos fãs no mundo todo e ganhou dois discos de platina nos EUA.

Ainda em termos de números, o álbum chegou a alcançar o 2º lugar na Billboard e seus vídeos foram muito visualizados pela MTV ficando várias semanas no Top 20 da emissora.

Uma ironia do destino é que se deve muito ao sucesso do Metallica, primeira banda de Mustaine que o havia expulsado em comum acordo dos outros integrantes, que impulsionou a venda não só de Megadeth, mas também de outros ícones do Trash Metal criado na década de 80, casos de Anthrax e Testament, principalmente.

O álbum chegou a ser nominado para ”Melhor Desempenho de Metal” no Grammy Awards de 1993 e teve a faixa título do álbum como vencedora do Humane Society Genesis Award, prêmio que agracia artistas que contribuem de alguma forma para a melhoria da sociedade humana. Tal honra nunca havia sido promovida a uma banda de heavy metal anteriormente.

A bolacha se tornou tão clássica que, em 2004, foi lançada uma versão remasterizada, contendo quatro faixas novas. Além disso, foi tocada na íntegra na excursão da banda de 2012.

A produção começa com “Skin o’ My Teeth”, faixa abertamente acerca das tentativas de suicídio de Dave Mustaine e que, além de ter um início arrebatador da bateria de Nick Menza, também se apoia bem na guitarra grudenta de Mary Friedman.

Logo em seguida, já temos a música mais tocada da banda. “Symphony of Destruction” mostra como uma pessoa de boa apresentação pode chegar no poder e controlar a todos. É um tema recorrente nas letras de Mustaine e seu vocal ajuda muito para que essa narração fique na história do rock. O uso da introdução sinfônica em sintonia com a guitarra mais lenta, além da cozinha de David Ellefson e Nick Menza que deixa a melodia pesadona, transformam a música no hino que é.

Uma salva de tiros introduz “Architecture of Aggression”, faixa que mostra a arquitetura com que os ataques militares em guerra são planejados. É uma letra inteligente e sarcástica, que é auxiliada pela voz única de Dave Mustaine e o peso constante das duas guitarras do grupo.

“Foreclosure of a Dream” chega para nos demostrar o quanto deixamos sonhos para trás e como isso é doloroso no futuro ao percebermos que não há como voltar atrás.

“Sweating Bullets” é talvez a faixa mais criativa e de melodia mais bacana do disco, com Dave Mustaine nos passando a sensação de como ficar esquizofrênico. De fato, a própria troca de ritmo da canção dá a entender isso e as viradas no tom da bateria e do baixo fazem com que a música se multiplique no seu resultado final. São várias músicas numa só.

A próxima música é a faixa-título do disco. Ela fala sobre caçadores que atiram em animais indefesos presos dentro de uma gaiola e os mandam para um empalhador a fim de transformá-los em um troféu. Ela pode ser entendida no seu sentido literal ou através de inúmeras figuras de linguagem, dentre as quais a ironia e o sarcasmo são ingredientes mais picantes na letra de Mustaine para demonstrar o mundo ignorante e egoísta em que vivemos.

“High Speed Dirt” é uma música sobre paraquedismo; a expressão high speed dirt é usada quando seu para-quedas não abre. E quem ouve a música realmente cai em queda livre em direção a um buraco negro de riffs de guitarras perfeitos com um acompanhamento de bateria forte e pulsante em consonância com um baixo potente que descamba para um momento bluseiro, inclusive.

“Psychotron” narra a história de uma invenção meio robô meio humano assassino. Ou seria o ser humano atual sendo tratado e se comportando como uma máquina?

“Captive Honour” capta o dia-a-dia de um prisioneiro. Com melodia triste e nauseante, a faixa possui um trabalho vocal numa narração quase falada por Mustaine e momentos épicos e potentes de todos os instrumentistas.

Por fim, temos “Ashes in Your Mouth”, canção que aborda o sonho de liberdade e de sucesso que todo americano possui e demonstra que, por vezes, as pessoas se veem infelizes depois de chegarem ao topo de suas vidas. É uma das faixas mais rápidas e pesadas ao mesmo tempo do álbum. Possui um trabalho de riffs indo e voltando entre os vocais de Dave e o baio conciso de David Ellefson. A bateria de Menza também não fica para trás e a duração de seis minutos produz uma ideia de clássico quase imediata para uma melodia tão bem elaborada quanto esse grand finale.

Portanto, pode-se dizer que este álbum de 1992 é um marco na carreira do Megadeth, e por que não, do Heavy Metal mundial, já que expõe uma banda no seu auge fazendo música pesada de qualidade e se utilizando de grandes letras para criticar uma sociedade hipócrita, um governo corrupto e pinçar na história a quantidade imensa de erros que continuamos a repetir nos dias atuais.

“Countdown to Extinction” poderá ser tocado na íntegra daqui a cinquenta anos que prosseguirá atual pelos temas abordados e pela excelência de seu trabalho instrumental.

O Megadeth até tentou caminhar na mesma estrada de “Countdown to Extinction” no álbum a seguir, “Youthanasia”, tentando prosseguir no Mainstream, mas só conseguiu alguns altos dentro de uma série de baixos e isso fez com que a banda voltasse ao underground do Heavy Metal.

Parece que isso até fez bem à banda que retornou a fazer ótimos trabalhos sem nenhum compromisso com o sucesso comercial com uma penca de ótimas turnês.

Recentemente, a partir de várias brigas por conta da personalidade complicada de Dave Mustaine, a banda praticamente se dissolveu restando apenas o seu líder. Porém, alguns rumores dão conta de que a tal formação clássica pode voltar à ativa. Espera-se que sim, para o bem do Heavy Metal.


“Countdown to Extinction”, faixa a faixa:

1 – Skin o’ my Teeth (Dave Mustaine)

2 – Symphony of Destruction (Dave Mustaine)

3 – Arquitecture of Agression (Dave Mustaine, David Ellefson)

4 – Foreclosure of a Dream (Dave Mustaine, David Ellefson)

5 – Sweating Bullets (Dave Mustaine)

6 – This Was my Life (Dave Mustaine)

7 – Countdown to Extinction (Dave Mustaine, David Ellefson, Marty Friedman, Nick Menza)

8 – High Speed Dirt (Dave Mustaine, David Ellefson)

9 – Psychotron (Dave Mustaine, Marty Friedman)

10 – Captive Honour (Dave Mustaine, David Ellefson, Marty Friedman, Nick Menza)

11 – Ashes in your Mouth (Dave Mustaine, David Ellefson, Marty Friedman, Nick Menza)


Symphony For Destruction


Sweating Bullets


Captive Honour


Vaza na internet “Vulnicura”, novo disco de Björk

O anúncio do novo álbum de Björk saiu há menos de uma semana pela gravadora e página oficial da cantora islandesa, mas no final deste último domingo ele acabou vazando na rede mundial de computadores.

Oficialmente, “Vulnicura”, sucessor de “Biophilia” lançado em 2011, deverá ser lançado daqui a dois meses.

Já é possível encontrar supostas canções do disco em sites de streaming de música e em arquivos no formato torrent prontas para serem baixadas por qualquer usuário da rede.

A própria Björk, que vem utilizando bastante a rede social tanto no Twitter quanto no Facebook para divulgar o novo trabalho, parece ter sido pega de surpresa, pois ainda não se pronunciou sobre o vazamento.

Até mesmo o que parece ser a capa do disco aparece em muitos destes supostos links e posts sobre o novo álbum.

As reações dos fãs no Twitter também se dividem. Alguns se recusaram a ouvir as canções que teriam sido pirateadas. Outros dizem que as ouviriam agora, mas afirmam que não deixarão de comprar o álbum quando ele sair.

Após ser lançado em março, o álbum que tem produção dos produtores Alejandro Ghersi e Haxan Cloak, será acompanhado por uma série de shows em Nova York.

Algo que, com certeza, ilustrará bem outro evento acerca do trabalho da ex-cantora do Suggar Cubes. O MoMA (Museu de Arte Moderna de Nova York) inaugurará retrospectiva dedicada à obra de Björk no mesmo período.

Veja abaixo, a suposta capa de “Vulnicura”:

facebook

E abaixo, confira o que seriam as músicas do disco:

Stonemilker
Lionsong
History Of Touches
Black Lake
Family
Notget
Atom Dance
Mouth Mantra
Quicksand

Oscar 2015: boa lista de indicados para termos os ganhadores de sempre?

Foram anunciados nesta quinta (15) pelos diretores pelos diretores J.J. Abrams e Alfonso Cuaron, além do ator Chris Pine e da presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs os indicados para a premiação máxima do cinema mundial. O evento ocorreu em Bervely Hills, nos Estados Unidos e a cerimônia de entrega das estatuetas acontecerá em 22 de fevereiro próximo.

A boa surpresa é a remessa de ótimos filmes americanos ou não que o Oscar consegue contemplar nesse período de indicações. Produções diferentes como Boyhood, filmes que já se tornam clássicos como Ida, Whiplash e Leviatã e comédias inteligentes como Birdman, Relatos Selvagens, entre outros, são referências importantes para a indústria cinematográfica atual fazendo com que haja abertura maior ainda para um mercado que cresce e possui prestígio relevante entre o público.

Esse cinema alternativo, criativo e cheio de bons roteiros se enfia no meio dos blockbusters, franquias e adaptações de games e HQs que assolam o mundo da tela grande atual.

Por outro lado, as inclusões de gente como Meryl Streep e Clint Eastwood comprova certa preguiça dos votantes para vasculhar coisas (e gente nova) por aí. Não, não é uma incoerência em relação aos parágrafos acima. Os ótimos filmes citados acima tiveram boa divulgação no boca a boca da galera e, portanto, são de conhecimento mundial neste exato momento. Além disso, não é nada contra os artistas mencionados anteriormente, já que galgaram degraus quase infinitos em sua carreira, mas o que falta é um olhar mais universal para analisar pessoal novo, com nova pulsação e diferentes sensações para nos mostrar. Só isso!

Fica a ressalva, mas a animação prossegue por visualizar que o cinema continua fazendo com que a alcunha de sétima arte ainda tenha bastante sentido.

Abaixo, os indicados em todas as categorias:

Melhor filme

“Sniper americano”
“Birdman”
“Boyhood: Da infância à juventude”
“O grande hotel Budapeste”
“O jogo da imitação”
“Selma”
“A teoria de tudo”
“Whiplash”

Melhor diretor
Alejandro Gonzáles Iñárritu (“Birdman”)
Richard Linklater (“Boyhood”)
Bennett Miller (“Foxcatcher: Uma história que chocou o mundo”)
Wes Anderson (“O grande hotel Budapeste”)
Morten Tyldum (“O jogo da imitação”)

Melhor ator
Steve Carell (“Foxcatcher”)
Bradley Cooper (“Sniper americano”)
Benedict Cumbertatch (“O jogo da imitação”)
Michael Keaton (“Birdman”)
Eddie Redmayne (“A teoria de tudo”)

Melhor ator coadjuvante
Robert Duvall (“O juiz”)
Ethan Hawke (“Boyhood”)
Edward Norton (“Birdman”)
Mark Ruffalo (“Foxcatcher”)
JK Simons (“Whiplash”)

Melhor atriz
Marion Cotillard (“Dois dias, uma noite”)
Felicity Jones (“A teoria de tudo”)
Julianne Moore (“Para sempre Alice”)
Rosamund Pike (“Garota exemplar”)
Reese Whiterspoon (“Livre”)

Melhor atriz coadjuvante
Patricia Arquette (“Boyhood”)
Laura Dern (“Livre”)
Keira Knightley (“O jogo da imitação”)
Emma Stone (“Birdman”)
Meryl Streep (“Caminhos da floresta”)

Melhor filme em língua estrangeira
“Ida” (Polônia)
“Leviatã” (Rússia)
“Tangerines” (Estônia)
“Timbuktu” (Mauritânia)
“Relatos selvagens” (Argentina)

Melhor documentário
“O sal da terra”
“CitizenFour”
“Finding Vivian Maier”
“Last days”
“Virunga”

Melhor documentário em curta-metragem
“Crisis Hotline: Veterans Press 1”
“Joanna”
“Our curse”
“The reaper (La Parka)”
“White earth”

Melhor animação
“Operação Big Hero”
“Como treinar o seu dragão 2”
“Os Boxtrolls”
“Song of the sea”
“The Tale of the Princess Kaguya”

Melhor animação em curta-metragem
“The bigger picture”
“The dam keeper”
“Feast”
“Me and my moulton”
“A single life”

Melhor curta-metragem em ‘live-action’
“Aya”
“Boogaloo and Graham”
“Butter lamp (La lampe au beurre de Yak)”
“Parvaneh”
“The phone call”

Melhor roteiro original
Alejandro G. Iñárritu, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris Jr. e Armando Bo (“Birdman”
Richard Linklater (“Boyhood”)
E. Max Frye e Dan Futterman (“Foxcatcher”)
Wes Anderson e Hugo Guinness (“O grande hotel Budapeste”)
Dan Gilroy (“O abutre”)

Melhor roteiro adaptado
Jason Hall (“Sniper americano”)
Graham Moore (“O jogo da imitação”)
Paul Thomas Anderson (“Vício inerente”)
Anthony McCarten (“A teoria de tudo”)
Damien Chazelle (“Whiplash”)

Melhor fotografia
Emmanuel Lubezki (“Birdman”)
Robert Yeoman (“O grande hotel Budapeste”)
Lukasz Zal e Ryszard Lenczewski (“Ida”)
Dick Pope (“Sr. Turner”)
Roger Deakins (“Invencível”)

Melhor edição
Joel Cox e Gary D. Roach (“Sniper americano”)
Sandra Adair (“Boyhood”)
Barney Pilling (“O grande hotel Budapeste”)
William Goldenberg (“O jogo da imitação”)
Tom Cross (“Whiplash”)

Melhor design de produção
“O grande hotel Budapeste”
“O jogo da imitação”
“Interestelar”
“Caminhos da floresta”
“Sr. Turner”

Melhores efeitos visuais
Dan DeLeeuw, Russell Earl, Bryan Grill e Dan Sudick (“Capitão América 2: O soldado invernal”)
Joe Letteri, Dan Lemmon, Daniel Barrett e Erik Winquist (“Planeta dos macacos: O confronto”)
Stephane Ceretti, Nicolas Aithadi, Jonathan Fawkner e Paul Corbould (“Guardiões da Galáxia”)
Paul Franklin, Andrew Lockley, Ian Hunter e Scott Fisher (“Interestelar”)
Richard Stammers, Lou Pecora, Tim Crosbie e Cameron Waldbauer (“X-Men: Dias de um futuro esquecido”)


Melhor figurino
Milena Canonero (“O grande hotel Budapeste”)
Mark Bridges (“Vício inerente”)
Colleen Atwood (“Caminhos da floresta”)
Anna B. Sheppard e Jane Clive (“Malévola”)
Jacqueline Durran (“Sr. Turner”)

Melhor maquiagem e cabelo
Bill Corso e Dennis Liddiard (“Foxcatcher”)
Frances Hannon e Mark Coulier (“O grande hotel Budapeste”)
Elizabeth Yianni-Georgiou e David White (“Guardiões da Galáxia”)

Melhor trilha sonora
Alexandre Desplat (“O grande hotel Budapeste”)
Alexandre Desplat (“O jogo da imitação”)
Hans Zimmer (“Interestelar”)
Gary Yershon (“Sr. Turner”)
Jóhann Jóhannsson (“A teoria de tudo”)

Melhor canção
“Everything is awesome”, de Shawn Patterson (“Uma aventura Lego”)
“Glory”, de John Stephens e Lonnie Lynn (“Selma”)
“Grateful”, de Diane Warren (“Além das luzes”)
“I’m not gonna miss you”, de Glen Campbell e Julian Raymond (“Glen Campbell…I’ll be me”)
“Lost Stars”, de Gregg Alexander e Danielle Brisebois (“Mesmo se nada der certo”)

Melhor edição de som
Alan Robert Murray e Bub Asman (“Sniper americano”)
Martín Hernández e Aaron Glascock (“Birdman”)
Brent Burge e Jason Canovas (“O hobbit: A batalha dos cinco exércitos”)
Richard King (“Interestelar”)
Becky Sullivan e Andrew DeCristofaro (“Invencível”)

Melhor mixagem de som
John Reitz, Gregg Rudloff e Walt Martin (“Sniper americano”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e Thomas Varga (“Birdman”)
Gary A. Rizzo, Gregg Landaker e Mark Weingarten (“Interestelar”)
Jon Taylor, Frank A. Montaño e David Lee (“Invencível”)
Craig Mann, Ben Wilkins e Thomas Curley (“Whiplash”)

Whiplash é apenas para os fortes

O filme é sobre música, ou sobre o jazz para ser mais exato, mas poderia ser um longa sobre as forças armadas ou sobre qualquer esporte de alto rendimento.

“Whiplash – Em Busca da Perfeição” é bem escrito e otimamente dirigido por Damien Chazelle, autor que tem na bagagem como roteirista o abacaxi “O Último Exorcismo: Parte 2” (2013), mas que pôde se preparar bem para o nosso filme em questão com o correto “Toque de Mestre” do mesmo ano.

A película tem boa estrutura narrativa e apoio eficaz no seu elenco, com imponente destaque para a atuação primorosa de J.K. Simmons (Terence Fletcher) e Miles Teller (Andrew Neiman), além de aparições esporádicas do experiente comediante Paul Reiser que aqui possui um papel mais dramático funcionando como um contraponto ao relacionamento conflituoso entre o mestre e o aprendiz feito pelos atores anteriormente mencionados.

Tudo se inicia com a admissão do jovem Neiman à fictícia Faculdade Schefer de Música de Nova York e a pronta atenção por parte do gênio e genioso professor Fletcher, conhecido como um carrasco para os seus alunos.

Não demora para que o frio professor destile seu veneno e sua curiosidade sobre os ombros do calouro baterista em sua banda conhecida por nunca perder os concursos de jazz aos quais concorre.

Além disso, tais audições rendem normalmente contratos dos jovens músicos com bandas famosas do estilo musical. São citados durante o filme os nomes de Charlie Parker, Buddy Rich, entre outros.

O ponto alto do filme é o embate entre os dois personagens principais, o que rende uma comparação inevitável aos filmes sobre as forças armadas como “Nascido Para Matar” de Kubrick, mas não deixa de ser interessante a tal busca pela perfeição como algo que não gera nenhum tipo de prazer. Aliás, é nesse quesito que o filme se assemelha tanto com outras produções baseadas em esportes e sua necessidade de fazer o atleta sofrer como também o recente “Cisne Negro”, por conta da obsessão desenfreada de sua protagonista e do conflito maléfico com o seu mestre.

“Whiplash” chega a ter uma reviravolta em seu último quarto de exibição fazendo com que a plateia acredite na redenção do seu protagonista, mas o diretor prefere não entregar algo tão fácil assim a quem assiste ao filme, ainda bem.

E as cenas de desgaste físico e mental envolvendo os músicos da banda de jazz com a desmedida e desalmada intervenção de seu regente têm um grau máximo de intensidade e tensão.

Apesar disso tudo, não sei se por causa de meu lado “professor bruxo”, eu me pego concordando com muitas dos xingamentos e insultos do personagem de Simmons por (pode parecer loucura) achar que ele só está querendo tirar o melhor de cada um de seus asseclas.

Deste modo, na própria fala de Fletcher, não adianta ser bom, há a necessidade de se superar até a perfeição.

E há de se salientar a última cena do filme que é digna de aplausos de qualquer plateia minimamente exigente, algo que de fato aconteceu na sessão em que eu estava assistindo.

Um filme que toca ao coração por conta de sua virilidade e da forma de contar uma história que poderia ter caído na facilidade de um final piegas, mas que se mantém de cabeça e ombros erguidos para nos mostrar que essa procura por ser diferente, melhor, único requer mais do que o simples domínio do que se faz.

Às vezes é necessário ser incansável, persistente e até arrogante para ambicionar algo mais profundo e elevado. Pode não ser o melhor dos mundos para quem procura a felicidade, mas para a tal “perfeição” do subtítulo, é isso que músicos, esportistas ou outros artistas em geral buscam incessantemente.